Uma Menina Simplesmente Apaixonada

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⁠#MENTIRAS

Antes eu tive fé...
Deixei escapar em uma esquina qualquer...
Conheci a verdade...
Mas não posso lhe dizer...

Poeta mentiroso...
Que em cada versos existe um pouco de mim...
E onde sonhei viver...
Já não sei se desejo tanto assim...

De rima em rima um pranto...
Alma calma...
Declamando amor, o apego e o sossego que mais se acentua...
Do cisne , um canto de mentiras...
Enquanto a verdade anda nua...

Feliz de quem puder...
Aos domínios do céu o pensamento erguer...

Perdi-me dentro de mim...
Pois sou um grande labirinto...
Passei pela vida...
Por muitos abismos...
Nem todos os senti...

Não tenho o amanhã e nem o hoje...
E para os outros cujo o tempo foge...
Eu o tenho como meu consorte...

Aonde tanta vez a lua me beijou...
É onde tantas encontrei um amor...
Quisera eu lhe falar mais...
Sendo hoje o dia da mentira...
Quiçá depois...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Noite à fora...
Sobre uma navalha...
Ó divina esperança...
Sonho de criança...

O tempo a criar silêncio...
Tornando o sonho poeira dos tempos...
Poço imenso e fundo...
Que engoliu meus desejos...

A ver no mundo seco a seca realidade...

Dos ébrios jogados à sarjeta...
Das matronas em penunbras das ruas da esquerda...
Dos pederastas em gargalhadas...
Disfarçando as lágrimas não jogadas...
Das mocinhas vendendo favores...
Em troca de licores...
Daqueles que só encontram alegrias...
Quando deixam suas garrafas vazias...

A vã loucura a moda é prima-irmã...
Mas quando vem o senso erguer-lhe os densos véus...
Desse desgosto...
Livrai-me Deus...

Salvo o meu desejar...
Teço beleza em tudo...

No hálito podre de um sugismundo...
No idoso porchetta...
Em quem que com qualquer um se deita...

Nessa langorosa magia...
Sob a lua que irradia...
As torpes paixões...

Sigo para meu descanso...
Aguardando, quiçá ...
Outro dia...

Valei- Deus...
Ou quaisquer outros guias...
Fim de noite...
Madrugada fria...

Eu próprio me interrogo:
– Onde estou? Onde estou?
E procuro nas sombras enganosas...
Sob essas horas mortas...
As mesmas coisas repetidas...

Inúteis os sonhos e as amarras
que nos prendem ao cais...
Mas quem sou eu que não escuto meus próprios ais?

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Por vezes quando o tempo passa...
Em horas dentro de mim...
Passa um nada meio acontecido...
Uma saudade que não tem mais fim...

Na penumbra de minha casa...
Escondido sob o luar...
Na artéria estendida do silêncio...
No vão do patamar do tempo...
A procurar...

Pressupondo um olhar para trás...
Por tudo o que eu vi e sei...
No curso veloz da vida...
Corri, subi e voei...

Agora grito...
Para rasgar os risos que me cercam...
Insensatos...
Não me servem de consolo...
Tolos...
Inúteis...
Pueris...

Fartam-me até as coisas que não tive...
Fartam-me com tudo o que sonhei...
Fartam-me o tanto que desejei...

Outrora escalar os céus, imaginei...
Tudo era igual...
E tudo me ruiu...
E entrei abandonado na esperança...
Entreguei -me a ela e ela me possuiu ...

Em combustão secreta...
Ao silêncio me abri...
Hoje entre as pedras procuro...
Aquilo que perdi...

Não paro...
E se necessário volto atrás...
Quantas vezes necessárias forem...
Até reencontrar...
O que nunca esqueci...

Dizem todos que é loucura...
Bem isso eu sei...
E muito ouço e muito já ouvi...
Tenho um caminho marcado...
E se agora não encontro...
Vou procurar no passado...
Revolvendo as cinzas...
Até descobrir...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Quanto dura uma paixão?
Uma paixão não dura nada... Apenas dura a eternidade do sorriso que te cativa...
No fim de um dia...
No meio da madrugada...

Depois...
A alegria se torna amarga...
Caco de vidro que sob o sol...
Cintila e se apaga...

Agora...
Na superfície da luz procuro a sombra...
Seguirei a estrada...
Não deixarei para depois...

Abrirei as janelas de minha alma...
Para que entrem as estrelas...
Na rua, onde os ventos se cruzam, quem sabe, talvez...
Outra paixão desponte...

Os destinos se decidem...
A vida que tudo arrasta...
Arrasta os amores também...

Veneno absorvido pela ingratidão...
Vieste...
E fora vencida minha solidão...

Mostrate-me o que eu não conhecia...
Mas partistes...
De forma tão fria...

Levando consigo pedaços de meu coração...
A qual brincaste jogando-o no chão...

Vencido o sofrimento...
Da sorte sem piedade...
Sem ti correrá tudo sem ti...
E mais uma vez passarei...
Por essa tempestade...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Assim se desenterra toda a sede...
Todo o amor...
Todas as noites...
Uma a uma...
Toda a luz de cada dia...
E o meu coração que a ti espera...
Se alegra enquanto definha...

Vejo coisas que nunca antes tinha visto...
Coisas que sempre soube mas que nunca quis olhar...

Tão certo que me aperto...
Que meu mal tanto me dura...
Vou mais fora de caminho...
Sem ti vou tão deserto...

Recantos escuros, em segredo...
Atrás das sombras que me procuram...
Desiludido ainda me iludo...
No que meus olhos mais indagam...

Pelas palavras que nunca disse...
Pelos gestos que me pediste...
E com este cuidado todo...
Perco de vista o meu ser verdadeiro...

E bem sabes...
Que até me ignorando...
Sou teu...
Por inteiro...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Maldito é o homem que confia no homem...
Que aguarda uma palavra de consolo...
Que coloca em mãos alheias seus sonhos...

Maldito é o homem que tem esperança no bem inesperado...
Que descuida-se nos próprios cuidados...
Que vai dormir tranquilo aguardando que o seu vizinho o tenha em boa estima...

Maldito é o homem que acredita que para ser feliz...
Tem que chamar a atenção...
Que coloca como opção...
Entregar seu coração...
Aos falsos amigos...
Aos lobos famintos...
Às ocasiões sem sentidos...
Ao futuro que se avizinha...
Sem estar prevenido...

Maldito é o homem...
Cuja alma inocente...
Sofre constantemente...
Pela língua maldosa...
Das pessoas hipócritas...
Das pessoas vazias...
Que enchem os seus copos...
Que arrotam o que pensam...
Sem respeito alheio...
Que o olham de lado...
De modos esguivos...

Maldito é esse homem...
Que aguarda sob o tempo...

Mas que esse homem seja bendito quando se afastar dos aflitos...
Quando se afastar das gargalhadas altas e ruidosas...
E compreender que sendo comedido...
Confiando em seus sonhos...
Aprenderá que assim trançando seu destino...
Comprazendo em própria companhia...
Nunca estará sozinho...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠O que não daria eu...
Num dia sem data...
A sentar-me em uma mesa...
Com aqueles que um dia me amaram...

Hoje tenho os lábios secos...
Os olhos marejados...
E arde-me a cabeça...
Do tempo passado...

O presente é todo o passado...
E também é todo o futuro...
Prossegue a música...
Entra mais na alma da alma...
E a lembrança é que entristece...
Essa terra de ninguém...

Espreito então pelas janelas de outrora...
Coisas que sempre soube mas que nunca quis olhar...
Tal a sorte às cegas...
Da nossa existência...

Ter e não perceber o valor que tem...
Perder e então compreender...
Feliz é aquele...
Que sabendo o que tem...
Ama e não se enlouquece...
Quando tudo se vai...
E nada mais vem...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Como pode uma pessoa tão romântica viver tristonha e sozinha??

#A #vida #é #uma #festa...

Que ninguém sabe a hora de terminar...

Uns partem dela cedo...

Enquanto outros continuam a bailar...



No abrir dos olhos pelas manhãs...

Já é hora de festejar...

Um corpo limpo...

Um sorriso para nos enfeitar...



Roupa é só pano...

Traça come cedo...

Porém combinar as cores...

É só um começo....



Após o banho...

Creme em toda pele passar...

Hidrata e amacia...

Levanta nossa estima...



Perfume é um outro segredo...

Doses certas sem exagerar...

Qualidade acima de tudo...

Para a todos agradar...



Roupas limpas, bem passadas...

Bonitas para usar...

Quem não se enfeita...

Por si já se enjeita...

Tem que impressionar...



Belos sapatos formam um par...

Escolhido com cuidado...

Lustrado...bem escovado...

É a base do caminhar...



Tem pessoas que não ligam para os pés...

Já começam a errar...

Pés limpos, lindos , calçados...

Faz desejo aflorar...



Uma calça com vinco...

Traduz com ímpeto...

Personalidade forte...

Com viço...



A camisa tem que ser a que combina...

Com as cores do dia...

Discrição aconselha...

Pode usar brilho...

Cor opaca se desejar...

Listras ou xadrez a escolher...

Quem decide é você...



Elegância é de berço...

Mas todo mundo pode ter...

Começando a se gostar...

E fazendo por merecer...



Antes de sair de casa...

Última olhada no espelho...

Tudo alinhado...

Merece respeito...



Aprenda a bem viver...

Cama e comida cara é de hospital...

E cemitério tão cedo...

Ninguém quer ver...

Festeje com alegria...

A graça recebida...

De viver...



Sandro Paschoal Nogueira

#Por #que #saímos #tão #depressa...

Sem ao menos uma xícara de café?



Abraço caloroso...

Momentos saudosos...

Agradáveis companhias...



Abraço que deixou de ser dado...

Não poderá ser resgatado...



Para mim, a mais dura prova...

Hoje é cena comum...

É ver tanta gente querida...

Virar saudade...

Ir embora da vida...



Por favor...

Não seja mais um...



Sandro Paschoal Nogueira

Para o pintor, uma parede branca, suja e esburacada...

Transforma-se em tela e fantasia...

Horizonte e linhas do céu...

Um pouco de tinta...

Um pincel...

Para o poeta...

Um momento...

Palavras ganham novos sentidos...

Em pedaços de papel...

O poeta tece em palavras...

Como o pintor retrata em cores...

A arte vai imitando a vida...

e a vida inspirando a arte...



Sandro Paschoal Nogueira

Não...

Eu não sou uma árvore velha e seca...


Cuja morte me ronda...

Cerca e cumprimenta...


Posso não ter mais a beleza de outrora ...

Posso não mais ter o vigor de antigamente...


Porém, tenho comigo a vitória dos anos vividos...

Felizes...

Sofridos...

Histórias para contar...

Tanto para compartilhar...

Se assim desejar...


Muito disse sim...

Sem vontade de dizer...

Foi quando mais sofri...

Mais me anulei...

Em favor de alguém...


Quando aprendi a dizer não...

Incompreendido me tornei...

Desprezado...

Odiado...

Me calei...

Porém assim tem que ser...


Amar é doar...

Mas também é negar...


Tantas lágrimas caíram...

Tantas outras escondi...

Tantas, e muitas, ainda escondo...

Nem contigo...

Nem com ninguém...

Posso dividir...


Não me julgue...

Se pouco, ou nada, me compreende...

Aceite...

Meu jeito de ser...

Um pouco diferente...

De muita gente...

Que se vê por aí...




Sandro Paschoal Nogueira

Vida curta e vã...

De uma breve manhã...
Aconteceu...

Em espinhos tantos...

Flor aventureira...

Brotou deste meu coração...


Assim é a vida...

Ora doçura...

Ora fel...

A ventura irmã da desilusão...


A flor que um dia...

Tão amada floresceu...

Jaz pisoteada...

Pelo falso amor que você me prometeu...



Sandro Paschoal Nogueira

#Me #diga #uma #palavra...

Para que eu possa fazer os sinos dobrarem...

A dança das horas pararem...

O tempo não escoar...

Me diga uma palavra...

Para que o céu seja sempre azul...

Para que eu possa criar asas...

Brincar com o vento...

E nas auroras douradas moldar as nuvens...



Me diga uma palavra...

Para que as flores sejam sempre viçosas...

Os caminhos sejam sempre floridos...

Pássaros e cotovias cantem em uníssono...



Me diga uma palavra...

Para acalmar os rios...

Refrescar a terra...

Trazer a bonança...

Acabar com as guerras...



Me diga uma palavra...

Que contenha o universo...

Que o mistério da vida seja revelado...

Para que o verdadeiro amor seja um fato...

Para que eu possa dançar em meus sonhos...



Sandro Paschoal Nogueira

— em Valença (Rio de Janeiro).

#Cada #começo #é #só #uma #continuação...

Ao mesmo tempo...

No espaço pronto...

Para eternidade...

Falta pouco...

Para conseguir o que quer...

Em águas rasas...

Ou profundas...

Ao mergulhar...

É bom conhecer...

Também é bom ser visto em diversos lugares...

Em casa ou nas ruas...

Até caminhos se encontrarem...

Nesse mundo, afinal, dá para viver?

Quem me colocou aqui?

Por ordem e vontade de quem este lugar e este tempo foram destinados a mim?

Silêncio eterno...

Me apavora....

Quando penso sobre a curta duração de minha vida...

Sempre me pergunto:

Valeu ser vivida?

Valeu sim...

Sempre vale...

Assim é...



Sandro Paschoal Nogueira

#Ainda #me #lembro #de #uma #manhã...

Em um lugar bom e belo...
Em que o tempo era doce...
E meu coração mais singelo...
Não me preocupava...
Com o vai e vem das noites...
Não me preocupava com as auroras...
Sentia grande prazer...
De ver nascer minhas rosas...
Vai-se agora a noite...
Vem de novo o dia...
Em meu jardim caminho eu...
Em silêncio consternado...
Não ouvindo mais ...
Melodia de pássaros...
Agora assustados...
Luz estaria agora comigo...
Se tivessem vocês ao meu lado...
Somente o jasmim...
Me recorda como um dia...
Tão grandemente fui amado...
Todos partiram...
O vento os levaram...
Na taça que hoje eu bebo...
O fel é tomado...
Estrada comprida...
Sem destino certo...
Algoz de mim mesmo...
Coração vazio...
Quase acabado...
Bate em sintonia...
Com a saudade que não é fantasia...
Antes assim fosse...
Daria término a minha agonia...
Conta os minutos...
O tempo que urge , que voa...
Erguendo aos céus as mãos...
Choro solidão...
Fera que ronda...
Insaciável apetite...
Aconselha de forma vã...
Me deixando mais triste...
Meu coração já não mais dorme,
Não mais sorri...
Em madrugadas frias...
Na alma o silêncio proclama...
Estou aqui...
Ah meu Deus...
Até quando esse cântaro terei que verter ?
Apazigua meu espírito...
Que eu já não mais me preocupe...
Plante no árido deserto que sou...
A esperança de ainda viver...


Sandro Paschoal Nogueira

Nem todos que vagueiam estão perdidos...
Preso na ilusão...
Procuro uma alma pura...
Para me alegrar e fazer sorrir meu coração...
A vida bebo em cálice...
De elementos encantados...
Amores esquecidos...
Amores que me foram negados...
Levando em meu caminho...
Esse é meu fado...
Ganhar um carinho sem precisar pedir por isso...
Tão difícil...
Amar é para poucos...
Me entrego...
Sou louco...
As pessoas tem medo de amar...
Tem medo de serem felizes...
Tem medo de se perder...
Tem medo de aprender...
A viver...
Recordo das lembranças...
E pergunto o porquê disso tudo...
De um amor perdido...
Que nunca foi meu...
Agora sei que o amor...
É mais do que amar...
Deixando-me perder...
Vou me entregar...


Sandro Paschoal Nogueira

O cavaleiro

No deserto de uma cidade...
Um cavaleiro surgiu...
Dominando o baio a cavalgar...
Veio ao meu encontro...
Queria um novo amor encontrar...

Lamentou comigo...
Um amor perdido...
Mas que por ele...
Não foi esquecido...

Silenciosamente dissipou minha escuridão...
Trouxe consigo alegria...
Plantou flores em meu coração...

Suas palavras galantes...
Me soavam como verdade...
Jovem de sorriso encantador...
Verdadeiro em tudo o que sente...

Sei apenas que às vezes estremeço...
E se um dia...
Eu tiver que pagar por meus pecados...
A esse cavaleiro...
Me entregarei com desejo...

Não tenho a intenção...
De resistir a condenação...

Livre é o cavaleiro...
E livre também é minha alma...
Nos caminhos da vida...
E de onde busco a certeza...
Não há vento, fogo ou espada...
Eu o amarei e o seguirei pelas estradas...

Sandro Paschoal Nogueira

A bananeira


Plantei uma #bananeira na beira da estrada...
Chovia muito...
Era madrugada...

Perto de mim...
Um raio caiu...
Pensei comigo...
Que seria meu fim...
Não queria terminar assim...

A bicha danada cresceu muito rápido...
Pela manhã já tinha um cacho...
Colhi e levei para a feira de domingueira...
E pus-me a vender aquela maravilha...
Deu o que falar...
Era pura euforia...

Fizeram então...
Grandioso leilão...
Quem mais pagasse ...
Venceria...

As ofertas comecaram...
Grandiosa multidão...
Grande admiração...
Homens, mulheres...
Jovens e idosos...
Acotovelavam-se ...
Todos queriam...
Minha banana ver...

Surgiu a primeira oferta...

Apareceu um turco sovina...
Disse que minha banana ele queria...
Mas só me comprava o cacho todo...
Se grátis pudesse experimentar...
Minha banana com gosto...

Claro que neguei ...
Que ousadia❗
Vê se pode tamanha afronta...
Não sou qualquer um...
Tome tento❗
Tome nota❗

Minha banana não é para qualquer um...
Tem que ser do jeito que quero...
Tem que ser do jeito que eu gosto..
Se não for assim...
É bom passar de largo...
Comigo tem que ser afável...
Tomar muito cuidado...

O turco foi embora...
Soltando fogos pelas ventas...
Que ele vá procurar suas quengas❗

Logo em seguida apareceu o português...
Dizia que a banana era muito formosa...
Não queria...estava de vez...

Veio também um trio estranho...
Um espanhol junto com um italiano e um francês...

Só queriam ½ dúzia...
Teria que dividir...
Um pouquinho para cada um...

Queriam me enganar...
Cheios de astúcia...
No golpe não caí...
Já vi muitos malandros por aí...

Ou levavam todas as bananas...
Ou nada feito...
Comigo é assim ...
Não tem jeito...

Muita gente a banana queria...
Argumentavam aqui...
Argumentavam ali...
Comprar que era bom...
Nada...
Só conversa fiada...

No fim da tarde...
Quando eu já quase desistia ...
Me apareceu um árabe ...
Que proposta me fez...

Compraria todo o cacho...
Mas algo além também queria...

Queria que com ele eu fosse...
Plantar bananeira no deserto do Saara...
Cuidaria de mim e de minhas bananas...
Me daria um bom salario...
Casa, comida em boa cama...

Ele sabia e muito bem...
Que banana tem que ser bem cuidada...
Prover fartura de sol e de água...
Eu muito gostaria...

Aceitei com satisfação...
Comprou tudo e me levou até seu avião...

Naquele mundaréu de areia...
Quando ali cheguei...
Numa tenda cheia de almofadas e tapetes persas aquela noite passei...

Decidi com o árabe ficar...
Ele me mostrou muitas coisas...
Me disse que mais iria mostrar...

Todas eu gostei...
E assim muito tempo com ele fiquei...
Seu nome era Társis..
Plantamos muitas bananas...
Fizemos um oásis...

Ao Brasil não sei quando voltarei...
Vou ficando...
Por enquanto...
Nas arábias...

Se Sherazade contou 1001 estórias...
Para vocês conto uma só...
As outras 1000
Deixo para o árabe contar...
Ainda temos juntos...
Muitas bananeiras a plantar...

Sandro Paschoal Nogueira

Da própria desgraça...
O povo faz graça...
Esconde seu rosto ...
Atrás de uma máscara...

É Pierrot... é Colombina...
Melindrosa na esquina...
Vestindo a alma sorrateira...
Tudo se acaba na quarta-feira...
Mesmo que ainda não queira...

Vestidos coloridos...
Corpos retorcidos...
Ao som de músicas alegres...
Copos cheios...
Desejos...

Um brilho se faz...
Contumaz...
Nosso verdadeiro desponta...
Na cabeça que gira...
Na alma vazia...
No corpo que clama...
Da sofreguidão a chama...

Nessa hora tudo é querer...
Mesmo sem poder...
É lícito...
Será que me convém um gemido?

Façamos de conta que tudo vai bem...
Seus confetes e minhas purpurinas...
O quarto não tem paredes...
A cama lama...
Sem carência de malícia...
Aonde deixei minhas plumas?

Tanto tempo no vai e vem...
Que continuo à deriva...
Subindo e descendo...
Já não sou nada...
Já não sou ninguém...

Breve, forte, verdadeiro...
Amor de tempestade...
Foi consumado...
Trouxe felicidade...

#É #carnaval...
Não me leve a mal...

Sandro Paschoal Nogueira