Veio e Passou como um Cometa

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A insegurança tem uma qualidade que a confiança raramente possui: às vezes impede um idiota de discursar.

A Justiça é tão procurada nos tribunais que, se continuar desaparecida, será preciso abrir um inquérito.

O pai ausente é um irresponsável. O presente, um inconveniente. Para certas pessoas, o pai ideal é aquele que desaparece sem deixar de pagar, é claro.

O homem que não participa da criação dos filhos é um pai ausente. Quando participa, é controlador. Se reivindica convivência, é possessivo. Se exige participar das decisões, é abusivo. Se desiste, confirma o abandono. A paternidade moderna é uma instituição curiosa: o pai deve estar presente para pagar, ausente para decidir e disponível para ser culpado. E se reclamar, aplica-se a perspectiva de gênero.

Nos fóruns familiaristas Brasil afora, dividir as responsabilidades é considerado um princípio civilizatório, enquanto dividir a autoridade já é visto, por alguns, como uma ameaça à civilização.

A criança teve um resfriado. Certos argumentos jurídicos concluíram que quem precisava ficar de quarentena era a paternidade.

Entre uma lembrança tua e outra existe um instante tão breve que inventei chamá-lo de esquecimento. Mas nem nele te ausentas: apenas descansas um momento dentro de mim.

Um sentido criado por seres humanos não é necessariamente uma ilusão; pode ser uma realidade vivida cuja origem não depende de uma ordem transcendente.

Repitam comigo:


- O Brasil não é um país pequeno.

Tempo
Amo-te tanto, querido.
Hei de ser quem um dia julguei impossível ser.
Hei de ser quem tu amas?
Hei de ser eternamente teu, eu prometo.


Amo-te como naquele primeiro instante,
quando teus olhos sorriam antes mesmo que tua boca,
e eu, sem perceber, já havia encontrado meu lugar.


Prometo-te, meu amor,
não cantar ao coração humano
com a mesma ternura que guardarei para o teu.


Hei de ser teu companheiro
quando o caminho parecer longo.


Hei de ser teu ombro,
quando o peso do mundo te fizer abaixar a cabeça.


Hei de ser teu crítico,
porque até as flores precisam de quem lhes arranque as folhas secas.


E quando duvidares de ti,
não perguntarei quem és.
Lembrar-te-ei apenas, que certas estrelas não sabem que brilham,
e nem por isso deixam de iluminar a noite.


Se alguma vez julgares longa a espera,
olhe para o céu.
As estrelas jamais se apressam para encontrar a noite,
e, ainda assim, nunca chegam atrasadas.
O tempo não erra.


Não lhe faço promessas para que me prometas outras.
Faço-as porque o amor, quando verdadeiro, não conhece a medida de troca.
Hei de atravessar contigo os dias difíceis, se for preciso.


Hei de ser para ti, único no mundo
E, se um dia eu não o for para ti, ainda assim não desfarei promessa alguma.


Hei de ser então o mesmo para mim?
Quando enfim acreditares em teus próprios olhos, verás que jamais esperei essa resposta.
Porque já eras, desde o princípio, único no mundo para mim.

O Tempo Voa.
Um dia, o tempo vai nos colocar diante de tudo aquilo que deixamos para depois. Dos abraços que negamos, das palavras que engolimos, dos amores que não cuidamos e dos perdões que o orgulho impediu. E talvez a maior dor não seja perder alguém, mas descobrir que tivemos a oportunidade de amar melhor e não aproveitamos.


Não espere que a ausência ensine o valor da presença. Não espere que a saudade diga o que sua boca ainda pode dizer. E não deixe o orgulho vencer aquilo que o coração ainda deseja salvar.


O tempo não devolve os dias, não ressuscita os momentos e não apaga todas as feridas. Mas ainda podemos escolher o que fazer com o tempo que nos resta.


Perdoe enquanto há vida. Ame enquanto há presença. Recomece enquanto há coragem.


Porque, no fim, a pergunta não será quanto tempo vivemos, mas quanto amor deixamos pelo caminho.


E lembre-se: o amanhã não nos pertence. Hoje é o tempo que temos. E talvez o perdão seja a última chance que a vida nos oferece de transformar a dor em paz.

Uma crença merece ser examinada não apesar de sua importância, mas precisamente porque ocupa um lugar tão profundo na vida humana.

O dogma oferece a segurança de um território fechado e cobra, em silêncio, o preço de todos os horizontes abandonados.

Uma lacuna no conhecimento não é um trono vazio reservado a Deus, mas uma pergunta à espera de razões.

A ausência de explicação para um fenômeno não constitui a presença comprovada de uma explicação alternativa.

A hipótese mais reconfortante pode ser a menos provável; o coração não é um instrumento de medição da realidade.

Reconhecer os limites da ciência é um exercício de lucidez; ignorar suas conquistas em nome desses limites é um exercício de conveniência.

Sentir a presença do sagrado é um acontecimento da experiência; determinar a natureza dessa presença é uma questão ainda distinta.

Não saber pecar é um pecado.

Um símbolo pode dizer uma verdade profunda sobre a experiência humana sem descrever literalmente a arquitetura do universo.