Use o Silencio quando Ouvir
O Anjo e a Lua
A lua brilhava como um farol suspenso no silêncio da noite.
De sua luz suave, um anjo descia lentamente,
com asas que refletiam o brilho prateado do céu.
Não havia pressa em seus movimentos,
como se o tempo tivesse parado apenas para assistir.
O ar se tornava leve, e cada batida de asa
trazia consigo uma promessa de paz e proteção.
Você observava, entre fascínio e reverência,
sentindo que aquele instante não era apenas sonho,
mas um recado guardado nas estrelas,
um lembrete de que há sempre luz descendo até nós,
mesmo quando a noite parece infinita.
Sob a pena de Maat
No silêncio dourado do templo antigo,
Maat caminha com passo divino,
Sua pena ergue-se contra o destino,
Pesando verdades no fio do abrigo.
O escaravelho, com asas abertas,
Rola o Sol sobre a areia desperta,
Renascendo o dia, quebrando a inércia,
Guardião do ciclo, da alma liberta.
No tribunal do além, tudo é revelado,
O coração pulsa, o passado é pesado,
Se leve for, a alma é coroada,
Se não, Ammit espera calada.
Entre justiça, renascimento e fé,
O Egito canta o que Maat é:
Ordem sagrada, caminho e lei,
Na balança eterna onde tudo se vê.
Na água repousa um segredo antigo: ela guarda em silêncio o poder de destruir e de gerar vida, revelando o mistério divino que sustenta toda a criação.
Eu sou dois países,
um deles feito de areia e silêncio.
O vento me atravessa como lembrança,
e cada grão que toca minha pele
me conta uma história que eu já vivi
sem saber.
Não sonho com as Arábias —
eu sou o sonho delas.
Sou o deserto que caminha,
a miragem que sente,
a memória que dança entre dunas.
E quando fecho os olhos,
não viajo —
eu retorno.
No Silêncio da Lua e da Flecha
Na mata onde o tempo dorme,
Oxóssi vigia com olhos de caça,
Arco tenso, flecha firme,
Respira o segredo que a floresta abraça.
A lua derrama prata no rio,
Que serpenteia entre raízes e sombras,
E ali, na beira, com cuia e calma,
Uma filha da terra recolhe as ondas.
Seu gesto é antigo como o vento,
Seu silêncio, um canto sem som,
Ela sabe que a água tem memória,
E que a noite é mais do que escuridão.
No espelho do rio, uma lótus se abre,
Como se o mundo respirasse em flor,
Oxóssi observa, sem romper o instante,
Guardião da vida, do saber e do amor.
Entre flechas e folhas, entre lua e mulher,
A floresta sussurra o que não se vê:
Que o sagrado vive onde há respeito,
E que o espírito dança onde há fé.
Confiança
Confidere
Quatro meses, e o tempo nos molda em silêncio.
Você e eu — nossos desertos e nossas sobremesas.
Você é o sal, eu sou o açúcar.
Sou lágrimas, e seus olhos, cor de mel, me enxergam além da dor.
Ancestralidade nos chama.
Você chegou, as plantas vieram contigo, e com elas, nosso legado floresceu.
Terra-Mulher
A Terra sangra em silêncio, como a mulher que cala o grito. Desmatam-lhe os seios verdes, como quem arranca o abrigo.
Árvores irmãs separadas, como filhas em cárcere doméstico. O machado é verbo cruel, que fere sem dialético.
O ar, antes canto de vida, agora é voz maldita, soprando tortura invisível na mente que se agita.
A seca é prisão da essência, privatizam o ser, o sentir. A água, que era ventre livre, já não sabe mais parir.
Ordenham sem consentimento, deixam-na na mão errada. O leite vira lucro sujo, a alma, moeda trocada.
Rios contaminados choram, como corpos invadidos à força. O falo doentio penetra, sem amor, sem remorso, sem corsa.
E a carne — ah, a carne vendida — tem preço, tem código, tem dor. Como o corpo da mulher na vitrine, sem nome, sem alma, sem cor.
Mas há fogo sob a pele da Terra, há raiz que resiste ao corte. Há mulher que se levanta inteira, mesmo depois da morte.
O silêncio nos angustia, porque guarda sentimentos que o coração ainda não conseguiu transformar em palavras.
Fumaça cobre o rosto, a máscara a dor,
No silêncio ardente, pulsa o sangue, o terror.
O ar pesado guarda o eco do temor,
Cada suspiro anuncia meu próprio horror.
A dor da saudade em mim, ordena-me silêncio, reflexão e as luzes apagadas.
Tudo no escuro...
Carlos De Castro
Eu não dormi —
atravessei a noite armada de silêncio.
Havia um mundo em colapso
respirando atrás das paredes,
soldados marchando dentro do tempo,
e eu…
com as mãos cheias de nomes que amo.
Corri.
Não por mim —
mas por cada pedaço de mim
que anda solto no mundo
com o meu coração no peito.
Havia códigos escondidos no ar,
segredos costurados nos bastidores,
e eu entendia tudo
como quem carrega um mapa
que ninguém mais pode ler.
Mas o preço da lucidez
é nunca descansar.
—
Te levaram.
Não com gritos —
mas com laços delicados,
fitas de cetim preto
que pareciam suaves demais
para aprisionar um universo inteiro.
E ainda assim…
prendiam.
Me ajoelhei diante do poder
não por fraqueza,
mas porque o amor
às vezes se curva
para não se partir.
E então eu dancei.
Dancei com o medo,
com a guerra,
com o absurdo de um mundo
que tenta domesticar o que nasceu livre.
Dancei com você.
E em cada movimento
desatei um nó invisível
até que a liberdade coubesse de novo
no seu corpo pequeno.
—
Meus outros amores
ecoavam à distância,
como estrelas que não se apagam
mesmo quando o céu desaba.
Eu os guiava em silêncio,
em bilhetes invisíveis,
ensinando-os a sobreviver
sem que vissem o meu tremor.
Porque mães
não têm o direito de desmoronar
quando o mundo pede estratégia.
—
Mas eu sei.
Eu sei demais.
Sei do que se move por trás,
sei do que ninguém diz,
sei do fio tênue entre proteger
e desaparecer de si mesma.
E talvez seja isso
que me atravessa agora —
essa guerra que não terminou
quando abri os olhos.
—
Hoje,
eu ainda seguro a espada
mas minhas mãos tremem.
E tudo que eu queria
era lembrar
que não preciso salvar o mundo inteiro
para manter o amor vivo.
Nada é mais perigoso
que o silêncio que
existe entre
duas respirações
que se desejam.
O amor é o infinito
instante em que a
pele reconhece a alma.
Natal
Natal não é a data que aparece no calendário, mas o silêncio de alguém
que se aprende a escutar.
É pão repartido antes de ser explicado, é perdão antes de ser merecido, é a ética simples de um gesto pequeno que salva mais que discursos bem vestidos.
No ponto máximo da humanidade,
o sentido acontece.
Natal não termina à meia-noite.
Ele começa quando alguém escolhe ser luz num mundo mascarado de bondade, e o homem, por um instante, aprende que existir
é caber no outro.
Amar, depois do Natal,
é continuar o milagre de aprender
a partilhar quando o mundo grita.
Pai,
desde que partiste
há um silêncio diferente na casa
— um silêncio que tem o teu nome.
Ainda espero, às vezes,
ouvir os teus passos na porta,
como se fosses entrar
com o mesmo sorriso tranquilo
de quem sempre soube cuidar de tudo.
Faz-me falta a tua voz, pai.
Faz-me falta o teu conselho simples,
o teu abraço forte
que parecia dizer
que nenhum problema
era maior do que nós.
Levaste contigo tantas palavras
que eu ainda queria dizer.
Tantos dias que ainda queria viver
ao teu lado.
Mas deixaste tanto em mim.
Deixaste a coragem que me ensinaste,
o coração que me formaste,
e esse amor imenso
que nem a distância da morte conseguiu levar.
Há dias em que a saudade dói tanto
que parece não caber no peito.
E nesses dias eu olho para o céu
e imagino que estás ali,
orgulhoso, como sempre estiveste.
Sei que já não posso abraçar-te,
mas continuo a falar contigo
em pensamento,
como um filho que nunca deixou
de precisar do pai.
E prometo-te uma coisa:
enquanto eu viver,
irei cuidar da tua eterna amada:
a minha querida mãe,
e dos meus queridos irmãos.
Pai, tu viverás em mim
em cada passo,
em cada decisão,
em cada pedaço de amor
que aprendeste a dar-me.
Profundas saudades tuas,
meu querido pai.
Para sempre.
As minhas lágrimas
escrevem no meu rosto:
Amo-te, pai,
como sempre te amei
e como sempre te amarei.
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