Use o Silencio quando Ouvir
Num dia frio,
o mundo pede silêncio.
E entre páginas abertas,
o tempo desacelera.
Lá fora, o vento atravessa ruas,
carrega pressas, distrações,
mas aqui dentro,
tudo encontra um ritmo mais lento,
quase como um segredo bem guardado.
E é nesse instante simples,
entre o frio e o abrigo,
que a vida se revela;
sem esforço:
como uma melodia suave ao fundo,
dessas que a gente nem percebe,
mas sente,
e sabe que é exatamente ali
que mora o sentido.
"Só quem já provou do veneno amargo das palavras, conhece o valor adocicado do silêncio."
-Aline Lopes
“O Silêncio dos Astros”
Se o céu fosse um deserto,
no brilho de um olhar eu me perderia.
E no clarão da tua luz —
meu caos se acalmaria.
As mais belas palavras
não nascem da voz,
mas do silêncio que habita o olhar.
Pois há verdades que não se dizem,
há amores que não se explicam,
há destinos que apenas se reconhecem
quando duas almas voltam a se encontrar.
Onde você esta meu ar.
Em silêncio, as estações da alma se sucedem, cada uma trazendo consigo um novo cenário, um novo reflexo no espelho do tempo. E nós, peregrinos da nossa própria jornada, precisamos aprender a respeitar o ritmo das mudanças.
Os fios brancos na barba são como flocos de neve que caem suavemente, silenciosamente, marcando o tempo que passa, a sabedoria que se acumula. Mas não é apenas a idade que nos traz sabedoria, é a capacidade de acolher cada fase da vida, de respeitar o processo de transformação.
As metamorfoses são como a alquimia do fogo, que transforma a matéria-prima da nossa existência. É um processo lento, doloroso, necessário, para que possamos emergir como seres novos, com uma nova perspectiva, uma nova compreensão.
No entanto, quando nos tornamos carrascos de nós mesmos, quando nos cobramos demais, quando nos julgamos sem piedade, nós nos perdemos no labirinto dos nossos próprios pensamentos, e nos esquecemos de que somos seres humanos, frágeis e imperfeitos.
A pausa é um tempo de gestação, um tempo de elaboração, um tempo de amadurecimento. É um tempo de silêncio, um tempo de escuta, um tempo de compreensão e de respeito por nós mesmos.
E quando finalmente nos respeitamos, quando finalmente nos acolhemos e nos amamos, nós nos sentimos como uma obra de arte que se completa, um ser humano que se torna mais autêntico, mais verdadeiro.
Nesse momento, nós nos tornamos capazes de enfrentar os desafios da vida com coragem e determinação. Nós nos tornamos capazes de nos reinventar, de encontrar um novo sentido para a nossa existência. E é assim que nós nos encontramos, no final do caminho, com a alma renovada, com a compreensão de que somos seres em constante transformação, e que cada fase da vida é um presente precioso.
Poema –Entre o Silêncio e o Pedido
O que é, afinal, um pedido de socorro?
É o grito que não sai,
ou o silêncio que ecoa por dentro?
O que é pedir ajuda?
É dizer “estou só”?
Ou é olhar ao redor
e não encontrar ninguém,
mesmo quando há tantos ali?
Há uma solidão que não se explica,
que não depende da ausência,
mas da falta de ser visto.
E então me pergunto:
como continuar?
Continuar… para quê?
Buscar compreensão?
Acolhimento?
Ou apenas um lugar
onde eu possa existir sem esforço?
Será carência…
ou é ausência mesmo?
Porque, no fundo,
acho que estou pedindo socorro.
Estou cansado de tentar.
Uma vez me disseram:
“é só viver.”
Mas como se vive
quando não se sabe o caminho?
Eu sei respirar…
mas isso não é viver.
Queria sorrir com leveza,
queria sentir que existo de verdade.
Mas sigo, como um mecanismo…
funcionando,
cumprindo,
ajudando.
E me pergunto:
é só isso?
Queria dizer que viver é simples.
Mas, às vezes,
o simples parece impossível.
Porque há dias
em que morro em silêncio,
repetidas vezes,
lembrando de tudo aquilo
que nunca saiu da imaginação.
Sonhar cansa.
Voltar à realidade cansa mais ainda.
E então retorno à mesma dúvida:
isso é um pedido de socorro…
ou só continuo existindo
para não deixar os outros caírem?
E, no meio disso tudo,
uma pergunta me atravessa
quieta, mas insistente:
será essa a vida de quem cuida?
Estender a mão
com o próprio vazio nos dedos?
Oferecer abrigo
sem ter onde repousar?
Buscar apoio…
e não encontrar?
Talvez por isso tantos silenciem,
tantos desabem por dentro,
tantos desistam sem aviso.
Uma vida dedicada a sustentar outros,
e, ainda assim,
caminhar só.
Uma vida de entrega.
Uma vida de ausência.
Uma vida de dor
que insiste em não passar
"Lá fora o silêncio paira em meio a lua e as estrelas, enquanto que aqui dentro meu conturbado coração dispara toda vez em que eu olho para você.
Nesse momento surge uma respiração profunda e demorada que se inicia dentro de mim e se espalha por todo o meu corpo me deixando em êxtase na mesma sintonia que um arrepio toma conta do meu ser me fazendo te querer o mais rápido e breve possível."
Ode a um sete
No silêncio deste velho pedestal, corroído pelas infindas águas da realidade, sinto-me como caneta sem tinta. Passei a me solidarizar com Fernando Pessoa, pois, agora que um sete está em tudo: nos lugares que passo, onde penso, existo e até mesmo ouso descansar. É estranho, mas acho que compreendo, ao menos de forma minimamente correta.
O menor dos problemas não é deixar para trás, e sim a lacuna entre a falsa perseverança, simultânea ao vazio que na mente se abre, restando-me apenas a certeza da dúvida se conseguirei recuperar aquilo que nem sei ao certo se realmente perdi. Ela me domina, esgueirando-se por minhas fibras junto a um sete que, ao longe, me perseguia e hoje, dentro de mim se ergue.
Conforme o maldito se consolida, me questiono por que as tortuosas linhas do destino me apresentaram a esse tal Proust, sem nenhum aviso prévio ou formidável preparo necessário, apenas atirando-o à mim, assim como um sete, de forma tão tardia, agitando as águas salgadas da angústia. Agora, com um mínimo de aprendizado, passo a entender que memórias não doem apenas por serem memórias, mas por serem vagarosas, lentas, tornando-se, em alguns casos, “pequenas” demais para tal estrago, ridiculamente desproporcionais às correntes que me prendem à eternidade que parece habitar neste museu, mantendo-o vivo.
Diante deste ninho moldado por traços desolados, guerreando com um sete, sinto-me culpado, uma alma insignificante, vagando em busca de perdão. Oro ao pequenino Léo, que, aos trancos e barrancos da própria ingenuidade, inteligência e bondade petulante, sem nunca pestanejar, ergueu-se sozinho. Queria dizer-lhe o quão orgulhoso sou por sua bravura altruísta, por seu poder de encontrar felicidade e conhecimento no simples, isso te levou longe, garoto. Jamais se esqueça, nem aceite cair na penumbra das mágoas ao seu pai, muito menos que se volte contra sua mãe. Peço apenas que, com sabedoria, aprenda que a vida não é só perdoar a todos, cuidar, salvar. Olhe para si.
Admiro muito você por conseguir seguir mesmo estando estilhaçado pelas flechas amarguradas da injustiça que costumamos chamar de vida, outrora direcionadas ao pobre Paulo. Pobre garoto, assustado e confuso, tendo menos que Romeu a perder, agarrando-se ao mínimo que pudesse de uma Julieta que sequer lhe jurou seu amor. E, diante da terrível praga, sem contato com o verdadeiro mundo, sem o paradeiro daqueles que davam cor ao seu, guardou sozinho todo medo e dor, retraindo-se para dentro da massa pensante, desconectando-se do próprio eu.
Compadeço-me de ti: a fantasia pode ser tortuosa de tão linda, mas, apesar de tudo, vivo você esteve, e vivo sempre estará, deixando seu legado que, mesmo escondido, soterrado pelas poeiras neurais, ainda carrega essência e sonho.
E a você, Gael, escondido sob a manta da amargura, vestido com uma falácia de máscula armadura, viverá para sempre vagando pelos imundos espectros daquilo que um dia denominou-se como Maria. Mas olhe para si, garoto, não vê o quão vitorioso és? Não te deixes levar pela afiada e gélida linha que deveria atuar apenas em uma ponta. Você é ouro, garoto. Graças a ti, e somente a ti, todos terão o descanso merecido, basta que se encontrem com o verdadeiro eu.
Tua bravura jamais será esquecida. Saúdem o grande dragão guerreiro que, com sua fúria, forjou a katana do ser, unindo os espectros que, outrora meros cadeados do trauma, agora se fundem e, juntos, derretem novamente, dando vida ao sujo, obscuro e fragmentado etanol. Puro produto da decomposição, prestes a evaporar, ir embora a qualquer instante, ocupando espaço sem pertencer, entorpecendo a realidade por onde passa. É o vazio deprimido em sua forma mais pura.
Eu sou abrigo pra quem quer abrigo,
sou teto em dia de tempestade,
sou silêncio que acolhe o grito,
sou presença quando falta verdade.
Sou a paz pra quem busca descanso,
sou colo pra quem já cansou de lutar,
sou ponte onde só havia abismo,
sou luz mesmo sem me deixarem brilhar.
Sou o ombro que não cobra retorno,
sou escuta que não exige voz,
sou inteiro mesmo sendo quebrado,
sou muitos, mesmo quando estou a sós.
Sou o que fica quando todos vão,
sou raiz em solo que não me quer,
sou amor sem manual de uso,
sou força que ninguém vê de pé.
Mas também sou limite, sou freio, sou fim, alguns me chamam de doido e o sem noção quando querem me manipular,.
sou o não que aprendeu a dizer sim pra si.
Porque ser tudo pra todos me fez quase nada, e agora sou tudo pra mim.
E sou sim pra quem quer ficar ao lado do respeito e da dignidade .
Evans Araújo
Então agora é um recomeço
Apenas eu e esse mundo sem nome
Onde o silêncio grita e o vento me chama
Preciso reencontrar aquele lado animal de novo
Rasgar a pele da rotina
Correr com os pés descalços sobre a terra crua
Sentir o cheiro da liberdade no ar
Deixar que o instinto guie, sem medo, sem freio
Que venham as noites sem estrelas
Que venham os dias sem rumo
Eu sou o grito que não se cala
Sou o fogo que não se apaga
Sou o animal que desperta
“Entre o Silêncio e a Força”
Ando fraco… mas buscando ser forte.
Tentando me manter de pé quando tudo parece querer me derrubar.
Já fui inabalável, mas minha visão se fechou como se uma névoa tivesse tomado conta do meu horizonte.
Às vezes me pergunto se foi a falta de Deus… ou as distrações do mundo que me afastaram d’Ele.
O significado das coisas mudou.
As pessoas mudaram.
Algumas foram embora, e com elas foram partes de mim que eu nem sabia que existiam.
Ficou um vazio, um eco… e a sensação de que tudo explodiu como uma bomba nuclear, deixando apenas eu e meus pensamentos. ardendo em silêncio no meio dos escombros da alma.
Mas mesmo aqui, nesse deserto de dúvidas e ruínas, algo dentro de mim ainda resiste.
Talvez seja fé.
Talvez seja esperança.
Ou talvez seja apenas a vontade de reencontrar Deus e, com Ele, o verdadeiro sentido de continuar.
Tem saudade que não chega fazendo barulho…
ela vem no silêncio, e fica.
Hoje eu só queria ter tido mais tempo de amizade com meu pai. Não só de pai… de amigo mesmo.
Daqueles que a gente chama pra ir à praia sem motivo, só pra sentar na areia e olhar o horizonte em silêncio, como se o mar dissesse o que a gente nunca soube falar.
Queria ter dividido mais momentos simples… uma pescaria qualquer, uma conversa jogada fora, um riso sem pressa.
Queria ter criado mais memórias leves, dessas que hoje fariam companhia nesse vazio.
Agora ele está ali… no hospital…
e o que mais dói não é só a distância, é o silêncio.
É não conseguir ouvir a voz dele. Nem aquelas palavras duras… que hoje fazem falta.
Tenso como a vida é…
até a arrogância dele, que antes pesava, hoje revela quem ele sempre foi forte.
O jeito inquebrável dele… era armadura. Era defesa de quem aprendeu a viver sem poder ser fraco.
E eu aqui… sentindo falta de tudo.
Do que foi bom, do que foi difícil… do que eu não entendi na época.
Porque no fim…
o amor entre pai e filho nem sempre vem em forma de carinho.
Às vezes vem em silêncio, em cobrança, em dureza…
mas ainda assim… é amor.
Mas dessa vez… eu não quero só lembrar.
Eu quero uma nova chance.
Quero que ele se recupere.
Quero poder olhar pra ele de novo… com outros olhos, com mais entendimento, com mais presença.
Quero viver o que ficou pra depois… sem deixar pra depois outra vez.
Se Deus permitir… ainda vamos à praia.
Ainda vamos sentar lado a lado, em silêncio… e dessa vez eu vou entender.
Ainda vamos numa pescaria qualquer… e eu vou valorizar cada segundo, cada palavra… até as duras.
Porque agora eu sei…
o tempo não espera, mas ele também pode dar uma segunda chance.
E se essa chance vier…
eu não vou perder.
Hoje, o que fica é a saudade…
mas junto dela, fica também a fé.
Fé de que isso ainda não acabou.
Fé de que ainda vamos escrever mais capítulos…
dessa vez, como pai…
e como amigos.
O SILÊNCIO
Percebemos que o silêncio é traiçoeiro
Nos maltrata profundamente
Nos tira as palavras
ficamos sem respostas
Nos prendendo no calabouço da solidão
Aquele silêncio que nos aperta e tira o ar
Sufocando lentamente como ter sede
e não ter água para tomar
Morrendo devagamente
O silêncio que cerca o meu redor me enfraquecendo e me deixando só
em uma grande escuridão.
“A companhia de um gato nos inspira a meditação e ao recolhimento interno. Silêncio e paz é disso que a humanidade precisa.”
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