​Quando olhamos as luzes do cosmos sob... Celso roberto nadilo

​Quando olhamos as luzes do cosmos sob uma atmosfera limpa, vemos um céu cheio de vida e resiliência. Vemos o passado e o futuro, e construímos sonhos no horizonte da imaginação. A Lua parece estar tão perto que poderíamos ir lá quando quiséssemos — no entanto, já faz mais de 50 anos que não pisamos nela.
​Os custos e benefícios são muitos, mas, com frequência, observo o pôr do sol e penso em como podemos atravessar o universo em segundos apenas sonhando.
​A humanidade maltrata a biosfera; não compreende a riqueza que temos diante deste mundo único. Tantas possibilidades em um planeta abundante... Tantas variáveis e probabilidades num ajuste tão fino que, com o menor desvio no teor da gravidade, não haveria vida.
​E então surge o ser humano. Brota como uma planta, do nada, e resolve evoluir consumindo tudo o que vê pela frente.
​— Pedra? Dá para comer... Hum, tem um gosto bom.
​O planeta morre, mas resiste — afinal, o homem passou mal.
​A Floresta Negra, o terror do cosmos, observa a humanidade evoluir rápido demais, sem ao menos medir as consequências de seus atos, abraçando o espaço. O silêncio cósmico ecoa diante do nosso grito:
​— Somos humanos! Vivemos aqui, olhem! Venham nos conhecer! Tenham um bom dia, nosso planeta é cheio de vida! Venham, boa noite... Uma palavra de Deus: tem um minuto para evangelizarmos vocês? Deus está em toda parte!
​Ao fundo, o som dos atabaques de um terreiro ecoa. Em outro canto, pessoas gritam slogans extremistas: "Deus, Pátria e Família!". Logo ao lado, os escravagistas digitais vociferam: "Venha para a sua startup! Temos plataformas digitais de IA, venha fazer parte da cadeia global!"
​E então, o silêncio cruel do universo responde:
​— Finjam que não vimos. Ativem as defensivas! Cerquem todas as entradas! Se virem resquícios de terrestres, corram para os abrigos!
​Não estamos salvos... nem mesmo numa Esfera de Dyson. Pois eles já compreenderam o nosso sistema.
​E logo, logo... o domingo está chegando.




Por Celso Roberto Nadilo
poeira cósmica