Uma Verdade Inconveniente
Às vezes, nossa perspectiva muda completamente ao enxergarmos as coisas através das lentes de Deus...
Se a minha verdade e sinceridade são criticadas, nada posso fazer com respeito ao odor da minha "flatulência".(Walter Sasso)
Criar, colocar algemas e grilhões em você mesmo; ser prisioneiro em cela sem tranca; ser seu próprio refém; viver num purgatório; sem dúvida: é um prisioneiro da mentira. Não é uma alma perdida, pois padecer com estes sentimentos e sensações, seu caráter não naufragou. Não sairá ileso, terá perdas e dolorosas feridas, mas será resgatado e liberto ao assumir uma iluminada senhora: a verdade!
Exemplos de fábulas, como ‘A Cigarra e a Formiga’ ou ‘O Lobo e o Cordeiro’ ou ainda ‘ A Raposa e o Pavão’, são o meio didático da metáfora dizer e convencer da verdade.
De fato, o que dói quando descobrimos a verdade, não é a descoberta dela em si, mas sim, a ferida provocada pelas mentiras e atitudes covardes.
A verdade, demonstra coragem, e é digna de carinho e respeito. No entanto quando ela é sufocada pela covardia, provoca feridas que troca confiança por mágoas.
Narrativa Inspirada no Conto Sufi.
Fragmentos do Infinito.
Conta um antigo conto da tradição sufi, atribuído a diversas escolas do Oriente Médio, que a Verdade em sua pureza integral desceu à Terra e os homens não puderam contemplá-la em sua totalidade. Para que não se perdesse por completo, Deus partiu a Verdade como se fosse um espelho, e lançou seus estilhaços ao mundo.
Desde então, cada ser humano carrega em si um pequeno fragmento desse espelho divino, refletindo uma porção da Verdade, mas jamais o seu todo. Aqueles que tentam impor seu pedaço como sendo a totalidade do espelho, sem reconhecer os fragmentos que os outros portam, caem na ilusão do orgulho e da cegueira espiritual.
Entre a História e o Mito: Teodora e o Concílio de Constantinopla
A história da Igreja e do Império Bizantino está repleta de episódios marcantes, nos quais fé, política e poder se entrelaçam. Um desses episódios envolve a Imperatriz Teodora e o II Concílio de Constantinopla (553 d.C.), cercado de interpretações populares que, ao longo dos séculos, deram origem a uma narrativa mítica.
O poder de Teodora em vida
Nascida por volta do ano 500 d.C., Teodora ascendeu de origens humildes até tornar-se esposa do imperador Justiniano I. Inteligente, astuta e de personalidade firme, foi uma das mulheres mais influentes de sua época. Sua atuação durante a Revolta de Nika (532), quando convenceu Justiniano a não abandonar o trono, garantiu sua fama de estrategista e de figura essencial no governo.
Por isso, não é de estranhar que a memória de sua influência tenha sobrevivido muito além de sua morte. A tradição bizantina frequentemente a descreve como decisiva em assuntos de Estado e de fé, atributos que favoreceram o surgimento de lendas envolvendo seu nome.
Cronograma histórico
c. 500 d.C. – Nascimento de Teodora.
527 d.C. – Justiniano torna-se imperador, com Teodora ao seu lado como imperatriz.
532 d.C. – Revolta de Nika: Teodora impede a fuga do imperador, consolidando o poder do casal.
548 d.C. (28 de junho) – Morte de Teodora, em Constantinopla, provavelmente de câncer.
553 d.C. (5 de maio a 2 de junho) – Realização do II Concílio de Constantinopla, convocado por Justiniano. Teodora já havia falecido há quase cinco anos.
O Concílio e a questão da reencarnação
A reunião de 553 buscava reforçar a ortodoxia cristã e combater o chamado “origenismo” — doutrinas inspiradas em Orígenes de Alexandria (séc. III), que incluíam a ideia da preexistência das almas. Essa doutrina, ainda que não fosse uma formulação de “reencarnação” nos moldes conhecidos hoje, foi considerada perigosa para a unidade da Igreja.
Daí surgiu, em tradições populares posteriores, a versão de que Justiniano e Teodora proibiram a crença na reencarnação durante o concílio. No entanto, a realidade histórica desmonta essa narrativa: Teodora já havia morrido. Assim, qualquer menção à sua participação é fruto de lenda ou de interpretações simbólicas que perpetuaram sua memória como conselheira firme do imperador.
A permanência do mito
Por que, então, a ideia da participação de Teodora se perpetuou? A resposta pode estar no poder da memória coletiva. Teodora foi uma mulher de grande autoridade e presença histórica. Mesmo após sua morte, continuou sendo associada às grandes decisões do Império. Nesse sentido, o mito talvez traduza menos um erro histórico e mais uma forma de reconhecer a força de sua influência, como se sua sombra ainda pairasse sobre Justiniano e sobre os rumos da Igreja.
Reflexão final
Esse episódio nos convida a refletir sobre como a história é construída. Entre documentos, tradições e interpretações, os fatos podem ser distorcidos, e figuras históricas acabam envolvidas em narrativas que não lhes pertencem literalmente, mas que expressam algo de sua força simbólica.
Teodora não esteve fisicamente no II Concílio de Constantinopla — mas o mito de sua participação revela o quanto sua presença era sentida, mesmo após a morte. É a memória coletiva tentando manter viva a influência de uma das mulheres mais poderosas de Bizâncio.
Reflexão motivacional:
A história nos mostra que, ainda que o corpo pereça, a influência moral e espiritual de uma vida permanece. Aquilo que construímos em termos de coragem, justiça e dignidade pode ecoar além do tempo, moldando consciências e inspirando gerações.
'A verdade te dará asas,Mas elas não te libertarão... isso acontece aos poucos e depende das suas escolhas e sacrifícios.
"não sou o tipo que olha nos olhos quando fala,não e por esta mentindo porque eu geralmente falo a verdade, é apenas pra não ter que cair na mentira alheia."
Fiéis são os olhos que enxergam, afinal de contas, criaturas “pequenas” também realizam grandes coisas, pois na verdade, próprio é o momento em que descobrimos o absoluto nas raízes do nosso ser...
Continue dando o seu melhor e olhando para Cristo. O tempo é o selo da verdade; ele se encarrega de colocar cada príncipe em seu trono e cada palhaço em seu círculo.
Se ao final da minha vida eu olhar para trás e perceber que inspirei pessoas a se tornarem melhores, e que pelo menos uma delas aprendeu a amar Jesus, minha vida terá valido a pena.
"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." - João 8:32.
A verdadeira liberdade, como Kant propôs, reside em agir com razão, não por impulso - fazendo o que o dever exige, mesmo contra nossa vontade.
Este conceito ecoa profundamente o ensinamento de Jesus: ''Se alguém quer me seguir, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.' '(Mateus 16:24). Ambos nos desafiam a transcender nossos desejos imediatos em prol de um propósito maior.
A luz do Sol, assim como a verdade, traz à tona cada detalhe que não havíamos percebido na noite do dia anterior.
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