Um Depoimento Pro meu Irmao q Amo muito
Trilho um caminho onde as dores não viram cicatrizes,
mas sim raízes para novos amores.
Aprendi a ser invisível para o que fere
e a ser morada para o que me aquece.
------ Eliana Angel Wolf
Há um impacto poético que
acontece entre o mar e a falésia,
não como violência,
mas como reencontro de velhos cúmplices.O mar desfaz-se em espuma, a falésia em ecos.
"Vitimismo Crônico" apelo emocional de um Gabarola mergulhado em suas concepções fraudada,a típica saída corrupta de interesses."
Ira é um pecado quando ela tem consequências ruins, a Paciência é uma falsa virtude porque você se engana pra achar que o seu sofrimento vai acabar sozinho só de você esperar, e assim pessoas se vingam de forma que fiquem piores que seus inimigos.
MONÓLOGOS DE UM MISERÁVEL
Capítulo II — Fragmentos
Ou matas, ou acabas apunhalado.
Neste mundo condenado, para estabelecer vínculos, é preciso estar disposto a suportar o peso esmagador do ódio. O “amigo”, essa ficção social, figura entre os principais agentes do sofrimento. Em algum momento, inevitavelmente, desprezar-te-á quando a tua utilidade atingir o seu prazo de validade.
Não por maldade deliberada, mas porque a compreensão entre os homens é uma farsa, um pacto rompido antes mesmo de ser firmado. As pessoas não se interessam pelas razões que motivam as tuas ações.
Reagem apenas à superfície dos gestos.
Fingir, ocultar, proteger... tudo é interpretado como traição.
«No Hospital Dr. Bernardinho Camanga, na cidade do Dundo, província da Lunda-Norte, um homem ocultou a verdade de outro, acreditando que poupá-lo do desespero de uma doença terminal seria um ato de compaixão. Imaginou que poderia consolá-lo ou alimentá-lo com a esperança de uma possível recuperação, embora lhe restassem apenas três dias de vida. Quando a verdade emerge — como sempre emerge —, a amizade desfaz-se, contaminada pela mágoa e pela decepção.»
A intenção, ainda que nobre, é sempre relegada ao esquecimento. O que subsiste é a acusação, a ruptura, o silêncio.
O mundo fracassa porque não há compreensão; nem entre os homens, nem entre os animais, nem sequer entre as plantas, essas testemunhas silenciosas da degradação. Um único mal-entendido basta para romper um vínculo. Um lado afunda na depressão; o outro, na decepção.
Uma amizade de anos dissolve-se num instante. Ninguém deseja ouvir explicações. Exige-se transparência absoluta, e qualquer ambiguidade é punida com desprezo. Mesmo quando se mente para proteger, colhe-se ódio. A sinceridade não redime; a intenção não absolve. Por isso, quem aspira escapar dessa prisão miserável acaba por evitar a convivência.
O homem que vive só, fala só, caminha só: esse homem, ainda que dilacerado pela dor, é o único que já não pode ser ferido.
Não possui vínculos; logo, não pode ser traído.
Já não ama; portanto, já não é odiado. Não se relaciona; por isso, não se decepciona.
Erros? Só existem porque há outros para julgá-los.
Na solidão, o homem não erra: ele apenas é.
As pessoas assemelham-se às águas de um rio: fluem, passam, desaparecem. Tornam-se ausentes mesmo quando permanecem ao lado. Estão vivas, mas como mortas; incapazes de lembrar, ouvir ou socorrer. A sua ausência torna-se mais presente do que a própria presença. À distância, são moldadas pela vontade alheia, convertendo-se em marionetes nas mãos de quem melhor as manipula.
Pessoas são instrumentos. Nada mais.
A África, entre tantos exemplos históricos, é a ferida exposta dessa verdade:
Se não dominas, serás dominado.
Se não enganas, serás enganado.
Se não exploras, serás explorado.
Se não matares, morrerás.
Eis a lógica imunda do mundo: violência, domínio, ilusão.
O sofrimento é o indício mais honesto da existência.
Ele atesta a ausência de paz, de sentido, de finalidade. Não há serenidade na alma: se é que a alma existe.
O mundo é um palco desprovido de propósito. Um deserto de significados.
Tudo aquilo que chamamos de “sentido” não passa de uma construção desesperada; uma ficção que inventamos para suportar o fardo de existir. Criamos os problemas e, em seguida, simulamos as soluções.
Mas...
qual é o sentido de nascer para morrer?
Qual é o sentido de viver para sofrer?
Qual é o sentido de esquecer para depois lembrar, e lembrar para depois se arrepender?
Qual é o sentido?
Não há. Apenas fragmentos.
MONÓLOGOS DE UM MISERÁVEL
Epílogo
Ponderei, afinal, que a vida é um cemitério; e nós vivemos num enterro.
O ser humano não busca perdão, busca afirmação.
Não deseja habitar o céu; ambiciona possuí-lo.
Enquanto monologava, percebi que o diabo habita a terra, e o interior dos próprios homens. Não há outra via de salvar a espécie senão extingui-la; enquanto formos incapazes de preservar a paz, a harmonia e a ordem, a nossa existência não passará de um erro de cálculo da natureza.
Cada ser é o monstro de si mesmo; ainda assim, todos se apressam a julgar os erros alheios, como se isso aliviasse o fato de que somos, todos, contagiosos: a maldade humana é uma patologia infecciosa, e nós a disseminamos pelo mundo.
Talvez seja egocentrismo de minha parte; talvez porque não conheça a intimidade da sociedade — o que, por si só, já seria uma desonra —; ou talvez porque já não consiga reconhecer a humanidade em nós. Sinto que a essência do ser humano reside na retórica, não na verdade; na força, não no diálogo; no caos, não na ordem.
Aliás, o verdadeiro assassino silencia; os peões fazem ruído.
E cada um de nós ou é o assassino por trás de tudo isto, ou é o peão: a ponte que permite a sua consumação. Ao fim, não passamos de mais uma lógica impura que a natureza não consegue corrigir.
Não encontrei com quem dialogar. Então, afastado da asfixia social, isolei-me — e passei a monologar.
E, no meio de todo esse tédio, algo me disse:
Vocês são a falha da criação. Não há perdão. Restará apenas a memória após a extinção.
Por trás de um homem feliz há sempre uma grande guerreira que simplesmente se recusa a aceitar qualquer situação que não seja a felicidade.
MONÓLOGOS DE UM MISERÁVEL
Capítulo III: Perguntem à Sociedade
A sociedade grita; os facínoras respondem.
Por mais que o homem finja lutar pela paz, pela justiça, por uma ordem mundial: o caos persiste. Não é intermitente. É contínuo. Não se trata de um acidente: é o alimento da espécie.
O ser humano fortalece-se na destruição do outro.
Nutre-se do sofrimento alheio, expande-se na dor do semelhante e só se percebe vivo quando rebaixa outro ser humano.
As guerras são inevitáveis: civis, mundiais, familiares, mentais. Sempre haverá guerra.
A desigualdade não é uma falha do sistema: é o seu motor.
Não há projeto de sociedade justa, porque não há desejo genuíno de justiça, apenas ambição disfarçada.
O humanismo é uma bela mentira.
Uma ideia que pressupõe que o ser humano é capaz de humanidade. Não é.
Ele deseja poder. Fala de amor, mas anseia dominar. Prega igualdade, mas, em silêncio, aspira à superioridade. Reclama liberdade, mas apenas a sua. E a dos outros? O humanismo fracassou porque jamais teve fundamento real. Hoje, não passa de um ornamento filosófico destinado a encobrir o egoísmo coletivo.
Um governo busca subjugar outro.
Um “amigo” tenta controlar o outro.
Um marido trai. Uma esposa engana.
Uma criança assiste à morte de alguém amado e, desde cedo, aprende que o mundo é um matadouro de afetos.
Um motorista provoca um acidente. A polícia ignora.
Onde está o humanismo aqui? Onde reside o amor ao próximo?
A misantropia não é escolha. É consequência.
É a única resposta lúcida diante da decomposição social. É o reconhecimento de que a crueldade humana é natural, inevitável — funcional à própria engrenagem da civilização. E os deuses do nosso tempo — potências econômicas, impérios tecnológicos, elites globais já delineiam o futuro com frieza clínica: selecionarão os “tipos humanos” que lhes são úteis e eliminarão, sem hesitação, os excedentes, os descartáveis.
A matança será limpa. Administrativa. Legal.
A hipocrisia, outrora vício, tornou-se virtude social. Confunde-se, inclusive, com inteligência. O mundo não se importa com o que você é: apenas com o que possui, com o que produz, com o que pode oferecer.
O ser humano é, por natureza, invejoso, ciumento, malicioso.
Se necessário, sacrificará o vizinho, o colega, o irmão ou o amigo para preservar os seus. Mas “os seus” são sempre os mais fortes: os filhos dos chefes, os aliados dos líderes, os protegidos dos impérios.
E os outros?
Camponeses, serventes, pedreiros, pescadores; mártires anônimos.
Esquecidos. Sepultados com honras simbólicas e desprezo real. Seus filhos perpetuarão a condição de servidão no mesmo sistema que os consumiu.
Eis a sociedade. Eis a civilização.
Um vasto teatro imundo, onde o “social” não passa de máscara e o “humano”, de pretexto.
O verdadeiro homem nobre é aquele que renuncia.
Que se afasta dos vícios do convívio.
Que prefere a solidão à farsa da amizade.
A amizade, como toda relação humana, funda-se no interesse. É uma barganha travestida de afeto. Quem oferece amizade, em alguma medida, pretende adquirir algo.
E a confiança?
Nicolau Maquiavel já disse o suficiente:
“A confiança é a ponte mais curta para a traição.”
Ser social é ser predador;
Ser social é ser oportunista;
Ser social é ser imoral;
Por isso, sou misantropo.
Por isso, adoto o anti-humanismo. Eis a minha identidade. O meu estado natural.
A convivência humana é uma farsa sustentada por egos famintos: uma comédia grotesca de vaidades e disputas vazias.
A sociedade cultiva a mediocridade, pune o pensamento profundo e sufoca qualquer impulso de interioridade.
Se existe alguma forma de redenção — e disso duvido — ela reside no afastamento da massa, na solidão deliberada, na renúncia ao convívio.
MONÓLOGOS DE UM MISERÁVEL
Cap. IV: Como São Chamados: Monstro ou Deus?
Todo ser humano carrega um monstro dentro de si.
Um monstro invisível aos olhos alheios, mas dolorosamente perceptível às emoções de quem o abriga. Nenhum instrumento é capaz de detectá-lo. Ele habita os recantos mais obscuros da alma, nutrindo os desejos mais vis e orientando as ações mais destrutivas.
Chamam-no de “deus”, mas esse deus não cria mundos, não concede vida, não oferece consolo. Apenas consome. Apenas destrói. Reina soberano sobre o caos interior de cada indivíduo.
Esse monstro manifesta-se por meio de conflitos, ódios, exclusões, cobiças, luxúrias, ciúmes, invejas e desprezos.
Não pede licença. Impõe-se.
E, em troca, oferece algo: a promessa de auxiliar-nos na realização de nossas ambições desde que entreguemos a consciência em sacrifício.
A inveja, por exemplo, não se limita a corroer; ela propõe um pacto. Sugere o caminho mais curto para a ruína daquele que mais se destaca.
A “deusa inveja” apodera-se do coração humano e o converte em predador.
Nada permanece fora de alcance: matar, trair, manipular, sacrificar os próprios aliados; tudo em nome da autopreservação, tudo em nome de si mesmo.
O ser humano criou deuses, fetiches, sistemas de crença, na tentativa de dominar a si próprio — e fracassou.
Agora, essas entidades imaginárias conduzem a sua ruína.
Todos querem parecer heróis. Todos querem ser vistos.
Mas ninguém admite agir movido pela vaidade. O elogio é uma droga que inflama o ego; a vergonha, uma coleira que aprisiona a vontade. Ambos são grilhões.
No início, todos tentam resistir ao monstro que os habita. Logo, porém, percebem que esse monstro constitui a própria essência. E rendem-se. A emoção prevalece. A razão cede. Resta, então, a obstinação cega — destrutiva.
Não se deve mudar ninguém. Cada ser escolhe o que é: ou o que merece ser.
Assim, o monstro nasce da escolha livre daquilo que se decide ser.
O ser humano é um resíduo. Uma aberração ambulante. A sua existência é uma sentença: uma enfermidade. E, por isso, está condenado ao sofrimento. Nada o salvará: nenhum deus, nenhum amor, nenhuma sociedade.
O mesmo miserável que se viu ameaçado pelos seus semelhantes criou a polícia para se proteger. E a polícia — essa encarnação da lei — tornou-se, hoje, um dos seus mais cruéis inimigos. Finge proteger enquanto reprime. Finge servir enquanto saqueia.
O mesmo desgraçado elegeu um governo para guiá-lo e protegê-lo. E agora rasteja sob o peso daquilo que criou. O poder que ergueu o esmaga. O monstro que alimentou o devora.
E agora ele vive...
Reclamando;
Mendigando dignidade;
Carregando uma existência miserável, hostil e inútil.
O ser humano é incapaz de aprender com o próprio erro.
Repete, repete e repete — como um tolo fascinado pelo próprio fim, governado pelos monstros (ou deuses) que ele mesmo engendrou.
Qual o propósito de quem é atípico a um código que parece incompleto perante sua perspectiva de realidade? O trabalho do bem é invisível em uma sociedade egoísta?
Glóbulos brancos se sentiriam deslocados em suas funções, caso se comparassem com a maioria de glóbulos vermelhos e suas funções de existir.
Hora caveira viva, hora caveira morta.
Somos seres mais inconscientes que conscientes. E para onde o consciente direciona, o corpo as vezes padece.
Ações ecoam no mundo, existir é resistir. O propósito é o bem comum. Quem tem espírito de líder nasceu pra guiar, mas a realidade é que a sociedade explora isso, não reconhece e lambe botas do chefe padrão, que parece normal e respeita hierarquias abusivas para segurar a imagem.
O que te move? O que silenciamos e qual o custo?
As vezes deixamos nossos guias para trás por influência e alienação da matéria, e o vazio que elas causam.
Não existe cópia do que é original.
O peso de ser original é não ter manual do que sentir e muitas tentativas de silenciamento de quem se silenciou.
O ser humano consegue criar tecnologia para que um avião abasteça
outro avião em pleno ar.
Mas ainda não aprendeu
a abastecer sentimentos
entre si.
"Argumentar ignorância diante de um erro já revelado não é uma proteção, é uma prisão. É escolher a máscara social em vez da essência."
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