Vago
Vago, divago enquanto penso no afago que um dia era comum, rosto enrubesce e um sorriso floresce acendendo no rubor o sorriso maroto trazendo o ontem garoto, a aflorar. O tempo parece parar, olhos fitam o vazio procurando os acertos pois, somente erros parecem brotar. Discuto comigo a melhor maneira de te demonstrar que sou um "ente" procurando de alguma forma em meu "eu" uma maneira de dizer que ainda sou teu.......
Eu não pretendo ser, eu sou. Eu não pertenço a nenhum lugar, eu estou. Eu não vago sem propósito, tenho rumo. Minha direção não é linha reta, minha alma é indiscreta, eu assumo. Não falo por falar, nas palavras me justifico. Não calo porque quero, é porque respeito o silêncio ...
Sonho...
Eu nem sei mais quem eu sou.
Neste sonho, vago pela rua
Sem saber aonde vou.
Ando triste, tão sozinho.
Preciso encontrar alguém!
Procurei na casa chamada "O Amor".
Eu gritei, não encontrei ninguém.
Insistí em procurar, você apareceu.
Só que este sonho foi traçoeiro;
Foi como o tempo. Suspirei!
Foi tão rápido, como o sopro do vento;
Sem saber seu nome, eu acordei.
Ao levantar,
A campainha tocou.
Um arrepio veio a me assustar.
Ao abrir a porta,
Sem eu saber quem era,
Você me beijou;
E novamente voltei a sonhar.
O sonho do qual nunca mais quero acordar...
Vago Poema
Cheirando à areia e sal,
sou gaivota a sobrevoar o mar.
Sou mistério neste vazio,
Sou o tranquilo vôo das aves,
rumo à linha oscilante, mar e maresia.
Enquanto o vento no areal vai passando,
como as marcas desenhadas na areia,
somem as palavras da lembrança,
como rastros na maré cheia.
Íntima idéia, clara no pensamento,
que se perde em devaneios, e
na latência deste silêncio,
me alimento da poesia alheia.
Código
Nas noites frias quando os muros choram
Eu vago tentando concertar as coisas,
Meu martelo é feito de humildade, e enchi uma garrafa de amnésia.
Quando meu coração teima em sentir raiva, eu dou-lhe um gole desse líquido inquestionável, não se vive remoendo!
Se preciso for correr atrás mil vezes de alguém para conseguir lhe mostrar o que sinto, pedir desculpas, tentar resgatar sua confiança, eu uso meu martelinho até não existir mais esses pregos que fazem sangrar vidas.
Podes não estar entendendo o intuito desta, mas, na verdade querias que fosse ao endereço seguinte: Rua da luz, nº 1, Bairro Novo. Tem um prédio azul ao lado é fácil de se chegar ao destino, use a bússola certa!
Passemos a entender que o amor é um conceito vago, usado para definir um estado contínuo de apreço, apego e carinho.
Me ocorre agora que sou tão fora de sua vida, que o meu espaço ai dentro ficou vago, cheio de outras coisas tentando preencher, eu não consigo mais falar. Escrevo aqui por extrema necessidade de falar o que eu não consigo, sou tão desequilibrada. O vento ultrapassa o meu corpo, mas antes ele bate de frente faz a gente cair na real.
Me ocorre agora somente agora que vivo essa fantasia sozinho, acabo invadindo o teu mundo sem pedir licença e hoje bati na porta pedi pra entrar e notei meu lugar ali realmente vago. Tão vago que nem é mais meu, me consta agora que é só de um silencio teu. E você não sabe o quanto me custa sair e fechar a porta desse lugar que foi só meu, mas vejo que hoje você é tão sua que não tem mais como me encaixar.
É só alguma coisa que eu enxergo nas minhas varias formas de enxergar, e que provavelmente ninguém se importe, na verdade ninguém se importa. Isso vem do que sinto agora, fui dormir sozinha acordei sozinha isso não muda.
Os meus pensamentos são todos insensatos, as coisas que eu escrevo são tão fúteis, esqueça... O destino se coloca de frente a mim pra dizer: ESQUEÇA. Nessa incessante procura de quem eu sou me sinto abandonada no escuro, perdida e a ultima coisa que eu preciso é me iludir pra depois me enganar e doer tudo outra vez. Fiquei pensando em uma maneira de chegar e te falar tudo isso, mas não consigo, me falta o ar. Ta chovendo agora e me cairia bem um colo, aquela sensação de um clima pesado passa por mim e acho que isso não passa de mais um dia ruim. Vou entrar na chuva, pra esconder mais um dos meus choros incensáveis e desengonçados.
Esse olhar vago não é suficiente para suprir a imensidão daquele sorriso que simula o encontro do sol com o mar.
"Carta para um estranho"
Me deparo com o olhar vago, por entre devaneios e sorrisos – estupidamente – bobos, sem conseguir explicar o quão bom é ter te conhecido – mesmo que informalmente – mesmo que por métodos artificiais – uma pessoa assim, completa de si. Verdadeira!
Contigo desfiro sorrisos que estavam guardados e empoeirados num pote abarrotado de frustrações. Daqueles que dão vontade de desenhar com giz de cera no papel bandeja de um restaurante de esquina. Daqueles que dão vontade de aventurar-se na cozinha e preparar um prato diferente ao som de Djavan. Sorrisos esses – que são seus – são meus – são nossos!
Sei que muita gente deve me achar a mais completa idiota, eu dou razão!
Por senso de sociedade, isso é fora do comum, fora do contexto de “vida certa”. Mas para ser sincera, estou pouco me importando com a opinião alheia. Você – em pouquíssimo tempo – está me fazendo um bem enorme e isso é o que mais importa.
Julguei-me tão impenetrável, e me deparo – aqui – agora – em situação imensurável.
Esse acontecimento me despertou a vontade de um gostar simples, que há tempos não sentia. Um gostar daqueles rotineiros e apaziguadores, bem cadentes de nós, bem gostoso, bem simples…! Sem joguinhos premeditados, ou teorias.
Sua perturbadora suavidade me fascina, me deixa completamente encantada por sua perfeita imperfeição. Imperfeição – perfeita para alguém como eu. Perfeição – que preenche as lacunas entre meus defeitos e efeitos.
Por fim, meu sorriso contigo sempre será inédito. E moverei montanhas, para que essa coisa gostosa seja mútua. Seja nossa!
Estranho meu.
vem que te ofereço
um coração frio,
um andar vago;
um olhar vazio.
vem andar comigo
meus descaminhos,
sem alegria nem beleza:
vem que te ofereço
café com tristeza...
Vuch@
Há dias em que me perco. Vago em mim em busca de respostas. Que não são simples como parecem.
Minha alma pesa. Minhas costas doem. O peso das decisões. O peso dos dias que deixo passar. O peso das pessoas que deixei para traz. O peso das dúvidas que me corroem. O peso das contas.
E peço a Deus para que a dor vá embora.
SÓ PALAVRAS
Tudo que vira palavra
Antes era sentimento
Pensamento vago ou insistente
Vontade de sair correndo
E a palavra escrita
Não é nada mais que um grito preso
De quem não sabe querer
Fernando estava certo:
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
REENCONTRAR
Versos soltos pelo vento,
Vago no mar do tempo,
Sou sombra do que já fui,
Em caminhos que desencontro.
Essência evaporada, perdida,
Num caleidoscópio de sonhos,
Colorido que se esvai,
Preciso me reencontrar.
Pintar de novo as manhãs,
Com cores de esperança,
Coração que pulsa vida,
Em harmonia e dança.
Sigo nessa estrada incerta,
Procuro em mim o brilho,
Faço da jornada a meta,
Renascer é meu trilho.
E em cada passo, revivo,
Nas notas de uma canção,
Buscando o que é perdido,
Em eco e ressurreição.
Roberval Pedro Culpi
Você vai levando, empurrando com a barriga; vai se sentido vazio, sozinho, vago...
Você cansa de si mesmo, da vida, de tudo...
Olha para o nada e percebe que não é mais que isso...
O sacrifício de algo vago e vazio, por uma recompensa manipuladora, que te prende a isso, porem a mesma sendo ainda mais vazia, vaga e falsa.
O sentimento vago é preenchido por aquele que não se encaixa. Aguardando o ensejo para o iminente langor
O HOJE É IRREVOGÁVEL
Amanhã ou depois
o tempo espreita entre frestas de silêncio
e eu vago no vão das escolhas
como quem não quer
nem a margem
nem o centro
Agora ou não
há sempre um não sei
com cara de espera
um gesto suspenso no ar
como folha que dança sem rumo
refém do vento
e da própria hesitação
A indecisão é um campo sem trilhas
onde o passo recua do próprio eco
é mirar o abismo e temer tanto a queda
quanto a ponte
é desejar o fogo
mas temer o fósforo
Filósofos dizem que o ser se realiza
no ato
que não há existência sem escolha
e até o não fazer
faz-se ser
porque não decidir
é uma decisão encoberta
pálida cambaleante
mas ainda assim
um passo
mesmo que para longe de si
O tempo esse mestre impiedoso
não espera os indecisos
segue
marca
conduz
E então aprendemos
que o caminho não se abre sozinho
que a dúvida adoece a alma
e que viver
plenamente
é optar
é perder algo para ganhar outro tanto
Decidir é cravar estaca no chão do mundo
é desenhar o próprio contorno
é ser
Recusar a escolha
é deixar que a vida escolha por nós
com mãos alheias
e olhos fechados
E o que se decide
não se decide amanhã
nem depois
se decide hoje
