Um Estranho Impar Poesia
Que Vacilo
Vacilei várias vezes
Nessa história de amar
E em quase todas as vezes
Não me arrependi por vacilar
Veja bem, não que a dor me convenha
Ou que eu ficasse feliz em me machucar
É que… apenas os tolos da dor desdenha
Quando com a mesma é incapaz de criar
Muita arte veio de um coração partido
Arte demais para poder contar
A dor disto pode ter sua parte bela
Se com ela você conseguir lidar
Eu cochilei nessa questão mais de uma vez
Mas aprendi, finalmente, depois de tanto apanhar
E eu não fujo mais, porque talvez seria estupidez
Temer algo que sei ter mais versões que a de lesionar
Então, não deixarei os vacilos me amedrontar
Por eles, encontrei a mais forte versão de mim
Até vacilei esses dias no verde de um olhar
E nossa… que vacilo, enfim...
Recomeço com uma dose de Esperança
Eu sempre tive cuidado com que eu ando
e estar nesse ambiente novo
acabou me atormentando
Me trouxe desconfiança e bastante inseguranças
mas mesmo com todos esses problemas
eu ainda tinha esperança
Esperança de que tudo podia ser diferente,
esperança de que minha vida no passado
não afetaria minha vida no presente,
esperança de eu não ter que voltar a ser como era antes
aquela pessoa fria, debochada e arrogante
CORGUINHO
O pobre corguinho que canta na serra,
Que corre, que corre, sem nunca cansar,
Pobre Corguinho, é tão pequeninho,
Mas, para mim, é “mais maior” que o mar.
Ele, para mim, é bem maior que tudo,
É grande,grande, como um coração,
É o coração feliz e bom da serra,
Da minha terra, do meu grande chão.
Pobre Corguinho, é bem maior que o mar,
Porque é bom, porque é cantor dolente,
Não ruge como o mar e não se zanga,
É humilde e pobre como a minha gente.
Corguinho bom que Deus criou na serra,
Que Deus criou cantando uma toada
Naquele dia, Deus estava alegre,
Criou o mundo e não criou mais nada
E foi dormir, contente deste mundo
Tinha criado a serra benfazeja,
Tinha criado a mata, os passarinhos,
Tinha criado a toada sertaneja.
Corguinho bom, que vai descendo a serra
Sem ambição, sem orgulho e sem nada
Tudo o que tem vai entregar ao mar
E morre feliz, cumprida a sua jornada
Quando eu encontro alguém falando grosso,
Quando um grande despreza um pequenino,
Eu me lembro do mar, que ronca e bufa,
E tudo o que ele tem deve ao corguinho...
(in “Canção pro Sol Voltar “ Editora do Escritor Ltda” )
Nada de novo na rotina humana,
as mesmas emoções, toda semana,
nem nos jornais o crime é novidade.
Por isso escrevo versos e detalho,
Batendo em ferro frio com meu malho,
O que a rotina julga insanidade.
SUSPIRO FINAL
Se sentindo inútil
Ao ponto de perder a vida
Sem ter mais sonhos
Sem ver uma saída
Desejando um grande amor
Mesmo sabendo que não chegará
Deixando ser iludido
Por aquilo que apenas me prejudicará
Sem esperanças para o amanhã
Vivendo sem brilho no olhar
Com medo de algo ruim acontecer
E não saber se tudo vai melhorar
Atravesso a rua e um carro
Acaba batendo em mim
Nos segundos finais sorrio
Meu sofrimento chegou ao fim
A vida é como uma rosa
O dia começa com o despertar do sol, é revigorante senti-lo sobre minhas pétalas. Dizem que minha beleza se exauta, em especial durante o amanhecer. As pétalas se desenvolvem e ressaltam para além do que é belo, doce e vivo.
Estou observando, à espreita, insetos pequenos conversando e rindo, parecem felizes. É tranquilizante vê-los tão vivos. No campo existem variadas espécies de flores, animais e seres.
Obsevo o céu imaginando que há algo ou alguém maior do que apenas a maneira sensitiva que interpretamos o mundo. Enquanto penso e reflito sinto dores agudas, insetos monstruosos rasgam e comem pedaços de mim, não porque sentem fome, mas porque precisam arrancar e estraçalhar a vida de alguém para viverem.
Dia após dia vou perdendo meu ser, eles veem, levam partes de mim, e se vão. Estou fraca demais para sorrir, fingir, ou sentir. Fecho os olhos e me permito sentir algo diferente à aquela sensação real e complexa. Então olho para a rosa ao lado, a que acompanhou toda minha dor e nada fez, pois também é frágil, porém forte.
Portanto, não aguentando mais a dor, pela última vez fecho os olhos e então me entrego.
Assim é a vida de uma rosa, mesmo com os espinhos ela não é capaz de se defender de tudo sozinha.
Antes de ser um inseto na vida alheia, seja a pessoa que rega e zela pela vida dos outros sempre com amor e compreensão.
Minha dor é a tua liberdade?
Longe de ti, padeço de todo tipo de efermidade emocional
Mas com isso, com isso tu consegues paz e tranquilidade.
Saudades e a consciência me arrastam para a tempestade.
Será minha dor a tua liberdade?
Acho que finalmente encontrei um jeito de me perdoar, dos erros que cometi no passado.
Esse é o primeiro passo, certo?
Se me recompor; será a minha felicidade a tua efermidade?
Funesto inapetente
Ácido que dilacera de cima a baixo Venda que cola em tecido tácito
Ser que se põem em oceano abaixo
Vermelho que se contraí em coagulação
Cores que se distorcem em coalizão
Indivíduo que se dilui em conglomeração
Dor que se refugia em omissão
Falas que se põem em provocação
Arte que se impõem a alienação
Hipocrisia que reina em desinformação
Indivíduo que aos olhos faz-se, indulta
A loucura dilacera a condulta
Dispara, perversiva, como fruta abrasiva
Quando culpa a disputa, invulga
Não fecha a calada da noite
Se abre poente para entrada ardente
Ilumina à ação remanescente
Quando se diz aos olhos ardentes
Deixe escapar sorrisos que te fazem amar! Todas às vezes, poeme-se! Permita-se ser...
Autêntica poesia.
Infinitamente, poeme-se!
Permita-se, transbordar.
( Adriana Corrêa Benedito)
Em, 15/10/2022
De onde vens, oh! nuvens da tarde?
que tristeza é essa em seu olhar?
névoa, seiva e ventos,
para aonde vai as tuas certezas?
é pouco teu sorriso,
é forte o teu cheiro,
a cerviz da vida é dura,
mas o que procuras
tão longes assim?
Aguas de repouso?
alegria do sopro
o que significa essa roupa branca
que se desfez com o vento ?
O viajante iluminado, "conversando com as nuvens".
(...) A vida é muito supervalorizada.
Olhe pra nós...
Nem mesmo conseguimos sobreviver ao amor que criamos...
Me faz perceber quão inútil é nos agarrarmos às coisas,
se sabemos que um dia elas morrerão.
É como tentar segurar uma flor com muita força após retirá-la do solo,
na ingênua tentativa de que, com isso, impeçamos a sua morte.
teu corpo não precisa
ser sempre despido
teu corpo não precisa
ser apreciado
apenas em plena nudez
tua beleza é
um diamante bruto
que é melhor lapidado
por aquele que despe tua alma
te apreciando por completo
nada é concreto
tudo é tijolo
tudo é parte
soma
paredes e pontes
que erguem-se e se desfaz
hoje somos sólidos
amanhã seremos líquidos
e logo gasosos feito pó
somos construções
em constantes demolições
emoções e razões
cimentadas em dissoluções
hoje estamos
logo, fomos
se olhar de perto
vai ver que nada é certo
que nada é absoluto
que somos seres repletos de lutos
das coisas que perdemos
e ainda não sabemos
se chegar mais perto
verá que tudo é frágil
que somos substituíveis
até das coisas que não são visíveis
e só aproveitamos a festa
quando já temos de ir
não me sinto desconfortável em estar só.
não me sinto desconfortável chegando numa festa desacompanhado, ou ir a um restaurante e pedir um café, enquanto todos a minha voltadesfrutam da presença de alguém.
não me sinto desconfortável caminhando sozinho no parque numa tarde fria de outono, me sentar num banco de praça ouna areia da praia em pleno verão.
desconfortável eu me sentiria em estar rodeado, e mesmo assim, me sentir só.
o amor arranca nossas vestes
e nos deixa nus
desmitifica nossos achismos
revira nossos tabus
é no corpo que ele nos toca e deixa marcas
cicatrizes
e digitais
é no toque que ele nos envolve
nos deixa vulneráveis
e iguais
é vento etéreo que sopra em nossos cabelos
nos desejando livres
e aceitando nossas diferenças
é cachoeira que bate em nossos corpos
livra-se dos títulos e dos status
e mesmo em sua grandeza pede licença
se faz nos versos e estrofes de um inacabado poema
sem pontuações
com muitos fins e recomeços
nos tritura em mil pedaços
em muitos restos e cacos
nos devora
dilacera
e engole por inteiro
é a explosão que nos desfaz em estilhaços
adentra pelos poros e termina na saliva
e no beijo
e quando faz doer
o que machuca no fim não nos faz morrer
ele sempre retorna das cinzas
e se refaz em calmaria
verso
canção
poesia
assistir uma mulher desabotoar suas inseguranças,
descalçar seus medos e despir suas fragilidades
é o prazer voyeurístico que mais me excita.
ASAS VITORIOSAS
Foi dada a largada
Asas pude ganhar
Decidida e preparada
Nada vai me atrapalhar
De forma silenciosa
Corro, não há tempo a perder
Quero ser vitoriosa
Vejo o que ninguém mais vê
Tantas flores para visitar
Mas sozinha não estou
Multidões ao meu lado
Correr até o fim eu vou
Obstáculos no caminho
Preciso me concentrar
O prêmio está logo ali
Com foco, vou conquistar
Tocar a linha de chegada
O prêmio vou receber
Uma alegria compartilhada
Que jamais vou esquecer.
Ivan F. Calori
...
Tão bom quanto ruim
Saber que sou tanto
Para tão pouco
Tão bom quanto ruim
Saber que meu canto
Vai me deixar rouco
Tão bom quanto ruim
Saber que seu espanto
Vai me deixar louco
Tão bom quanto ruim
Saber que meu acalanto
Embala tampouco
Tão pouco
Tão rouco
Tão louco
Tampouco
Tão poesia quão prosa
Saber que meu pranto
Regou sua rosa
Tão poesia quão prosa
Saber que seu manto
De linho airosa
Tão poesia quão prosa
Saber que, no entanto
Tem mente invejosa
Tão poesia quão prosa
Saber que, entretanto
A inveja é onerosa
Meu pranto
Seu manto
No entanto
Entretanto
nos rompimentos o digerimento quase nunca é fácil.
a dor causada ainda está entalada, as feridas ainda estão expostas.
você verá a impulsividade assumir as rédeas, palavras em tons ríspidos sendo atiradas ao vento, e bater de portas rompendo qualquer possibilidade de contato, restando apenas a amargura e ressaca moral.
o que é normal. faz parte do sentimento que ainda está machucado,
e isso só não ocorre quando a indiferença já havia assumido o seu lugar,
ou quando já se bebeu demasiado do cálice do próprio amor.
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