Uma Verdade Inconveniente
#BALANCEIO
Sou só...
Um silêncio de olhos vendados...
Cego caminhante...
De uma, duas, mil vidas...
Em erros passados...
Escondo-me...
Não porque quero...
Mas porque temo...
Sonho...
Ah...
Como eu sonho...
E me perco...
Disfarço meus desejos...
Não são puros...
Torturam meu coração...
Seu olhar sobre meu corpo...
É chicote que me fustiga...
É sofreguidão...
Que me alucina...
Não mudo...
E por você...
Me deito no chão...
Me invade...
E feliz choro...
Me entregando...
À sua devassidão...
Giro e reviro...
Arranho o chão...
Mordo meus lábios...
Enquanto lhe dou meu coração...
Amando num balanceio...
Tenho na pele o cheiro do amor...
Em você procuro aquilo que não tenho...
Enquanto satisfaço o seu anseio...
E esqueço...
A escuridão de meu peito.
Sandro Paschoal Nogueira
Caminhos de um poeta
.
#DESTERRO
Cada verso que escrevo é uma esfinge a ser decifrada...
É um sussurro que o silêncio contradiz...
Do nada para um nada...
Na busca de um segredo...
Que aflorando o peito...
Vaga no deleito...
Arma-se a fogueira...
Fustiguem minha carne...
Cuspam em minha cara...
Invadam o meu corpo...
O tempo será meu aliado...
Levará meu sofrimento...
Fará jus ao que escrevo...
E até quando me mantenho calado...
Motivo de zombaria...
Dos desgraçados...
Por muitos e muitos poucos amado...
E no vento que sopra...
Levantando a poeira...
De costas para o sol então verei...
O fim de uma era...
De que me serve a razão?
Se não existe o que quero?
Desterro e má sina...
No que traço...
Estúpidos são aplaudidos...
Enquanto eu cá...
Em minha sorte...
Apenas sigo...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
.
#A #FEITICEIRA
Com meus olhos no horizonte...
Uma sombra surge ao longe...
É mistério...
É sedução...
É um aperto no coração...
O fascínio é a liberdade...
Sonhar é o destino...
Vida doce...
Água pura...
Ir aonde o vento me levar...
Veneno derramado no coração da noite...
Cálice transbordando em beladona...
Que toda embriaguez seja enaltecida...
Como quem estrelas fabrica...
Faz-me seu amante, poeta, louco...
Deixa-me suspirar esse enigma...
Junto-me às labaredas...
Visto-me de luxúria...
E minha alma pura e crua...
Deixa de ser minha...
Torna-se sua...
Por
Paschoal Nogueira
in
facebook.com/conservatoria.poemas
#A #vida #é #uma #festa...
Que ninguém sabe a hora de terminar...
Uns partem dela cedo...
Enquanto outros continuam a bailar...
No abrir dos olhos pelas manhãs...
Já é hora de festejar...
Um corpo limpo...
Um sorriso para nos enfeitar...
Roupa é só pano...
Traça come cedo...
Porém combinar as cores...
É só um começo....
Após o banho...
Creme em toda pele passar...
Hidrata e amacia...
Levanta nossa estima...
Perfume é um outro segredo...
Doses certas sem exagerar...
Qualidade acima de tudo...
Para a todos agradar...
Roupas limpas, bem passadas...
Bonitas para usar...
Quem não se enfeita...
Por si já se enjeita...
Tem que impressionar...
Belos sapatos formam um par...
Escolhido com cuidado...
Lustrado...bem escovado...
É a base do caminhar...
Tem pessoas que não ligam para os pés...
Já começam a errar...
Pés limpos, lindos , calçados...
Faz desejo aflorar...
Uma calça com vinco...
Traduz com ímpeto...
Personalidade forte...
Com viço...
A camisa tem que ser a que combina...
Com as cores do dia...
Discrição aconselha...
Pode usar brilho...
Cor opaca se desejar...
Listras ou xadrez a escolher...
Quem decide é você...
Elegância é de berço...
Mas todo mundo pode ter...
Começando a se gostar...
E fazendo por merecer...
Antes de sair de casa...
Última olhada no espelho...
Tudo alinhado...
Merece respeito...
Aprenda a bem viver...
Cama e comida cara é de hospital...
E cemitério tão cedo...
Ninguém quer ver...
Festeje com alegria...
A graça recebida...
De viver...
Sandro Paschoal Nogueira
#Por #que #saímos #tão #depressa...
Sem ao menos uma xícara de café?
Abraço caloroso...
Momentos saudosos...
Agradáveis companhias...
Abraço que deixou de ser dado...
Não poderá ser resgatado...
Para mim, a mais dura prova...
Hoje é cena comum...
É ver tanta gente querida...
Virar saudade...
Ir embora da vida...
Por favor...
Não seja mais um...
Sandro Paschoal Nogueira
Para o pintor, uma parede branca, suja e esburacada...
Transforma-se em tela e fantasia...
Horizonte e linhas do céu...
Um pouco de tinta...
Um pincel...
Para o poeta...
Um momento...
Palavras ganham novos sentidos...
Em pedaços de papel...
O poeta tece em palavras...
Como o pintor retrata em cores...
A arte vai imitando a vida...
e a vida inspirando a arte...
Sandro Paschoal Nogueira
Não...
Eu não sou uma árvore velha e seca...
Cuja morte me ronda...
Cerca e cumprimenta...
Posso não ter mais a beleza de outrora ...
Posso não mais ter o vigor de antigamente...
Porém, tenho comigo a vitória dos anos vividos...
Felizes...
Sofridos...
Histórias para contar...
Tanto para compartilhar...
Se assim desejar...
Muito disse sim...
Sem vontade de dizer...
Foi quando mais sofri...
Mais me anulei...
Em favor de alguém...
Quando aprendi a dizer não...
Incompreendido me tornei...
Desprezado...
Odiado...
Me calei...
Porém assim tem que ser...
Amar é doar...
Mas também é negar...
Tantas lágrimas caíram...
Tantas outras escondi...
Tantas, e muitas, ainda escondo...
Nem contigo...
Nem com ninguém...
Posso dividir...
Não me julgue...
Se pouco, ou nada, me compreende...
Aceite...
Meu jeito de ser...
Um pouco diferente...
De muita gente...
Que se vê por aí...
Sandro Paschoal Nogueira
Vida curta e vã...
De uma breve manhã...
Aconteceu...
Em espinhos tantos...
Flor aventureira...
Brotou deste meu coração...
Assim é a vida...
Ora doçura...
Ora fel...
A ventura irmã da desilusão...
A flor que um dia...
Tão amada floresceu...
Jaz pisoteada...
Pelo falso amor que você me prometeu...
Sandro Paschoal Nogueira
#Me #diga #uma #palavra...
Para que eu possa fazer os sinos dobrarem...
A dança das horas pararem...
O tempo não escoar...
Me diga uma palavra...
Para que o céu seja sempre azul...
Para que eu possa criar asas...
Brincar com o vento...
E nas auroras douradas moldar as nuvens...
Me diga uma palavra...
Para que as flores sejam sempre viçosas...
Os caminhos sejam sempre floridos...
Pássaros e cotovias cantem em uníssono...
Me diga uma palavra...
Para acalmar os rios...
Refrescar a terra...
Trazer a bonança...
Acabar com as guerras...
Me diga uma palavra...
Que contenha o universo...
Que o mistério da vida seja revelado...
Para que o verdadeiro amor seja um fato...
Para que eu possa dançar em meus sonhos...
Sandro Paschoal Nogueira
— em Valença (Rio de Janeiro).
#Cada #começo #é #só #uma #continuação...
Ao mesmo tempo...
No espaço pronto...
Para eternidade...
Falta pouco...
Para conseguir o que quer...
Em águas rasas...
Ou profundas...
Ao mergulhar...
É bom conhecer...
Também é bom ser visto em diversos lugares...
Em casa ou nas ruas...
Até caminhos se encontrarem...
Nesse mundo, afinal, dá para viver?
Quem me colocou aqui?
Por ordem e vontade de quem este lugar e este tempo foram destinados a mim?
Silêncio eterno...
Me apavora....
Quando penso sobre a curta duração de minha vida...
Sempre me pergunto:
Valeu ser vivida?
Valeu sim...
Sempre vale...
Assim é...
Sandro Paschoal Nogueira
#Ainda #me #lembro #de #uma #manhã...
Em um lugar bom e belo...
Em que o tempo era doce...
E meu coração mais singelo...
Não me preocupava...
Com o vai e vem das noites...
Não me preocupava com as auroras...
Sentia grande prazer...
De ver nascer minhas rosas...
Vai-se agora a noite...
Vem de novo o dia...
Em meu jardim caminho eu...
Em silêncio consternado...
Não ouvindo mais ...
Melodia de pássaros...
Agora assustados...
Luz estaria agora comigo...
Se tivessem vocês ao meu lado...
Somente o jasmim...
Me recorda como um dia...
Tão grandemente fui amado...
Todos partiram...
O vento os levaram...
Na taça que hoje eu bebo...
O fel é tomado...
Estrada comprida...
Sem destino certo...
Algoz de mim mesmo...
Coração vazio...
Quase acabado...
Bate em sintonia...
Com a saudade que não é fantasia...
Antes assim fosse...
Daria término a minha agonia...
Conta os minutos...
O tempo que urge , que voa...
Erguendo aos céus as mãos...
Choro solidão...
Fera que ronda...
Insaciável apetite...
Aconselha de forma vã...
Me deixando mais triste...
Meu coração já não mais dorme,
Não mais sorri...
Em madrugadas frias...
Na alma o silêncio proclama...
Estou aqui...
Ah meu Deus...
Até quando esse cântaro terei que verter ?
Apazigua meu espírito...
Que eu já não mais me preocupe...
Plante no árido deserto que sou...
A esperança de ainda viver...
Sandro Paschoal Nogueira
Nem todos que vagueiam estão perdidos...
Preso na ilusão...
Procuro uma alma pura...
Para me alegrar e fazer sorrir meu coração...
A vida bebo em cálice...
De elementos encantados...
Amores esquecidos...
Amores que me foram negados...
Levando em meu caminho...
Esse é meu fado...
Ganhar um carinho sem precisar pedir por isso...
Tão difícil...
Amar é para poucos...
Me entrego...
Sou louco...
As pessoas tem medo de amar...
Tem medo de serem felizes...
Tem medo de se perder...
Tem medo de aprender...
A viver...
Recordo das lembranças...
E pergunto o porquê disso tudo...
De um amor perdido...
Que nunca foi meu...
Agora sei que o amor...
É mais do que amar...
Deixando-me perder...
Vou me entregar...
Sandro Paschoal Nogueira
O cavaleiro
No deserto de uma cidade...
Um cavaleiro surgiu...
Dominando o baio a cavalgar...
Veio ao meu encontro...
Queria um novo amor encontrar...
Lamentou comigo...
Um amor perdido...
Mas que por ele...
Não foi esquecido...
Silenciosamente dissipou minha escuridão...
Trouxe consigo alegria...
Plantou flores em meu coração...
Suas palavras galantes...
Me soavam como verdade...
Jovem de sorriso encantador...
Verdadeiro em tudo o que sente...
Sei apenas que às vezes estremeço...
E se um dia...
Eu tiver que pagar por meus pecados...
A esse cavaleiro...
Me entregarei com desejo...
Não tenho a intenção...
De resistir a condenação...
Livre é o cavaleiro...
E livre também é minha alma...
Nos caminhos da vida...
E de onde busco a certeza...
Não há vento, fogo ou espada...
Eu o amarei e o seguirei pelas estradas...
Sandro Paschoal Nogueira
A bananeira
Plantei uma #bananeira na beira da estrada...
Chovia muito...
Era madrugada...
Perto de mim...
Um raio caiu...
Pensei comigo...
Que seria meu fim...
Não queria terminar assim...
A bicha danada cresceu muito rápido...
Pela manhã já tinha um cacho...
Colhi e levei para a feira de domingueira...
E pus-me a vender aquela maravilha...
Deu o que falar...
Era pura euforia...
Fizeram então...
Grandioso leilão...
Quem mais pagasse ...
Venceria...
As ofertas comecaram...
Grandiosa multidão...
Grande admiração...
Homens, mulheres...
Jovens e idosos...
Acotovelavam-se ...
Todos queriam...
Minha banana ver...
Surgiu a primeira oferta...
Apareceu um turco sovina...
Disse que minha banana ele queria...
Mas só me comprava o cacho todo...
Se grátis pudesse experimentar...
Minha banana com gosto...
Claro que neguei ...
Que ousadia❗
Vê se pode tamanha afronta...
Não sou qualquer um...
Tome tento❗
Tome nota❗
Minha banana não é para qualquer um...
Tem que ser do jeito que quero...
Tem que ser do jeito que eu gosto..
Se não for assim...
É bom passar de largo...
Comigo tem que ser afável...
Tomar muito cuidado...
O turco foi embora...
Soltando fogos pelas ventas...
Que ele vá procurar suas quengas❗
Logo em seguida apareceu o português...
Dizia que a banana era muito formosa...
Não queria...estava de vez...
Veio também um trio estranho...
Um espanhol junto com um italiano e um francês...
Só queriam ½ dúzia...
Teria que dividir...
Um pouquinho para cada um...
Queriam me enganar...
Cheios de astúcia...
No golpe não caí...
Já vi muitos malandros por aí...
Ou levavam todas as bananas...
Ou nada feito...
Comigo é assim ...
Não tem jeito...
Muita gente a banana queria...
Argumentavam aqui...
Argumentavam ali...
Comprar que era bom...
Nada...
Só conversa fiada...
No fim da tarde...
Quando eu já quase desistia ...
Me apareceu um árabe ...
Que proposta me fez...
Compraria todo o cacho...
Mas algo além também queria...
Queria que com ele eu fosse...
Plantar bananeira no deserto do Saara...
Cuidaria de mim e de minhas bananas...
Me daria um bom salario...
Casa, comida em boa cama...
Ele sabia e muito bem...
Que banana tem que ser bem cuidada...
Prover fartura de sol e de água...
Eu muito gostaria...
Aceitei com satisfação...
Comprou tudo e me levou até seu avião...
Naquele mundaréu de areia...
Quando ali cheguei...
Numa tenda cheia de almofadas e tapetes persas aquela noite passei...
Decidi com o árabe ficar...
Ele me mostrou muitas coisas...
Me disse que mais iria mostrar...
Todas eu gostei...
E assim muito tempo com ele fiquei...
Seu nome era Társis..
Plantamos muitas bananas...
Fizemos um oásis...
Ao Brasil não sei quando voltarei...
Vou ficando...
Por enquanto...
Nas arábias...
Se Sherazade contou 1001 estórias...
Para vocês conto uma só...
As outras 1000
Deixo para o árabe contar...
Ainda temos juntos...
Muitas bananeiras a plantar...
Sandro Paschoal Nogueira
Da própria desgraça...
O povo faz graça...
Esconde seu rosto ...
Atrás de uma máscara...
É Pierrot... é Colombina...
Melindrosa na esquina...
Vestindo a alma sorrateira...
Tudo se acaba na quarta-feira...
Mesmo que ainda não queira...
Vestidos coloridos...
Corpos retorcidos...
Ao som de músicas alegres...
Copos cheios...
Desejos...
Um brilho se faz...
Contumaz...
Nosso verdadeiro desponta...
Na cabeça que gira...
Na alma vazia...
No corpo que clama...
Da sofreguidão a chama...
Nessa hora tudo é querer...
Mesmo sem poder...
É lícito...
Será que me convém um gemido?
Façamos de conta que tudo vai bem...
Seus confetes e minhas purpurinas...
O quarto não tem paredes...
A cama lama...
Sem carência de malícia...
Aonde deixei minhas plumas?
Tanto tempo no vai e vem...
Que continuo à deriva...
Subindo e descendo...
Já não sou nada...
Já não sou ninguém...
Breve, forte, verdadeiro...
Amor de tempestade...
Foi consumado...
Trouxe felicidade...
#É #carnaval...
Não me leve a mal...
Sandro Paschoal Nogueira
#Milorde...
Você nunca me viu...
Sou apenas uma sombra na rua...
E lá vou eu por caminhos que aqui não me trouxeram...
Que me trouxeram a ti...
Uma paragem a seguir ...
Perfeito nos meus quase...
Às vezes basta...
Uma ilusão milorde...
Que a vida, com certeza, oferece...
Milorde se você pensa que pode me conquistar com essa conversa...
Você está certo milorde...
Acreditou que eu ia por minha saudade na sua mão milorde?
Você tem razão...
Você tem razão...
Milorde...
Vai com calma...
Com alma eu amo a carne...
Onde tudo o que existe se seduz...
Quero um tempo longo...
Milorde...
Dentro de mim mora um animal...
Que talvez lhe faça mal...
Em mim germina uma força perigosa...
Que contamina...
Nenhum poder domina...
Sopro de vida...
Que explode...
Fulgaz como um desejo...
Saindo do meu peito ....
Eu te entrego Milorde...
Sandro Paschoal Nogueira
A turista mal educada
Garçom...
Me vê uma mesa...
Me ajeita perto do cantor...
Traz uma cerveja gelada...
Algo para comer...
Que tenha um bom sabor...
Pode ser uma boa porção...
De camarão...
Diz à senhora tirar da minha mesa essas latas...
Não me pediu licença...
Não gosto de gente abusada...
A mesa é minha...
Paguei por ela....
Quero ficar só...
Sem companhia...
Não adianta reclamar...
Não me pediu licença...
Sem educação...
Vá se catar....
Não sou metido...
Respeito espaço alheio ...
Quero, também....
Ser respeitado...
Espero que tenha compreendido...
Dinheiro não é tudo...
Respeito ao próximo...
É bem sentido...
Sem mais blá blá blá....
Terminei...
Continuo a andar....
Quem não é visto é esquecido...
Vou me mostrar...
Sandro Paschoal Nogueira
Conservatória
#Fiz #uma #festa #em #minha #casa...
Convidei toda a cambada...
Veio a pulga e o carrapato...
Até a inxerida da barata...
Em altas horas da madrugada...
Apareceu o rato...
Trouxe estranha companhia...
Um morcego tarado...
Me deu um chupão...
No meu pescoço...
Me deixou zonzo....
Foi um alvoroço...
Era tanta alegria...
Muitos guinchos...
Gritarias...
Vizinho chamou camburão...
Polícia chegou de supetão...
Disse que a festa tinha que acabar...
Era para botar ordem..
Na orgia...
Cada um correu para um lado...
Sobrou pra mim..
Desavisado...
Tomei porrete até onde não queria...
Fui preso...
Enjaulado...
Na delegacia...
Me jogaram numa cela que não estava vazia...
Tinha lá dentro de tudo...
Ladrão, estrupador e maluco...
Acha que estranhei ?
Que nada...
Comecei uma folia...
Com todos me dei muito bem...
O carcereiro estranhou..
Perguntou ao delegado...
- Como pode isso doutô?
Na madrugada já fui libertado...
Peguei reta...
Sem nenhuma treta...
No botequim do Zé fui tomar...
Uma branquinha para relaxar...
Encontrei a Madalena Boca Torta...
Vinha da batalha na madrugada aquela hora...
Me contou assustada...
Que ouviu tiro de espingarda...
Que todo mundo falava...
De minha festa e da bicharada...
Foi sucesso fenomenal...
Cuspindo Madalena me disse:
- Não vi nenhum mal.
Se for fazer outra, chama aqui sua amiga...
Prometi assim fazer...
Fui para casa antes do amanhecer...
Me esperando na porta tinha...
Com faixa de saudação...
O coveiro que queria...
Me dar sua mão...
Eu disse que não podia...
Aceitar o casamento...
Já tinha empenhado...
Minha palavra pro jumento...
Mas se ele quisesse poderia ser meu amante...
Já pensando em meu futuro...
Quem é que me garante?...
Próxima festa já de antemão...
Convido a todos com antecipação...
Vou fazer diferente...
Prá não dar confusão...
Levam vocês as carnes e bebidas...
Entro com espeto e carvão...
Sandro Paschoal Nogueira
#FRONTEIRAS
Metades não me agradam...
Trago a utopia de uma espera longa...
Fronteiras traçadas em constante ronda...
Cedo ao destino e a vida me entrego...
Às vezes parece que não me importo...
Sigo absorto...
Às vezes é difícil admitir algumas coisas para si mesmo...
É difícil, é complicado...
Inexplicado...
A maioria dos medos está somente em nossa cabeça...
Não amoleça...
Enfrente seus temores...
Se fortaleça...
Resplandeça...
Olha só pra mim...
Abraço a mim mesmo com uma silenciosa alegria...
Rindo de minha sorte...
Fazendo dela alegorias...
Existem pessoas que dizem que eu não tenho coração...
Não é verdade...
Tenho sim...
Mas não dou para qualquer um não...
Às vezes me pergunto se existe algo de errado comigo...
Quem disse que nunca iria me deixar...
Me deixou...
Essa dor fortemente sinto...
Engulo meu choro...
Sigo resoluto...
Não faço de minha existência...
Um absoluto luto...
Rindo de minhas falhas...
Vou seguindo adiante...
Buscando a paz...
Em novos horizontes...
Ao invés de abraços apertados,
uma sequência de emojis variados...
Entre os anseios de uma poesia,
você me dava likes,
gravava vídeos.
Eu te dava bom dia,
até quando não tinha bateria...
Por meio de frases esparsas
nos tornamos amigos:
tínhamos nossos códigos,
nossos artigos preferidos
nossos abrigos.
Mas foi só isso.
Sem entrega (ou por cautela)
nossos sonhos,
sem brilho,
foram ofuscados pela tela.
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