Trovas de Amor

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⁠"MAIS UMA VEZ"

Parece que ficou, ela, encantada
com a aparência bela do rapaz
que nem lembrou dos erros lá de trás,
no outrora em que já esteve enamorada!

Passou por um romance forte, audaz,
que, a alma, lhe deixou, de dor, marcada
e, agora, está, de novo, apatetada
que nem lembrou-se do sofrer mordaz.

O amor é mesmo assim: nos alucina,
nos entorpece e, enfim, nos arruína
de forma a nos moldar na insensatez…

E, uma vez mais, nos faz agir estranho,
num caos de insanidade, tal, tamanho
que erramos, todos nós, mais uma vez!

⁠"QUERO PAZ"

Não vem com lero-lero, patacoada,
com fita, nhe-nhe-nhem, com choradeira
que eu, hoje, não estou pra brincadeira
e sem paciência pra prosa fiada!

A calma já se foi pela ladeira
e não vou atender a tua chamada
se vais continuar co'a palhaçada
e despejar-me a trama costumeira.

Acorda! Vire o disco! Mude a faixa
que essa canção ruim já não se encaixa
com todo o resto desta ladainha…

Esqueça a patacoada, o lero-lero,
a reza, o terço, a missa junto ao clero
que eu hoje quero paz nessa alma minha!

⁠" AVULTA "

Eu fico aqui sentado, sem maldade
observando, apenas, a intenção
daqueles que só vivem da ilusão
de que, pra amar, também se tem idade!

O amor olha, de cara, a pretensão
de quem se veste só da mocidade
achando que ela dura a eternidade
e, então, isso lhes basta ao coração.

Há três amores que nos vem (ou mais):
aquele que é da infância, os joviais
e o que chega depois, na vida adulta…

Pra amar não tem idade, tempo certo…
O amor se nos expõe, de peito aberto,
à força da paixão que, em nós, se avulta!

⁠" MANSAS ÁGUAS "

Navego as águas mansas desta vida
levado pela barca da emoção
e encanta-me, bem junto ao coração,
o sol se pondo à luz de sua partida!

Chegando ao fim vou eu, na embarcação,
sabendo logo ser-me a despedida
como este sol que parte em luz remida
dizendo adeus ao céu de sua paixão.

São poucos os que estão comigo ao barco…
No paz que trago, a todos, eu abarco
com gratidão por tudo me ofertado…

Nas mansas águas desta vida minha
lembrança tua, junto a mim, se aninha
nesse infinito amor já consumado!

⁠" ME LIGA "

Me liga, às vezes, longe, do passado,
em meio à madrugada, uma saudade,
distante, vinda lá de outra cidade,
de algum lugar, de um lance recordado!

Me fala com ternura e com bondade
num papo extenso, longo, demorado
qual se estivesse, mesmo, do meu lado
sentindo-se, feliz, bem à vontade.

E como fala… Horas! Sem ter pressa…
Não vejo como e nada que lhe impeça
de me ligar em meio à qualquer hora…

Então, desta conversa, amiga, boa,
um sentimento agudo me ressoa
que, o tempo, em nada ajuda nem melhora!

⁠" TAL COMO "

Pra ser, se era, romance, uma aventura,
instantes de loucura e de paixão
ou se era mesmo a voz do coração
a me indicar caminhos de ventura,

não saberei dizer na exatidão
nem dar real valor ao que era jura,
se promoveu-me o mal ou deu-me a cura,
se foi real história ou ilusão!...

Só me entreguei por força do momento
sem questionar qual era o sentimento
pro trás do instinto puro e verdadeiro…

O olhar quebrou-me, assim, de tal maneira
que promoveu, ali, real cegueira
tal como foi no meu amor primeiro!

⁠" ESQUEÇA "

Passou, jogou-me o olhar feito em malícia
acompanhado de um sorriso ao rosto
e ali se fez o curso, então, proposto
de que, lhe ter, seria uma delícia!

Vontade de provar-lhe a carne, o gosto,
mas isso se faria uma estultícia..
Teria, ao fim, história é pra polícia
e assunto, de luxúrias mil, composto.

Sorri de volta, a lhe guardar segredo
de qual seria o rumo desse enredo
que já não tinha nem pé nem cabeça…

Não sou mercadoria de vitrine
e antes que isso, em vendaval, culmine
melhor deixar prá lá. É fato. Esqueça!

⁠" INSPIRAÇÃO "

Não parta, inspiração! Fica comigo…
Não sei viver sem ter a tua presença
a me exalar a luz, o tom, a crença,
a força, o amor, a paz de um ombro amigo!

Preciso-te, ao cumprir minha sentença
de poeta ser na, estrada em que fatigo…
A mim, pois, não imputes tal castigo
de abandonar-me em tal tristeza imensa.

Abraça-me por réu junto ao teu peito
em que, de tua poesia, me deleito
ao te sugar os seios de mulher…

Comigo, fica aqui, inspiração!...
Não quebres, num adeus, meu coração
que sempre quis de ti (e ainda eu quero)!

⁠" FINGES "

Só finges que não notas! Na verdade
o teu olhar não perde nenhum lance
e, mesmo quando eu olho de relance
me flagras na maior cumplicidade!

Percebes a intenção nesse romance
e a tratas como singularidade;
um vício herdado lá da mocidade
que ainda se mantém ao meu alcance.

E te divertes com o que flagrado
à espera de colher do resultado
já visto que ficou tudo evidente…

Me flagras! Tu só finges que não notas…
Percebo na postura, então, que adotas
que o meu olhar te deixa bem contente!

⁠" DESIGUAL "

O desigual, às vezes, favorece
e, o que fora de prumo, dá sentido
ao belo, ali contido e adormecido,
que, sob o nosso olhar, então, floresce!

A estética diria haver despido
o que a beleza, aos olhos, enaltece
e não se sabe como isso acontece,
mas fato é que há o perfeito no descrido.

As diferenças não são mais notadas
e, as formas desiguais, lá, desprezadas
porque o conjunto todo, ao fim, agrada…

E, o que era pra ser feio, fica lindo
enquanto essa beleza vai remindo
ao que tocado foi por mãos de fada!

⁠" PROPOSTA "

Deixei-te sem palavras, sem resposta,
sem dúvidas que, até, desconcertada,
surpresa, constrangida, apavorada
quando eu te perguntei se estás disposta!

Assim, de bate-pronto, na jogada,
o susto ajuda na questão suposta
deixando tu’alma totalmente exposta
sem ter qualquer suspeita arquitetada.

Então, fala mais alto a carne em jogo
do que a razão, ao ponderar o rogo,
abrindo, ao fim, caminho pra paixão…

E, sem palavras, sem resposta pronta,
ponderas que a proposta não te afronta
e acabas, pois, na palma, aqui, da mão!

Brincando de poetar para aliviar um pouco as tensões de nosso dia a dia,
e deixando de lado certas tentações, podemos mesmo alegrar um pouco a alma...
Ósculos e amplexos,
Marcial

BRINCANDO COM TROVAS PARA DISTRAIR A ALMA
Marcial Salaverry

Para um poeta poetar,
basta sua alma estimular,
e para o mote aceitar,
vou ter que de amor falar...

Falar de amor é sonhar,
é poder para a amada
muitas flores ofertar,
e deixá-la apaixonada.

Dedicar-lhe algumas rimas...
Que mulher não vai gostar,
só de saber que inspira
alguém de amor poetar...

O amor pode ser um sonho,
que deixa qualquer um risonho...
Então, simplesmente diz,
o amor, não lhe deixa feliz?

É bem bom amar o amor
se no peito não há dor,
padecer, ou sentimento
de saudade ou de rancor

Amar por gostar de amar,
sem medo, sem cuidado,
falar a quem está ao lado
esperando o prazer chegar...

Amar sentindo-se ativo,
gosto extraordinário
no simples viver diário...
Amar sentindo-se vivo...

Um abraço, será ainda
uma linda prova de amor,
traz uma alegria infinda,
para o coração, traz calor.

Estas trovas vão trazendo
algo de bom, de gostoso,
e sendo assim vão fazendo
algo real e delicioso.

Falando assim de amor,
de uma paixão recolhida,
despertando um calor,
uma coisa bem escondida.

Que estará a inspirar?
Coisa estranha, misteriosa,
que um poema faz pensar,
tornando a vida saborosa.

Há quem busque com calor,
mesmo que seja virtual,
viver um pouco de amor,
e é o que deseja afinal

Feliz em poder ser feliz,
ao lado de quem se ama,
pois é muito infeliz,
quem não tem do amor a chama.

Essa busca pela rima,
sempre é uma emoção...
Isso nossa alma anima,
e estimula a criação.

Bem assim é a amizade quando é verdadeira, brincando de trovar, talvez até fazendo besteira,
mas podemos assim aliviar a alma, no desejo de fazer de cada dia, UM LINDO E ALEGRE DIA...

Inserida por Marcial1Salaverry

Não sei se é trova ou esculacho,
escritos que risos provocam,
assim em pencas, bananas no cacho
daqueles que engraçados se arvoram

No planeta está faltando respeito,
de tudo desejam fazer gracejos,
chegam devagar e mesmo sem jeito
concedem-se direitos, mas vão para o brejo

Mesmo que seja por brincadeira,
não se deve a poesia esculachar,
é uma arte linda e alvissareira
que só os poetas sabem captar

Inserida por neusamarilda

Dentre tantas derrotas, você foi a qual eu mais sofri. Pois a perdi, sem ao menos lutar, sem ao menos tentar, e tudo simplesmente por não crer, não acreditar, te merecer.

AS FACES DO AMOR

O Dever sem AMOR AVALIATIVO te faz mal humorado...
A Responsabilidade sem AMOR LÚCIDO te faz imprudente...
A Ciência se AMOR RERFLETIDO te faz arrogante...
A Gentileza sem AMOR OBJETIVO te faz hipócrita...
A Honra sem AMOR PONDERADO te faz cruel...
A Justiça sem AMOR REALISTA te faz duro...
A Ordem sem AMOR SIMPLES te faz complicado...
A Riqueza sem AMOR JUSTO te faz avarento...
A Fé sem AMOR INTERROGANTE te faz fanático...
A Vida sem AMOR AUTÊNTICO é vazia e sem sentido...
Mas a vida vivida em AMOR A DEUS é permanente fonte de harmonia,
Criatividade, Paz Alegria e Felicidade...

Não fomos feitos para a solidão. Se você está sofrendo por amor, ou está com a pessoa errada ou amando de uma forma ruim para você. Caso tenha se separado, curta a dor, mas se abra para outro amor.

O QUE SINTO POR VOCÊ

Nosso amor é um sentimento
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

São dois galhos
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;

São nossas vozes de amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

RONDÓ DE MULHER SÓ

Estou só, quer dizer, tenho ódio ao amor que terei pelo desconhecido que está a caminho, um homem cujo rosto e cuja voz desconheço.

Sempre estive duramente acorrentada a essa fatalidade, amor. Muito antes que o homem surja em nossa vida, sentimos fisicamente que somos servas de uma doação infinita de corpo e alma.

O homem é apenas o copo que recebe o nosso veneno, o nosso conteúdo de amor. Não é por isso que o homem me atemoriza, quando aqui estou outra vez, só, em meu quarto: o que me arrepia de temor é este amor invisível e brutal como um príncipe.

Quando se fala em mulher livre, estremeço. Livre como o bêbado que repete o mesmo caminho de sua fulgurante agonia.

A uma mulher não se pergunta: que farás agora da tua liberdade? A nossa interrogação é uma só e muito mais perturbadora: que farei agora do meu amor? Que farei deste amor informe como a nuvem e pesado como a pedra? Que farei deste amor que me esvazia e vai remoendo a cor e o sentido das coisas como um ácido? É terrível o horror de amar sem amor como as feras enjauladas.

É quando o homem desaparece de minha vida que sinto a selvageria do amor feminino. Somos todas selvagens: são inúteis as fantasias que vestimos para o grande baile. Selvagem era a romana que ficava em casa e tecia; selvagens eram as mulheres do harém, as mais depravadas e as mais pudicas; selvagem, furiosamente selvagem, foi a mulher na sombra da Idade Média, na sua mordaça de castidade; mesmo as santas - e Santa Teresa de Ávila foi a mais feminina de todas - fizeram da pureza e do amor divino um ato de ferocidade, como a pantera que salta inocente sobre a gazela. E selvagem sou eu sob a aparência sadia do biquíni, olhando a mecânica erótica de olhos abertos, instruída e elucidada. Pois não é na voluntariedade do sexo que está a selvageria da mulher, mas em nosso amor profundo e incontrolável como loucura. O sexo é simples: é a certeza de que existe um ponto de partida. Mas o amor é complicado: a incerteza sobre um ponto de chegada.

Aqui estou, só no meu quarto, sem amor, como um espelho que aguarda o retorno da imagem humana. O resto em torno é incompreensível. O homem sem rosto, sem voz, sem pensamento, está a caminho. Estou colocada nesse caminho como uma armadilha infalível. Só que a presa não é ele - o homem que se aproxima - mas sou eu mesma, o meu amor, a minha alma. Sou eu mesma, a mulher, a vítima das minhas armadilhas. Sou sempre eu mesma que me aprisiono quando me faço a mulher que espera um homem, o homem. Caímos sempre em nossas armadilhas. Até as prostitutas falham nos seus propósitos, incapazes de impedir que o comércio se deixe corromper pelo amor. Quantas mulheres traçaram seus esquemas com fria e bela isenção e acabaram penando de amor pelo velhote que esperavam depenar. Somos irremediavelmente líquidas e tomamos as formas das vasilhas que nos contêm. O pior agora é que o vaso está a caminho e não sei se é taça de cristal, cântaro clássico, xícara singela, canecão de cerveja. Qualquer que seja a sua forma, depois de algum tempo serei derramada no chão. Os vasos têm muitas formas e andam todos eles à procura de uma bebida lendária.

Li num autor (um pouco menos idiota do que os outros, quando falam sobre nós) que o drama da mulher é ter de adaptar-se às teorias que os homens criam sobre ela. Certo. Quando a mulher neurótica por todos os poros acaba no divã do analista, aconteceu simplesmente o seguinte: ela se perdeu e não soube como ser diante do homem; a figura que deveria ter assumido se fez imprecisa.

Para esse escritor, desde que existem homens no mundo, há inúmeras teorias masculinas sobre a mulher ideal. Certo. A matrona foi inventada de acordo com as idéias de propriedade dos romanos. Como a mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita, muito docilmente a mulher de César passou a comportar-se acima de qualquer suspeita. Os Dantes queriam Beatrizes castas e intocáveis, e as Beatrizes castas e intocáveis surgiram em horda. A Renascença descobriu a mulher culta, e as renascentistas moderninhas meteram a cara nos irrespiráveis alfarrábios. O romancista do século passado inventou a mulherzinha infantil, e a mulherzinha infantil veio logo pipilando.

O tipos vão sendo criados indefinidamente. Médicos produzem enfermeiras eficientes e incisivas como instrumentos. Homens de negócios produzem secretárias capazes e discretas. As prostitutas correspondem ao padrão secreto de muitos homens. Assim somos. Indiquem-nos o modelo, que o seguiremos à risca. Querem uma esposa amantíssima - seremos a esposa amantíssima. Se a moda é mulher sexy, por que não serei a mulher sexy? Cada uma de nós pode satisfazer qualquer especificação do mercado masculino.

Seremos umas bobocas? Não. Os homens são uns bobocas. O homem é que insiste em ver em cada uma de nós - não a mulher, a mulher em estado puro ou selvagem, um ser humano do sexo feminino - o diabo, a vagabunda, a lasciva, o anjo, a companheira, a simpática, a inteligente, o busto, o sexo, a perna, a esportista... Por que exige de nós todos os papéis, menos o papel de mulher? Por que não descobre, depois de tanto tempo, que somos simplesmente seres humanos carregados de eletricidade feminina?

Amor Amante

Tardes amenas e místicas,

de repente eis que surge,

aquele encontro fugidio,

cúmplices no mesmo ato,

com horário marcado.

Da tarde não podem passar !


O tic-tac do relógio,

funde-se com os corações,

Lábios murmurando,

tanto para contar...



Emoções, apenas emoções,

sem juízo e sem razões...

sugam-se nos abraços,

roupas pelo chão.



Dançam corpo a corpo,

sussurrando a canção,

numa fusão dominante,

provam de um néctar,

quente e embriagante.



Tontos pelo prazer,

Rolam pelo chão,

Delicioso chão !

Faz-se leito confidente,

dos murmúrios falantes,

toque de peles travessas,

de um amor amante.

Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele.
1Jo 4:16b