Vc pode Correr eu te Pego
e foi depois daquele dia doze de abril no tatame que aquele garoto que eu não ia muito com a cara me beijou e mudou tudo em mim. passamos por muitas coisas, mas nem tudo foi como esperávamos. Só o que me dói é lembrar o quanto ele mentia pra mim ao dizer que me amava, que nunca ia me magoar e que não havia segredos entre nós. se ele diz que seu coração só bate por ela, então por que ele ouve aquela música que eu sempre ouvia e que eu mandei pra ele no cd ? eu só queria que ele soubesse que, por mais que eu me force a esquecer, é nele que eu penso ao ouvir alguma música que fale de saudades, porque é isso o que eu mais sinto daqueles momentos malucos que nós passávamos juntos. a gente estava junto no banheiro do bar, no banheiro da festa, no terraço da festa, no chão da festa, na cadeira da festa, dançando na festa, abraçados na rua, cantando na rua, no banheiro da casa da mãe dele, brincando de pique-esconde, até de madrugada no msn, falando no telefone até as três da manhã, gritando, puxando, beijando, abraçando, amassando, gostando, arranhando, sempre assim e você ainda insiste em demonstrar que não sente falta de mim. é, passaram-se cinco meses desde aquele primeiro dia doze e o diogo, aquele 'insuportável', já não está mais ao meu lado para levantar a minha cabeça quando eu sentir vontade de chorar, já não está mais ao meu lado pra me fazer sentir o quanto eu era importante na vida de alguém, já não está mais ao meu lado pra me dizer o quanto eu sou chata e farofeira, já não está mais ao meu lado pra me desconcentrar e me fazer esquecer de mim, já não está mais ao meu lado pra me fazer a mais feliz do mundo mesmo com todos os defeitos e problemas que tínhamos. é, já não é mais assim. cinco meses e é o fim.
em minha juventude,eu considerava o universo como um livro aberto,impresso na linguagem das equações físicas,ao passo que agora ele me parece um texto escrito em tinta invisível,do qual em nossas raros momentos de graça conseguimos decifrar um pequeno fragmaento
Às vezes parece que eu vou morrer de algum tipo de vazio.
Do mesmo modo como buracos negros funcionam, sabe?
Se consome.
Eu sou sempre a que levanto a asa das pessoas e tento me encaixar lá embaixo, e na maioria das vezes, acabo na ponta, meio descoberta, passando frio mas com medo de reclamar e perceberem que eu não pertenço ali.
Isso não é choro, é só água caindo; gravidade.
Eu não sinto mais nada.
Deus do céu.
Eu não sinto mais nada.
Deixa eu dizer uma coisa?
Quando eu era pequena, meus pais me ensinaram a nunca aceitar nada de estranhos.
Nada.
Nem doce, nem pena.
Então o que você acha que eu vou fazer com esses seus restos?
Me deixa aqui, eu não aceito mais nada de mais ninguém.
E mesmo que eu esteja morta de fome, eu jamais voltaria pra aceitar suas migalhas.
E antes que vocês matem o meu amor, eu o queimo.
Eu queimo tudo.
Porque ninguém parte o meu coração.
E eu vou manter a fé, porque eu SEI que é só uma questão de tempo.
Deixo minha tristeza pra depois.
A vida corre.
De repente eu to vendo todo o resto da minha vida passar diante dos meus olhos, e eu to só. Eu quase consigo me enxergar como uma ilha. Uma ilha que já tentou fazer chover e inundar tudo pra finalmente virar oceano. Mas eu não consegui conter a seca, sabe?
Desertos estão sempre em expansão, sabia?(...)
Que eu não entre em ruas erradas e becos escuros.
Que eu chegue a tempo.
Pelo menos uma vez na vida, que eu chegue a tempo.
E, Deus.. se eu não chegar..
que você me espere um pouquinho.
Só um pouquinho.
Eu já te esperei tanto...
E já que é de praxe, se é pra desejar alguma coisa nesse novo ano, eu desejo um rumo.
É isso.
Pra 2012,
um rumo,
um remo,
e força pra atravessar o rio sozinha.
Eu sei que não devia desistir disso, achei que nunca iria desistir, mesmo, poisé, estou aqui, desistindo!
Eu posso fingir que não lembro dos bons momentos que passei com você, mas acredite, eu lembro, e falarei na hora certa.
Não to entendendo nada e também não quero entender.
Abaixem o volume, por favor.
Eu não preciso saber.
Nada nunca vai corresponder às minhas expectativas, simplesmente porque já faz muito tempo, e eu penso demais.
Eu espero demais.
Vou continuar aqui.
Preciso ser internada.
A quem eu quero enganar?
Nasci assim, não vou mudar não.
Quem quiser que venha descobrir o que tem aqui.
Com uma condição:
que se fechem os olhos.
E eu me pergunto onde eu vou deixar o tanto que eu te quero bem e um tanto do meu amor pra você guardar.
Eu vou deixar no mesmo lugar de sempre, mas hoje, vou embalar em um laço de fita e colocar debaixo do meu travesseiro antes de dormir.
Se não for pedir muito, vem buscar.
