Velha

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Nova e Velha Política.


"Não consigo dizer o quanto uma janela exposta à luz do meio-dia pode ou não ofuscar minha vista, uma vez que quem decide é a hora e a posição que eu devo ocupar naquele ambiente. O paradoxo entre as leis limitantes e a liberdade de escolhas promovidas pelo livre arbítrio sob a lente religiosa promove discursos. Hoje, os políticos são categoricamente dois jogadores em lados diferentes em um único tabuleiro. O que torna isso engraçado é o fato de que somos nós os peões e as rainhas dentro desse jogo. Podemos decidir qual jogador irá nos representar, mas nunca a direção pela qual eles irão nos mover durante cada jogada."

A CATEDRAL DAS SOMBRAS.
Parte i



Quando a noite, em veste escura,Sepultou a velha altura,Vi a Lua, fria e pura,Sobre a torre a soluçar;Cada estrela estremecida,Parecia, adormecida,Uma lágrima esquecidaSem coragem de brilhar.


Pelas naves do silêncio,Onde o Tempo fez domínio,Cada pedra era um martírio,Cada arco, uma oração;E eu seguia, passo lento,Respirando o esquecimento,Como quem transforma o ventoNo compasso do coração.


Vi retratos sem semblante,Vi um espelho vacilante,Onde o rosto do viajanteJá não ousa florescer;Pois a face que eu fitava,Mais que a minha, denunciavaToda a dor que sepultavaO desejo de viver.


Cada porta era um mistério,Cada sino, um cemitério,Cada eco, um ministérioCelebrando a solidão;E as paredes consumidas,Feitas de eras esquecidas,Repetiam, doloridas:— "Tudo acaba... tudo em vão..."


Mas ouvi, de uma janela,Uma voz serena e bela,Como a luz de uma aquarelaSobre um campo sem calor;Não cantava a esperança,Nem promessas de bonança;Era apenas a lembrançaDo primeiro e puro amor.


Meu espírito, cansado,Como um tronco abandonado,Pelo inverno açoitado,Vacilou sem resistir;Pois lembrava, entre gemidos,Os jardins já destruídos,Onde os sonhos esquecidosAprenderam a partir.


Vi então um corvo antigo,Feito sombra e feito abrigo,Que pousou, qual velho amigo,No mais alto castiçal;Seu olhar, sem ter piedade,Conhecia a eternidadeE a secreta identidadeDe todo homem mortal.


Nada disse. Nada fez.Mas o peso da mudezEra a voz da insensatezQue ninguém deseja ouvir;Pois existem mil palavrasQue são frágeis como tábuas,Mas há silêncios que lavramA sentença de existir.


Então vi que cada abismoNasce antes no organismo,Onde o próprio egoísmoErgue alta catedral;Cada culpa alimentada,Cada lágrima abafada,É uma lâmpada apagadaNo invisível funeral.


Quem combate monstros, cedoPode tornar-se o degredoDo mais íntimo segredoQue jurava destruir;Pois o mal que nos devoraNão desperta apenas fora:É a raiz que se enamoraDo jardim por consumir.


E caminhei noite adentro,Procurando algum alento,Mas achei somente o centroDo infinito labirinto;Onde o medo, soberano,Escrevia, ano após ano,Com um dedo desumano,Cada página do instinto.


Quando a aurora finalmenteTocou o horizonte ardente,Vi que o Sol, resplandecente,Não venceu a escuridão;Pois a sombra verdadeiraNão repousa na ladeira,Nem na floresta fronteira:Faz morada no coração.


Mesmo assim, subi o monte,Onde nasce cada horizonte,E rompi, qual velha ponte,As correntes do temor;Porque a noite, por mais forte,Nunca encerra toda sorte:Há mistérios além da morte,Há silêncio além da dor.


Então, diante do Infinito,Ergui firme o meu espírito,Não em gesto de conflito,Mas de lúcida ascensão;E as estrelas, uma a uma,Dissolveram toda a bruma,Transformando a antiga espumaNa mais viva criação.


Compreendi, no último instante,Que o destino mais giganteNão pertence ao triunfante,Nem ao rei, nem ao altar;Pertence ao ser que, vencido,Mesmo em sangue consumido,Faz do próprio coração partidoUma nova forma de amar.


E a noite, antes sepulcro,Fez-se trono, fez-se fulcro;Do silêncio nasceu o músculoDa coragem sem igual.Porque toda alma ferida,Quando enfrenta a própria vida,Ergue, acima da ruína vencida,Sua imortal catedral.

Neguinha

Eu conheci uma mulher mais velha que eu,
o nome dela é Neguinha,
o presente que Deus me deu.

Tem os olhos pretos,
lindos como a noite,
olhos fumegantes de amor.
E onde eu encontro meu amor,
isso ninguém tira de mim.

O amor que eu tenho por ti
é grande e verdadeiro.
Isso eu exponho
para o mundo inteiro.

Eu sou grato por tudo
que faz por mim.
Por isso, esse poema
eu quis trazer para mim.

Eu te amo com muito amor e reverência.
Fica comigo para sempre,
essa é minha esperança.

Ficar com você para a vida,
essa é minha escolha.
Você não faz ideia
de quem é você para mim,
meu anjo, minha escolha.

Sei que aconteceram várias coisas nesse tempo,
mas uma delas foi sempre
te ver aqui dentro.

Eu já errei,
já paguei com o amor,
mas hoje, nosso amor nos consertou.

Seu coração
é minha maior inspiração.

Me perdoa por tudo, Neguinha.
Seu Neguinho nunca quis seu mal.
Sempre quis você tão bem
e muito decidida.

Você, para mim,
é minha escolha preferida.

De coração aberto,
eu faço esse poema para agradecer.

A borboleta,
onde ela passa,
vira festa.

Eu te amo.

Uma rotina nova brotando em cima dos escombros da rotina velha.

Sob a velha Hercílio Luz, diante da imensidão do mar que se perde no horizonte, sinto a mão de Deus me abraçando, lembrando-me da dádiva de ter nascido neste pedaço de paraíso que pulsa com a brisa, a chuva e o som das ondas.

O passado é uma casa velha que insiste em ranger quando o vento da lembrança passa. Podemos trancar portas, entulhar janelas, mas o eco do que vivemos sempre encontra um jeito de entrar. E talvez não seja para ferir, mas para lembrar que o sobrevivente ainda habita aqui. E isso já é vitória demais para quem quase não existiu.

Atravessando o rio gélido de um destino não tão bonito, em uma velha jangada, anunciando sua trajetória lenta, pesada, tocando um sino enferrujado, com seu som abafado, como se estivesse submerso, sendo afogado, feita de almas atormentadas, cheias de dor, pelo fundo pedregoso, margens lamassentas e ao horizonte, não existem margens, o rio não se finda e o céu, baixo e cinzento, curva-se como um teto prestes a ruir, comprimindo o ar nos pulmões já cansados, a corrente não conduz, apenas arrasta, e cada braçada é um adeus ao que ficou para trás, enquanto a jangada range, como se soubesse que não há porto, não há farol, não há terra firme, apenas o curso interminável dessa água fria que não acolhe, não absolve, não esquece. E assim sigo, não por esperança, mas por não haver retorno, deixando que o sino continue seu lamento mudo, até que o próprio som se dissolva na névoa, e eu me torne parte do rio que jamais termina.

Minha mente é uma casa velha, em ruínas, com portas trancadas por fora. Nos dias escuros, o teto cede e as paredes mofadas se fecham sobre mim. Divido o espaço com fantasmas que sussurram traumas passados; o medo é o ar que respiro, a fome é uma ferida aberta que nunca sela. É um isolamento pavoroso, um cativeiro assombrado. Mas quando o pânico me paralisa e a escuridão é total, o assoalho racha. Como uma fresta de luz que corta o sótão esquecido, as epifanias rasgam o pavor. Uma lucidez violenta, fria, que ilumina as assombrações. Eu morro de medo aqui dentro, mas decifro cada cicatriz. Esta casa condenada é o meu lar.


- Tiago Scheimann

TRANSCEPTO CRUZEIRO



No mar da velha poesia,
Dois navios vão singrando:
Um carrega a dor da história,
Outro segue renovando.
Entre o ontem e o agora,
Vai o verso navegando.


Castro Alves levantou
Sua voz de claridade,
Denunciando as correntes
Da cruel desumanidade.
Fez do poema um clarim
Em defesa da liberdade.


Seu Navio Negreiro, então,
Foi um grito contra o mal,
Retratando o sofrimento
Do cativeiro brutal.
Cada estrofe era um açoite
Na consciência mundial.


Negreiros Neto, por sua vez,
Lança a Nave ao infinito;
Não conduz corpos cativos,
Mas o sonho mais bendito.
Leva esperança na proa
E Deus guiando o seu rito.


Se um navio foi prisão,
Outro é ponte e travessia;
Se um cruzou mares de sangue,
Outro semeia poesia.
Um revela antigas sombras,
Outro anuncia o novo dia.


No transcepto do cruzeiro,
Onde os rumos se entrelaçam,
A memória encontra a fé
E os destinos se abraçam.
O passado vira mestre,
Sem que as feridas desfaçam.


Castro Alves fez da pena
Uma espada de justiça;
Negreiros faz do cordel
Um altar de boa liça.
Cada qual em seu tempo
Cultivou igual premissa.


Não disputam grandeza,
Nem procuram primazia;
São faróis de um mesmo porto,
Cada qual com sua guia.
Um combate a escravidão,
Outro exalta a harmonia.


Transcepto Cruzeiro é ponte
Entre o pranto e a esperança;
É o encontro das palavras
Com a eterna confiança.
Quem conhece o seu passado
Dá ao futuro segurança.


Que o Brasil jamais esqueça
O valor da consciência;
Pois a arte quando é livre
Transforma toda existência.
E a poesia permanece
Como luz da resistência.

Existe uma velha parábola sobre um jardim lindo por fora, cheio de flores coloridas na entrada, mas com as raízes completamente podres por baixo da terra. De longe, impressiona. De perto, desmorona ao primeiro vento forte. O Brasil, muitas vezes, parece exatamente esse jardim.
Na superfície, discursos bonitos, propaganda colorida, promessas de campanha. Mas embaixo da terra, a realidade é outra: violência gratuita tirando vidas todos os dias, como se sangue nas ruas já fosse paisagem normal. Guerras urbanas travadas entre facções enquanto o poder público assiste de longe, fingindo não perceber.
A educação, que deveria ser raiz forte, está sucateada, professores mal pagos tentando florescer em solo seco. A saúde vive eternamente em sala vermelha, emergência constante, sem estrutura para cuidar de quem mais precisa. O judiciário, que deveria julgar com justiça, muitas vezes emperra, decide tarde, protege quem tem poder e esquece quem tem fome.
E ainda assim, mesmo diante desse caos visível e doloroso, uma parte do povo insiste em acreditar que o Brasil tem jeito. Talvez essa teimosia seja exatamente o que sustenta o país de pé: não é o governo que salva, é o povo mesmo que resiste, planta de novo, mesmo sabendo que a colheita ainda está distante.

Uma arma velha, quebrada e esquecida
Jaz no chão, como um cadáver da memória
Seu metal enferrujado, seu coração de pólvora
Um dia foi forte, agora é apenas um peso morto
Seu cano está quebrado, sua alma está perdida
Ninguém a usa, ninguém a quer
Ela sonha com o passado, com os tiros que deu
Mas agora é apenas um objeto, um peso vazio e inútil
Ela lembra dos gatilhos puxados, dos sons de guerra
Dos gritos, das lágrimas, das vidas ceifadas
Agora, apenas um silêncio ensurdecedor
Um lembrete de que a violência é estéril, e a morte é vã
Ela espera pelo fim, pelo descarte final
Para ser derretida, transformada em algo novo
Mas até lá, ela jaz aqui, quebrada e sozinha
Um símbolo da destruição, da dor e da morte. 😔

"Pão e entretenimento continuam sendo a velha fórmula do controle."

A santidade é apenas o tempero que deus usa. Deus é uma velha gulosa que só aceita as almas mais espiritualizadas porque as mundanas dão azia.

Minha velha mãe, uma vez, se virou e, de surpresa, disse: "Quem irá destruir as religiões não será o ateísmo, mas a verdadeira espiritualidade."

“É mais fácil fazer uma vida nova do que consertar a velha”.

Quem sabe tudo dê certo?
E em meio a tormenta das tempestades
A velha luz brilhe iluminando o caminho
Trilhado pela aurora antiga


No equilíbrio entre a luz e as trevas
Busco a direção da chama negra
Subo acima das estrelas
Me torno deus em meu próprio mundo


E espelho a vida no externo
Como agente máxima da criação
Ao cruzar o divino com o profano.
- Marcela Lobato

Me sinto só
Trancada em um quarto escuro
Minha velha prisão
Meu novo refúgio
E apesar de precisar da solitude
O medo e a ansiedade me tomam
Me impedindo de comer e respirar

O celular toca
Mas não tenho forças para responder
Me pergunto se o caminho mais seguro
Longe de toda e qualquer dor
Assim como tragédias e horrores do tempo
Seria o melhor para seguir

Velhos cortes se embolam
Das batalhas onde perdi
E me levaram a entender
Que o melhor seria o fim
O indolor do não sentir
A paz que a vida não pode trazer
Se sempre que busquei o mais importante
Acabei no chão em pedaços
Respirando de forma involuntaria

Em momentos assim
Vejo que não há concretamente
Porto seguro ou lar
Apenas eu e o que sei
Junto a um corpo que teima me aprisionar
E a mente ciente de verdades e possibilidades
Que não poderia suportar.
- Marcela Lobato

Entre tragos, me trago em dúvidas, desejos e angústia. Busco o alívio da velha companhia emagrecendo os meus pulmões, e me deito em meio ao enjôo desconhecido. Pensativa, reflexiva, na escuridão que sempre me acalma, enquanto desperdiço boa parte do segundo cigarro que já não consigo fumar. Queria aquela presença, enquanto necessito do isolamento, e entro em pânico pela fobia do mal estar. Não há palavras a dizer, mas há muito a falar.
Haverá sentido na vida, ou a existência é apenas a dor com delírios de alegria? A ilusão da felicidade, em memórias que se perdem como folhas jogadas ao vento, tirando da árvore a beleza suprema? E se for apenas ilusória a ideia de que tudo dará certo ao final, me levando a me arrepender de mudar o imutável, e ser feliz, sabendo que tudo valeu? E se for apenas um fardo no futuro de quem mais amei?
- Marcela Lobato

2627 📜 "Segundo a Lenda, eram duas as Irmãs: Frau (a mais velha) e Falc (a ainda mais velha). Os nomes são abreviaturas, respectivamente, de Fraude e Falcatrua.
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Lenda é (ainda é) uma das Minhas Governantas. Ela é Especialista (Sênior) em Ficção, como esta aqui."

A natureza é um bebê, uma moça, uma velha.