Vaca
Dó.
Chorava aos berros o bezerrinho preto.
De fome e da ausência da mãe.
Roubaram a Julieta, a vaquinha de meu afilhado,
lá na Cachoeira de cima.
Ela, mesmo parida, estava enxutona, boa de carnes.
É mesmo um despautério. O ladrão de gado amansou.
Já é a quinta cabeça que ele nos rouba em três meses.
E o safado é conhecido na vizinhança.
Está enriquecendo a custa do alheio.
Polícia? ... Na Comarca nem temos mais investigadores
e os militares não dão conta da cidade.
Fica a saudade do tempo da jagunçada.
O cabra ficava mês inteiro de tocaia
a espera do gatuno.
Dois ou três balotes: e o danado ia roubar
lá nas pastagens do inferno.
Aí a ladroagem parava.
A maioria das pessoas vê uma pessoa avarenta com maus olhos. Mas se refletirmos bem, veremos que um avarento, apesar de tolo, é uma boa pessoa. Afinal, ele passa a vida inteira se privando das coisas para guardar dinheiro que outros vão usufruir após a sua morte.
Resgate de uma veia poética
As veias são assim meia murchas
Elas não recebem muito carinho, murcham
Igual as plantas que não recebem água
A água é a vida das veias
Veias cheias de humor também são poéticas
São murchas, mas fofinhas
Eu tenho um pouco disso
De veio e poético
mas esqueço disso as vezes
Contatinho venoso
Bobeando o coração
Ao tentar entender
O que chamou a atenção
Se foi o jeito de viver
Ou a calada sugestão
A vaca do karatê
E sua simples perfeição
LEITE MUNGIDO
.
Cuscuz, queijo e ovo cozido
Copão de leite mungido
Eis meu café da manhã.
Ao lembrar do meu sertão
Bate uma baita saudade
Nas veias do coração.
O tempo... quanta maldade
Parece não ter noção
Do estrago que fez na alma
De um poeta setentão!
"Ah, como eu gostaria
de te dar uns bons tapas.
Mas não vou perder tempo
amaciando carne de vaca!"
Haredita Angel
20.12.13
Em uma feliz convivência entre um animal que adota um ser humano, a parte bem mais amorosa vem sempre mais do animal que confia em alguém que ele escolheu, cegamente.Pois amar e cuidar são emoções naturais da natureza humana de quem ama mas o amor brando, companheiro e sereno de um animal para seu dono é infinitamente distante de todos seus instintos genéticos e de tudo que envolve sua própria natureza selvagem.
Que falta me faz verdadeiramente nos dias de hoje os apitos, sejam eles tantos os de locomotivas como os de navios.
A mim me parece mesmo que meu gosto pelos pastéis de carne moída de vaca feitos com massa grossa de pouca aguardente que permanecem tão forte em minha saudade tenha se firmemente estabelecido por longa persistência no meu paladar infantil pouco exigente.Assim também o é com os apitos de trilhos, de mestre salas, fiscais de salão nas gafieiras, até de guardas noturnos e de mar, são a celebração viva da chegada e da partida, do vai e vem, das novas notícias que chegam e das notícias antigas que vão embora.Um movimento constante que exibe nos pelos seus apitos onde são os limites, e por onde se vê a vida inteira passar.
