Use o Silencio quando Ouvir

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A mente humana é um labirinto onde o silêncio fala mais alto que as vozes; quem se perde nele descobre que o próprio eco pode ser o mestre mais severo e verdadeiro.

O mundo se dobra sob o peso da indiferença, e mesmo o silêncio parece conspirar contra os que ainda ousam sentir; caminhar por entre ruas e memórias é perceber que cada gesto cotidiano carrega o espectro de histórias não contadas, e que a própria realidade é apenas um teatro onde os sonhos fracassam em segredo.

O silêncio da oração não pede respostas, apenas abre portas invisíveis; e quem atravessa esse limiar descobre que o divino não está acima nem fora, mas pulsa no âmago de cada instante, como um segredo que se revela apenas a quem desaprende o mundo.

Há noites em que o silêncio pesa mais que qualquer palavra, mas é justamente nesse peso que a alma revela sua costura secreta. Nada no ser é inteiro: vive-se de remendos, pontos mal dados, cicatrizes que desejam poesia. E, quando a consciência aceita essa imperfeição como identidade, algo raro acontece — a dor deixa de ser inimiga e passa a ser a parte do ser que mais sabe a verdade sobre ele.

Há dores que persistem não por falta de superação, mas por excesso de silêncio. O que não encontra palavra desce, infiltra-se, organiza-se em hábito e passa a governar o ser por dentro. Quando a consciência ousa escutar o que foi empurrado para o fundo, algo se desloca: a dor deixa de ser tirana e torna-se mensageira — severa, mas justa.

Entre os pilares que sustentam a dignidade estão o silêncio e a discrição. Na alegria, silêncio — pois é quando menos se espera que o excesso se volta contra quem o exibe. Na dificuldade ou na ruína, discrição — porque nem todos permanecem diante do que não brilha. Saber calar e saber resguardar-se é preservar o que há de mais íntimo quando o mundo oscila entre o aplauso e o abandono.

Erguido sobre o peso do indizível, o silêncio de Baalbek não é a ausência de Júpiter, mas a sombra mística que o tempo projeta ao secularizar a absoluta ruína em pedra.
Reno Fioraso

MADRUGADA DE NATAL


Ouve -se ao longe gemidos
O silêncio no corredor impera
A vida, a morte em atritos
Mas é o bem que se espera.


Noto pessoas, famílias, fatos
Cada um com seu problema
Somos complexos mas fracos
A soberba: nosso maior dilema.


Do maior ao dito desprezível
Desejamos a mesma sorte
Aqui não existe status nem nível
Toda máscara cai diante da morte.


Levy Cosmo Silva

Um "oi" muda tudo: se não for correspondido, esqueça. Silêncio também é resposta.

O amor nos conecta e nos mobiliza a lutar no silêncio do coração, para que as almas se encontrem no mesmo caminho, agora em uma nova direção. É nesse encontro que o passado deixa de ser destino e o recomeço se torna uma escolha compartilhada.

"Silêncio que arde"


Guardo teu nome no espaço
entre um suspiro e outro,
onde a voz não alcança
e o gesto fala mais alto.


Meu peito te reconhece
antes mesmo que eu pense,
mas o mundo exige calma,
exige que eu me esconda.


Então te ofereço o que posso:
um toque breve,
um olhar demorado,
um cuidado que finjo ser acaso.


É assim que te amo —
sem palavra alguma,
mas com tudo que treme
no silêncio das minhas atitudes.


E ainda que eu não diga,
meu coração te chama.
Tu não ouve, talvez,
mas eu sigo cantando baixo.

Na grande cidade dos deuses, esculpida no silêncio dos séculos, a Pirâmide da Lua não é um enigma a ser decifrado pelo homem, mas uma resposta em pedra para uma pergunta que a humanidade desaprendeu de fazer.
Reno Fioraso

Eu Te Amo no Silêncio

Eu te amo.
E escolho te amar no silêncio, porque nele meu amor não conhece rejeição.
No silêncio, posso guardar você sem precisar explicar o tamanho do que sinto. Posso dizer seu nome dentro de mim e imaginar todas as palavras que talvez meus lábios jamais tenham coragem de pronunciar.
Prefiro te olhar à distância.
Não porque queira você longe, mas porque de perto seria impossível esconder o que meus olhos certamente entregariam.
Há uma beleza em você que me desarma.
E quando você se aproxima, tudo aquilo que ensaiei esconder perde o sentido. Minha prudência se desfaz, minhas certezas se confundem e meu coração parece esquecer que prometeu permanecer calado.
Por isso fico aqui, nessa distância pequena para os olhos e imensa para quem ama.
Talvez você nunca saiba.
Talvez algum dia perceba.
Mas existe algo estranhamente bonito em amar assim: sem possuir, sem exigir, sem interromper o caminho de quem se ama.
Eu te amo no silêncio porque ali ainda posso ter você sem perder você.
Mas confesso:
há dias em que o silêncio pesa.
Porque todo amor escondido sonha, secretamente, com o instante em que deixará de ser segredo.
E se algum dia você olhar demoradamente para mim, talvez descubra aquilo que minha boca tanto tentou esconder:
eu nunca estive apenas te olhando.
Eu estava te amando.

Silêncio.


Ele alivia o barulho externo, mas estimula e concentra aquele que é interno.


Podemos ficar em silêncio e eliminar os sons que vêm de fora, mas e quanto ao que pensamos?


Esse é um dos principais motivos que explicam o porquê de ser difícil manter o silêncio: aquilo que pensamos, imaginamos, sentimos, lembramos, às vezes podem ser coisas turbulentas e complicadas de se processar.


E fazer isso em meio à amplitude do silêncio torna a experiência mais densa e profunda.


Nos lembra de quem somos; das nossas inseguranças; dos nossos defeitos; dos nossos fracassos.


Silêncio também é dor.
Silêncio também é espelho.

Silêncio. Tudo é processado melhor em meio ao silêncio. Dores; angústias; inseguranças; dúvidas; decisões; sentimentos intensos. Eu quero fazer do silêncio uma terapia. Eu quero me calar — por horas e horas. Eu quero me calar. Eu quero ficar de boca fechada. Eu quero calar a boca e que todos os outros também calem a boca. Eu quero exterminar todo o ruído e todo o barulho agressivo, estressante e que machuca. Eu quero apenas deixar o pensamento voar. Eu quero ouvir o que está aqui dentro; o que me tortura, mas também que me motiva.

O silêncio, os pensamentos, os olhares, a postura, aquilo que estiver, ou não, fazendo.


É um teste. Um teste de nós com nós mesmos. Um teste de tolerância própria e individual. Um teste de carregar o próprio peso, sem os outros olhares, sem ninguém observando, avaliando e opinando.


Como você se sente? Bem? Mal? Abra o coração e deixe que os sentimentos mais enraizados saltem para fora.


Está aí. Tudo está aí. Você os conhece, sabe o que significam (ou ao menos o que deveriam, verdadeiramente, significar).


É difícil, duro, cru e por vezes insuportável, mas, também, esclarecedor, maleável, criativo, e, talvez a parte mais importante, necessário.

“Anjos não travam batalhas visíveis; lutam no silêncio do espiritual, protegendo a alma enquanto o mundo testa a fé.”

"Aproveite o silêncio: é nele que a paz acontece"

“O coração apaixonado se cansa, mas vive; o desocupado descansa, mas sente o silêncio bater mais forte”

"A Lua carrega a clara claridade do silêncio, enquanto o Sol veste o mundo com a cor quente da vida; juntos, ensinam que luz também é equilíbrio.”