Veio e Passou como um Cometa
AGASALHO DE TERNURA.
Vem, porque me fazes bem, vem sem demora,
como a paz que à minha noite se incorpora;
desces mansa qual agasalho de ternura,
revestindo de esperança a noite escura.
Toco a tua pele — pétala macia,
onde o céu aprende o nome da harmonia;
cada gesto teu, tão puro e tão singelo,
faz da própria luz o mais perfeito anelo.
Teu sorriso, silencioso, é primavera,
que à tristeza antiga, enfim, já não impera;
e, ao surgir em teu semblante a claridade,
florescem jardins na minha eternidade.
Caem brandas as cerejeiras em flor,
como bênçãos desprendidas do amor;
cada pétala, rendida ao teu encanto,
vai bordando de perfume o meu recanto.
Se me olhas, já não temo a ventania,
pois teu peito é meu abrigo noite e dia;
se me calas, teu silêncio ainda diz
o segredo de tornar-me mais feliz.
Vem, e fica, sem promessa nem adeus;
que o infinito cabe inteiro entre os teus.
Pois amar-te é descobrir, em cada alvor,
que a ternura é a forma mais perfeita do amor.
Quem dera a vida pudesse ser como os filmes e séries com finais felizes...
Geralmente nada é bom o bastante, e muitas vezes é péssimo.
Por isso precisamos tanto da ficção onde tudo dá certo, quem merece acaba sendo feliz, onde o amor é o bastante, onde os "malvados", manipuladores frios, sem escrúpulos, sempre se ferram e a verdade sempre vem a tona. Onde a sinceridade é o mais importante e onde sempre dá certo ser sincera sobre tudo.
A vida real costuma ser o contrário disso.
- Marcela Lobato
náufrago
Era meia-noite... O vento frio passava triste, como palavras cortantes, acompanhadas com uma enorme sensação de que carrego um mar dentro de mim. Mas não um mar plácido, de ondas preguiçosas e céu límpido. É um mar revolto onde há trevas, frio e escuridão, dessas que afastam os pescadores mais corajosos sobre enormes barcos em uma noite negra e vazia como as noites sem luar. Um mar que não acolhe, expulsa; que não acalma, derruba.
Sinto que tudo que se aproxima acaba sendo devastado pela tempestade. No mar intenso, pessoas, gestos, tentativas de cuidado... tudo naufraga. E eu o assisto, de modo impotente das profundezas da alma, com um verbo de desgraça, com um grito questionador e agonizante. E em resposta, o vento que passa por meus cabelos fugazes responde-me: "pobre órfão! Vagando no espaço em meio a escuridão, mandas um grito!"
Agora. o silêncio preenche o vácuo das palavras não ditas. Um silêncio que não é apenas a ausência de som, mas uma presença pesada que ocupa todos os cantos e ecoa nos meus ouvidos como se zombasse de mim.
Parece estranho, embora este oceano sem fim pareça calmo; engana quem o vê de longe. O abismo azul ataca amargamente e devasta tudo à minha volta. Não é por mal, mas não sei ser porto seguro quando sou eu quem está naufragando e, silenciosamente, eu só queria ter um refúgio em meio às tempestades. Clamo por alguém que me consiga atravessar esse mar, porém minha tempestade turbulenta sacode violentamente os barcos.
Talvez esse mar sempre faça parte de mim e não se trate apenas de atravessar a tempestade, mas de admitir como parte da minha jornada. Com o tempo, quem sabe, eu reconheça que mesmo sendo arrastada para o fundo e sufocada pelo silêncio, isto revele minha resistência e minha capacidade de me manter firme aos meus propósitos.
Afinal, viver quem, sabe, seja isso. Nesse turbilhão, ressoa-me os versos do poeta Castro Alves: "Por que foges assim, barco ligeiro? Por que foges do pávido poeta? Oh! Quem me dera acompanhar-te a esteira que semelha no mar — doudo cometa!" Assim como o Poeta dos Escravos, percebo que viver é, muitas vezes, aceitar o mistério da travessia e permitir que as correntes nos guie, sem abrir mão dos nossos propósitos.
Amanheceu. Vejo a calmaria do mar, cujas águas, mesmo balançando, sabem ser abrigo. Posso vê-las deixar os barcos passarem devagar, junto com o vento suave e o marulhar das ondas. É como se o mar, em sua imensidão, oferecesse passagem segura a quem tem coragem de navegar, mesmo sem saber exatamente o destino. Agora, vejo um farol que me guia a um porto seguro. Estou em terra firme.
Velhice é como uma conta
Bancária só de lembrança
Que a gente depositou
Alegria e confiança,
Pra quando idoso estiver
Sacar tudo o que puder
Pro saldo da esperança.
Não tem como não vencer
Se fizermos tudo correto
Se até a flor que é sensível
Surge em meio ao concreto.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
25 janeiro 2026
Amor é como a flor ,precisamos estar ao lado,zelando por ela, tirando as ervas - daninhas que estragam o vaso.
Como é dificil desvendar mistérios,
descobrir tesouros,derrubar critérios.
Queria muito ter uma varinha de condão
para trazer-te para dentro do meu coração!
Olho o mundo com lentes que não são minhas,
e chamo de meu o que ecoa do outro,
como quem tece, no fio imaginário,
uma pele compartilhada.
Teus olhos...
Ah teus olhos, sempre que olho nos teus olhos os vejo com o mesmo encanto,
como no primeiro e inesquecível instante em que os enxerguei primeira vez.
— Patrick Wallace
Entro no mar sem saber nadar e procuro seu amor se saber como será.
Nas duas situações tem que confiar que uma força maior vai ajudar.
Há algo profundamente inquietante em ti.
Não é a tua aparência.
É a forma como pareces caminhar entre a inocência e a ruína sem pertencer verdadeiramente a nenhuma delas.
És como uma rosa que nasceu no jardim errado, rodeada de cinzas, e mesmo assim obrigou o próprio inferno a admitir que nem tudo pode ser destruído.
Se a melancolia tivesse escolhido um rosto para habitar, creio que teria escolhido o teu.
"Mesmo se o chão tremer e a gente se magoar,
o meu amor por você não sabe como terminar.
Não quero encerrar a história, nem dizer adeus,
porque o meu lugar mais bonito ainda é ao lado dos seus."
As Lágrimas que Não Caem
Já sentiu a tristeza chegar sem fazer alarde,
como a noite abraçando o fim de uma tarde?
Ela entra sem pedir licença ou perdão,
faz morada no peito e silêncio no coração.
Há dias em que tudo parece pesar,
e a alma só deseja o direito de chorar.
Mas meus olhos aprenderam o idioma das secas,
como rios perdidos entre lembranças desertas.
Não sei por que sou assim, tão fechada em mim,
nem quando o silêncio passou a morar aqui.
Talvez eu tenha aprendido, sem sequer perceber,
que algumas dores sobrevivem sem nunca dizer.
Não sei o que sinto, nem sei explicar,
só sei que há um vazio difícil de nomear.
É um aperto no peito, um nó na respiração,
uma ferida invisível sangrando o coração.
Dentro de mim, tempestades rompem o horizonte,
mas o céu dos meus olhos jamais se desmonta.
O pranto se perde antes mesmo de nascer,
como se até as lágrimas tivessem medo de viver.
Quis chorar...
Mas até o choro parece ter me esquecido.
Enquanto o mundo pergunta se está tudo bem,
eu visto um sorriso e respondo baixinho: "sim".
Ninguém escuta o barulho do que desaba por dentro.
E talvez o mais cruel não seja a tristeza,
mas querer desabar e permanecer de pé;
sentir a alma implorando por alívio,
enquanto o peito aprende, em silêncio, a sofrer.
Então sigo...
Carregando um oceano inteiro preso nos olhos,
uma tempestade acorrentada na alma,
um inverno escondido entre os meus versos
e um coração que descobriu, tarde demais,
que existem lágrimas que nunca tocam o chão.
Elas escorrem por dentro,
afogam o que ainda resta de luz,
fazem da esperança um sussurro distante
e da saudade uma morada.
Porque nem todo choro molha o rosto.
Há lágrimas que escolhem o silêncio.
E são justamente essas...
as que mais doem.
O ódio que você semeia
irá germinar como erva daninha ao longo do seu caminho
lhe trazendo farta colheita ao final do seu destino
É desanimador quando palavras como combate a corrupção e patriotismo saem da boca da hipocrisia e desonestidade.
"É fascinante notar como as notícias falsas viraram o plano de carreira oficial da extrema inutilidade existencial. Afinal, quando falta talento para construir algo real e sobra tempo livre na agenda dos que só vieram ao mundo para gastar oxigênio, fabricar intrigas e espalhar o ódio vira a única forma de fingirem que têm alguma importância."
"É fascinante como o WhatsApp virou o canal oficial das revelações divinas. "
"Líderes religiosos internacionais, que mal sabem apontar o Brasil no mapa, cravam resultados "
"políticos com a certeza de quem toma café com o Criador.
O mais impressionante não é "
"o erro matemático da profecia, mas a ginástica mental subsequente: a culpa do erro "
"nunca é do profeta midiático que faturou com os cliques, mas sim do fiel que, coitado, "
"não jejuou o suficiente para dobrar a soberania das urnas eletrônicas."
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