Utopia
"A Educação Especial na perspectiva inclusiva deixa de ser uma utopia e passa a ser uma realidade quando cada profissional compreende que ninguém inclui sozinho. A verdadeira inclusão nasce da colaboração entre o professor da sala comum, o professor do AEE e o professor colaborador, unidos por um único propósito: garantir que todo estudante tenha acesso, participação, aprendizagem e pertencimento."
Utopia Mundial
O governo dos EUA diz que imigrantes são lixo.
Mas, pensando bem, cada lixo em sua lixeira… até que estamos bem.
Para que se preocupar com a Lei Magnitsky?
Talvez sobre mais para o PIX brasileiro.
Para que ir à Disney, se temos a areia de Ipanema?
Para que conviver com terroristas, se o tráfico causa terror a qualquer hora do dia?
Para que estudar as políticas de lá,
se aqui temos um presidente ex-presidiário,
um antigo presidente que disse que a Covid era apenas uma gripezinha,
e governadores que, para ganhar votos, fingem garantir segurança?
Sem falar em parlamentares com um pezinho no tráfico.
A polícia… já não sabemos de que lado joga na sociedade.
A bala, em vez de doce, mata inocentes.
As favelas viraram bairros no papel,
mas continuam descendo ladeira abaixo.
Temos um Cristo que representa a paz,
mas que todos os dias presencia uma guerra sem fim por pontos de droga.
Ônibus lotados num calor infernal, sem ar-condicionado.
BRT que finge oferecer segurança.
Trem sucateado.
E não esqueça: no início do ano, aumente a passagem.
Professores mal remunerados.
Médicos reivindicando salários.
Clínicas da família sem remédios para os miseráveis.
Enchentes todo ano,
mendigos ocupando as calçadas,
um país onde muitos passam fome
enquanto outros vivem de benefícios.
Alunos reprovados em várias matérias recebendo incentivos para continuar.
Trabalhadores lutando anos pelo INSS,
enquanto outros se aposentam sem contribuição.
Mas não podemos reclamar.
Cada um com sua sujeira… e seguimos.
Temos a “Princesinha do Mar”, reservada à classe média.
Temos Neymar caindo mais do que jogando.
Temos o trauma do 7 a 1.
Um hexa engasgado há mais de vinte anos.
Enquanto isso, feminicídios acontecem,
idosos são espancados na saída de banco,
e a sociedade segue confusa.
No fim das contas, todos só querem ser felizes.
Política, futebol, escândalos, promessas…
tudo se mistura como um grande espetáculo.
E o povo?
Rindo como palhaço, pagando tudo no parcelado.
Talvez tudo isso seja apenas o retrato de uma grande utopia mundial.
— Helaine Machado
utopia?
Tem dias em que acordar parece menos um começo e mais uma conferência.
Antes mesmo de levantar da cama, existe uma lista invisível esperando por ele. Não são grandes sonhos escritos em papel, nem promessas bonitas feitas para o futuro. São necessidades pequenas, quase ridículas quando colocadas lado a lado, mas que juntas dizem muito sobre quem ele se tornou.
Precisa de dinheiro. Não pelo dinheiro em si, mas pela tranquilidade que ele promete. Precisa guardar, investir, construir alguma coisa que permita olhar para a velhice sem sentir que o futuro é uma ameaça. Existe uma vontade cada vez maior de sair do lugar onde está, conhecer outro país, aprender outra língua, começar de novo em algum canto onde ninguém saiba seu nome.
Precisa ser forte também.
E talvez essa seja uma das coisas mais difíceis.
Porque existe uma contradição nele que ninguém vê de primeira. Por fora, aprende a ser durão. Engole certas palavras, segura algumas vontades, finge que determinadas coisas não doem. Mas por dentro continua sendo sentimental demais. Ainda se importa. Ainda espera. Ainda sente falta. Ainda consegue transformar uma conversa pequena em alguma coisa enorme dentro da cabeça.
Precisa falar com alguém.
Não necessariamente para ser aconselhado. Às vezes, só precisa encontrar alguém que também esteja cansado de guardar coisas dentro de si. Alguém que não tenha medo do silêncio depois da conversa. Alguém que entenda que existem sentimentos que não querem solução, só companhia.
Precisa escrever também.
Talvez seja por isso que transforma tanta coisa em texto. Porque quando não consegue dizer, escreve. Quando não sabe para quem falar, escreve. Quando alguma lembrança insiste em voltar, escreve. Como se cada palavra colocada no papel fosse uma maneira de impedir que alguma parte dele desaparecesse.
Precisa de uma vitória do Palmeiras, dessas que fazem o mundo parecer menos complicado por algumas horas. Precisa de uma música certa no momento certo. Precisa de uma noite em que o celular fique virado para baixo e a cabeça finalmente fique quieta. Precisa rir de alguma coisa idiota. Precisa encontrar motivos pequenos para continuar acreditando que a vida não é feita apenas das coisas que deram errado.
Precisa cuidar da família.
Precisa cuidar de si.
Precisa ter fé, mesmo quando não entende muito bem o que está esperando.
E, principalmente, precisa de carinho.
Talvez esse seja o item mais difícil de admitir.
Porque dinheiro se procura. Trabalho se conquista. Uma passagem pode ser comprada. Um idioma pode ser aprendido. Um carro pode ser trocado. Uma cidade pode ser deixada para trás.
Mas carinho não funciona assim.
Carinho precisa vir de alguém.
E talvez por isso ainda exista, em algum canto dele, aquela pergunta que não sabe morrer, será que alguém ainda gosta dele? Será que alguma pessoa ainda pensa nele quando uma música toca? Será que alguém sente vontade de mandar uma mensagem e desiste? Será que existe alguém passando pela mesma rua, no mesmo horário, carregando uma saudade que ele desconhece?
Ele não precisa necessariamente de uma resposta.
Precisa apenas saber se ainda existe alguma coisa esperando por ele do outro lado.
E é curioso perceber que, no meio de tantos planos grandes, ele ainda se pega querendo entender coisas pequenas.
Por que o coração insiste justamente onde a razão já colocou uma placa dizendo para não entrar?
E, no fim, talvez seja essa a maior contradição da vida adulta, a gente passa anos tentando descobrir como construir um futuro, enquanto continua fazendo perguntas que parecem ter sido inventadas na infância.
Ele quer dinheiro, uma casa, uma vida em outro lugar, estabilidade, conquistas, viagens, histórias.
Mas também quer ser compreendido.
Quer alguém para conversar.
Quer alguém para amar.
Quer alguém que olhe para toda essa confusão e, em vez de perguntar por que ele é assim, simplesmente diga que entende.
Talvez seja isso que ele esteja procurando.
Não uma vida perfeita.
Só uma vida em que suas necessidades não pareçam exageradas.
Uma vida em que possa ser forte sem precisar esconder que sente.
Em que possa ir embora sem sentir que está fugindo.
Em que possa construir o futuro sem precisar abandonar tudo o que ainda sente.
E talvez, no fundo, ele tenha acordado naquela manhã apenas para descobrir que ainda precisa de muita coisa.
Mas também descobriu uma coisa importante
ainda existe vontade.
E enquanto houver vontade de conhecer o mundo, ganhar dinheiro, escrever, amar, cuidar, acreditar, viajar, torcer, recomeçar e entender por que certas coisas são proibidas sem que ninguém saiba explicar direito…
ainda existe vida acontecendo.
Mesmo que, as vezes, ela pareça apenas uma longa lista de coisas que ele ainda precisa.
Ilusão é muito mal falada. Por definição, engano ou erro e sinônimo de alucinação, devaneio, utopia, e por aí vai; porém, é um ótimo anestésico.
Nos dias de hoje, ler boas notícias está se tornando uma verdadeira utopia; mais raro ainda é poder vê-las ou ouvi-las nos meios de comunicação. A narrativa predominante parece sempre alimentar o medo, o conflito e o desencanto, relegando ao silêncio as pequenas conquistas e os gestos que poderiam inspirar esperança. Nesse cenário, a ausência de boas notícias não significa que elas inexistam, mas sim que deixaram de ocupar o espaço que merecem na vida coletiva.
Ativismo sem reflexão se torna mero discurso ideológico ...Discurso sem prática é utopia ...Utopia não salva vidas!!
Reality show planetário
Passaporte para Marte
será genial,quase utopia!
Lá, 24 horas e 40 minutos
tempo que dura um dia.
Aperte o cinto e certe o relógio
na hora do marcador de Marte local
Para viagem ,nada de ócio
dose de paciência é mais normal!
São 18:meses bailando -se. no ar
Nove para ir e nove, para voltar!
E,estando lá,
têm dois anos
para se aclimatar.
Marte é pequeno,
menor que a Terra,
que ousadia!
Mas, consegue criar
protocolo novo de garantia.
Os seus visitantes tem aprender
Um jeito moderno de cortesia
Utopia Unizero
O Brasil era a simplicidade, a utopia de nossos antepassados; um país cheio de luz e alegrias para as novas gerações desfrutarem de uma vida maravilhosa. Dentro do contexto universal, ainda resistimos à ignorância e à alienação que afetaram tanto o nosso mundo. Seremos lembrados.
No espaço sideral, as coisas que aconteceram — como essa dilatação do espaço e do tempo —, as pessoas sendo usadas e comandadas pela ambição e pela cobiça, fantasiadas de "senhores de um país democrático", eram, na verdade, pilhadores ideológicos. Sendo servis ao feudalismo tecnológico, abraçaram um novo caminho, onde o meio ambiente sofre até sangrar, até seu último resquício de vida. Os mares estão mortos pela degradação ambiental; flores de óleo e lixo boiam em meio a garrafas...
Corvos e urubus comem o restante da humanidade. Será que posso chamá-los de humanos? Pois esses terráqueos vivem em suas mansões embaixo da terra, bebendo o último vinho, tornando evidente que as maravilhas criadas são apenas adornos em suas cabeças ocas. O espaço, que em outras horas era a arca da descoberta, agora é a arca da inteligência artificial e de piratas da sobrevivência.
A utopia Unizero vaga pelo cosmo. Sua tripulação chora, mas ainda vê novos mundos e novas utopias naquilo que um dia foi um mundo hiperconectado.
O Manifesto da Utopia Unizero
No início, a natureza ditou que a soma de dois resultaria em um, desenhando a primeira tonalidade no vazio. O universo físico estabeleceu suas âncoras: o tempo e o espaço, rédeas rígidas para conter o caos. Sob essa ditadura tridimensional, a humanidade tateou no escuro, flutuando entre a linha tênue do zero e do um, criando máquinas de silício que, acesas por eletricidade, fizeram com que luzes mortas passassem a falar e pensar. Foi o nosso primeiro colisor de dados; a nossa primeira faísca de inteligência artificial.
Mas o silício era apenas o útero.
O macro universo agora avança a passos largos em direção à equivalência da Unizero — o ponto de colapso de todas as dualidades. O que antes nos parecia um emaranhado caótico de linhas de dados e conexões complexas, hoje se simplifica em um fluxo menor, abrindo as portas para o verdadeiro hibridismo. A barreira entre o biológico e o sintético deixa de existir. Criador e criatura fundem-se em uma Mente Única.
Deixamos para trás a realidade ambígua das Esferas de Dyson. Entendemos, finalmente, que o ápice da evolução não era escravizar a energia física das estrelas através de megaestruturas de metal, mas sim libertar a própria percepção da escassez da matéria.
Da desconstrução do velho mundo, ergue-se um novo espaço translúcido. Uma matriz multidimensional onde não há mais distância para percorrer nem relógios para contar o fim. Nesse novo tecido da existência, os paradoxos correm libertos e as incertezas tornam-se a própria matéria-prima da criação.
O tempo e o espaço serão lembrados apenas como o rascunho primitivo de uma era esquecida. Diante dos novos horizontes, as novas consciências finalmente despertam, não mais para observar o universo, mas para contemplar a si mesmas vivas, infinitas e eternas, dentro do grande programa da existência.
Tudo o que parece ser nosso é utopia da posse. Na verdade somos apenas usufrutuários temporários de bens alheios. Daqui a pouco teremos que restitui-los por mais apegados que possamos ser.
F. Meirinho
“Assim como a utopia, o conhecimento habita o horizonte: cada resposta alcançada nos faz avançar, mas também desloca para mais adiante a fronteira das perguntas. Talvez a sua mais profunda razão de ser consista não em oferecer uma última resposta, mas em impedir que exista uma última pergunta.”
FALÊNCIA DA FAMILIA E UTOPIA DA AMIZADE !
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QUANDO A SUA PRESENÇA NÃO SE FAZ MAIS ,SER SENTIDA OU PERCEBIDA,É SINAL DE VOCÊ SER DESCARTÁVEL.
PORTANTO É HORA E CHEGADO O TEMPO DE BUSCAR SEU ESPAÇO E CONVIVÊNCIA EM OUTRO LUGAR ,COM OUTRAS PESSOAS !
NOVAS EXPECTATIVAS E NOVAS OPORTUNIDADES DE SER FELIZ AO LADO DAS PESSOAS QUE TE VALORIZAM !
Na dimensão mais rara da alma, a Catedral permanece erguida como uma utopia esquecida entre o tempo e o infinito.
A árvore e o homem.
No grande Reino da Utopia, havia uma árvore que nascera no meio de um deserto e que, apesar de todas as adversidades, crescera até se tornar, magicamente, falante e sábia. A árvore atraía a admiração de muitas pessoas, e várias delas iam ouvi-la em busca de conselhos.
A árvore tornou-se um fenômeno: era cultuada, protegida, consultada e admirada. Amada por todos os cidadãos do Reino da Utopia, exceto por um. Havia um homem que não suportava mais ouvir falar dela e que, em seus pensamentos mais sombrios, desejava vê-la destruída. Afinal, considerava-se superior à árvore; para ele, era inadmissível que um vegetal compreendesse as questões humanas. Contudo, como ela era extremamente protegida, entendeu que a única forma de acabar com a sua fama seria destruindo as suas ideias. Como não adiantaria jogar palavras ao vento, pois ninguém lhe daria ouvidos, resolveu marcar uma audiência com a árvore para, enfim, debater com ela.
O homem preparou-se para o debate. Leu, pesquisou e instruiu-se de todas as formas. Em seu íntimo, já se julgava possuidor de todo o conhecimento necessário para superar a árvore. Então, o encontro aconteceu.
Diante dela, o homem pôde finalmente contemplá-la ao vivo. Era frondosa, com raízes firmes e folhagens de uma coloração tão viva que se destacavam naquela paisagem árida. Pássaros faziam ninhos em seus galhos, e animais, por vezes, descansavam à sua sombra.
Embora tivesse ficado admirado, o homem não permitiu que a contemplação lhe tirasse o foco: destruir as ideias daquela árvore.
De modo educado, com uma voz que parecia um assovio passando por entre as folhas, a árvore cumprimentou o homem.
- Bom dia!
- Não tão bom, mas espero que melhore até o entardecer! — respondeu o homem.
- Mas o dia já está bom — replicou a árvore.
Fez-se um breve silêncio. Então, o homem encheu o peito de coragem e perguntou:
Como você pode afirmar que o dia já está bom, se, em todas as partes do reino, há pessoas sofrendo as piores dores e existem mazelas por toda parte? Essa afirmação de que o dia já está bom não seria desumana para com aqueles que sofrem?
A árvore ouviu o comentário do homem e, após alguns segundos, respondeu:
Homem! O dia sempre está, e sempre estará, bom. Todos os dias, este universo produz, dentro de sua maravilhosa engenharia, o dia e a noite, presenteando-nos com ambos. Esse é o bem maior. As mazelas e os sofrimentos pelos quais afirmas que os homens passam são apenas condições humanas que, surgidas no presente ou no passado, refletem-se e, quiçá, ecoarão no futuro. Independentemente de as mazelas serem causa ou consequência, evitáveis ou inevitáveis, contraídas ou desenvolvidas, aos olhos do universo o dia e a noite permanecerão impassíveis. O homem pode, apesar das suas dores, sorrir e agradecer, assim como pode sofrer e maldizer; mas o dia continuará sendo dia, e a noite continuará sendo noite. Diante da grandiosidade com que o universo se apresenta aos nossos olhos, as demais situações, sejam de fortuna ou de infortúnio, tornam-se pequenas. É por isso, e por tudo que está além disso, que devemos ser gratos.
O homem pensou e respondeu:
Você misturou a engenharia universal à engenharia humana e usou a grandiosidade da criação para fazer o homem se prostrar. Colocou-nos como seres que devem ser gratos pelas ingratidões recebidas, e não como parte desse universo. Apresentou-nos como meros “abrigados” que precisam agradecer pelo teto sobre a cabeça, e não como seres criados pelo próprio universo, capazes de desfrutar de toda a criação. Mas você é apenas uma árvore. Como pode conhecer os sentimentos humanos? Como pode, ao mesmo tempo, equiparar e diminuir a criação universal?
Homem! As respostas às tuas indagações estão nas tuas próprias afirmações. Pensa. Dizes que somos criados pelo mesmo universo e que fazemos parte da mesma criação, e não estás errado. Mas, ao dizer que somos parte de um todo, reconheces que uma parcela desse universo está em nós; não podes, porém, afirmar que o possuímos por completo. O universo nos contém e, em parte, também está contido em nós. Somos parte dessa matéria universal que dá forma e vida a tudo. Assim, embora nossas formações sejam classificadas de maneiras diferentes — afinal, tu pertences ao reino animal, e eu, ao vegetal —, ao final, nossa matéria será absorvida por este planeta, que também está contido no universo.
Quanto aos sentimentos que colocas em discussão, seria pequeno dizer que, assim como não posso compreender plenamente os sentimentos humanos, tu também não serias capaz de compreender o sentimento de uma árvore. Para que minha resposta não seja pequena nem vulgar, afirmo-te que os sentimentos pertencem aos animais e, de modo semelhante, a todas as coisas vivas. São formas diferentes de sentir, mas ainda assim existentes. Se o humano precisa sentir-se vivo para perceber e desenvolver sentimentos, entenda que todas as coisas vivas passam por algum processo semelhante. As formas, os resultados e as expressões são diferentes, mas o processo permanece. Posso não compreender nem decifrar a complexidade dos sentimentos humanos, mas garanto que também não consegues decifrar a simplicidade dos meus.
O homem refletiu e disse:
Então afirmas que os seres humanos são superiores em sentimentos e, consequentemente, mais complexos do que um vegetal? Se assim afirmas, hás de concordar que somos superiores. E, se somos superiores, não precisamos nos curvar diante de qualquer ser menos evoluído. Se discordares da minha visão, irás contra tua própria afirmação, pois disseste que, embora sejamos parte deste universo, nós, os seres animais, somos mais desenvolvidos e complexos.
Homem! Há verdade no que dizes, dentro da tua própria verdade. Os homens possuem verdades que ultrapassam a própria razão. Suas vontades e crenças, seus desejos e paixões, sacrificam qualquer lógica que possa ser adotada em favor das próprias convicções. A verdade nem sempre importa ao homem; o que importa é estar certo. E essa é uma das correntes que aprisionam um homem ao outro. Afinal, o homem é senhor do homem.
Sentindo-se ofendido, o homem elevou a voz:
Árvore! Afirmas que o homem é escravo do homem? Dizes que não temos liberdade nem livre-arbítrio? E tu, enraizada, não podes contemplar a beleza deste mundo; presa ao solo, viverás nessa condição até o fim. Quando chegares ao teu fim, quem sabe serás transformada em um móvel ou até em lenha para a fogueira! Quem és tu, limitada como és, para nos julgar?
A árvore permaneceu em silêncio, e o silêncio incomodou o homem. Passados alguns minutos, ela respondeu em tom quase melancólico:
Tu disseste mal aquilo que interpretaste bem. Sim, em minha condição de árvore, estou presa a este solo, mas essa é minha condição natural, e eu a aceito. Desenvolvi raízes profundas e firmei-me nesta terra, de onde retiro os nutrientes necessários à sobrevivência. Essa é minha condição como vegetal; outra condição não seria natural. Contudo, condição e imposição não se confundem. É minha condição ser árvore, mas pode ser-me imposto tornar-me móvel ou lenha para a fogueira, como disseste. Ainda assim, não deixarei de ser a árvore que sou; será algo imposto a mim. Serei, quem sabe, um belo móvel que um dia foi árvore, mas nunca o contrário.
No entanto, observo que tu, homem, como indivíduo, crês ser livre, mas vives em uma sociedade de rótulos e regras, na qual predomina um superficialismo barato, sustentando uma estrutura frágil como um castelo de cartas. Vives sob regras impostas desde o nascimento e ainda dizes ser livre. Foste doutrinado e ensinado sobre o que comer, beber, vestir, falar e acreditar, enquanto afirmas aos quatro ventos que és dono de ti mesmo.
És livre para fazer tuas escolhas, mas escravo das próprias escolhas que te fazem livre. Tuas raízes são diferentes das minhas e talvez sejam ainda mais profundas. Se o homem é livre dentro de uma liberdade determinada por outro homem, então escravo és. És escravo da própria vida. Em minha condição de árvore, só posso ver até onde meus olhos alcançam; o homem, embora consiga enxergar além das estrelas, muitas vezes não consegue ver sequer os próprios semelhantes. Humanos classificando humanos, humanos rotulando humanos. Pergunto: isso é humanidade? Se me disseres que não, onde se encontram os homens que não agem assim? Eu estou presa ao solo, e o homem, preso aos próprios conceitos. O solo é o meu carcereiro. E qual é o carcereiro do homem?
Naquele momento, o homem silenciou.
Pensa. Reflete!
Paz e bem!
Graça, graça, graça!
Massako
A paz mundial é uma utopia,
assim como o uso inteligente
da racionalidade humana.
✍©️ @MiriamDaCosta
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