Uma Menina Simplesmente Apaixonada
Um prédio antigo pode conservar mais memória do que uma instituição disposta a admiti-la. O Prédio que Aprendeu a Escutar explora esse paradoxo.
O Prédio que Aprendeu a Escutar lembra que toda arquitetura humana é também uma arquitetura de comportamentos.
Escutar alguém antes do colapso talvez seja uma das formas mais simples de prevenção. O Prédio que Aprendeu a Escutar transforma essa ideia em narrativa.
Uma instituição pode ser eficiente e ainda ser surda. O Prédio que Aprendeu a Escutar torna essa surdez visível.
O Prédio que Aprendeu a Escutar sugere que reconhecer limites antes da ruptura é uma forma de inteligência institucional.
O Prédio que Aprendeu a Escutar faz do concreto uma testemunha daquilo que os seres humanos insistem em normalizar.
O Prédio que Aprendeu a Escutar mostra que algumas pessoas não precisam imediatamente de uma solução, mas de alguém capaz de reconhecer sua existência.
O mundo se tornou uma vitrine de ilusões, em que a essência foi esquecida, trocando a profundidade dos sentimentos por aplausos superficiais.
Vivemos uma era em que a aparência é mais valorizada que o conteúdo,
e, alimentando apenas o ego, tenho a impressão de que estamos cada vez mais vazios e artificiais.
Uma vez me disseram :
"Para que tantos filhos? Pela quantidade que você têm, eles nunca serão nada ."
O que mais doeu foi ter ouvido isso de uma pessoa bem próxima, mas como sempre, a resposta foi imediata :
"Onde meus filhos não entram, eu não caibo."
E se eles forem 1% do que eu sou, morrerei satisfeito. Com o passar do tempo, percebo que eu estava certo. Me orgulho de cada um deles, pois nunca lhes dei coisas, mas sim valores.
Nunca tentei ser amigo deles, sempre fui Pai.
Ah quanto o silêncio desses instantes me atrai, Me leva até uma quase paz que aquece alma a que vaga cheia de inexistências de minha realidade , somos o frio da inércia do meu abismo num impasse quase subatômico , sublime força que em combustão se encontra.
Quem és tu ? Que vens e vais , És desse mundo? Óh coisa estranha! Tens nome minha criação? Que me fere e me faz sentir tudo e nada , Um só eu e Eus e "Ladyfingers" instrumentos que cobrem o barulho intenso das nossas infinitas incertezas do que somos ou quando estamos , vamos ou ficamos , Uma verdade silenciosa da minha mente mas em mim somente em mim a sós sinto mais e mais do meu estranho ser dentre outros, A, Edpo e T.
A culpa toda é do destino, me pregou uma peça
Te colocou no meu caminho
Agora não sei o que fazer
Pra todo lugar que olho vejo você
Chega a noite e as estrelas me fazem pensar
Que perto de ti eu poderia estar
E nessa hora, eu paro para refletir:
O que fazer sem você aqui?
A Coroa de uma Rainha, a Maturidade de uma Garotinha
Bebelle tinha a beleza de uma rainha, mas a maturidade de uma garotinha. Havia nela um contraste quase trágico: a aparência de quem nascera para governar salões e conquistar olhares, acompanhada talvez pela dificuldade de compreender que nem todos os sentimentos se curvam diante de uma coroa.
Talvez Northon tenha conhecido Bebelle antes que o tempo começasse a desmanchar sua majestade. Foram amantes, unidos por aquela intimidade que suspende, por algumas horas, as hierarquias do mundo. Entre eles existiu um território sem títulos, sem súditos e sem cerimônias, onde a mulher e o homem precisavam existir para além das personagens que representavam.
Northon talvez tenha conhecido a rainha e, simultaneamente, a menina escondida sob a coroa. A mulher capaz de impressionar pela beleza e pela presença, mas que talvez ainda não tivesse aprendido que a maturidade não consiste em ser admirada, e sim em compreender os outros sem transformá-los em instrumentos da própria necessidade.
Porque há pessoas que amadurecem por fora sem jamais concluir a infância por dentro. Aprendem a conquistar espaços, a ocupar posições e a receber reverências, mas continuam esperando da vida uma proteção que a vida nunca prometeu oferecer. Confundem, por vezes, a atenção com o afeto, a submissão com a lealdade e a permanência dos admiradores com a eternidade do próprio valor.
Se foi assim com Bebelle, somente a história íntima dos dois poderia responder.
O tempo, porém, não reconhece títulos. Envelhece a beleza, dissolve as circunstâncias e desmonta, sem pedir licença, os pequenos impérios construídos sobre o prestígio. A corte se dispersa, os salões se calam e aqueles que antes disputavam a proximidade do trono descobrem subitamente outros interesses. A bajulação, que parecia fidelidade, revela sua verdadeira natureza: nunca pertenceu inteiramente à rainha, mas às vantagens de permanecer perto dela.
Há, nisso, uma ironia cruel. Enquanto reinava, Bebelle talvez acreditasse estar cercada por pessoas que a amavam. Quando o reino desapareceu, restou-lhe a tarefa mais difícil: descobrir quem era quando ninguém mais precisava reverenciá-la.
Northon, que fora seu amante, pertence a uma parte dessa história que o tempo não pode esclarecer por completo. Talvez tenha conhecido suas delicadezas e suas imaturidades, seus encantos e suas contradições. Talvez tenha amado aquilo que existia por trás da majestade ou percebido, ainda durante o romance, que a beleza capaz de conquistar o mundo nem sempre consegue construir uma vida interior à altura das próprias promessas.
Também ele, entretanto, era apenas humano. Ser amante de uma rainha não significava possuir as respostas para os enigmas da mulher. A intimidade aproxima os corpos e, às vezes, as almas, mas não concede a ninguém o privilégio de conhecer inteiramente o outro.
Agora, a coroa pertence ao passado. O tempo fez o que sempre faz: retirou os cenários, desfez as aparências e deixou a existência diante de sua verdade mais elementar. Sem palácio, sem corte, sem a antiga reverência, Bebelle tornou-se apenas uma mulher diante da vida que lhe coube viver.
E talvez a tragédia de sua história não esteja em ter perdido a majestade, mas em descobrir, tarde demais, que nenhuma majestade poderia protegê-la da solidão, do envelhecimento ou da indiferença do mundo.
A beleza pode fazer uma mulher parecer uma rainha; somente a maturidade lhe ensina que ninguém nasceu para ser súdito de seus caprichos.
E Northon?
Talvez tenha guardado a lembrança de uma rainha que, nos momentos de intimidade, deixava a coroa sobre a mesa e revelava a menina que ainda habitava dentro dela. Talvez tenha compreendido que amar alguém não significa ignorar suas limitações, assim como reconhecer suas fragilidades não apaga necessariamente a beleza do que foi vivido.
No fim, os amantes também envelhecem dentro da memória. O desejo perde sua urgência, as lembranças mudam de temperatura e aquilo que um dia pareceu eterno adquire a delicadeza melancólica das coisas que já não podem ser recuperadas.
Bebelle teve a beleza de uma rainha e talvez a maturidade de uma garotinha. Northon foi parte de sua intimidade, mas não poderia ser o guardião de seu reino.
Porque nenhuma paixão consegue deter o tempo, e nenhum amante pode amadurecer no lugar de quem ama.
A coroa caiu. A corte partiu. E a menina, finalmente sozinha diante do espelho da existência, já não precisava parecer uma rainha. Precisava apenas descobrir quem era quando ninguém mais a chamava de majestade.
Se uma pessoa vive procurando por outras pessoas mas ninguém procura por ela não seria uma forma de masoquismo insistir nisso?
Essa é a história da Daniele. Daniele faz questão de pessoas que não fazem questão dela. Ao meu ver ela não se valoriza, não trata as pessoas da mesma forma como é tratada. Muitos acham triste ser sozinho, pode até ser triste para quem não gosta de ficar sozinho, mas não é mais triste do que mendigar afeto. Sozinhos todos nós somos e sozinhos partiremos. Daniele ganharia infinitamente mais se investisse numa relação com ela mesma.
Se um grupo não te aceita pelo que você é por que cargas d'água você vai querer fazer parte desse grupo? Imagino que deve ser triste para alguém que faz questão da companhia de outras pessoas não ser procurado por ninguém mas até isso serve para a pessoa refletir se de fato vale a pena continuar correndo atrás de quem não se importa com ela.Triste para mim é isso, mendigar afeto, atenção de pessoas que não sentem afeto por você.
Tantas pessoas carentes de companhia que não se valorizam, que preferem ter amizades falsas a ficarem sozinhas consigo mesmas. Isso sim é triste e não a solidão. A solidão é uma excelente oportunidade de exercitar o autoconhecimento, o crescimento pessoal e um meio indispensável para se relacionar melhor com os outros. Investir em si mesmo é sempre o melhor investimento.
A Daniele já deveria ter aprendido que devemos tratar as pessoas como elas nos tratam. Se ninguém a procura ela deveria fazer o mesmo e não procurar por ninguém. Se achassem que ela é importante ninguém deixaria de procurar por ela, as pessoas fariam questão da companhia dela em suas vidas.
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