Um Homeme duas Paixoes

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⁠Um dia eu terei 60 anos e ainda vou me lembra de como foi me derreter de amor por você da primeira vez com 20 e poucos anos…

Inserida por Hollywood

MEMORIAS DE UM FANTASMA

Foi como desligar uma televisão, apagar uma lâmpada,desconectar algum aparelho. Então quando eu abri os olhos, ainda ecoavam as palavras, alguém sussurrava alguma coisa, muitos falavam ao mesmo tempo; todos penalizados. No entanto, então diante de mim uma paisagem esplêndida de um rio caudaloso, uma brisa silenciosa numa tarde tranquila. Depois vieram as lembranças daquele sorriso que embalou toda a minha existência; a minha infância, a adolescência, a igreja enfeitada, todos os parentes e entes queridos; todos os votos de felicidade até o capotamento na estrada: foi a desconexão. Porém diante de mim todo aquele relevo, o rio, toda aquela luz silenciosa e tranquila quebrada apenas pelos passos e os risos de Bem-te-vi que corria ao encalço de uma linda borboleta azul; ele me contou que Denise nada sofrera, Catarina nasceria saudável; foi só um susto. No crepúsculo seguinte fui ao outro lado do rio, era um lugar sombrio e havia um elo com o material; alguém acompanhava sempre alguém como se não entendesse o que se passara. Denise estivera no médico e pude entender que em alguns dias nasceria Catarina; eu podia ver, era uma imagem embaçada, mas eu percebia tudo, tentei me comunicar, mas não era ouvido nem percebido por ninguém. Fiquei por algum tempo ali, até que Bem-te-vi surgiu na minha frente e me conduziu de volta ao relevo. Os dias que se seguiram foram de uma ansiedade impar pelo possível nascimento de Catarina; dia 27 de setembro era o aniversário de Denise e provavelmente fosse programado para que nesse dia acontecesse o nascimento, o que aconteceria no próximo sábado . Bem-te-vi com sua roupa amarela fazia umas piruetas numa brincadeira ingênua com os insetos e os pássaros, entre as árvores do vale, sua imagem me faz lembrar de mim mesmo na minha adolescência, com a diferença que ele pode flutuar. Além de bem-te-vi, tinha outros, todos com aparência de adolescentes e roupas, provavelmente de cetim, de tonalidades claras e que também atendiam pelo nome de pássaros: campina, pintassilgo, curió, cardeal; cada um desses guardava alguém. O rio representava a vida; os seus dois lados; Bem-te-vi já tinha me dito isso, mas não me respondeu onde desembocava aquele rio.

Era o aniversário de Denise e Deus lhe presenteou com uma menininha que mamava com a volúpia de quem tinha muitos anos pela frente, tinha os cabelos negríssimos como os do pai e recebera o nome de Roberta, e não mais catarina, em homenagem a mim. Denise tinha os olhos brilhantes de felicidade e por alguns momentos acho que ela percebeu a minha presença; alguém lhe deu as flores que eu lhe daria, era um amigo do cartório onde trabalhavam; acho que Denise merecia ser feliz, afinal, a Vida continua.

Nunca mais me foi permitido atravessar o rio, mas sei que Denise frequenta uma igreja e Roberta já é uma mocinha; Bem-te-vi soube através de um tal de Serafim. Estamos agora numa parte bem alta da montanha; dia desses Bem-te-vi me empurrou lá de cima, foi maravilhoso... eu ainda não sabia, mas assim descobri que podia flutuar...

Inserida por tadeumemoria

O que não for verdade vai a lua...
verdade cabe num cubículo
mas a mentira é um monstro infinito...

Inserida por tadeumemoria

Eu sempre quis de ti o que era fugidia

O que era fugaz, o que era quase ou por um triz
A loucura da procura, a aventura da caça;
Eu sou um predador...
O difícil de querer me seduzia,
Mas quando eu via e pegava,
Desacelerava, morria o interesse da caçada;
O prazer se reduzia a quase nada...
Acho que amo os desencantos
Eu não queria ser assim...

Se algum dia eu sonhar com algo que não for poesia,
Se algum dia os desencantos não me encantarem,
Talvez eu esteja preso
Entre tuas pernas e os teus braços
No abraço do poema do prazer,

Como se a vida fosse alguns gemidos de paixão ou de amor
Mas a vida é uma selva e eu sou um predador

Inserida por tadeumemoria

O que se perder pelo caminho

Sem o consolo de um carinho

E as lembranças dos dias de glória,

A parte mais triste do que fomos,

A quantia mais ínfima do que somamos

Subtraída de nossas memorias

Ah, o amor cobra à juros todo zelo,

Eu velo todo silencio de amar

Sou feliz nesse vazio e oco no seu sonhar

Inserida por tadeumemoria

Vou escrever um conto; ando sem inspiração, mas tenho o mar e todos os seus mistérios; toda essa coisa grandiosa e o que inventam; as sereias, os tesouros, as ilhas misteriosas, os mundos perdidos... Vou escrever um conto... eu invento um amor; uma grande paixão... algo digno de Shakespeare; alguém que renunciou a não sei o que e se entregou de corpo e alma e me espera não sei onde... vou falar desse amor, olharemos o arco-íris e a neblina primaveril acinzentando a lagoa e o corcovado. toda a melancolia dos anos dourados que repousa no passado, mas nos incomoda como uma farpa entre a unha e a carne. Vou escrever um conto... eu invento um álien meio ianque, meio soteropolitano, dançando despido na calçada de Copacabana; lembrando o hit do Caetano, ''sem lenço sem documento"; dançando um axé, um xaxado, um samba-rock... qualquer coisa entre a preguiça baiana e a esquisitice americana. Vou escrever um conto sobre amores inesquecíveis, paixões impossíveis; gente que se jogou da ponte, se revolve nas águas e seus espíritos perambulam nas praias em noites de lua cheia... quem pode entender o amor? Vou escrever um conto sobre o que não conto pra ninguém, esse pavor, esse momento delicado, que expande o pânico com o terror de chacinas e ameaça eminente que nos torna refém de milícias e nos tortura com funk de apologia à droga, à prostituição e à violência. Toda essa violência propriamente dita e a violência estarrecedora da corrupção que nos venda à qualquer possibilidade de uma luz no fim desse túnel.

Inserida por tadeumemoria

Diante de situações absurdas até as guerras têm um certo sentido...

Inserida por tadeumemoria

Imagina uma chuva, uma chuva torrencial... voce está com um guarda chuva, procura uma marquise pra se abrigar, mas não tem jeito, respinga em voce...
isso é a política, por bom que voce seja a corrupção respinga...
no brasil tá se transformando num dilúvio

Inserida por tadeumemoria

Sou um anjo que se apaixonou e virou poeta...

Inserida por tadeumemoria

Sou um anjo que se apaixonou e virou poeta...
ou poeta que se sentiu amado e virou anjo...

Inserida por tadeumemoria

Sozinho sou mais de cento e um...

Inserida por tadeumemoria

DOLCE AMORE MIO
Um dia eu apareço no teu sonho
E te mostro o tamanho do meu coração,
Um dia eu te mostro
Como a minha paixão é densa...
Pensa numa coisa imensa sobre outra coisa
E entra e sai...
E entra e sai e coisa numa coisa intensa
Compensa qualquer sacrifício
Esse é o meu ofício,
É um vício, é ócio, são ossos do ofício...
Um dia eu apareço e te mostro
Um dia eu te mostro o mastro da minha paixão,
Navio a cortar vagas,
A vagar no cio desse teu desejo,
Um dia eu apareço...
Um dia eu apareço, dolce amore mio...

Inserida por tadeumemoria

Um centímetro separa a felicidade da felicidade; um olhar separa o amor do ódio, uma bala pode abalar muita gente e aliviar uma nação

Inserida por tadeumemoria

Eu amo a vida e a vida é apaixonada por mim
é um caso terno de um amor eterno...

Inserida por tadeumemoria

DICAS
Sinal de graça é uma chuva torrencial banhando as plantações
É um rio alarmando a cheia, rompendo barreiras...
A lua cheia dançando no riso da donzela...
Colheita perfeita de soja, milho, arroz, frutas e feijão.

Mulher bonita casada muito contente,
Marginal alegre e criança muito quieta é mau sinal...
Mas pra tudo tem jeito, pra tudo tem jeito, pra tudo tem perdão,

A mentira as vezes nem é mentira,
A verdade pode ser muito violenta
E catastrófica é a omissão...

Perdoe qualquer contentamento,
Não seja omisso e não perca sua criança de vista;
Seja generoso às vezes, seja feliz sempre que possível
E quando não for possível, seja você mesmo...

Seja feliz sempre que possível,
Mas se não for possível, seja você mesmo,
Mas seja humilde pra pedir perdão...

O que não deixa marca às vezes é o que marca mais;
Não deixe marca nem marque tanto,
Mas fale de amor, fale do amor que você tem,
Ou não tem, mas fale de amor...
A mentira as vezes nem é mentira,
A verdade pode ser violenta, mas catastrófica é a omissão

Inserida por tadeumemoria

Uma coruja pousa numa amendoeira numa sexta feira bonita, um beija-flor corteja as rosas do jardim, as borboletas chovem abundantes além do quadrado da minha janela; em que estação estamos se só nos delimitam duas estações; inverno e verão. Então o que será de primaveras e de outonos, o que será de nós poetas nordestinos divididos ao meio em nossas emoções. A natureza provavelmente se rebela e o que percebemos é essa moldura incrivelmente primaveril propícia ao amor. Percebo que depois de invernos muitas mulheres engravidam ou é uma falsa impressão; esse negócio de safra, entre seres humanos não funciona assim; é indiscreto imaginar o que fazem os casais nas noites frias e chuvosas, e se for o que imagino, não deixa de acontecer uma espécie de safra; então me lamento:" por que deixei lenira partir." Ela andava amuada, a cara sempre fechada, resmungona e murmurando sempre alguma insatisfação; numa tarde de quinta feira, dia de finados, pegou uma trouxa e disse que visitaria os país no cemitério, sabia que era uma despedida, que andava insatisfeita com a rotina e a monotonia do cotidiano, mas por pirraça, fiquei olhando seu perfil frágil, sua barriga proeminente tornando mais franzina sua silhueta num vestido de chambre estampado, perder-se na sinuosidade da estrada carroçal em contraste com a caatinga verdejante. Deveria estar tudo bem silencioso, mas da minha mente vem um flash com tilintares de copos, bateres de panelas e o ruído de seus passos pela cozinha, ajeitando e limpando sempre alguma coisa com a dedicação que lhe é peculiar; afora isso, na realidade tudo é tão silente que me perturbo com o sacolejar das palhas do coqueiro pelo vento e o esvoejar d'algum inseto na penumbra. Então às tardes, ponho-me à janela a observar a estrada, tentando contemplar sua volta, até que tudo vai desfocando, desfocando... com o final da tarde, e os vultos que chegam parecem fantasmas dos guerreiros que partiram pela manhã. Aquele mar de rosas que imaginei com sua ausência não existe, agora percebo certo encanto num canto qualquer, onde acontecia um riso raro e tímido, um olhar mais profundo, um charme qualquer; se tudo não era um mar de rosas, percebo agora que nada nada assim no nada... ficou esse vazio, esse ranço da sua ausência, uma dorzinha; e todos os detalhes dentro dos etcéteras que envolvem uma união entre duas pessoas; isso é ser sozinho, não é solidão. A coruja tem a sua amendoeira, o beija-flor tem o seu jardim... solidão é não ter onde pousar.
Amanhã pego a bike, um cravo, meia dúzia de tangerinas, um cacho de uvas... Lenira adora uvas...

Inserida por tadeumemoria

TRAVESSIA
A primeira vez que atravessei a rua
A rua era um rio, o rio solimões...
E do outro lado do rio
Eu era outra pessoa
A pessoa que atravessara o rio...
E do outro lado do rio
Tinha outros caminhos
Com todos as seus destinos e travessias
E todos os destinos e travessias
São cheios de histórias e aventuras
Assim eu aprendi a atravessar
Meus medos e inseguranças
Que desaguam como uma correnteza
Na imensidão do mar
A vida é essa imensidão

Inserida por tadeumemoria

ESCOMBROS
De qualquer murmuro
eu faço um poema,
De qualquer silêncio
Eu faço um sussurro,
Nenhuma dúvida
Me deixa em cima do muro
E se tudo for quebrado
Nem tudo será escombros,
Carregarei sobre os ombros
O que restar do meu mundo;
Agora me escuta silenciar,
Me ver sumir,
Aquece o que eu tiver de sol
Porque nada é mais solitário do que ser sol
E a solidão é fria.
De qualquer mentira eu faço um poema
E a mentira sempre me deseja felicidade
Antes de me dar seu beijo de boa noite...

Inserida por tadeumemoria

Sad, sad, sad, sad, sad, sad, quase um anjo,
Chapa, chapada diamantina
Diamante rima com eternamente,
Meu olhar ausente, uma caverna
A guardar o sol e a dor eterna
Das luzes que na tarde
Arde a cair nos canyons;
Quase anjo, sad, sad, sad. sad, sad
Quem há de mudar o imutável
A não ser o tempo
O tempo de recolher as pedras,
De reconhecer as perdas
O tempo de colher as pedras preciosas
O tempo de descer a mina
De guardar o horizonte
Na silhueta feminina
A caçar mamutes como borboletas
Com a leveza e o romantismo de libélulas
A se espelhar no lago
Triste triste triste quase existe
A impossibilidade de poder
Buscar no tempo o olhar de ternura
No momento que por um instante de loucura
Aquele olhar me fez acreditar em anjos.

Inserida por tadeumemoria

TALVEZ
eu nem te amo tanto assim
eu nem te amo tanto
eu nem te amo
talvez só um pouquinho ao amanhecer
quando um restia de sonho me induz
e depois só um pouquinho
porque ninguém é de ferro,
também preciso de carinho
preciso precisar o que preciso
talvez nem seja amor
mas se não for o que será ao entardecer
ao te querer por perto
o que será esse deserto
a te esconder de mim
o que será esse fim do mundo
ao não ter fim este querer
talvez eu ame mais a mim que a você
talvez eu queira mais
não ser amor este te amar enfim
eu nem te amo
eu nem te amo tanto
eu nem te amo tanto assim

Inserida por tadeumemoria