Use o Silencio quando Ouvir

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A Ligação Que Eu Queria Fazer
Homenagem ao Meu Pai, Edilson Alves


No silêncio da saudade
Que insiste em me abraçar,
Muitas vezes olho o céu
Com vontade de falar,
Com quem foi luz em minha vida
E hoje mora em outro lugar.


Meu pai foi homem direito
De palavra e de valor,
Ensinou-me desde cedo
O caminho do amor,
Da coragem e humildade,
Do respeito ao Criador.


Se a vida fosse mais simples
E tivesse solução,
Talvez houvesse no céu
Um fio de comunicação,
Pra gente matar a saudade
Que aperta o coração.


Se eu tivesse só uma ligação
E pra o céu eu pudesse ligar,
Mataria a saudade do meu velho
E assim sua voz escutar.
Contava da minha vontade
De poder lhe abraçar.


Eu diria: “Pai, tá tudo bem?
Como é que o senhor está?”
Contaria das minhas lutas
Que continuo a enfrentar,
Mas seguindo os seus conselhos
Que nunca deixei pra lá.


Falaria das lembranças
Que o tempo não apagou,
Dos momentos da infância
Que o destino guardou,
Do orgulho de ser seu filho
E de tudo que me ensinou.


E no fim dessa conversa
Que eu tanto queria ter,
Diria olhando pro alto
Antes da ligação se perder:
“Pai, obrigado por tudo,
Um dia eu encontro você.”


Porque amor de pai é chama
Que o tempo não desfaz,
Mesmo longe ele protege
Como sempre foi capaz,
E quem vive nas lembranças
Não é esquecido, jamais.

Eu sou oito ou oitenta.

Ou é amor de verdade
ou é silêncio.

Há um inverno em mim,
triste como o silêncio das estrelas.
O calor amarga,
mas o frio é canto que consola.
Que estranha oposição,
como se o tempo fosse espelho quebrado.
Não é ausência de amor:
é apenas o pouco que resta,
esmola de eternidade.

Cuidado: Não é todo mundo que te segue com boas intenções. Às vezes, a discrição e o silêncio são as melhores formas de proteger sua paz e seu bem-estar.

Flor do Campo

Flor do campo, sozinha a brilhar,
No silêncio do vento, a dançar,
Com seus delicados traços, a encantar,
A olhar e tocou-me.
Sua beleza simples, sem pretensão,
Desperta no peito uma doce emoção.
Entre as ervas verdes, a destacar,
Maravilhosa e forte, a me ensinar.
Não busca aplausos, nem quer se exibir,
Mas no seu ser, só há o florescer e a existir.
Com raízes profundas, enraizadas no chão,
Traz paz, traz luz, traz inspiração.
Flor do campo, com graça e esplendor,
Que no silêncio da vida, é o meu fervor,
Sozinha e maravilhosa, no seu esplendor

Janelas


Caminho pela cidade.
Janelas acesas
outras afundadas
no silêncio das salas.
Alguém atravessa a rua vazia,
outro espera
o semáforo piscando
na paciência da noite.
Nos passos apressados
quantos carregam
o peso do dia.
Num banco da praça
uma jovem se senta.
Chove.
Abre o guarda-chuva
não é da chuva
que se protege.
Há uma tristeza fina
caindo por dentro.
Da bolsa
tira um livro.
Abre.
Fecha.
Entre o livro
e o guarda-chuva
hesita.
A cidade segue.
E numa janela apagada
talvez alguém
também agora
aprenda
a difícil arte
de acender
ou apagar
a própria janela.

Deixar alguém no vácuo
É uma forma horrível de dizer através do silêncio
Que a pessoa em questão é meramente
Insignificante na nossa vida.

⁠O silêncio das palavras dizem muitas coisas.

O grito do silêncio, fala nada para uns, mas, fala muito alto para outros...

A árvore mais alta do mundo começou no silêncio da terra, crescendo para baixo antes de tocar o céu. Não despreze o seu período de quietude; é nele que as raízes da sua próxima vitória estão se fortalecendo.

Não permita que o silêncio do outro se torne o ruído da sua insegurança. O sábio não busca a confirmação no eco das vozes alheias, mas na firmeza dos seus próprios passos. Onde o mundo se cala, a sua verdade deve falar mais alto.

A grande decisão não nasce no tumulto da voz, mas na profundidade do silêncio. Antes de o raio partir o céu, há uma tensão muda na atmosfera. Aprenda a habitar a sua própria quietude antes de agir; quem não suporta o peso do silêncio jamais terá ombros para sustentar o peso do poder.

A força que não busca o reconhecimento é a única que o tempo não pode corroer. O silêncio não é ausência de voz, mas o acúmulo de poder. Quem fala tudo o que sabe, esvazia-se; quem guarda o seu silêncio, torna-se um reservatório de clareza que nenhuma tempestade alheia consegue turvar.

Quem cala não consente, quem cala exerce o direito constitucional de permanecer em silêncio. Além do que, qualquer pessoa é presumidamente inocente, até que o transito em julgado prove o contrário. Portanto, permanecer calado não é se intitular culpado. É não fazer prova contra si mesmo. Responder para quê? Se não sabes o que pode comprometer. CF/88

Num dia frio,
o mundo pede silêncio.


E entre páginas abertas,
o tempo desacelera.


Lá fora, o vento atravessa ruas,
carrega pressas, distrações,
mas aqui dentro,
tudo encontra um ritmo mais lento,
quase como um segredo bem guardado.


E é nesse instante simples,
entre o frio e o abrigo,
que a vida se revela;
sem esforço:
como uma melodia suave ao fundo,
dessas que a gente nem percebe,
mas sente,
e sabe que é exatamente ali
que mora o sentido.

O silêncio sufoca a alma de quem a nostalgia se apousa.

"Só quem já provou do veneno amargo das palavras, conhece o valor adocicado do silêncio."

-Aline Lopes

“O Silêncio dos Astros”


Se o céu fosse um deserto,
no brilho de um olhar eu me perderia.
E no clarão da tua luz —
meu caos se acalmaria.


As mais belas palavras
não nascem da voz,
mas do silêncio que habita o olhar.


Pois há verdades que não se dizem,
há amores que não se explicam,
há destinos que apenas se reconhecem
quando duas almas voltam a se encontrar.
Onde você esta meu ar.

⁠Palavras repetidas são ocas e inúteis, melhor ficar em silêncio.

Poema –Entre o Silêncio e o Pedido

O que é, afinal, um pedido de socorro?
É o grito que não sai,
ou o silêncio que ecoa por dentro?

O que é pedir ajuda?
É dizer “estou só”?
Ou é olhar ao redor
e não encontrar ninguém,
mesmo quando há tantos ali?

Há uma solidão que não se explica,
que não depende da ausência,
mas da falta de ser visto.

E então me pergunto:
como continuar?

Continuar… para quê?
Buscar compreensão?
Acolhimento?
Ou apenas um lugar
onde eu possa existir sem esforço?

Será carência…
ou é ausência mesmo?

Porque, no fundo,
acho que estou pedindo socorro.

Estou cansado de tentar.

Uma vez me disseram:
“é só viver.”
Mas como se vive
quando não se sabe o caminho?

Eu sei respirar…
mas isso não é viver.

Queria sorrir com leveza,
queria sentir que existo de verdade.
Mas sigo, como um mecanismo…
funcionando,
cumprindo,
ajudando.

E me pergunto:
é só isso?

Queria dizer que viver é simples.
Mas, às vezes,
o simples parece impossível.

Porque há dias
em que morro em silêncio,
repetidas vezes,
lembrando de tudo aquilo
que nunca saiu da imaginação.

Sonhar cansa.
Voltar à realidade cansa mais ainda.

E então retorno à mesma dúvida:
isso é um pedido de socorro…
ou só continuo existindo
para não deixar os outros caírem?

E, no meio disso tudo,
uma pergunta me atravessa
quieta, mas insistente:

será essa a vida de quem cuida?

Estender a mão
com o próprio vazio nos dedos?
Oferecer abrigo
sem ter onde repousar?

Buscar apoio…
e não encontrar?

Talvez por isso tantos silenciem,
tantos desabem por dentro,
tantos desistam sem aviso.

Uma vida dedicada a sustentar outros,
e, ainda assim,
caminhar só.

Uma vida de entrega.
Uma vida de ausência.
Uma vida de dor
que insiste em não passar