As dores são parte da inércia e uma... Celso roberto nadilo
As dores são parte da inércia e uma simulação de sentimentos em espelhos sobre espelhos. Num lance de olhar para a eternidade, sente-se que o mundo é apenas um pequeno percentual da vida. Vemos projeções do ar que comprime a neblina numa cascata de água jorrando nos pensamentos.
Jogadas no espaço, as rochas expõem-se como observadoras das eras passadas. O amor clandestino transforma-se no espelho multiversal da água, que trêmula nos aspectos da alma — profunda noção psicológica que se desprende do corpo. Sensação de que o coração está sozinho num túmulo frio a cada noite; o ressentimento desbrava o olhar que encontra outra alma num estado divergente das almas aniquiladas.
Ouvimos sussurros de estrelas dilaceradas pelo próprio colapso temporal, envoltas em outras galáxias. O vento para no meio do show em que as vidas se encontram. Olhares morrem com o sentido do último suspiro daquele sol que sucumbiu, cuja força gravitacional emana ondas de rádio e radioatividade. A luz atravessa os céus, reluzente na escuridão da ignorância humana, propondo-se ao mundo oriundo, pois o espaço contínuo expressa tanta emoção quanto podemos suportar.
A rocha que estava ao pé da cachoeira agora flutua no cosmopolita da mente — imagem configurada à luz da imensidão, refletida na tela do celular. O espelho da água jorra elementos abstratos, pois a água, antes branda, agora está poluída. As florestas ao lado da queda d’água deram lugar às casas de um condomínio; o espelho que iluminava as metáforas da mente tornou-se espinho na alma.
O inigualável complexo é pesquisado em tantos momentos num paradoxo existente. A dor existencial reluta no sentimento ignorado pela fumaça que grita a cada instante em que avançamos. O que importa ver a vida nas estrelas se ainda ouvimos os sonhos que sonhamos dentro da cachoeira que hoje é apenas espaço de atração turística? Diante da vastidão do espaço sideral, somos rasos, até mesmo animados; o que iremos mostrar ou o que falaremos?
Serão assimilados. Não tente resistir, pois é inútil resistir às metáforas que fogem do sumo da alma exposta na alienação temporal.
