Valter da Rosa Borges

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Valter da Rosa Borges (1934) é livre pensador, filósofo, poeta, escritor, parapsicólogo e professor brasileiro.

Nem sempre a velhice torna as pessoas mais suaves como acontece com os vinhos envelhecidos.

Palavras e números são invenções humanas e, por isso, inúteis para a compreensão do real.

Não há busca para algo definitivo. Só a busca é definitiva.

Falas tanto de tua dor.
Queres ficar bom ou cultivar a dor?

A dor valorizada se transforma em vício.

Parece paradoxal, mas o cultivo da dor pode ser uma forma de preencher o tempo vazio.

Quem tem muito o que fazer, não tem tempo disponível para dedicar-se à dor.
Afinal, a dor nunca é boa companhia.

Amamos o saber ou, na verdade, amamos o poder que o saber nos dá?

Tudo não pára de viver,
tudo não pára de morrer.
Eis a imortalidade!

Procuramos Deus no Cosmos.
Procuramos Deus no átomo.

Onde o seu esconderijo?

Mais fiel que a nossa sombra
é a nossa solidão.
Jamais nos perde de vista
no meio da multidão.

É a nossa alma gêmea?
É o nosso anjo da guarda?
O xifópago invisível?

Ninguém viu a solidão
que nasceu quando nascemos.

Em cada homem que morre,
morre a gêmea solidão.

O mundo é feito por nós.
Nós somos os nós do mundo
e em tudo estamos atados.
O eu sem nós não existe.
A morte é o eu desatado.

O tempo nem sempre apaga
as nódoas do já vivido,
principalmente o sofrido
e as fundas marcas do amado.

O passado tem muitas portas
e, nele, nos perdemos muitas vezes,
sem encontrar a porta do presente.

Eu só serei definitivo
quando morrer.

Toda biografia é, na verdade, uma sucessão de pessoas semelhantes e, em outros momentos, também diferentes.

O sempre e o nunca são criações do homem desejoso de impor leis à natureza.

Poucos resistem ao fascínio de obter sucesso, e ao fascínio do sucesso, quando obtido.

O esquecimento é maior que a morte,
porque termina o que a morte começou.

Falamos do que não sabemos,
porque a morte nos espanta
e dói a mortalidade.

O que é ser imortal?

Um vazio pulsante é o que somos,
vivendo na ilusão da solidez.
Matéria são vazios que colidem.
As formas são momentos do vazio.
Tudo é mudança.
Mas, o que dirige
a universal mudança do vazio?

O vento sabe todos os caminhos,
mas não deixa seus rastros nas areias.

A verdade é uma força. Mas, sempre há o perigo de a força se disfarçar em verdade.