Uma Menina Simplesmente Apaixonada

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⁠APRENDA SE CURAR SOZINHO.

Ainda não encontraram uma solução para a saudade porque nenhum médico emitiu um atestado de óbito dizendo que a causa da morte foi a ausência, e aos poucos essa ausência se transformou em saudades.


Nunca encontraram a cura para o amor, nunca ouvi falar de alguém enlouquecendo por amar, nunca vi uma pessoa sendo internada em um hospício por amor.


São coisas que não podemos ver, apenas sentir, às vezes elas nos consomem por dentro, e no fundo, ninguém quer saber das suas dores, ninguém quer saber dos seus amores.

Esteja preparado para curar suas próprias feridas.

Inserida por Eraldosilva123

⁠A LENDA DO PÁSSARO NEGRO, E O DESAPARECIMENTO DO JOVEM ÍNDIO.

Na tribo Tupã, há uma lenda sobre um pássaro negro que canta apenas uma vez por ano. No entanto, sempre que ele canta, assombra o povo da aldeia. Por ser um pássaro noturno, ele só canta durante a noite e passa o dia camuflado. Quando ele canta, todos na aldeia ficam arrepiados e temem pela própria vida.

Por isso, os índios da tribo Tupã não gostam de ouvir o canto desse pássaro.

Sempre que o pássaro canta, eles sabem que a aldeia será atacada por uma força maligna que acompanha o canto do pássaro. Esse ataque costuma durar cerca de duas horas, aterrorizando a aldeia. Durante esse evento, ninguém se atreve a sair às ruas e ninguém diz uma palavra.

A aldeia fica em completo silêncio.

O cacique idoso já sabe que no dia seguinte receberá uma má notícia, logo cedo, após o canto do pássaro, um jovem índio que ouviu o que o cacique disse sobre esperar pela notícia ruim chega.

Então, o jovem índio decide sair a procura do pássaro desde aquele dia o jovem índio desapareceu é nunca mais foi visto, apesar de todos ouvirem sua voz, seus passos, só que ninguém conseguir vê-lo pessoalmente.

O pássaro foi embora e só voltará àquela aldeia no próximo verão, daqui a um ano. Todos acreditam que quando o pássaro cantar novamente naquela aldeia o feitiço será quebrado, e o jovem índio aparecerá, e todos poderão vê-lo e abraçá-lo.

No entanto o cacique permanece triste por nunca ter tido a capacidade de desvendar o mistério do canto desse pássaro. Parece que todos os anos ele está vivendo uma tragédia anunciada.

O velho índio agora teme pela morte do pássaro, pois se o pássaro morrer, o jovem índio nunca mais será visto.

Eraldo silva.
LEI Nº 9.610
Todos os direitos reservado ao autor.

Inserida por Eraldosilva123

⁠Compreendendo a vida.

Alguém me disse que a vida era uma estrada. Então, eu segui pelos melhores caminhos.

Depois, me disseram que a vida era como uma planta. Eu plantei as melhores sementes.

Em seguida, me disseram que a vida era como um rio. Eu segui as correntezas para ver os obstáculos que as águas enfrentavam até chegarem ao mar.

Me disseram que a vida era como um fio. Então, eu fui desenrolando os nós um por um, do começo ao fim.

Depois, me disseram que a vida era como um pássaro. Então, eu voei em busca de conhecer os melhores ares do universo.

Foi quando me disseram que a vida era como um oceano. Às vezes, maré baixa, às vezes, maré alta.

Nesse momento, olhei para dentro de mim e percebi que não bastava suportar as tempestades, o certo seria saber por quais motivos elas acontecem.

Inserida por Eraldosilva123

METAMORFOSE.

Em uma manhã de domingo, o avô levou o neto ao jardim para ver as flores e também as borboletas. Ao ver as borboletas voando pelo ar e cheirando o néctar das flores a criança disse ao avô que quando crescer queria voar como as borboletas.

No caminho de volta para casa, o avô encontrou um ninho com ovos de borboleta. Três dias depois depois o avô chamou o neto e voltaram ao ninho, onde os ovos já haviam se transformado em larvas.

Voltaram para casa e o avô não disse nada ao neto, no quinto dia, o avô levou novamente o menino para ver o ninho, e as larvas haviam se transformado em pequenas lagartas.

Curioso perguntou ao avô por que ele os havia trazido várias vezes apenas para mostrar o que estava dentro do ninho e depois ir embora.

O avô respondeu calmamente ao neto: "Sabe aquele dia em que fomos ao jardim e você disse que queria voar como aquelas borboletas?"

"Sim", respondeu o neto ao avô. Então o avô disse: "Não é tão fácil voar, você terá que enfrentar várias transformações. Aquelas borboletas não nasceram voando, elas foram obrigadas a enfrentar várias metamorfoses para se tornarem borboletas".

Assim é a vida, às vezes queremos que as coisas aconteçam de uma hora para outra, mas o essencial é viver o processo de cada momento. A vida é única e cada momento será único em sua vida.

Inserida por Eraldosilva123

⁠NA ZONA DE CONFORTO NADA ACONTECE.

A vida é como uma flauta; ela não emite sempre o mesmo som. O flautista está constantemente se esforçando para atingir o volume máximo e, assim, alcançar seus objetivos. Quanto mais força ele aplica, mais alto o som da flauta se torna.

Da mesma forma, acontece com o cavalo. Quando ele começa a correr, o barulho de suas patas é quase inaudível. À medida que aumenta a velocidade, o som das patas ao tocar o chão se torna mais intenso, permitindo que ele chegue mais rápido aos seus objetivos.

Na vida, não é diferente. Quando ninguém te ouvir, aumente o volume do seu grito; quando perceber que não conseguirá alcançar seus objetivos, corra.

Não se acomode na zona de conforto, pois nada acontece lá.

Para ter sucesso na vida, toque como um flautista. Ou corra como um cavalo, sempre buscando a velocidade ideal para alcançar seus objetivos.

Inserida por Eraldosilva123

Quer ser bajulado por seus amigos? Mude para uma bela praia.

Inserida por MelissaSalles

Cansei. Quero uma boa conversa e meu sorriso de volta.

Inserida por MelissaSalles

⁠"Sou um touro, mas as vezes me sinto uma lesma."

Inserida por MelissaSalles

⁠Haa Cleo, hoje minha folga cheguei a uma conclusão:
Gosto se sentar a beira do mar
Sentir sua brisa
Ouvir uma música
Conversar
Fumar
E beber uma cerveja

Inserida por MelissaSalles

⁠ Niwan - Como Enfrentar o Amor

Introdução

O amor é uma força poderosa que pode nos elevar e nos desafiar. Neste livro, exploraremos a jornada de Niwan, um jovem que aprende a enfrentar o amor em suas diversas formas. Cada capítulo trará uma lição valiosa sobre como lidar com os desafios emocionais que o amor pode trazer.

O Encontro

Niwan conheceu Lia em uma festa. Seu sorriso iluminou a sala, e ele sentiu uma conexão instantânea. No entanto, a insegurança começou a tomar conta dele. Como lidar com esses sentimentos?

O Medo da Rejeição

Niwan se lembrava de experiências passadas. O medo da rejeição o paralisava. Como ele poderia superar esse obstáculo? A resposta estava em aceitar que o amor envolve riscos, e que a vulnerabilidade é uma parte essencial da conexão humana.

O Primeiro Passo

Decidido a enfrentar seus medos, Niwan decidiu se aproximar de Lia. Ele a convidou para um café, um pequeno passo, mas significativo. Às vezes, o primeiro passo é o mais difícil.

A Comunicação

Durante o encontro, Niwan aprendeu a importância da comunicação. Compartilhar sentimentos e pensamentos é fundamental para construir relacionamentos saudáveis. Ele se abriu sobre suas inseguranças e ouviu Lia com atenção.

A Confiança

Com o tempo, Niwan começou a confiar em Lia. Eles compartilharam risadas, histórias e sonhos. A confiança se tornou a base do relacionamento deles, permitindo que ambos se sentissem à vontade para serem autênticos.

O Desafio

No entanto, nem tudo foi fácil. Um mal-entendido surgiu, e a insegurança de Niwan voltou. Ele percebeu que o amor também requer trabalho e compreensão. Como resolver conflitos com empatia e paciência?

O Perdão

Após refletir, Niwan entendeu que todos cometem erros. Ele decidiu pedir desculpas e se abrir sobre seus sentimentos. O perdão é uma parte crucial do amor, e isso os aproximou ainda mais.

Crescimento

Juntos
Com as dificuldades superadas, Niwan e Lia cresceram juntos. Aprenderam a apoiar um ao outro e a celebrar as conquistas. O amor, afinal, é uma jornada de crescimento mútuo.

Conclusão

Niwan percebeu que enfrentar o amor é um desafio contínuo, mas também uma das experiências mais enriquecedoras da vida. Com coragem, comunicação e confiança, ele aprendeu que o amor pode ser uma bela aventura.

**Back Cover**

Uma breve sinopse sobre a história de Niwan e o que o leitor pode aprender sobre o amor.

"Descubra como enfrentar o amor através da jornada de Niwan. Uma reflexão sobre vulnerabilidade, comunicação e crescimento emocional."

Esse mini livro oferece uma estrutura básica para explorar o tema do amor e os desafios que ele traz.

Inserida por Niwan

⁠"A vida é uma trilha repleta de pedras, mas cada passo dado nos ensina a valorizar a beleza das flores que surgem ao longo do caminho."

Inserida por Niwan

⁠Quando nos esvaziamos de Deus, damos espaço para o medo. Uma vez aberta a porta do medo, somos escravos do medo, e refém de nossas preocupações.

Inserida por marcelorcc

-Uma carta de despedida

Minha alma está despedaçada
Não sei o que fazer
sinto viver em um mundo que não é o meu
sinto não pertencer a este lugar
"o que estou fazendo errado?" me pergunto
a resposta parece estar oculta de mim
ou eu estou cego demais para vê-la
não consigo decifrar
há um mar de confusão na minha cabeça
sinto como se houvesse uma briga interna que não posso vencer
me resta somente disfarçar meus medos com coisas fúteis
o mundo é um lugar sombrio e está me consumindo
estou me perdendo e já não sei até onde eu suporto
irei até o fim, mas sinto que ele se aproxima
seja você quem estiver lendo isso, obrigado
por fazer parte da minha pequena jornada
minha aventura solo irá se acabar
minha história é curta, mas espero ter feito alguém rir
um abraço a todos que estiveram comigo
Adeus.

Inserida por samuel_schoemberger

O que eu tô vivendo não é apenas uma vida normal como qualquer outra, estou vivendo um sonho, um amor que eu sempre desejei.

Inserida por anderson_souto

⁠Ah, que saudade de amar uma pessoa, de dizer eu te amo milhares de vezes, alguém que some sempre e que esteja do seu lado a todo tempo.

Inserida por anderson_souto

A história é semelhante a de uma rosa que reina em todo jardim. Perdido o viço é cortada e às folhas secas lançadas. É o seu destino e seu fim. Há muita gente vaidosa que vive assim como a rosa. Orvalhada de beleza, ao sol da fama e o som da beleza, sempre em capa de revistas, sem perder o cartaz. Mas, tal como tempo, é fugaz. E ao perder a mocidade, vai sozinha com a saudade, pro retiro da idade.

Inserida por AlessandroLoBianco

Ainda na Praça do Russel encontro com 'Biafra' 7h25. Pode ser visto bem cedo com uma espécie de lata de tinta - um pouco mais profunda - onde guarda suas coisas conectada a um pneu de bicicleta, que serve como uma alça para carregar sua bolsa no ombro.No meio da tampa, vejo colado uma foto do cantor Biafra. Tudo toscamente feito. Ou nem feito. Biafra aprendeu a não descartar as coisas tão rápido. Por isso, seu latão, ou melhor, sua bolsa, é composta também por uma série de pregos martelados ao redor da tampa, dando a forma da desgraça. Nos espaços entre os pregos, observo formigas num entra e sai como se o latão fosse um apartamento de formigas. Ele diz: "Ah se elas comerem toda a minha maça. Tive que usar os pregos como solda, e meu baú deixou de ser impermeável", justifica. Pergunto se ele pode abrir seu armário para eu observar melhor. "Minha vida é um livro aberto, pegue você mesmo". Abro o latão e uma camisa do Botafogo, número 7. Em seguida, formigas. Logo depois, a maça, um pente, uma faca pequena e uma carteira do exército com sua foto, 19 anos, servindo no Forte de Copacabana. Apenas isso. Pergunto sobre a blusa do Botafogo enquanto guardo tudo novamente no latão e ele responde: "Não gosto de futebol. Achei essa camisa jogada no aterro e peguei". Pergunto sobre o pente: "Tem uma moça que gosta de mim, e como não sei quando ela aparecerá novamente é bom estar sempre com ele aí." Não pergunto sobre a maçã, pois, por precaução, já me antecipo: "você não tem cara de assaltante Biafra, ou, se tem, agora não tem mais porque sou eu, então a maçã é pra comer e a faca pra cortá-la. Ele nada responde. Pergunto sobre a foto do Exército no Forte de Copacabana e ele diz que é apenas uma foto. "Isso aí é melhor não lembrar". Pergunto se ele deseja que eu coloque novamente as formigas no latão e tento quebrar uma potencial lembrança ruim. Ele reponde então que poderia fazer um latão pra mim, pois teria me achado "um cara legal" e "diferente". Digo que meu negócio é mulher e ele cai na risada. Mas, depois da brincadeira, observo a mega elefantíase ou algo que não seja menos do que isso em uma das suas pernas. "Pô, Biafra, e eu que sou diferente? O que você arrumou aí na perna, cara, já foi num hospital?" Ele reponde: "Fui no Rocha Maia, UPA, num monte de lugar e todo mundo olha e diz que tenho que ir a outro lugar. Desisti faz tempo, Ninguém encosta." Digo apenas "entendi" e sigo meu caminho. Fato é que nunca mais conseguirei escutar as palavras lata, latão, tinta ou latas de tinta, e não lembrar do Biafra. Quis tocar no assunto "Deus", mas só deu tempo de escutá-lo dizer que é algo difícil de acreditar. E completou: "Não pra você rapaz, e sim pra mim". Possivelmente não terá nem um enterro em cova rasa pago pela municipalidade, pois a mesma não quis nem tratar a sua perna. Uma coisa, porém, é certa: irá para o mesmo lugar onde vão os reis de verdade.

Inserida por AlessandroLoBianco

Hoje, uma pessoa veio me contar que leu mais dez textos no meu blog retratando os mendigos do Catete, e me perguntou de onde vem essa "obsessão por gente miserável". Não respondi ainda, e acho que farei por aqui, pois já é motivo pra um novo texto. Bom, começou com meu avô, na Vital Brasil, em Niterói. A casa do meu avô fica no pé do escadão do Cavalão, na subida da José Vergueiro da Cruz. Ali, sempre quando eu estava brincando na varanda, me causava pavor e medo uma negra descabelada, bem miserável, que, de 30 em 30 minutos, sofria ataques de caretas e dava tapas na própria cabeça. E ela sempre ficava sentada ali, no meu foco de visão. Para completar o quadro desagradável (eu só tinha 10 anos) ela soltava pelos lábios ventosidades com estrépitos que muitos julgavam escapados pelo cú. Magra, alta, não me lembro muitos detalhes. Só o que me recordo é que era vista falando com as pessoas conhecidas que entravam ou desciam do escadão, sempre no intervalo entre dois ataques que aconteciam de meia em meia hora. Não era raro vê-la passar e se comunicar com meu avô pelo portão, enquanto ele limpava o chão da garagem com uma mangueira. Por duas vezes, presenciei dois ataques, dois surtos, enquanto falava com meu avô. Não me lembro de ter visto qualquer morador da rua rir daquela senhora. Pelo contrário, quando ela dava os ataques, todos sabiam como auxiliar. Eu, morria de medo. Todos a tratavam com respeito pela educação e atitudes que ela tinha, quando no seu estado normal. As outras crianças, que nem eu, bem mais inocentes do que as de hoje, morriam de medo. Certa vez, meu avô, a fim de que eu perdesse o medo, obrigou-me a falar com a tal senhora, quando de passagem num sábado a tarde pelo nosso portão. Não é preciso dizer que flutuei no medo, na expectativa de um dos seus ataques. Perguntou-me o nome, deu-me umas palmadas no rosto, alisou-me os cabelos e, depois, ela mesma, mandou que eu fosse brincar, obviamente para que eu não presenciasse o ataque habitual. Não esperei segunda ordem. Afastei-me e fiquei à distância aguardando o ataque que não tardou. Mas, o encontro, de fato, fez-me perder o medo. Já não corria mais do portão ao vê-la. Aprendi a gostar dela. Lembro, até hoje, quando passou por mim no portão pela primeira vez que eu não corri. Acenou, acenei de volta, e ela seguiu seu caminho; me senti o cara mais sinistro e corajoso da Vital Brasil. Pensei: quem manda nessa merda sou eu. Desde então, sempre quando via sua sombra subindo a ladeira pela janela, já corria pro portão para redobrar minha coragem e fazer, cada vez mais, um contato mais próximo com aquela senhora, o que me deixava cada vez mais "sinistro" dentro do meu fantástico mundo de alessandro como o segurança da rua. Até que um dia ela parou para, de fato, conversarmos. Após 35 segundos (mais ou menos), ela teve um ataque epilético e caiu no chão, na minha frente. Imediatamente, um homem prestou todo auxílio e, quando a situação havia acalmado, percebi que estávamos de mãos dadas ali na calçada, sem mesmo perceber, durante toda a crise, que durou uns dois minutos. Depois que meu nervosismo passou, percebi que o homem que havia prestado o auxílio era o meu avô. Naquele momento, com ela ainda no chão, nos olhamos e, sem precisar falar nada, entendi exatamente tudo o que meu avô queria me ensinar sobre a vida, naquela oportunidade. Enfim, as histórias e experiências que tive com meu avô neste sentido foram muito longas, mas essa lembrança é o início dessa minha "obsessão por gente miserável" rs. Ainda sobre ela, não sei como terminou, pois nunca mais voltei naquela casa depois que meu avô morreu. Mas, se não me deixou a saudade, pelo menos deixou uma grata lembrança, engastada nas imagens daqueles tempos em que as crianças, tanto as do morro, quanto as do asfalto, ao invés de matar e assaltar, tinham medo de velhinhas doentes e miseráveis...

Inserida por AlessandroLoBianco

No dia das crianças, uma auto-reflexão da minha infância: retardado mental, inofensivo, brincalhão, debochado; quando bem pequeno, montava no cabo de vassoura no quintal da casa do meu avô, e imaginava ser um cavalo. Assim, quando ia com ele no mercado, galopeava pelas ruas da Vital Brasil, parando em frente ao barzinho de esquina, na subida da rua Senador Vergueiro, quando iniciava um show fazendo meu cavalo relinchar, de modo que o cabo da vassoura, por várias vezes, atingia as pernas dos que estavam por perto, enquanto meu avô pedia desculpas rindo. Quando isso acontecia, meu avô, mais debochado do que eu, olhava para a pessoa e ainda fingia que estava dando uma chicotada no meu cavalo imaginário para o atingido ver, o que me deixava transtornado. Não se bate em animais. Meu cavalo fez época e o nome dele era Araraboia. Meu avô entrava na minha viagem. Quando eu pegava a vassoura, ele colava umas fitas de Senhor do Bonfim que tinha a rodo naquela época colorindo o cabo inteiro, No meu peito, colocava medalhas de santos e broches de clubes. Eram as medalhas das guerras que haviam me condecorado. A distância máxima que percorri com meu cavalo foi da Vital Brasil até a Moreira César, em Icaraí. Na volta, pegamos um táxi e perdeu a graça. Uma vez, meu avô foi jogar carta com os amigos no quintal. Estava assistindo televisão. Ele passou, apertou o botão da tv rindo, e perguntou onde estava Arariboia. Respondi que não queria mais montar naquele cavalo. Disse que havia crescido. Ostentei na cara do velho! Ele então me respondeu que já era velho, mas que mesmo assim o que mais lhe impressionava no meu cavalo, naquele momento, era o rosto. Segundo ele, a impressão que dava naquela manhã era que estava inchado. Disse que os poucos dentes estavam cariados e sujos, e que, certamente, só a piscina do quintal, naquele dia de sol, poderia esbranquiçar os dentes do bicho. De repente, começou a dizer que dos cantos da boca do meu cavalo escorria uma "baba bovina" que ele estava limpando com as patas manchando o sofá da sala. Disse que o animal estava no canto da sala ruminando lembranças de quando eu era pequeno. Disse ainda que o som que meu cavalo emitia naquele instante, como uma espécia de ronco, contínuo, monótono, eram como pedaços de músicas esquecidas, mas que muitas crianças queriam cantar. Na época, não entendi essa frase, mas lembro bem dela. Disse que já estava escutando esse ronco do cavalo que durava duas horas, dando a impressão de que ele estava morrendo. Perguntei como, sem perceber que estava entrando na onda dele, e ele respondeu que parecia um peixe no chão se debatendo e abrindo os brônquios: foi então que, meio descompassado com a interpretação realística do meu avô, avistei a piscina da sala, o tal Oásis que ele dizia ser capaz de ressuscitar o Arariboia. Quando saí da sala com a vassoura, a velharada amiga do meu avô gritava em coro: "pule com ele na água, pule com ele! E Tchibum, me joguei na piscina e depois avistei meu avô vindo atrás e jogando na água todos os broches e tudo mais. Fiquei ali enquanto eles jogavam carteado por mais de três horas. Rolou um churrascão. Isso tudo pra dizer (pra quem tem filho pequeno é mais fácil) que nossos cavalos vivem dentro de nós o tempo inteiro, mas asilados nos abrigos e cocheiras da idade, das dores, das dificuldades. A idade só nos faz tirar a "montaria" do cabo de vassoura. Acalma-nos, porém, o espírito... O amor, o tempo leva...

Inserida por AlessandroLoBianco

No meio de tanta injustiça e desigualdade social, os pobres têm, ao menos, uma graça, uma vantagem em relação aos ricos: saber quem são seus amigos de verdade.

Inserida por AlessandroLoBianco