Velho
Na velhice da alma
Eu não escolho sonhar; os sonhos que vêm sobre mim
Algum velho e estranho desejo por ações.
Quanto à mão sem força de algum velho guerreiro
O punho da espada ou o capacete usado desgastado pela guerra
Traz vida momentânea e astúcia longínqua,
Então para minha alma envelhecida -
Envelhecida com muitas justas, muitas incursões,
Envelhecida com nomear de um aqui-vindo e daqui-indo -
Até agora eles lhe enviam sonhos e não mais deveres;
Assim ele se incendeia novamente com poder para a ação,
Esquecido do conselho dos anciãos,
Esquecido de que aquele que governa não mais batalha,
Esquecido de que tal poder não mais se apega a ele
Assim ele se incendeia novamente em direção ao fazer valente.
Ode a um sete
No silêncio deste velho pedestal, corroído pelas infindas águas da realidade, sinto-me como caneta sem tinta. Passei a me solidarizar com Fernando Pessoa, pois, agora que um sete está em tudo: nos lugares que passo, onde penso, existo e até mesmo ouso descansar. É estranho, mas acho que compreendo, ao menos de forma minimamente correta.
O menor dos problemas não é deixar para trás, e sim a lacuna entre a falsa perseverança, simultânea ao vazio que na mente se abre, restando-me apenas a certeza da dúvida se conseguirei recuperar aquilo que nem sei ao certo se realmente perdi. Ela me domina, esgueirando-se por minhas fibras junto a um sete que, ao longe, me perseguia e hoje, dentro de mim se ergue.
Conforme o maldito se consolida, me questiono por que as tortuosas linhas do destino me apresentaram a esse tal Proust, sem nenhum aviso prévio ou formidável preparo necessário, apenas atirando-o à mim, assim como um sete, de forma tão tardia, agitando as águas salgadas da angústia. Agora, com um mínimo de aprendizado, passo a entender que memórias não doem apenas por serem memórias, mas por serem vagarosas, lentas, tornando-se, em alguns casos, “pequenas” demais para tal estrago, ridiculamente desproporcionais às correntes que me prendem à eternidade que parece habitar neste museu, mantendo-o vivo.
Diante deste ninho moldado por traços desolados, guerreando com um sete, sinto-me culpado, uma alma insignificante, vagando em busca de perdão. Oro ao pequenino Léo, que, aos trancos e barrancos da própria ingenuidade, inteligência e bondade petulante, sem nunca pestanejar, ergueu-se sozinho. Queria dizer-lhe o quão orgulhoso sou por sua bravura altruísta, por seu poder de encontrar felicidade e conhecimento no simples, isso te levou longe, garoto. Jamais se esqueça, nem aceite cair na penumbra das mágoas ao seu pai, muito menos que se volte contra sua mãe. Peço apenas que, com sabedoria, aprenda que a vida não é só perdoar a todos, cuidar, salvar. Olhe para si.
Admiro muito você por conseguir seguir mesmo estando estilhaçado pelas flechas amarguradas da injustiça que costumamos chamar de vida, outrora direcionadas ao pobre Paulo. Pobre garoto, assustado e confuso, tendo menos que Romeu a perder, agarrando-se ao mínimo que pudesse de uma Julieta que sequer lhe jurou seu amor. E, diante da terrível praga, sem contato com o verdadeiro mundo, sem o paradeiro daqueles que davam cor ao seu, guardou sozinho todo medo e dor, retraindo-se para dentro da massa pensante, desconectando-se do próprio eu.
Compadeço-me de ti: a fantasia pode ser tortuosa de tão linda, mas, apesar de tudo, vivo você esteve, e vivo sempre estará, deixando seu legado que, mesmo escondido, soterrado pelas poeiras neurais, ainda carrega essência e sonho.
E a você, Gael, escondido sob a manta da amargura, vestido com uma falácia de máscula armadura, viverá para sempre vagando pelos imundos espectros daquilo que um dia denominou-se como Maria. Mas olhe para si, garoto, não vê o quão vitorioso és? Não te deixes levar pela afiada e gélida linha que deveria atuar apenas em uma ponta. Você é ouro, garoto. Graças a ti, e somente a ti, todos terão o descanso merecido, basta que se encontrem com o verdadeiro eu.
Tua bravura jamais será esquecida. Saúdem o grande dragão guerreiro que, com sua fúria, forjou a katana do ser, unindo os espectros que, outrora meros cadeados do trauma, agora se fundem e, juntos, derretem novamente, dando vida ao sujo, obscuro e fragmentado etanol. Puro produto da decomposição, prestes a evaporar, ir embora a qualquer instante, ocupando espaço sem pertencer, entorpecendo a realidade por onde passa. É o vazio deprimido em sua forma mais pura.
Olá, velho companheiro, quanto tempo se passou e quantas experiências vividas.
Neste momento o veterano relembra daquele jovem sonhador, que tanto pensou nestes dias.
Hoje, há um olhar para trás e um misto de emoções, uma dificuldade de retomar a inspiração.
O experiente combate volta para si, tentando assimilar as inúmeras batalhas e contar um pouco de sua experiência, mas as cicatrizes dos ferimentos de combate faz com que as palavras se percam nas memórias e traumas.
Mas o jovem Cioccolato olha atentamente e entusiasmado para aprender com as lições daquele que retornou da batalha com as experiências vivias no front, mas com a vitalidade de muito conquistas.
Aquele que acredita estar certo meramente por ser mais velho é como um caracol que ri de um guepardo por estar correndo há mais tempo.
O novo mundo era e ainda é um sonho do velho mundo. Com o que sonhamos hoje para um futuro novo muito próximo? 🕊
Muitas vezes para você conseguir algo novo em sua vida, você precisará abrir mão de algo velho que esteja usando ou praticando.
Na beira daquele velho tanque,
um cardume de girinos.
Por certo foi a rã de Bashô.
O som do mergulho, ainda permanece
No alburno da minha mente.
De José Alberto Lopes
“A integração é o momento de reconciliação. Foi-se o velho, foi destruído o que não servia, e agora é necessário reorganizar os fragmentos sobreviventes numa nova coerência. Integração exige maturidade, equilíbrio e paciência. É quando a luz e a sombra se unem, propósito e forma se harmonizam, e a alma materializa o que foi descoberto internamente.”
- do livro O tarô esquecido: despertando o verdadeiro propósito das cartas
O Encontro dos Contrastes.
Ele era o silêncio das bibliotecas antigas, O cheiro de papel velho e o peso do que foi escrito.
Um verso pausado, uma nota que hesita,
Vivendo no rastro do que é finito e restrito.
Ela era o eco das praças lotadas, O vento que bagunça o cabelo e a alma.
Um riso solto em esquinas geladas,
A pressa que ignora o convite da calma.
A Geometria do Destino
Não havia lógica no mapa que os guiava,
Pois um buscava o norte, o outro a imensidão.
Mas o destino, esse artesão que não errava,
Tinha planos traçados na palma da mão.
- Distintas? Como o fogo e o sereno.
- Opostas? Como o abismo e o luar.
- Destinadas? Como o rio, ainda pequeno,
Que não conhece outro caminho senão o mar.
A União dos Avessos
Quando se olharam, o tempo perdeu a medida,
As arestas se moldaram em perfeito encaixe.
Ele deu a ela o porto, a raiz, a guarida;
Ela deu a ele o voo, sem que ele baixasse.
Pois almas diferentes não buscam o igual,
Buscam o que falta, o que completa o desenho.
E no abraço que funde o mortal e o imortal,
Descobrem que o amor é o seu único empenho.
"Duas metades que não se parecem, mas que, ao se tocarem, finalmente se reconhecem."
O maior erro do velho é achar que está inventando a roda ao falar mal da geração posterior, estão repetindo o mesmo erro de seus avós, que repetiram o erro de seus presidentes, que repetiram o erro de algum filósofo que só estava muito bravo.
Bom dia, amiga poetisa! Desejo-lhe tudo de bom no ano velho que se expira e no novo ano que se inicia. Beijos.
Serena,
que noite
é essa?
Velho,
não sou
de andar enculcado
mas olhe, "vice",
sabe-se lá
de onde vem
e por que vem?
Ao meu "coração maltrapilho":
Fiz da poesia
minha arte;
Olhos nas estrelas
e coração em Marte.
A idade da mente
Envelhecer é a única maneira de ficar velho.
Sim, o envelhecimento é cronológico.
É um processo, olhe no espelho!
As alterações se manifestam no fisiológico.
O ficar velho é também estado de espírito.
Existem pessoas novas com mente adulta.
Me refiro a jovens com mente restrita
Com maturidade emocional oculta.
Dessa forma, a verdadeira idade está na mente,
E a maturidade emocional, nas experiências.
O aprendizado também não é passado:
É uma jornada contínua de vivências.
Enfim, a verdadeira idade é processo,
Onde todos os vivos passarão;
Seja logo ou num futuro expresso,
Num inverno, num outono ou no verão.
Raimundo Nonato Ferreira
Maio/2026
Livre canção
Quando eu era um garoto, num quarto pequeno
Com um violão velho, meu grande veneno
Sonhava com palcos, com a luz e o som
Numa banda de rock, esse era o meu dom
E a guitarra chorava no meu coração
A melodia da livre canção
Não tinha dinheiro, mas tinha valor
Meus pais e meus sonhos, meu único amor
O tempo passou, a vida ensinou
Que nem todo sonho vira o que a gente sonhou
Batalhas, trabalho, a poeira da estrada
Mas aquela faísca nunca foi apagada
E a guitarra chorava no meu coração
A melodia da livre canção
Não tinha dinheiro, mas tinha valor
Meus pais e meus sonhos, meu único amor
As cordas gastaram, os dedos marcaram
Cada calo uma nota, uma história pra contar
O tempo pode ser um rio bravo a passar
Mas a nascente do sonho nunca vai secar
Hoje eu olho pra trás e entendo a riqueza
Não era de ouro, mas de pura nobreza
De ter um refúgio, um sonho pra seguir
E a música em mim, me fazendo sorrir.
O homem sentado não disse muito, porém, o que disse calou ao coração de todos.
''Sou um velho bebendo. O único momento em que não estou bebendo é quando estou bêbado. Quer outro resumo de como levar a vida?'' E saiu...
- Relacionados
- Envelhecer: frases engraçadas para olhar o tempo com bom humor
- Ficando Velho
- Já dizia um velho sábio: frases de reflexão
- Amor pra Homem mais Velho
- Velho Sábio
- Irmão mais velho: mensagens para homenagear e mostrar sua admiração
- Adeus ano velho, feliz ano novo (frases para celebrar um novo começo)
