Túmulo
Não deixe nada para depois. Não leve para o túmulo palavras, sonhos ou sentimentos que você ainda pode viver hoje.
A ignorância acompanha a todos até o túmulo, mas o sábio escolhe desvencilhar-se dela enquanto vive.
" O Espiritismo matou a morte. Nele é comprovado que o túmulo da morte é a vida e vida inevitável. "
"A verdade de Jesus é a única que o tempo não apaga e a morte não silencia: o túmulo vazio não é um mistério, é a prova de que Ele venceu o que ninguém mais venceu para nos dar a vida que o mundo não pode oferecer."
O esquecimento é o túmulo mais profundo; não preciso de pá ou terra para sepultar alguém vivo, basta que eu não o reconheça no meu silêncio.
A democracia, maravilha que não tem nada a oferecer, é, ao mesmo tempo, o paraíso e o túmulo de um povo. A vida só tem sentido graças à democracia, mas a democracia carece de vida.
A cruz pagou o preço. O túmulo confirmou a morte. A ressurreição proclamou a vitória. O terceiro dia mudou absolutamente tudo.
Na França, no tumulo de Allan Kardec, diz aqui jaz os restos mortais de Hippolyte Léon Denizard Rivail, o codificador da ciência espirita. Em Jerusalém, em Roma e em nenhum lugar do planeta, consta nenhuma lapide sobre os restos mortais de Jesus de Nazaré, pois ele venceu a morte e ressuscitou, está em luz, amor e verdade entre nos, por todos os tempos.
As pessoas quando morrem são enterradas em um túmulo mórbido, frio e mudo, mas por todo tempo estiveram enganadas! Já estavam sepultadas nos corações dos ímpios vivos.
191122II
O silêncio é o útero onde as melhores palavras são gestadas, mas é também o túmulo onde enterramos as coisas que nunca tivemos coragem de dizer. Eu vivo nesse intervalo entre o nascimento e o enterro, tentando parir frases que sobrevivam à minha própria morte.
A lagarta acreditava que o casulo era o seu túmulo. Debatia-se contra as paredes estreitas, lamentando a perda da liberdade. O que ela não sabia era que algumas prisões não existem para nos limitar, mas para nos ensinar a voar sem medo da altura.
- Tiago Scheimann
“UMA FLOR GELADA SOBRE O MEU TÚMULO”
Não me tragas rosas incendiadas pelo entusiasmo efêmero dos homens.
Deposita apenas uma flor gelada sobre o meu túmulo.
Uma flor silenciosa.
Pálida como os corredores da memória.
Imóvel como os sinos abandonados das catedrais esquecidas pelo tempo.
Certas almas não morrem de uma vez.
Vão tornando-se inverno lentamente.
Primeiro calam os sonhos.
Depois os afetos tornam-se semelhantes a retratos cobertos por poeira.
Por fim, o coração aprende a respirar na penumbra, como uma criatura antiga escondida sob as ruínas da própria esperança.
Quero uma flor fria porque o mundo aqueceu demais as próprias máscaras.
Os homens sorriem com os dentes enquanto apodrecem moralmente por dentro.
Abraçam apenas por conveniência.
Pronunciam virtudes como atores fatigados diante de um teatro decadente.
E aquele que observa demais termina condenado à solidão das inteligências melancólicas.
Sobre meu túmulo não coloquem discursos.
Nem orações repetidas sem sentimento.
Nem lágrimas produzidas pelo remorso tardio.
Apenas uma flor gelada.
Talvez um lírio branco tocado pela geada da madrugada.
Talvez uma camélia cinzenta semelhante às lembranças que nunca conseguiram morrer completamente.
Porque existem tristezas que ultrapassam a matéria.
Dores que não pertencem ao corpo, mas ao espírito cansado de atravessar séculos humanos repletos das mesmas misérias morais.
O homem evoluiu as máquinas, porém continua primitivo nas emoções.
Construiu cidades luminosas, enquanto conserva abismos dentro de si.
E quando a noite cair sobre minha sepultura, talvez o vento compreenda aquilo que ninguém compreendeu em vida.
Que certas almas não desejavam aplausos.
Desejavam apenas autenticidade.
Um único afeto sem artifícios.
Um único olhar sem mentira.
Um único amor capaz de sobreviver ao frio metafísico deste mundo.
Então deixai sobre mim a flor gelada.
Ela será mais sincera do que quase toda a humanidade.
