Jackpot

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Teus olhos, que irradiam perante o sol, cintilam e brilham como tesouros perdidos nas profundezas do tempo. Teus cabelos, brasas vivas ao fogo, são a própria luz que rompe a escuridão.


Tu me provocas, tu me atrais.


Ó grande Jardim do Éden, desejo tomar-te para mim, arrancar-te das mãos do destino e guardar-te junto ao meu coração. Deixa-me possuir teu amor; faze de mim aquilo que já me tornaste, pois roubaste meu pobre coração sem sequer tocar nele.


Tuas curvas suaves, quentes ao toque, são caminhos pelos quais meus dedos desejam vagar. Que eu possa percorrê-las até alcançar tua alma. Olha para mim e diz que me desejas. Diz que sou o único. Abraça-me como se o mundo estivesse à beira do fim. Diz que sou especial. Diz que sou teu.


Imploro por amor.


Por amor em teu belo e puro jardim.


Não temo aquilo que os homens chamam de proibido. Pois, assim como Lúcifer caiu dos céus e atravessou os abismos do Inferno, eu cruzaria o Céu, o Purgatório e as profundezas da condenação apenas para alcançar tua luz.


Tu és minha estrela do amanhã, a chama que arde além da redenção, o último brilho que meus olhos desejam contemplar quando todas as outras luzes se apagarem.

1400 dias dizendo "eu te amo", e me digas: para qual propósito?
Amamos alguém por um tempo,
desejando sonhos um ao outro,
para, no fim, carregar o peso, o fardo,
todos os nossos sonhos, sozinho.
Aqueles beijos,
seu cheiro,
aquele seu belo cabelo preto.
Não poderei mais tocá-lo.
Cartas de amor foram jogadas em seu jardim;
sobre as folhas ficaram.
Aquele dia,
apenas mais um dia hoje em dia.
Esforços,
lágrimas,
palavras,
tinta,
grafite,
todos jogados fora.
Rosas congeladas e murchas
no fim de um profundo trilho,
para um dia afogar meu bobo coração.
Seus olhares já não me pertencem,
pois não olham mais para mim.
1400 dias.
Cada dia que me foi passado ao seu lado,
agora,
lembranças de um simples passado.
Foi-se tão rápido.

Infelicidade Humana
Como a projeção astral de um ser onipotente, a velha filosofia grega já nos dizia: somos seres distintos, egoístas ao ponto de criar deuses à nossa própria imagem. Tudo na tentativa de buscar sentido nesta terra enferma, que nos enlouquece e nos faz delirar. Delírios que nos fazem matar.


Guerras e mais guerras a criar; distúrbios e sangue ao chão. O sangue manchando as nossas mãos, o choro e as lágrimas derramadas pelos nossos antepassados. Por isso a existência dos deuses se faz necessária: somos tão cegos a ponto de nós mesmos nos cegarmos, numa busca desesperada para aplacar a nossa solidão.


O vazio que corrói e aflige o coração. A cura dos enfermos, a cura da alma... afinal, onde está?


Nossa maior dor aguarda à espreita, na nossa própria solidão. Desesperados, que seja a morte a nos amparar. Crescemos, vivemos, perecemos e à terra voltaremos. Com a consciência enfim extinta, restarão apenas as marcas de nós que por aqui deixarmos.


Há vários de mim sobre a mesa em que me sento: o tolo, o velho, o sábio, a criança e os delírios. Não sabemos quanto tempo passaremos com cada um de nós mesmos ao longo da vida que iremos trilhar. Diante desta mesa, só não se sabe o tempo que me restará.

Sem Desejo, Sem Saída
Sem desejo. Sem saída. Apenas a fuga.
A partida.
O partir do coração.
Sem respiro, sem razão,
Apenas o peso da solidão.


Por que tanta amargura me inunda o peito?
Por que me foi imposta tal prisão?
Onde se esconde a liberdade que mereço?
Fui atirado a este mundo sem o direito de escolher...
Sem nunca ter dado a permissão para viver.

A Invocação do Abismo
Será... que terei a sorte de tê-la em minha vida envolta em amarguras?
Eis a lua. Eis o fôlego da minha essência.
Eis a partitura do meu corpo, que ecoa e clama por amor.
Eis o esplendor, oculto neste mundo de horror.


Onde já não há amor.
Apenas dor.


Caminho e pisoteio os meus próprios cacos.
Oh... abismo, olhe para mim!
Pois agora vive em mim
A dor que eu jamais ousei sentir.

A Chama e o Fim
O medo de perder um ser...
O medo de, no escuro, desaparecer.
Sem o amor, a vida não tem sentido;
Ao perdê-la, desabo e recaio no abismo.


A luz que emana dela é o que me devolve o fôlego,
O meu único prazer.
Sem ela, já não encontro motivos para viver.


Sinto-me preso, sem asas para voar.
Ah, digam-me!
Eu quero ser livre!
Eu clamo pela liberdade!


Pequena chama que ainda arde em mim...
Por favor, não se apague!
Pois esse será o meu absoluto fim.

A Súplica ao Abismo
Diga à terra, diga ao sol,
Diga ao mar para gritarem aos quatro cantos,
Até que a lua pare para escutar:
E o abismo, no qual me reflito, por fim volte a me encarar.


Puxe-me... Rasgue-me!
Quero arrancar de mim este egoísmo humano.
Derramo o meu sangue sob o céu que agora escurece.


A morte, da qual tanto fujo... fugir dela de nada importará.
A morte virá, e toda a existência despencará.
Perecerei. Apodrecerei. E à terra eu voltarei.


Então, ao mar eu clamarei:
Afunde-me! Guarde-me e traga-me o amor!
Pois, neste peito em ruínas, eu suplico por esse vazio esplendor.

Como a Chuva ao Amanhecer
O conforto... O amor...
Onde, no fundo do seu coração, pude escutar as súplicas,
Implorando por alguém que a fizesse voltar a amar.


Será...
Que serei útil?
Que serei capaz de te dar o amor de que tanto necessitas?


As estrelas desenham destinos complexos,
De tão difícil compreensão...
E, ao tentar compreendê-la ao longo de todos estes anos,
Eu me pergunto: serei eu o amor que você tanto busca?


Ou serei apenas como a chuva que cai em meio aos trovões...
E que, quando as nuvens cinzentas se desfazem ao amanhecer,
Desaparece silenciosa, indo embora junto a elas?

A Musa e as Telas
O mundo é realmente vasto...
Um mundo imperfeito. E é por isso que a beleza que tanto busquei,
Eu finalmente encontro em você.


Mas, e quanto ao medo de perder?
O que acontecerá com a beleza que me acostumei a apreciar?
Eu não quero perdê-la.
Mas as estrelas são severas com os nossos destinos...


Talvez eu entregue a minha própria essência, o meu último fôlego,
Apenas para não a perder.
Porque, em um mundo sem nada para amar,
A própria vida se torna um exílio, um peito sem lar.
Sem aconchego. Sem amor para transbordar.


O lápis restará parado no tempo...
E as telas, aos poucos, mofarão no escuro.
Pois, sem a minha maior beleza...
Como poderei voltar a pintar?

O Último Suspiro
A quem darei o meu calor?
Com quem dividirei o meu tempo?
A quem mostrarei as belezas que os meus olhos enxergam...
E quem fará este aperto em meu peito, enfim, se acalmar?


Sem a beleza que eu vejo em você,
Já não terei motivos pelos quais respirar.
Irei apenas sucumbir...
Imóvel, disperso em um tempo no qual nunca mais irei me encaixar.


Em meu último suspiro, faço o meu último pedido:
Eu lhe suplico o seu amor.
Para que, antes de partir, eu possa entregar o meu a você.


A minha essência, que eu não quero que se perca...
O meu próprio coração, eu lhe darei.
Pois sei que irei morrer, mas não partirei sem antes te entregar
As únicas coisas puras que ainda restaram em mim.

Amor da Despedida


A felicidade é passageira;
A dor é eterna.
O amor existe por meio da dor,
Assim como a dor existe pelo amor. Eles se completam.
Pois são os sentimentos que carregamos até os confins do nosso ser,
Até o apagar de nossa vida.


Um último suspiro.
Um último olhar.
Uma última lágrima que escorre pelo nosso rosto... descendo pela face até tocar o chão.


Os olhares nos dizem muita coisa; revelam até mesmo a dura verdade
Que tentamos, em vão, esconder de nós mesmos.


Uma última despedida.
Um último "Eu te amo".


Um último movimento das minhas mãos...
O lápis escorrega e cai no chão.
O grafite se quebra, exatamente como o meu coração um dia já se quebrou.


E, por fim, o fim chega.
Chega até mim.
Para pôr a mim mesmo, um fim.

Escritas no Papel


Escritas que rabisco, as dores que o tempo impõe,
O delírio de ter nascido, o ar que me asfixia,
A vida que, lenta, me esgota.


Estou despedaçado pelo próprio amor.
Por pensar em quem virá a me amar,
Por um ser que nunca me amou.


Aflito, degenerado, como cacos espalhados ao chão;
O sangue que escorre dos meus olhos, clamando por um perdão que não virá.
O coração aperta, o ar me falta...


Eu a desejo, mas em meu peito habita o medo:
O medo de que, no lugar onde estou, haja outro.
E que, ao fim, eu seja traído, esquecido...
Como restos de lixo descartados ao relento.


Será que um dia serei amado?

Este poema toca na ferida de qualquer relação longa: o desvanecimento da chama inicial e a transição da paixão avassaladora para o silêncio cotidiano. A metáfora dos "corpos celestes" é excelente, pois tira o amor do plano humano e o coloca na imensidão do cosmos, onde tudo é maior e mais trágico.


Aqui está a versão lapidada para elevar a intensidade e a melancolia do texto:


A Órbita do Desgaste
Será que a intensidade com que dois corpos celestes
colidem pela primeira vez
guarda a mesma força ao longo das eras?


O que acontece com a gravidade desse amor?
Ele se expande até o infinito ou se consome no vazio,
tornando-se menor com o passar do tempo?


Por que os diálogos se apagam?
Por que as palavras, que antes os mantinham em órbita,
agora são substituídas por um silêncio tão denso?


Onde foram parar os gestos, os presentes, os poemas,
o tempo que, insaciáveis, devoravam juntos?


Será que a chama ainda arde no núcleo desses astros,
ou restou apenas a cinza de uma estrela morta?
Como amar até o fim, sem se perder no caminho?


Como manter o brilho aceso,
até a última idade, onde finalmente os dois corpos celestes
não suportam mais a distância e, enfim, se apagam juntos?

O Pintor e a Obra Imperfeita


Eis aqui o pintor. A tela, antes alva, já não o é mais...
A vida a manchou por inteira.
Um caos de pinceladas, cores que estremecem o coração:
Leves, confusas, fortes, terrivelmente transcendentais.
No fim, o traço certo jamais ocorreu.


O pintor buscava o branco absoluto para, enfim, pintar a sua dor,
Buscava o belo...
Apenas o belo.


Mas, ao observar as marcas do seu próprio desespero,
Ele a encontrou: uma obra-prima.
E, diante do caos que ele mesmo criou,
O pintor finalmente se encantou.