Um dia a Gente se Conheceu
A globalização mata a noção de solidariedade, devolve o homem à condição primitiva do cada um por si e, como se voltássemos a ser animais da selva, reduz as noções de moralidade pública e particular a um quase nada.
►Talvez
Sinto um vazio no peito
E não sei como preenchê-lo
A dor não é física, a sinto de outro jeito
Como se eu estivesse perdendo segundos de vida
Escolhas inúteis, aceitar várias mentiras
Talvez eu não devesse ter dormido tanto de dia
Ou, eu deveria ter acordado na madrugada fria
Talvez, eu gosto dessa palavra
Tão incerta, mas que,
Muitas vezes me salvou, com indiretas.
Solidão, desta não sou fã
Me deparo com ela sempre pela manhã
Sem humor, sem amor, somente dor
Às vezes entra em minha mente,
Para discutir meu valor
Se eu tiver algum.
A caneta acabará escorregando,
E nas paredes acabarei escrevendo feito um louco
Logo eu terei como melhor amigo, um corvo.
Em tempos difíceis devemos nos segurar
Em nosso espírito confiar
Mas, acho que perdi o meu brilho
Acho que irei afundar no mar do esquecimento
Esquecido até mesmo pelo tempo
E ainda não estou pronto, mas sei que sou um candidato
Sei que me tornarei um marinheiro de primeira viajem
Algum dia encontrarão minha alma boiando sobre a margem.
Minha perspectiva está tão limitada
Minha vista está iludida, desestabilizada
Por conta de opiniões, minha vida foi alterada,
Para o pior, não consigo dormir, vivo a madrugada
Como uma coruja, mas sem procurar uma presa
Minha mente se sente presa, em um calabouço sem algemas.
Um dia desejei escapar, me salvar
Hoje aceitei este meu novo lar
Em um lugar onde não ouço a campainha tocar
Um lugar onde ninguém venha a me visitar
Hoje me falta no que acreditar
Não tenho, e nunca tive,
A certeza de que essa depressão irá passar
Tento, como passatempo, me agarrar em coisas bobas
Às vezes sinto falta de certas pessoas
Mas, afinal quem não sente?
Talvez seja verdade, talvez eu seja muito carente.
Vi o sol nascer tantas vezes que me acostumei
Meus olhos se fecham às seis,
E acordam às três, preguiçoso? Talvez.
Minha coluna me pede para descansar
Meus ombros começaram a pesar
E, bem lá no fundo, se eu parar,
Conseguirei escutar meu coração chorar.
A própria palavra cristianismo já é um equívoco — no fundo só existiu um cristão, e esse morreu na cruz.
SER UM ANJO
Queria ser um anjo...Ser o anjo que vela, o
anjo que guarda, o anjo que protege...
Quebrar todas as barreiras elementares e
ser apenas ...um anjo.
Mas não é permitido a um anjo, amar
uma única pessoa, seu amor não pode
ser exclusivo, seu amor deve ser extensivo.
Não é permitido a um anjo chorar por
todas as pessoas...seu pranto é exclusivo,
suas lágrimas devem regar uma por vez,
as flores que brotam em cada alma.
Que anjo posso ser?
Que amor poderei dar?
Que olhos irão me ver?
A quem irei amar?
Queria realmente ser um anjo, ter a
bondade nas faces, a sabedoria no olhar,
saber sorrir, saber confortar...saber
entender os aflitos, saber ensinar.
Ir ao encontro de todos e, a todos amar...
Queria realmente ser um anjo...sorrir ao
ver a ventura do vencedor, se emocionar
com o desespero do perdedor.
Beijar a face daquele que suplica e
aplacar a raiva do inimigo cruel.
Por fim, queria realmente ser um anjo e
poder quebrar todas as regras celestiais,
sentir o amor único, e exclusivo, e chorar
por todos os demais.
Queria somente ser, um anjo...
que ama você...e nada mais
A palavra de que eu gosto mais é não. Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efetivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não. A fatalidade do não - ou a nossa própria fatalidade - é que não há nenhum não que não se converta em sim. Ele é absorvido e temos que viver mais um tempo com o sim.
Enquanto Deus for meu aconchego,nem um frio chegará a minha alma.
Quanto mais me aninho no colo do pai mais proteção no meu caminho!
A mente é como um paraquedas, só funciona depois de aberta.
Será que você está passando por certas situações devido à lei do retorno? Vamos fazer um exame de consciência.
AMOR DISTANTE
nao sei o que que eu faço
se paro ou dou mais um passo
eu sei estou longe dos teus abraços
mas basta eu imaginar
pra te encontrar
no meu sonho voce esta em todo o lugar
tao perto que eu posso te abraçar
Quando há um profundo desinteresse da segunda parte, qualquer esforço da primeira será patético e vergonhoso.
Um amor platônico que assusta e ao mesmo tempo é gostoso de sentir, faz pensar que estou louca, faz duvidar de tudo e desacreditar o que tenho. Braços e pernas dormentes, dor no peito, lágrimas nos olhos quando lembro dele e saber que não vou vê-lo. Tudo isso por algo que não vivi e me faz imaginar como poderia ter sido, um mundo criado em minha mente de como seria beija-lo e viver tudo que um romance permite se caso fosse real. A pior dor é aquela de um amor não vivido, apenas imaginando como poderia ter sido e não foi, sinto que vou pensar nisso por mais um tempo, mas tento direcionar essa energia para outras atividades e tento não pensar tanto nele.
Enquanto a um ateísta ele não se torna
ou abraça o ateísmo de uma hora pra outra, pois a ausência de divinidades é algo que
Vem desde o nosso nascimento.
Sendo assim voltamos a ser o que nascemos sendo...
(ATEUS)
Campanha Eleitoral (Literatura de Cordel)
Um Senador do Estado
Passou dessa pra melhor
Ou pra outra bem pior
Vou relatar o passado:
Chegando o pobre coitado
Na porta do firmamento
São Pedro disse: um momento
Tenha calma, cidadão!
Faça aqui sua opção
E assine o requerimento
Pois aqui tem governia
Tudo está no seu lugar
E você vai optar
Onde quer passar o dia
Depois com democracia
Me dará sua resposta
Fazendo a sua proposta
De ir pra o Céu ou pro Inferno
Viver de túnica, de terno...
Do jeito que você gosta!
E então o senador
Assinou a papelada
Descendo por uma escada
Entrou num elevador
E desceu com o assessor
Pra o inferno conhecer
Para depois escolher
Onde queria morar
E qual seria o lugar
Que escolheria viver
E no inferno ele viu
O campo todo gramado
Verdinho bem arrumado
Como um que tem no Brasil
Um homem grande e gentil
Disse-lhe: eu sou o Cão
Muito prazer meu irmão!
Aqui você é quem manda
E deu ordens pra que a banda
Tocasse outro baião
Encaminhou a visita
Para uma mesa repleta
Uma assessoria completa
Num alpendre em palafita
Uma assistente bonita
Cerveja, wisque e salgados.
Dinheiro pros carteados
Charutos bons e cubanos
Foi relembrando dos anos
E dos acordos fechados
Encontrou com os amigos
Dos tempos áureos de glórias
Relembrando as histórias
Que já haviam esquecidos
Wisques envelhecidos
Não paravam de chegar
Parecia um marajá
Jogando cartas e fumando
Mas já estava chegando
A hora dele voltar.
E então no elevador
Ele tornou a subir
Para então se decidir
E finalmente propor
Mas no céu o senador
Vê um cenário de paz
Com um sereno assaz
Anjinhos tocando lira
São Pedro disse confira
Escolha e não volte atrás
Era um silêncio danado
Sem wisque e sem cerveja
No máximo uma cereja
E ele já agoniado
Disse assim determinado
Já tomei minha decisão
Quero ir morar com o cão
Pois lá me sinto melhor
Não que aqui seja pior
É questão de opinião
São Pedro disse pois bem
Pode ir pro elevador
Que logo meu assessor
Fará o que lhe convém
O senador disse amém
Já pensando no sucesso
Que seria o seu regresso
Para o quinto do inferno
Lá também seria eterno
E a tudo teria acesso
E assim que ele desceu
Numa imensa alegria
Sentiu logo uma agonia
Algo estranho percebeu
Atrás desapareceu
A porta do elevador
E o pobre do senador
Só via fogo e tortura
Deu-lhe logo uma amargura
Era um cenário de horror
Nisso ia passando o cão
Deu-lhe uma chibatada
Sorrindo em gargalhada
Remexendo um caldeirão
E empurrou-lhe um ferrão
Deixando a testa ferida
E ele puto da vida
Disse: rapaz sou eu
O senador! se esqueceu?
Cadê aquela acolhida?
Eu peguei o bonde errado
Ou o cabra se atrapalhou
E para cá me mandou
Deve ter se enganado
Meu lugar é no gramado
Jogando golfe e fumando
Eu nada estou lhe cobrando
Foi você que ofereceu!!!!!!!!!!!
E o wisque? se esqueceu?
E devo está delirando
E o diabo a sorrir
Disse-lhe: seja bem vindo
E o que estás me pedindo
Eu não vou poder cumprir
Quando estivestes aqui
Naquela ocasião
Não era outra coisa não
Também não me leve a mal
Foi campanha eleitoral
E eu ganhei a eleição.
"Entre Hâna e Mâna, lá se foi minha barba..."
Significado: Um muçulmano tinha duas esposas, Hâna e Mâna, uma jovem, outra velha; a ambas demonstrava igual afeto. No entanto, por ciúmes, a velha arrancava-lhe, carinhosamente, os fios pretos da barba, e a jovem os fios brancos, até que por fim o pobre homem ficou sem barba...
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