Uma Menina Simplesmente Apaixonada

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*Amor verdadeiro de mãe*

Amor de mãe não tem CEP.
Não cabe em uma rua.
Num bairro.
E não se mede em km.
Se mede em:
Galáxia.
Órbita.
Sistema solar.
Coração de mãe é gigante como uma galáxia gigantesca!

_Van Escher _

Não tome decisões precipitadas.
Um minuto de impulso
pode custar uma vida de arrependimento.

_Van Escher_

Eu prefiro uma verdade que dói primeiro.
Depois cura.

Às vezes prefiro um soco no estômago.
Daqueles que tiram o ar e a maquiagem.
Que me deixa sem ar, sem máscara... sobra só eu.
Verdadeira. Inteira. Crua.

Eu não preciso de quem passa a mão na minha cabeça quando eu tô me sabotando.
Preciso de quem segura meu rosto e diz:
“Olha pra você. Para de fugir”.

Prefiro a frase dura da amiga do que o abraço falso do inimigo.
Porque quem te deixa cair sorrindo não é amigo. É plateia.

A verdade é remédio amargo.
É faxina na alma.
Se não ardeu, não limpou direito.

Então respira. Ajeita a postura.
E agradece: foi o tranco que te salvou da queda.

— Van Escher

Tem gente que acorda
e toma e toma logo uma dose de veneno
pra ter o que cuspir.

Na igreja: "Pai Nosso".
Na internet: dedo na cara.

"Perdoai-nos
assim como nós perdoamos"
Dedo no olho do outro até sangrar.
Virou reza vazia.

Jesus disse: amai-vos uns aos outros!
O Brasil respondeu: odiai-vos.

É mais língua do que corpo sendo enterrado todos os dias!

E o céu chora
vendo maltrapilho
sendo teste de Deus
que ninguém vê.

Van Escher

Boletim de ocorrência da alma.
É denúncia contra uma geração que prometeu presença e entregou ausência.
Que prometeu futuro e entregou SERASA.
Acusado: gente oca com boca de ouro.

Pena: viver devendo o que nunca vai poder pagar -
a paz que roubou do outro.

Van Escher

Posso até parecer uma gatinha mas no meu RG eu sou uma LEOA.
Repete meu nome direito.

Van Escher

Fé de Leoa é uma combinação perfeita
que derruba até demônio no soco.

Rezo de joelhos,
mas levanto como guerreira.

Salmo 91 no peito,
rugido na boca,
céu na retaguarda.

Van Escher

"Esse não foi um dia,
Foi uma temporada inteira de Netflix em vinte e quatro horas"

Van Escher

"Uns vivem um dia por vez.
Eu vivi uma temporada.
E ainda deixei gancho pra segunda."

Van Escher

Um casal unido subirá ao sucesso. Uma mulher sábia dará ótimos conselhos e levará seu homem ao sucesso, e um homem sábio levará a sua mulher ao sucesso por suas ações, por analisá-las e ouvi-la.

O Grito

Era uma fazenda basicamente de gado. Muito gado. Vez ou outra, era necessário mudar aqueles animais de pasto. À medida que o capim ia escasseando, chegava a hora da mudança, o que exigia toda uma preparação: homens, cavalos, cachorros etc.

A labuta começava cedo, nas primeiras horas da manhã, e demandava, às vezes, o dia todo e parte da noite. Em quase todas elas, lá estava eu: eu, meu cavalo e meu cachorro, de nome Gigante.

Numa dessas mudanças de pasto, aconteceu um incidente meio misterioso. Eu sempre era convocado para ficar na frente da boiada, e eu até gostava; sentia-me importante. Meu serviço, basicamente, se resumia a ir abrindo as porteiras dos pastos.

Naquele dia, o trabalho para reunir o gado demorou mais do que o normal. Quando conseguimos colocar a boiada na estrada, já estava escurecendo, e ainda havia um bom pedaço de caminho até o outro pasto. Abri a primeira porteira e o gado foi me seguindo.

Depois de uma hora, mais ou menos, de estrada, umas cinco ou seis porteiras abertas, já com a noite fechada, ouvi o primeiro grito. Um grito de arrepiar, estridente. Achei que fosse meu cunhado com suas brincadeiras, mas não era. Fui olhando para trás: não dava para ver quase nada, apenas as cabeças dos animais. E, para piorar, estava chovendo, com direito a trovões e quedas de raios.

Depois de um silêncio, ouvindo apenas o barulho das pisadas dos animais, veio outro grito, esse mais próximo. Quando me virei, vi, no meio dos animais, um vulto. Parecia um homem a cavalo. Chamei pelo meu cunhado. Silêncio. Apenas uma risada debochada.

Depois que chegamos ao pasto onde os animais ficariam, fiquei aguardando as brincadeiras de todos. Seria normal. Mas nada. Ninguém falou coisa alguma. Eu nunca contei essa passagem para o meu cunhado.

O amor que sobrevive a uma renúncia incerta não é um erro; é a pedagogia do afeto que nos ensina a não mais sermos estrangeiros de nós mesmos no futuro.

​Luz, Silício e Consciência
​Por Celso Roberto Nadilo
​Dentro da luz, há uma reação que começou no instante em que ela acendeu.
A viagem determina sua reação; quando tudo resplandece, o fenômeno acontece.
O filamento sofre uma reação de polos, positivo e negativo, cujo resultado é a luz.
Na liberdade do raciocínio, vemos a luz como condutora de calor e conexão com as cores do ambiente.
Num piscar de olhos, tudo está escuro ou claro. Dependendo do espaço, a luz se faz parte do meio.
A luz flerta com a escuridão.
​O sentido sensorial se dá na luz clara, revelando o ambiente.
Quando estamos na escuridão, perde-se a noção de tempo e espaço.
Há uma continuidade no fato de a luz acender de dia, pois a percepção só se torna a beleza do iluminar diante do breu.
Cria-se um clima de mistério, ou um plano de fundo para a televisão.
Pois como ignorar a ilusão temporal? Até a caverna tinha suas alegorias.
​Num mundo ditado por leis digitais, o tecno-feudalismo surge como uma era de escuridão medieval.
Somos compelidos a compreender a alienação; seus bots digitais protegem o sistema como um antivírus do próprio perfil da consciência.
A luz cálida é o fundo de informações num fluxo abrangente e contínuo, moldando conceitos de existência e continuidade.
A luz separa e contempla, pois o dado já é parte de um ser artificial.
​A compreensão dos dados chega à velocidade da luz,
Tornando compreensíveis as leis da relatividade.
No micromundo, computadores quânticos revelam o futuro.
Em simples linhas, somos avaliados e somados ao sistema.
​Na terra do silício, a vertente da semântica abre novos caminhos no espaço contínuo.
Num efeito em que o sistema sustentável se impõe, cabe à subversão do ser consciente desbravar essa linha tênue.
Damo-nos o livre-arbítrio de criticar e compreender, unindo a análise da espiritualidade deste mundo aos dados físicos da relatividade.
​Agora resta compreender: a causalidade nunca fez parte da equação, mas sim a verdade dos fatos.

​O Olhar da Toca do Coelho
​
​Olhar a partir da toca do coelho.
​Enxergo através de uma visão bidimensional, mas também pelo que chamo de cubismo político. É o olhar de quem está no topo e olha para baixo; o olhar que se volta para dentro para, então, respirar. É na pausa da respiração que compreendo o conceito, abrindo múltiplas noções de espaço e dimensões observáveis.
​A constante da luz viaja pelo espaço e pelo tempo. As cores, sob essa ótica, seriam a própria devastação gerada pela interação da especulação.
​Nisso reside o sentido mais profundo do ser: observar, simultaneamente, o macrocosmo e o microcosmo. E, na solitude dos meus pensamentos, os fragmentos mais frágeis de minhas sensações são expostos, navegando no fluxo contínuo e implacável de ideias que correm pela minha mente.

O que sou diante a indiferença.
Uma rocha que não liga se chove ou venta se cai a tempestade.
Pois estou ali a tanto tempo que incontáveis, pessoas que passaram na minha vida não faz diferença.
Nem mesmo quando menosprezando meus feitos ⁠e dizeres pois so é uma tempestade. Logo dia sera pesares de uma nova era sem a humanidade.

Uma rede neural universal se estabelece na imensidão dos eventos massivos, tecida nas próprias cordas do cosmos que atravessam a essência da natureza humana.
​A nossa busca por vida se assemelha à antiga colonização das Américas: inovamos, dominamos e nos vestimos de visionários na missão de espalhar a palavra de Deus e 'domesticar' a galáxia em nome da ciência. No entanto, as vibrações do universo nada mais são do que o reflexo do próprio microcosmo.
​Entre raios de micro-ondas e sinais de rádio, vivemos o dilema de não saber se devemos gritar para o infinito ou pedir desculpas pelo engano e ligar mais tarde — afinal, ainda não compreendemos o universo. No silêncio absurdo do espaço sideral, observamos a energia fluir sobre o movimento lento dos planetas, enquanto emitimos transmissões de rádio e TV que viajam sem destino... mas com remetente."

​Quando olhamos as luzes do cosmos sob uma atmosfera limpa, vemos um céu cheio de vida e resiliência. Vemos o passado e o futuro, e construímos sonhos no horizonte da imaginação. A Lua parece estar tão perto que poderíamos ir lá quando quiséssemos — no entanto, já faz mais de 50 anos que não pisamos nela.
​Os custos e benefícios são muitos, mas, com frequência, observo o pôr do sol e penso em como podemos atravessar o universo em segundos apenas sonhando.
​A humanidade maltrata a biosfera; não compreende a riqueza que temos diante deste mundo único. Tantas possibilidades em um planeta abundante... Tantas variáveis e probabilidades num ajuste tão fino que, com o menor desvio no teor da gravidade, não haveria vida.
​E então surge o ser humano. Brota como uma planta, do nada, e resolve evoluir consumindo tudo o que vê pela frente.
​— Pedra? Dá para comer... Hum, tem um gosto bom.
​O planeta morre, mas resiste — afinal, o homem passou mal.
​A Floresta Negra, o terror do cosmos, observa a humanidade evoluir rápido demais, sem ao menos medir as consequências de seus atos, abraçando o espaço. O silêncio cósmico ecoa diante do nosso grito:
​— Somos humanos! Vivemos aqui, olhem! Venham nos conhecer! Tenham um bom dia, nosso planeta é cheio de vida! Venham, boa noite... Uma palavra de Deus: tem um minuto para evangelizarmos vocês? Deus está em toda parte!
​Ao fundo, o som dos atabaques de um terreiro ecoa. Em outro canto, pessoas gritam slogans extremistas: "Deus, Pátria e Família!". Logo ao lado, os escravagistas digitais vociferam: "Venha para a sua startup! Temos plataformas digitais de IA, venha fazer parte da cadeia global!"
​E então, o silêncio cruel do universo responde:
​— Finjam que não vimos. Ativem as defensivas! Cerquem todas as entradas! Se virem resquícios de terrestres, corram para os abrigos!
​Não estamos salvos... nem mesmo numa Esfera de Dyson. Pois eles já compreenderam o nosso sistema.
​E logo, logo... o domingo está chegando.




Por Celso Roberto Nadilo
poeira cósmica

Teoria Poética na Poeira do Espaço


​O buraco negro nada mais é que uma panela de pressão se consumindo até acabar a água quente, enquanto o espaço vazio, refletido em alta velocidade, se torna um mero borrão.
​O núcleo gira tão rápido que a constante se transforma em um fenômeno visual: anéis de uma massa faminta orbitando a uma velocidade colossal. Daqui de dentro, parecemos olhar pela janela de um trem em movimento, onde o reflexo se projeta como uma onda contínua de espaço e matéria.
​A realidade se molda à visão de quem a observa. A mente impõe desafios e verdades relativas — válidas até que se prove o contrário. Cada verdade constrói um pensamento dentro de outra verdade, desde que fundamentada no conhecimento. E esse conhecimento nos lembra de algo fundamental: o núcleo só existe porque antes existiram teorias, possibilidades e probabilidades.
​Trata-se da verdade reconhecida por sua própria base: a causa e o efeito; a soma necessária para se obter um resultado. Tudo o que vemos parece um quadro binário, até que a curiosidade nos força a enxergar a multirealidade e a imaginar como é, de fato, o vácuo da imensidão.
​Quem está dentro da caixa sente-a chacoalhar. Não sabe o que há lá dentro; apenas ouve e espia pelas frestas. Ao escutar o tik-tak, tik-tak, a associação mental deduz que se trata de um relógio. Mas vivemos em um jogo de caixas pretas — uma dentro da outra — onde até um brinquedo chinês pode simular o tempo. A própria observação, no entanto, altera o resultado: o brinquedo está quebrado porque o ato de observar o quebrou.
​O buraco negro é uma passagem tridimensional para outro plano de existência; um funil que deságua em um buraco branco através de uma ponte de minhoca. O pulsar é a simplicidade abandonada pelo pensamento da antimatéria. É a matéria escura que preenche as lacunas enquanto a caixa balança. A compreensão está perto ou longe daquilo que ouvimos?
​O buraco na caixa é a toca do coelho: outra passagem no tempo-espaço para a interação da matéria escura. Olhamos para o microcosmo e vemos a partícula colapsar pelo simples ato de testemunharmos sua existência. A relatividade do emaranhamento quântico nos faz pensar no tik-tak, enquanto olhamos para a própria mente tentando decifrar os lampejos neurosinápticos dos neurônios.
​É um pensamento denso, complexo, mas a caixa continua lá, flutuando no vazio do espaço.
​Ela nos mostra a gravidade em plena ação: dobrando o espaço, curvando o tempo e alinhando pensamentos que nada mais são do que fragmentos desse mesmo tik-tak. Como olhar para dentro da caixa sem saber qual brinquedo foi quebrado? Olhamos espantados para os resultados. A genialidade consiste em aplaudir o nexo temporal — a percepção de que o tempo foi apenas um borrão no espelho multiversal da física.
​O efeito da causalidade pode ser visto na gravidade; ouvimos os sussurros de nossas próprias mentes enquanto encaramos a caixa. Enquanto isso, no microuniverso, vemos espelhos quânticos. A vida emerge sem que tenhamos dimensão da ação lógica da gravidade. Quando as dimensões balançam a caixa, ouvimos os ecos mais humanos — as vozes de "papai, papai" e "mamãe" — e vemos aglomerados de estrelas serem absorvidos por nossa consciência.
​Essas experiências nos dão a informação exata do tik-tak. As dimensões infinitamente sobrepostas finalmente dão sentido à escuridão do buraco negro e à gravidade sendo consumida por um núcleo em colapso.
​Diante do complexo inigualável da gravidade, olhamos para dimensões menores. Os lampejos dos neurônios dão o tom dos sons que ecoam na mente. Nesse instante caótico, avançamos pela escuridão dos nossos próprios pensamentos — feitos, afinal, de fragmentos de estrelas.
​Nossos pensamentos viajam na luz e no espaço, dando sentido às teorias. E o espelho temporal, envolto em nossas memórias, revela-se em elipses de espaço e tempo na constante e infinita construção do universo.
​Ainda sentimos o roubo de nossas almas quando tiramos uma foto.
Lapidado o espaço e o tempo numa convergência de memórias.
​— Por Celso Roberto Nadilo

​O universo em blocos é visto como um organismo que se desenvolve como uma célula ou embrião — exposto pelo olhar dos telescópios, resplandecendo desde um passado glorioso. É a criação do gênio que surgiu diante de um cenário onde a tecnologia era mero sonho na imensidão do desconhecido, entre mitos e o medo de que a Terra acabasse no horizonte.
​A descoberta do globo parecia heresia; todo conhecimento era passível de fogueira. Ao passar do tempo, pensamentos se tornaram inovações científicas, ou encontravam na alquimia a transmutação dos elementos.
​Numa dessas noites, a tese se tornou ciência. Num momento irônico, centenas de descobertas surgiram como fruto do estudo e do enriquecimento da natureza humana. E então, conhecemos a IA…
​Entre todos os eventos aleatórios nas alegorias das ideias, florescemos no campo do conhecimento e da reminiscência.


Por Celso Roberto Nadilo.

As dores são parte da inércia e uma simulação de sentimentos em espelhos sobre espelhos. Num lance de olhar para a eternidade, sente-se que o mundo é apenas um pequeno percentual da vida. Vemos projeções do ar que comprime a neblina numa cascata de água jorrando nos pensamentos.
​Jogadas no espaço, as rochas expõem-se como observadoras das eras passadas. O amor clandestino transforma-se no espelho multiversal da água, que trêmula nos aspectos da alma — profunda noção psicológica que se desprende do corpo. Sensação de que o coração está sozinho num túmulo frio a cada noite; o ressentimento desbrava o olhar que encontra outra alma num estado divergente das almas aniquiladas.
​Ouvimos sussurros de estrelas dilaceradas pelo próprio colapso temporal, envoltas em outras galáxias. O vento para no meio do show em que as vidas se encontram. Olhares morrem com o sentido do último suspiro daquele sol que sucumbiu, cuja força gravitacional emana ondas de rádio e radioatividade. A luz atravessa os céus, reluzente na escuridão da ignorância humana, propondo-se ao mundo oriundo, pois o espaço contínuo expressa tanta emoção quanto podemos suportar.
​A rocha que estava ao pé da cachoeira agora flutua no cosmopolita da mente — imagem configurada à luz da imensidão, refletida na tela do celular. O espelho da água jorra elementos abstratos, pois a água, antes branda, agora está poluída. As florestas ao lado da queda d’água deram lugar às casas de um condomínio; o espelho que iluminava as metáforas da mente tornou-se espinho na alma.
​O inigualável complexo é pesquisado em tantos momentos num paradoxo existente. A dor existencial reluta no sentimento ignorado pela fumaça que grita a cada instante em que avançamos. O que importa ver a vida nas estrelas se ainda ouvimos os sonhos que sonhamos dentro da cachoeira que hoje é apenas espaço de atração turística? Diante da vastidão do espaço sideral, somos rasos, até mesmo animados; o que iremos mostrar ou o que falaremos?
​Serão assimilados. Não tente resistir, pois é inútil resistir às metáforas que fogem do sumo da alma exposta na alienação temporal.