Veio e Passou como um Cometa

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Minha alma tornou-se um território onde convivem fé, exaustão, esperança e ruínas espirituais em permanente conflito.

Existe um ponto da dor em que as palavras deixam de servir, e tudo o que resta é o silêncio contemplando as próprias ruínas.

Há um tipo de sabedoria que nasce apenas depois do sofrimento.

O sofrimento foi um professor severo, mas eficiente.

Há em mim um homem que sofre em silêncio, observa com profundidade, recorda com saudade e reza com esperança. Talvez seja por isso que minhas palavras nasçam das cicatrizes: porque algumas dores só encontram descanso quando se tornam literatura.


- Tiago Scheimann

Há um tipo de tristeza que não afunda: ela paira, pesada, sobre a rotina, transformando o banal em lembrança de naufrágio.

Habito um labirinto estreito e obscuro, uma mente feita de escombros. Há um cheiro persistente de esquecimento no ar e o gosto áspero de ferrugem na boca. Um lugar maldito, confuso, que consome quem entra. Mas é sob o peso dessa escuridão que minhas epifanias sangram. Eu pertenço a essa ruína.

Descobri tarde demais que a liberdade não era um presente.


Era uma sentença.


Ninguém me empurrou para os erros que carrego.
Ninguém escolheu por mim os caminhos que me quebraram.


A vida apenas colocou as portas diante de mim e observou, em silêncio, enquanto eu escolhia qual delas me destruiria.


- Tiago Scheimann

Passei anos procurando um sentido para a minha dor.


Depois compreendi algo ainda mais triste:


Talvez o sentido nunca tenha existido.


Talvez sejamos apenas viajantes tentando convencer a nós mesmos de que a estrada leva a algum lugar, porque admitir o contrário seria pesado demais para suportar.


- Tiago Scheimann

O coração é um lugar estranho: transforma lembranças em eternidades e faz uma única ausência pesar mais do que a presença de mil pessoas.

Não busco um Deus que me tire da luta, mas um que me devolva a coragem de atravessá-la sem me desmanchar.

Há um amparo que desafia qualquer explicação. Ele não dissolve a inquietação; apenas repousa sobre ela, silenciosamente, como um cobertor que encontra um corpo exausto e, sem pedir licença, lhe devolve a permissão para existir mais uma noite.

A existência é um paradoxo que ri silenciosamente da consciência humana: passamos uma vida inteira buscando respostas para perguntas que acreditávamos essenciais, apenas para descobrir que elas só encontram significado quando já não possuem a capacidade de alterar o caminho que nos trouxe até elas. Talvez a maior tragédia da lucidez seja compreender que o conhecimento nunca chegou para impedir o inevitável, mas apenas para iluminar, com dolorosa clareza, aquilo que o tempo já tornou irreversível.


- Tiago Scheimann

Atravesso um campo de lama sob uma neblina espessa e uma chuva fina, fria e incessante. Pelo caminho, criaturas de asas, escamas e dentes enormes observam minha passagem. No entanto, nenhuma delas me causa medo. O verdadeiro horror não habita nesses monstros, mas na certeza de que, ao alcançar o fim do lamaçal, descubro que ele era apenas o início. E, condenado ao mesmo percurso, recomeço infinitamente uma jornada da qual jamais consigo partir.


- Tiago Scheimann

Envelhecer talvez seja assistir, em silêncio, ao desaparecimento gradual de todas as pessoas que um dia fizeram do mundo um lugar reconhecível.

O tempo e o espaço têm um jeito curioso de purificar o que sentimos, a verdadeira distância não separa, apenas revela o que é de fato insubstituível.

​A mente é um labirinto escuro onde costumamos nos perder procurando por respostas que nem sequer foram formuladas. Arrastamos nossas sombras pelas paredes frias da memória, esperando que o silêncio nos dê algum tipo de trégua. A verdade é que a paz não está no fim do corredor, mas na aceitação de que o escuro também nos pertence.


- Tiago Scheimann

“Se qualquer ser vivo fosse condenado a sentir, por um breve instante, apenas um terço da dor que habita em mim, talvez finalmente compreendesse que existem sofrimentos que não cabem em palavras, lágrimas ou gritos. Uma dor que não sangra por fora, mas apodrece lentamente tudo aquilo que ainda insiste em permanecer vivo por dentro.


O que carrego não é apenas tristeza. É um abismo sem fundo, uma escuridão que aprendeu meu nome e fez morada na minha essência. É acordar todos os dias carregando dentro do peito algo que, para qualquer outro, seria insuportável até por alguns minutos.


Talvez, depois de sentir apenas uma fração dessa dor, qualquer ser implorasse por um instante de silêncio dentro da própria existência. E então compreenderia que há sofrimentos tão profundos que não pedem compreensão — apenas o fim daquilo que os faz doer.”


Tiago Scheimann

Quanto mais profundamente um homem contempla a realidade, menor se torna sua necessidade de convencer os outros sobre aquilo que viu.

A memória nunca foi um abrigo. É um mecanismo de tortura aperfeiçoado pelo tempo. Ela conserva com precisão aquilo que o esquecimento deveria ter sepultado e elimina justamente o que poderia aliviar o peso da existência. Recordar não é reviver; é morrer lentamente diante daquilo que já não pode ser alcançado. Cada lembrança é um cadáver que insiste em respirar dentro de nós.


Tiago Scheimann