Velha

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Solidão

A solidão é como uma velha senhora cansada.
Olhos fundos com sonhos desfeitos.
Guarda seus dias de glória na lembrança, Sorri inquieta diante crua realidade.

A solidão é a presença constante daquilo que não deveria ter partido, mas se foi.
A cor rasgada de um arco-íris, a íris presa numa retina que arde pela dor.

Uma bebida amarga que rasga o peito enquanto desce pela garganta, machucada por gritos da sua alma inquieta.

Solidão, passeio inveterado pelo paraíso das trevas.
Parceira de um abismo sedento pela próxima alma desavisada.
Deserto de palmas numa canção, que silenciosa brada aos ventos a sua mórbida sentença.

Solidão, sempre ela a perturbar os dias cinzas, sob um céu que já foi azul.
A fumaça sobe em direção ao imenso
vazio, um corpo trafega de mãos dadas com a ansiedade e, chamando por socorro encontra no medo um perfeito aliado.

Feitiço jogado num espelho, refletido no devaneio da esperança de encontrar abrigo para sua canção.

A voz abraçada por paredes, o corpo vigiado por concreto, a cabeça repousada no travesseiro...

Assim a velha adormece, buscando em seus sonhos a companhia que lhe falta. (Júlio Raizer)

Alma Velha


Quando cheguei a este mundo
trazia no âmago
um traço de ancianidade...


desde a infância e adolescência
vivenciei n’alma
uma marca registrada,
como se meu ser fosse bordado
com fios de uma profunda e doce velhice...


e esse fato me fez apreciar,
de forma especial,
vivências e saberes antigos,
totalmente fora dos interesses
comuns às infâncias e adolescências...


Não sei como, nem por quê.
Só sei que, desde sempre,
percebo trazer em mim
uma alma velha...
✍©️@MiriamDaCosta

Antigamente se dizia assim:
“Ano Novo, vida velha.”


Não espere mudanças nem milagres apenas porque o ano é novo, sem lutar para mudar
os próprios hábitos e, assim, favorecer o “milagre” das transformações.


Não há milagre no calendário!
O ano não muda nada e ninguém.


Mudam-se os dias,
mas os vícios permanecem,
os hábitos se repetem,
as desculpas ganham roupa nova.


Quem não enfrenta a si mesmo
atravessa o réveillon
carregando as mesmas correntes.


Transformação não nasce da virada do tempo,
nasce do atrito, da renúncia,
da coragem de romper consigo
todos os dias.


De nada vale pular as famosas
“sete ondas” na virada do ano
se não se dão saltos reais
de mudança no dia a dia.
✍©️@MiriamDaCosta

“Camisa velha não é roupa cansada — é testemunha. Ela viu dias que ninguém aplaudiu, abraçou o corpo quando o mundo virou as costas e, por isso, mesmo rasgada, continua sendo impossível de jogar fora.”

Quem sabe tudo dê certo?
E em meio a tormenta das tempestades
A velha luz brilhe iluminando o caminho
Trilhado pela aurora antiga


No equilíbrio entre a luz e as trevas
Busco a direção da chama negra
Subo acima das estrelas
Me torno deus em meu próprio mundo


E espelho a vida no externo
Como agente máxima da criação
Ao cruzar o divino com o profano.
- Marcela Lobato

Me sinto só
Trancada em um quarto escuro
Minha velha prisão
Meu novo refúgio
E apesar de precisar da solitude
O medo e a ansiedade me tomam
Me impedindo de comer e respirar

O celular toca
Mas não tenho forças para responder
Me pergunto se o caminho mais seguro
Longe de toda e qualquer dor
Assim como tragédias e horrores do tempo
Seria o melhor para seguir

Velhos cortes se embolam
Das batalhas onde perdi
E me levaram a entender
Que o melhor seria o fim
O indolor do não sentir
A paz que a vida não pode trazer
Se sempre que busquei o mais importante
Acabei no chão em pedaços
Respirando de forma involuntaria

Em momentos assim
Vejo que não há concretamente
Porto seguro ou lar
Apenas eu e o que sei
Junto a um corpo que teima me aprisionar
E a mente ciente de verdades e possibilidades
Que não poderia suportar.
- Marcela Lobato

Entre tragos, me trago em dúvidas, desejos e angústia. Busco o alívio da velha companhia emagrecendo os meus pulmões, e me deito em meio ao enjôo desconhecido. Pensativa, reflexiva, na escuridão que sempre me acalma, enquanto desperdiço boa parte do segundo cigarro que já não consigo fumar. Queria aquela presença, enquanto necessito do isolamento, e entro em pânico pela fobia do mal estar. Não há palavras a dizer, mas há muito a falar.
Haverá sentido na vida, ou a existência é apenas a dor com delírios de alegria? A ilusão da felicidade, em memórias que se perdem como folhas jogadas ao vento, tirando da árvore a beleza suprema? E se for apenas ilusória a ideia de que tudo dará certo ao final, me levando a me arrepender de mudar o imutável, e ser feliz, sabendo que tudo valeu? E se for apenas um fardo no futuro de quem mais amei?
- Marcela Lobato

"Pão e entretenimento continuam sendo a velha fórmula do controle."

Velha e sem vergonha!
Obrigada pelo elogio.
Velha porque tenho história.
Sem vergonha porque tenho inteligência.
E a sua interpretação limitada não me define.

Van Escher 🦁

[Boa e Velha Selvageria]


Eles querem
adestrar todo mundo,
querem todos
mansos e humildes;


risadinhas,
aplausos e brindes;
risadinhas,
aplausos e brindes;


mas nosso espírito
é indomável
e não se dobra
com palavras vazias.


Só podemos
prometer a eles,
nossa boa e velha
selvageria.


(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)

"Chamam-me velha, parecem esquecer que eu .continuo sendo Eu!
Meu cabelos brancos, minhas rugas, minhas cicatrizes são medalhas que o tempo me conferiu.
Não preciso esconder nem disfarçar os meus anos, eles são meus, vividos um a um sem saltar nenhuma fase!"
Haredita Angel
11.09.25

A verdade é uma velha sábia,
A beira do caminho catando sementes.
Observando a mentira passar,
Causando redemoinhos.

O passado é uma casa velha que insiste em ranger quando o vento da lembrança passa. Podemos trancar portas, entulhar janelas, mas o eco do que vivemos sempre encontra um jeito de entrar. E talvez não seja para ferir, mas para lembrar que o sobrevivente ainda habita aqui. E isso já é vitória demais para quem quase não existiu.

Atravessando o rio gélido de um destino não tão bonito, em uma velha jangada, anunciando sua trajetória lenta, pesada, tocando um sino enferrujado, com seu som abafado, como se estivesse submerso, sendo afogado, feita de almas atormentadas, cheias de dor, pelo fundo pedregoso, margens lamassentas e ao horizonte, não existem margens, o rio não se finda e o céu, baixo e cinzento, curva-se como um teto prestes a ruir, comprimindo o ar nos pulmões já cansados, a corrente não conduz, apenas arrasta, e cada braçada é um adeus ao que ficou para trás, enquanto a jangada range, como se soubesse que não há porto, não há farol, não há terra firme, apenas o curso interminável dessa água fria que não acolhe, não absolve, não esquece. E assim sigo, não por esperança, mas por não haver retorno, deixando que o sino continue seu lamento mudo, até que o próprio som se dissolva na névoa, e eu me torne parte do rio que jamais termina.

Sob a velha Hercílio Luz, diante da imensidão do mar que se perde no horizonte, sinto a mão de Deus me abraçando, lembrando-me da dádiva de ter nascido neste pedaço de paraíso que pulsa com a brisa, a chuva e o som das ondas.

A natureza é um bebê, uma moça, uma velha.

Nova semana, nova meta, velha missão: ser feliz.
Ótima semana!
🌻🤞🍀

Os seres nulos


Caminho pela rua velha e escura, como de costume, mas, esta noite é diferente. Posso perceber a vida, os seres em toda a parte. Sob os meus pés, as lajes de pedra, acima de mim, os prédios se elevando no céu cinzento. As árvores se estendendo para me proteger, os postes, segurando a calçada, os homens a gritar no breu, sem nada, sem rumo. Quem me dera eu fosse antes alguém que pudesse ordenar a vida que se esvai, se eu vivesse a redimir o quanto se chorou por não haver consciência daqueles que ninguém nunca deu valor.

Agora eu vejo. É preciso um pequeno esforço para ver a face, ela não é velha nem nova, ela transcende o espaço e o tempo. Como é bela, ela não se repete. Ela sou Eu.

Atenção, atenção, foi dada a largada,
na corrida eleitoral da velha bancada,
candidato atacando de forma desesperada,
e a verdade ficando sempre abafada.
Banco formando teia de corrupção,
dinheiro girando dentro do salão,
senado abrindo o bolso da população
como se fosse normal tanta exploração.
Oh, que sensação!
Helaine Machado