Use o Silencio quando Ouvir

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FIGURAS CINZAS

Quando a ausência ganha a cor da memória.

Talvez a vida seja como um álbum.

Nascemos com algumas páginas praticamente vazias. Não sabemos quantas existirão, quantas pessoas passarão por elas ou quais histórias serão escritas ao longo do caminho.

Então começamos a preencher.

Primeiro aparecem aqueles que já estavam conosco antes mesmo de compreendermos o significado da palavra família. Pai, mãe, irmãos, avós. Depois chegam os tios, primos, professores, colegas, amigos, amores, filhos, vizinhos e tantas outras pessoas que, de alguma maneira, encontram um espaço em nossas páginas.

Cada uma delas é uma figurinha.

E, enquanto está conosco, é colorida.

Algumas ocupam páginas inteiras. Outras aparecem discretamente em algum canto da nossa história. Há aquelas que permanecem durante décadas e aquelas que passam rapidamente, mas deixam uma marca que não desaparece.

Há figurinhas que trazem alegria.

Outras carregam ensinamentos.

Algumas nos fazem rir.

Outras nos fazem chorar.

Existem aquelas que nos abraçam e aquelas que nos ferem.

Algumas nos amam.

Outras nos decepcionam.

E há aquelas que simplesmente passam por nós sem perceber que, por algum motivo, deixaram uma pequena parte de si em nossa história.

É assim que o álbum vai crescendo.

Página após página.

Ano após ano.

Até que descobrimos uma coisa que ninguém nos ensina verdadeiramente a compreender:

o álbum também muda de cor.

Um dia, uma das figuras coloridas se torna cinza.

Não porque perdeu sua importância.

Não porque deixou de ser amada.

Não porque sua história deixou de ter valor.

Ela se torna cinza porque sua presença terminou e sua memória começou.

É o momento em que alguém parte.

Um avô.

Uma avó.

Um pai.

Uma mãe.

Um irmão.

Um amigo.

Um amor.

Alguém que, talvez, acreditássemos que estaria sempre ali.

E então descobrimos que algumas pessoas não desaparecem exatamente.

Elas apenas mudam de lugar.

Saem do espaço onde podíamos encontrá-las e passam a ocupar outro lugar, muito mais silencioso: a memória.

É por isso que algumas figuras ficam cinzas.

Não são figuras apagadas.

São figuras encerradas.

A história chegou ao seu ponto final.

E talvez seja justamente isso que torne a perda tão dolorosa.

Porque a morte não leva apenas uma pessoa.

Ela leva também a possibilidade de escrever novos capítulos com ela.

Não haverá mais aquela conversa.

Aquela ligação.

Aquele abraço.

Aquela discussão.

Aquela risada.

Aquele conselho.

Aquela presença aparentemente comum que, depois da partida, descobrimos ser extraordinária.

É então que sentimos saudade.

E a saudade talvez seja uma das formas mais silenciosas de amor.

Porque sentimos falta justamente daquilo que teve importância.

Ninguém sente saudade daquilo que nunca significou nada.

A dor da ausência é, de certa forma, a prova de que houve presença.

Talvez por isso devêssemos olhar para nossas figuras cinzas com um pouco mais de ternura.

Elas não representam somente aquilo que perdemos.

Representam também aquilo que tivemos.

Um dia aquela pessoa esteve ali.

Um dia houve convivência.

Houve histórias.

Houve abraços.

Houve conflitos.

Houve perdão.

Houve amor.

Houve vida.

E talvez essa seja a primeira grande lição das figuras cinzas:

não devemos permitir que a tristeza pelo fim apague a beleza do que existiu.

O ponto final não torna inútil a história.

Uma história não perde seu valor porque terminou.

Pelo contrário.

É justamente porque sabemos que ela terminaria algum dia que cada capítulo deveria ter sido vivido com maior intensidade.

A criança que brincou com o avô talvez não soubesse que um dia sentiria falta daquela voz.

O filho que achava cansativo ouvir os conselhos dos pais talvez um dia daria qualquer coisa para escutá-los novamente.

O amigo que sempre esteve por perto talvez só tenha revelado seu verdadeiro valor depois de partir.

A vida possui essa estranha capacidade de nos ensinar o valor das coisas muitas vezes depois que elas deixam de estar disponíveis.

Por isso, talvez devêssemos olhar mais para as figuras coloridas enquanto ainda estão coloridas.

Abraçar enquanto podemos.

Dizer “eu te amo” enquanto a pessoa pode ouvir.

Pedir perdão enquanto ainda existe tempo.

Perdoar enquanto ainda existe oportunidade.

Visitar enquanto a porta ainda pode ser aberta.

Ligar enquanto ainda existe alguém do outro lado da linha.

Porque não sabemos em qual página a cor vai mudar.

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Com o passar dos anos, nosso álbum fica cheio.

E, inevitavelmente, algumas figuras coloridas começam a ficar cinzas.

Isso pode nos assustar.

Quando somos jovens, pensamos que viver é acrescentar pessoas.

Mais tarde descobrimos que viver também é aprender a conviver com as ausências.

Talvez amadurecer seja exatamente isso.

No começo, queremos preencher páginas.

Depois aprendemos a preservar páginas.

E, finalmente, compreendemos que algumas das páginas mais importantes de nossa existência são justamente aquelas que guardam pessoas que já não podemos abraçar.

O álbum da vida não é composto apenas pelas pessoas que permaneceram.

Ele também é formado por aqueles que partiram.

Somos, de certa maneira, uma coleção de pessoas.

Carregamos expressões que aprendemos com nossos pais.

Gestos dos nossos avós.

Conselhos de professores.

Histórias de amigos.

Manias de irmãos.

Lembranças de antigos amores.

Feridas deixadas por algumas pessoas.

Perdões oferecidos por outras.

Somos também aquilo que recebemos daqueles que passaram por nossa vida.

Talvez sejamos um pouco de cada pessoa que realmente nos tocou.

E, nesse sentido, as figuras cinzas continuam participando do álbum.

Elas já não podem acrescentar novos capítulos à própria história, mas continuam influenciando a nossa.

O avô que partiu pode continuar ensinando através de uma frase que repetimos.

A mãe pode continuar presente em um gesto que aprendemos.

O pai pode continuar vivendo em uma maneira de trabalhar, cuidar ou enfrentar dificuldades.

O amigo pode continuar provocando um sorriso quando lembramos de determinada história.

A pessoa que amamos pode continuar existindo na forma como aprendemos a amar.

É assim que a memória desafia a ausência.

Ela não devolve fisicamente quem partiu.

Mas impede que tudo aquilo que aquela pessoa representou desapareça completamente.

Enquanto alguém se lembrar, alguma parte daquela história continua existindo.

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Talvez seja por isso que o cinza não deva ser entendido apenas como a cor da tristeza.

O cinza também pode ser a cor da permanência.

É a cor de uma presença que deixou de ser física, mas não deixou de ser significativa.

É a cor da memória.

E memória não é o contrário da vida.

É uma das maneiras pelas quais a vida continua dentro de nós.

Existe, então, uma esperança escondida nas figuras cinzas.

A esperança de que aquilo que foi verdadeiro não seja completamente perdido.

A esperança de que o amor não termine simplesmente porque o abraço terminou.

A esperança de que uma história possa continuar produzindo frutos mesmo depois de seu último capítulo.

Talvez a morte encerre uma existência, mas não consiga apagar todas as consequências de uma vida.

Uma pessoa pode partir e ainda permanecer na maneira como alguém pensa, educa, ama, trabalha, perdoa ou enfrenta o mundo.

Nesse sentido, algumas pessoas continuam vivendo através daqueles que deixaram para trás.

---

Imagine, então, alguém chegando ao final da própria vida e abrindo seu álbum.

Haverá muitas figuras coloridas.

Mas haverá também muitas figuras cinzas.

Algumas provocarão lágrimas.

Outras trarão risos.

Algumas despertarão arrependimento.

Outras, gratidão.

Talvez algumas páginas sejam difíceis de olhar.

Talvez existam pessoas que gostaríamos de encontrar novamente.

Talvez existam outras das quais gostaríamos de nos despedir melhor.

Mas todas elas terão alguma coisa em comum:

fizeram parte da história.

E talvez, naquele momento, seja possível compreender algo que levamos uma vida inteira para aprender.

O objetivo nunca foi manter todas as figuras coloridas.

Isso seria impossível.

O objetivo era viver.

Amar.

Conhecer.

Errar.

Perdoar.

Aprender.

Construir histórias.

Preencher páginas.

E, quando algumas figuras inevitavelmente mudassem de cor, ter memória suficiente para olhar para elas e dizer:

“Eu tive você na minha vida.”

Talvez essa seja uma das maiores formas de gratidão que podemos oferecer aos que partiram.

Não apenas chorar porque eles se foram.

Mas agradecer porque um dia estiveram conosco.

Porque, quando transformamos a lembrança em gratidão, a ausência começa a dividir espaço com a esperança.

E então percebemos algo ainda mais bonito.

O álbum não terminou.

Ainda existem páginas vazias.

Ainda existem pessoas que não conhecemos.

Amizades que ainda não começaram.

Abraços que ainda não demos.

Lugares onde ainda não estivemos.

Amores que ainda podem chegar.

Histórias que ainda não foram escritas.

E, principalmente, ainda podemos ser a figurinha colorida na vida de alguém.

Talvez seja essa a grande responsabilidade de estar vivo.

Enquanto nossas páginas ainda estão sendo preenchidas, precisamos cuidar da cor que deixamos nas páginas dos outros.

Porque um dia, para alguém, também seremos memória.

E quando esse dia chegar, talvez não sejamos lembrados pelo tamanho da nossa casa, pelo dinheiro que acumulamos, pelos cargos que ocupamos ou pelas coisas que possuímos.

Talvez sejamos lembrados por uma conversa.

Por um abraço.

Por uma ajuda.

Por uma palavra.

Por uma presença.

Por um momento em que fizemos alguém sentir que não estava sozinho.

No fim, talvez seja isso que realmente permaneça.

As coisas passam.

As pessoas partem.

As páginas viram.

As cores mudam.

Mas algumas histórias continuam.

E talvez a vida seja exatamente isso:

um álbum que começa vazio, se enche de cores e, lentamente, vai adquirindo tons de cinza.

Não devemos temer o cinza.

Porque o cinza nos lembra que houve cor.

E se ainda dói olhar para determinada figura, talvez seja porque aquela pessoa ainda possui um lugar dentro de nós.

Por isso, quando sentir saudade, não pense apenas na ausência.

Volte à página.

Olhe a figura.

Lembre da voz.

Lembre do sorriso.

Lembre da história.

E agradeça.

Porque nem todos têm a sorte de possuir uma memória que ainda dói.

Às vezes, a dor da saudade é simplesmente o coração dizendo:

“Isso foi importante.”

E talvez seja essa a esperança escondida nas figuras cinzas.

Algumas pessoas deixam de estar ao nosso lado, mas nunca deixam de fazer parte de quem somos.

O álbum continua aberto.

Ainda há páginas.

Ainda há cores.

Ainda há vida.

Preencha-as.

Quando você é um mapa aberto nas mãos de alguém,
essa pessoa conhece seus caminhos,
suas curvas, seus atalhos
e até os lugares onde você costuma se perder.


Mas nem todo mundo que conhece o caminho
quer te levar às Maldivas.


Alguns usam o mapa para te conduzir ao destino dos sonhos.
Outros estudam suas rotas
apenas para saber exatamente onde te fazer cair.


Por isso, cuidado com quem recebe o mapa da sua vida.
Nem todo mundo merece conhecer seus atalhos,
seus pontos fracos
e o endereço dos seus sonhos.


Porque, quando você entrega seu mapa para a pessoa errada,
ela não precisa destruir seu caminho.


Basta te convencer a seguir a direção errada.

"Quando se deparar com alguém que está na 'correria', não diga: 'Não sei como fulano ou fulana aguenta'. Diga: 'Que Deus dê força, ânimo, sabedoria e muita fé para continuar'."

Você sabia que quando Deus ilumina alguém ninguém absolutamente ninguém consegue apagar..




Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado


Copyright direitos reservados

Quando você ora, persiste na fé. O caos la fora desiste e vai embora.






Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado




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o conceito do onibservador ser o que observa a particula em onda, que é quando a onda é a inexatidão do destino que uma partícula pode decidir escolher, em que se observada o observador a torna uma partícula e ao ser onibservada, amiga percebe que ser onibservada ela não consegue se particulabilizar, pois o observador é onipotente, oniciênte e onipresente.
A partilcula se move como onda, por isso que ela se chama a particula em onda, quando onibservada.
É impossível a particula representar um unico papel se a observação for oni... ela mesmo observada, não consegue se manter como uma patícula, ela se move como onda, ou seria: como particula em onda.

Quando Deus deu ao homem o
Livre Arbítrio,
a maioria entendeu que era o maior
benefício do universo.
Poucos perceberam que era a
maior responsabilidade intransferível
da humanidade...

Grandes resultados são construídos quando estratégia, conhecimento e capacidade de adaptação caminham juntos.


— Márcio Alaor de Araújo

Quando for montar o pódio da sua vida, coloque-se sempre em primeiro lugar. Mantenha a constância e não deixe nada nem ninguém te tirar dessa posição.

QUANDO O CENTRO ESPÍRITA DEIXA DE SER CENTRO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Um Centro Espírita não é propriedade de quem chegou primeiro, de quem permaneceu mais tempo, de quem ocupa determinado cargo ou de quem se acostumou a decidir tudo em seu interior. Não pertence a uma diretoria, a um médium, a um expositor, a uma família ou a um pequeno grupo que, com o passar dos anos, começa a confundir dedicação com posse.
O Centro Espírita é uma casa de estudo, educação moral, fraternidade, esclarecimento e serviço, organizada para que o Espiritismo seja conhecido, estudado, compreendido e vivido.
É justamente aí que começa uma das questões mais delicadas do movimento espírita: quando aqueles que deveriam servir à instituição passam a comportar-se como seus proprietários.
A obra de José Herculano Pires, O Centro Espírita, permanece especialmente provocadora nesse aspecto. Sua preocupação fundamental não estava apenas com a existência física da instituição, mas com aquilo que ela deveria representar como instrumento de cultura e transformação espiritual. O Centro não deveria ser reduzido a um lugar de hábitos religiosos, formalidades, dependências pessoais ou práticas realizadas sem compreensão.
A advertência de Herculano alcança, portanto, muito mais do que a organização externa.
Alcança a consciência de quem trabalha dentro dela.
O CENTRO NÃO É DE NINGUÉM.
Há uma diferença profunda entre amar uma instituição e sentir-se dono dela.
Quem ama serve.
Quem se sente dono controla.
Quem serve deseja que outros aprendam.
Quem controla teme perder espaço.
Quem serve prepara sucessores.
Quem controla impede a renovação.
Quem compreende o caráter coletivo da tarefa sabe que nenhum trabalhador é indispensável. Quem se deixa dominar pelo personalismo começa, pouco a pouco, a acreditar justamente no contrário.
E então aparecem comportamentos que, embora muitas vezes revestidos de boas intenções, contradizem frontalmente a finalidade espírita: o trabalhador novo não recebe oportunidade; aquele que pensa diferente é afastado; novas ideias são recebidas com desconfiança; determinados cargos tornam-se permanentes; grupos fechados passam a decidir o destino da instituição; e a experiência acumulada, que deveria ser instrumento de orientação, transforma-se em argumento para impedir qualquer renovação.
Não se trata de retirar dos mais experientes o respeito que merecem.
Experiência é patrimônio.
Mas experiência não é propriedade.
O trabalhador antigo deveria ser aquele que abre portas para os que chegam, transmite aquilo que aprendeu e prepara outras pessoas para continuar o serviço.
Quando acontece o contrário, algo precisa ser examinado.
Porque uma casa espírita que não consegue formar novos trabalhadores corre o risco de envelhecer não apenas em seus quadros, mas principalmente em sua mentalidade.
QUANDO A DEDICAÇÃO SE TRANSFORMA EM POSSE.
Existe uma espécie de personalismo particularmente perigosa no ambiente espírita: aquela que não se apresenta como vaidade evidente.
Ela pode aparecer disfarçada de zelo.
“Eu conheço esta casa.”
“Eu estou aqui há muitos anos.”
“Sempre fizemos assim.”
“Essa pessoa ainda não está preparada.”
“Não podemos entregar essa responsabilidade a qualquer um.”
Algumas dessas afirmações podem conter prudência legítima. O problema surge quando se transformam em mecanismos permanentes de exclusão.
Ninguém deve receber uma responsabilidade simplesmente por ser novo.
Mas ninguém deveria ser impedido de crescer simplesmente porque outros desejam conservar indefinidamente o espaço que ocupam.
O Centro Espírita necessita de disciplina, sim.
Necessita de organização.
Necessita de trabalhadores preparados.
Necessita de bom senso.
Mas disciplina não é imobilidade.
Organização não é domínio.
Experiência não é monopólio.
Autoridade não é propriedade.
E antiguidade não constitui superioridade espiritual.
POUCO ESTUDO; MENOR AINDA A CONVICÇÃO.
Talvez uma das maiores fragilidades do movimento espírita esteja justamente na distância entre frequentar o Espiritismo e conhecer o Espiritismo.
Há quem permaneça muitos anos dentro de uma instituição espírita sem jamais realizar um estudo realmente sério da Doutrina.
Conhece costumes.
Conhece horários.
Conhece pessoas.
Conhece funções.
Conhece a rotina da casa.
Mas não conhece suficientemente aquilo que a Doutrina propõe.
E existe uma diferença imensa entre conhecer o funcionamento de uma instituição e compreender o pensamento espírita.
O estudo não deveria ser um adorno da casa espírita.
É uma de suas bases.
Kardec jamais estabeleceu a fé espírita sobre a simples aceitação de pessoas, autoridades ou tradições. A Doutrina exige exame, observação, raciocínio, comparação, reflexão e coerência.
Por isso, quando o estudo desaparece, abre-se espaço para outra coisa ocupar o seu lugar.
O hábito.
A tradição.
O personalismo.
A opinião particular.
A autoridade informal.
O “sempre foi assim”.
E, quando essas coisas passam a valer mais do que o conhecimento doutrinário, o Centro pode continuar funcionando externamente, mas começa a perder sua finalidade interior.
A FALTA DE ESTUDO PRODUZ UMA ESTRANHA CERTEZA.
Há uma contradição que merece ser examinada com coragem.
Quanto menos se estuda, frequentemente maior se torna a segurança com que algumas pessoas defendem suas próprias convicções.
O estudo sério ensina humildade porque revela a extensão daquilo que ainda ignoramos.
A ignorância, quando não reconhecida, pode produzir justamente o contrário: certeza excessiva.
E isso é particularmente perigoso em uma instituição cuja finalidade deveria ser justamente a educação do espírito.
Não basta dizer-se espírita.
Não basta trabalhar durante anos em uma casa espírita.
Não basta conhecer algumas passagens de O Evangelho segundo o Espiritismo.
Não basta participar de reuniões.
É necessário perguntar:
O que realmente aprendemos?
O que modificamos em nós?
Nossa compreensão da Doutrina aumentou ou apenas nosso poder dentro da instituição?
Estamos formando trabalhadores ou formando dependentes?
Estamos ensinando a pensar ou ensinando a obedecer?
Estamos preparando a renovação ou defendendo posições pessoais?
Essas perguntas não deveriam provocar escândalo.
Deveriam provocar reflexão.
O NOVO TRABALHADOR NÃO É UMA AMEAÇA.
Há algo ainda mais grave quando a permanência de determinados trabalhadores começa a depender da exclusão dos novos.
O jovem trabalhador — ou simplesmente aquele que chega depois — não deveria ser visto como ameaça.
Ele é uma possibilidade.
Pode trazer disposição.
Pode trazer novas perguntas.
Pode apresentar talentos que ainda não tiveram oportunidade de florescer.
Pode cometer erros, evidentemente.
Mas os antigos também erraram.
A função dos mais experientes não é impedir que os novos aprendam porque podem falhar.
É ajudá-los a aprender sem transformar o erro em condenação.
Uma casa espírita verdadeiramente educativa deveria possuir mecanismos de acompanhamento, orientação e formação.
O trabalhador novo precisa de preparo.
Mas precisa também de oportunidade.
Se ninguém lhe concede oportunidade porque “ainda não sabe”, como poderá algum dia saber?
É preciso ensinar.
É preciso acompanhar.
É preciso corrigir.
É preciso confiar progressivamente.
É preciso permitir que o trabalhador cresça.
Do contrário, cria-se uma situação absurda: aqueles que controlam a instituição justificam sua permanência dizendo que não existem pessoas preparadas para substituí-los, enquanto simultaneamente impedem que novas pessoas sejam preparadas.
Isso não é renovação.
É perpetuação.
ORGULHO, CIÚME E VAIDADE DENTRO DA CASA ESPÍRITA.
É doloroso admitir, mas o fato de uma instituição possuir o nome “espírita” não significa que todos os sentimentos humanos tenham desaparecido de dentro dela.
O orgulho pode entrar pela porta.
O ciúme pode ocupar uma cadeira.
A vaidade pode assumir uma função.
A disputa por reconhecimento pode vestir-se de zelo doutrinário.
A necessidade de poder pode apresentar-se como preocupação com a disciplina.
É justamente por isso que o Centro Espírita precisa ser lugar de reforma íntima, e não um território onde cada pessoa possa ocultar suas imperfeições atrás da função que desempenha.
O problema não está em exercer uma responsabilidade.
O problema está em transformar a responsabilidade em identidade de poder.
Não é errado coordenar.
É errado acreditar que ninguém mais poderia coordenar.
Não é errado orientar.
É errado não permitir que outros aprendam.
Não é errado preservar aquilo que funciona.
É errado utilizar a tradição como argumento para impedir aquilo que precisa ser renovado.
Não é errado respeitar os trabalhadores antigos.
É errado exigir que o respeito lhes conceda uma espécie de soberania permanente.
PARA QUE, AFINAL, SERVE UM CENTRO ESPÍRITA?
Serve para estudar.
Serve para esclarecer.
Serve para acolher.
Serve para educar.
Serve para estimular a transformação moral.
Serve para aproximar pessoas do conhecimento espírita sem lhes retirar a liberdade de pensar.
Serve para desenvolver trabalhadores conscientes de que o serviço é maior do que o servidor.
Serve para estabelecer um ambiente em que a fraternidade não seja apenas palavra pronunciada em reuniões, mas princípio efetivamente praticado.
Serve para colocar o conhecimento a serviço do aperfeiçoamento humano.
E, justamente por isso, o Centro Espírita não pode ser compreendido como uma espécie de extensão da personalidade de seus dirigentes.
A casa deve servir à Doutrina; a Doutrina não deve servir às conveniências da casa.
Quando acontece a inversão, começa o desvio.
O CENTRO ESPÍRITA PRECISA DE RENOVAÇÃO.
Renovar não significa destruir.
Não significa desprezar os antigos.
Não significa abandonar princípios.
Não significa substituir estudo por novidades.
Renovação significa permitir que a instituição continue viva.
Uma árvore saudável conserva suas raízes, mas produz folhas novas.
Da mesma maneira, o Centro Espírita precisa preservar seus fundamentos doutrinários e, ao mesmo tempo, permitir que novas gerações de trabalhadores encontrem espaço para servir, estudar, aprender e desenvolver suas capacidades.
Quem realmente compreende a continuidade da obra não teme a chegada de novos trabalhadores.
Ao contrário.
Trabalha para que eles cheguem.
Prepara-os.
Orienta-os.
Confia-lhes responsabilidades progressivamente.
E, quando chega o momento de afastar-se de determinada função, não sente que perdeu alguma coisa.
Sente que cumpriu uma etapa.
O VEXAME NÃO ESTÁ EM RECONHECER O ERRO.
Se uma casa espírita percebe que se afastou de sua finalidade, não deveria sentir vergonha de reconhecer isso.
Vergonha maior seria perceber e nada fazer.
É possível que uma instituição, formada por pessoas imperfeitas, incorra em equívocos. Isso faz parte da condição humana.
O verdadeiro problema está em transformar o equívoco em tradição.
Herculano Pires enxergava no Centro Espírita energias capazes de reconstrução. Essa esperança é fundamental.
A crítica ao movimento espírita não precisa nascer de hostilidade ao Espiritismo.
Pode nascer justamente do amor pela Doutrina.
Pode nascer da fidelidade ao propósito de uma casa que deveria ser centro de estudo, fraternidade e esclarecimento.
Por isso, talvez seja necessário dizer com toda a serenidade, mas também com toda a firmeza:
alguns Centros Espíritas precisam menos de discursos sobre humildade e mais de oportunidades concretas para que a humildade seja praticada.
Precisam menos de pessoas defendendo seus lugares e mais de trabalhadores preparando outros trabalhadores.
Precisam menos de certezas pessoais e mais de estudo.
Precisam menos de personalidades indispensáveis e mais de princípios.
Precisam menos de disputas silenciosas e mais de fraternidade.
Precisam menos de medo da renovação e mais de confiança na continuidade do trabalho.
Porque o Centro Espírita não existe para perpetuar homens.
Existe para servir ao ideal espírita.
E quando alguém passa a acreditar que a casa não pode funcionar sem sua presença, talvez seja justamente nesse momento que precise recordar uma das mais elementares lições da Doutrina: ninguém possui a obra; todos somos apenas trabalhadores temporários diante de uma tarefa que nos ultrapassa.
Se isso for verdadeiramente compreendido, o trabalhador antigo não fechará a porta ao novo.
Abrirá.
O dirigente não concentrará tudo em suas mãos.
Ensinará.
O médium não procurará domínio.
Servirá.
O estudioso não utilizará conhecimento para humilhar.
Esclarecerá.
E aquele que um dia deixar determinada função não sairá da casa sentindo que perdeu um território.
Sairá sabendo que ajudou a construir uma obra capaz de continuar sem ele.
E talvez seja essa uma das provas mais silenciosas da verdadeira humildade dentro de um Centro Espírita: conseguir preparar alguém para fazer, amanhã, aquilo que hoje fazemos — e alegrar-nos quando essa pessoa estiver pronta para fazê-lo melhor.
FONTES PARA ESTUDO.
José Herculano Pires — O Centro Espírita.
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos.
Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo.
Allan Kardec — O Livro dos Médiuns.
Allan Kardec — Obras Póstumas.

"Percebi que não é de tamanha dificuldade perceber o amor, quando forte e verdadeiro transborda a taça, inunda o mundo destruindo tudo que o tente parar. Infelizmente passei muito tempo navegando na minha inundação ao redor de uma taça que não chegava nem à metade."

Não questione quando alguém se afasta de você. Nem toda partida precisa de explicação. Respeite os ciclos da vida, preserve sua paz e siga em frente. Quem é para ficar encontra motivos para permanecer; quem parte, deixa também um aprendizado.

As decisões guiadas pelo amor são a base de uma vida cheia de significado. Quando o coração escolhe, cada caminho ganha mais beleza, carinho e verdade.

Antes de responder ao barulho, escolha a paz. Quem vive de provocar se enfraquece quando encontra o silêncio. Não desperdice sua serenidade tentando convencer quem vive do conflito. Deixe que o tempo revele as máscaras, pois um espetáculo sem aplausos logo chega ao fim. Siga em frente com dignidade, porque quem cultiva a paz nunca precisa disputar espaço com quem faz da confusão o próprio palco.

Agosto com A de Aurora, porque toda noite termina quando a esperança decide nascer novamente.

Amar você é ser presença quando o mundo silencia, aconchego quando a alma pede abrigo e leveza quando a vida pesa.
É encontrar em um abraço a paz que acalma, em um olhar a certeza de pertencer e, em cada instante ao seu lado, um motivo para sorrir.
Amar você é transformar o simples em especial e fazer do nosso amor o meu lugar favorito no mundo.

É tão lindo quando você pergunta se cheguei bem, como foi o meu dia, se estou bem... São pequenos gestos que dizem tanto. Eles mostram o quanto você se importa, o quanto minha vida também faz parte do seu coração. E é nesses detalhes, nesse cuidado tão seu, que eu encontro mais um motivo para te amar cada dia mais.

Às vezes, só percebemos o quanto alguém é raro quando deixamos de ter acesso ao seu coração e passamos a sentir a distância.

Amor gostoso é quando o olhar se entrega antes mesmo do toque, quando a proximidade arrepia e o corpo treme só de sentir a presença do outro. É desejo misturado com carinho, é coração acelerado e pele despertando. É aquele instante em que não precisamos dizer nada, porque nossos olhos, nossos gestos e nossa conexão dizem tudo. É querer ficar perto, perder-se no abraço e simplesmente sentir… nós dois, na mesma sintonia.

Amor gostoso é quando o olhar se entrega, o coração acelera e o corpo treme só por sentir a presença de quem faz a alma sorrir.