Tristeza Passa
Quando eu exponho minha tristeza, eu demonstro minha fraqueza. Quando não me exponho, me encontro com a solidão.
Em meio a risos
A tristeza ficava de lado
Nos meus sorrisos
Era melhor nem ter tentado
Poetas de outros mundos
Eu sou fraco
Em meio a modos
De se expressar com o mundo
Assim como todos
Eu também falho
Assim como todos
Eu tbm caio
Obstáculo se vence Caminhando,
Pesadelo de vence Acordando,
Tristeza se vence Amando,
Rotina se vence vivendo.
Triste luz da manhã.
Bela manhã de Sol
Lindo Sol
de uma manhã tão triste
de tristeza daquela que mata
Esconde a morte
entre os cortes
da arte de natureza morta
sete cores escondidas
no branco da luz do Sol,
Triste Sol de branca luz
Manhã de borboletas voando
exibindo seu voo manco
Manco voo à branca luz de Sol
Luz de hemorragia
Branca luz do dia
O sangramento estanca
Hemofílica alegria
Luz que na verdade mente
e mente com propriedade
Quisera me esconder da luz do Sol
Ah, meu Deus
Como eu queria
Que esse manco voo de alegria
tornasse uma tristeza verdadeira
Quando do Céu despontasse
A derradeira luz da tarde
desse branco Céu
Sangrando de falsa alegria
Que voa e não voa
A vida correndo a toa
Ardendo de verdade
doendo com qualidade
Prenúncio de tempestade
Pálida verdade
Triste Sol de uma manhã que arde.
Edson Ricardo Paiva
"A tristeza é mãe da poesia
Mas se o Poeta, mesmo triste
Não as faz assim
Seu problema não é de alegria
Tem dias em que o Poeta
Está passando por uma frase ruim"
Edson Ricardo Paiva
Eu trago aqui dentro de mim
Uma dor que me invalida a alma
Tristeza indevida
Que afoga num lago seco
Um ser combalido, a ver
Todo seu tempo perdido
Tanta mágoa incontida
Transformada em lágrima
Lembranças doridas
Jorrando no escuro da noite
Formando um rio tão triste
Este é o rio da minha vida
Que morre
Aqui dentro de mim
Edson Ricardo Paiva.
Se fosse só viver o dia-a-dia
Sobrevindo essa tristeza
Mas a vida sempre leva uma alegria
E o tempo faz outras coisas
Junto às coisas que o tempo traz
E o tempo trouxe a compreensão
Que eu tanto queria
Sem saber que quando chega
Carrega a inocência
Que um dia fez crer que magia existe
E essa vida sem magia é muito triste
Se fosse só viver o dia-a-dia
E essa acalentada compreensão
Descortinasse o véu do tempo
Lá na ponta da luz do Sol
Pois a tudo se limita
E os dias passam de três em três
Pois isso também permite
Deixar de viver
Um dia de cada vez
Sem a dúvida
Tudo que sobra
É a total ausência de valores
No preço que nos cobra a vida.
Edson Ricardo Paiva.
Não sei dizer quase nada
Sobre a beleza da vida
Também não sei falar de tristeza
Cada dor habita um dia
E mesmo que a dor seja dor
Ele sempre evita
Doer além do permitido
Pra que assim ninguém perceba
O corte, a ferida, a quase morte
Que permite transformar a vida
Em quase vida
Não sei dizer nada também
Sobre a beleza de uma quase vida
Também não sei falar de alegria
Cada riso habita um dia
Mas o riso jamais evita
Alegrar além do permitido
Pra que assim a gente perceba
O corte que sara
A dor que cicatriza
A alma que não se vendeu,
Jamais se entrega
E se nega
A prosseguir vivendo a quase vida
Pois sabe o valor que existe
Na simplicidade do dia que corre
O dia é um lugar no tempo
Onde a alma que se diz insatisfeita
Rejeita a alegria pequena
Porque quer sentir-se plena
Quando "plena" é plenamente
Uma palavra sem sentido, que a escraviza
E morre, sem fazer nenhum ruído.
Edson Ricardo Paiva.
Tristeza
É o nome de um lugar
Que não tem chão
Um lugar que foi criado
Pra semear-se ilusões
É um lugarejo tão distante
Que só vejo uma razão
Pra se estar lá
É ter plantado uma planta
Chamada falsa esperança
Que é algo que quem semeia
Palmilha com a planta dos pés
Planta espinhenta e tão falsa
Que se planteia descalça
E fere as palmas das mãos
Para tirá-las
Quem perdeu-se lá
Perdida a alma
Saída não tem
Se cala e fica lá
Mas não fala pra ninguém.
Edson Ricardo Paiva.
É tudo ilusão.
Tristeza
Seja ela qual for
É como as nuvens do céu
Pássaros em revoada
As estações
Uma alegria que se foi
Quando ela vai
Manhãs, felizes por amanhecer
Entardeceres lilases
Chegando ao ponto de esquecer
Num mero instante eles se dissiparam
A despertar de um sonho
A vida segue adiante
No tropel da cavalgada
Existência, uma quimera
Camada por camada
Ela foi sendo desfolhada
De cinzel na mão
Seguimos sós, pungindo a vida
Éramos nós, sem tomar tento
Vazando pela tangente
Não há cuidado e nem talento
Ferro quente em fogo brando
Lá se vão no vento os dias
Eu fico me dizendo
Creio que não foi perdida
A vida, o bom da vida
Vejo que, em contrapartida
Pode ser, ter sido a vida a ter perdido
O que havia de melhor em mim
Não existem grandezas
Tudo é fantasia
Tristeza
Seja ela qual for
É como as águas de um rio
A canção perdida nos ares
Melodia esquecida, que tanto sentido fazia
Noutros dias
O vento por entre as folhas
Tudo se vai na ilusão
Como cada um que vai
Moldando a própria vida
Cada forma escolhida
Tristeza, seja ela qual for
É somente uma grande alegria
Que foi tomando forma
A cada investida
Nada fica
O que existe em nossas mãos
Martelo e cinzel
É só o tempo presente
Nunca ouvi da voz da vida
Que havia urgência ou precisão
E, mesmo ela sendo ilusão
Eu procuro estar atento à direção.
Edson Ricardo Paiva.
Minh'alma anda pesada
de tristeza
dentro de um tempo
e de um lugar
aonde se encontra
temporária, porém
irremediavelmente
presa
condenada a viver
e conviver
e envelhecer
entre os Homens
Até que isto pode
parecer
Não ser assim;
tão mal
pois vou aqui vivendo
entre risos
e sorrisos
risos são estimulados
risos ocorrem
quando ocorre
Algo que seja bom
mas o sorriso
exprime felicidade
da alma feliz
feliz de verdade
os risos viriam
ao meu rosto
se eu pudesse te vir
Sorrir
Teu sorriso
indeciso e impreciso
me parece tão somente
um riso
mesmo assim,
preciso vê-lo
preciso às vezes
acariciar
os seus cabelos
pra continuar
vivendo neste Mundo
e suportar
de forma decidida
a missão de viver
e fazer valer
a minha vida.
Não existem alegrias iguais
algumas são menos visíveis
Outras mais
Tristeza é sempre tristeza
Não se quantifica
a qualidade de nenhuma dor
Alegrias se vão...
Pra nunca mais
Tristezas amainam
Mas estarão sempre ali
A recordação
de alegrias de outros dias
traz um misto
de tristeza e euforia
Você repara
na tristeza que chega
Poucas vezes percebeu
a alegria que partia
Às vezes elas fogem
no calar da madrugada
e quando amanhece
constata
que não se apercebeu
Muitas vezes
Você deixa de cuidar
de alguém que te queria
com amor
Depois, analisando
você vê que não lutou
Nem contra e nem a favor.
edsonricardopaiva
Faz alguns anos
Que, com a ajuda de Deus
Tornei minh'alma
Uma peneira de tristeza
Os fracassos me atingem
Qual a todos no Mundo afligem
Talvez estivesse nos planos
De quem transformou-me em brinquedo
Excetuando-se os grandes, então
Dos pequenos fracassos
Esvaiu-se todo medo
Passando pelas mãos
Que acompanham-me a alma
Vou transformando
Em palavras de calma
Todo mal que me alcança
Já não faz tanto mal
Não faz não
Eu os uso
Como pura inspiração
Sublimando assim
aquilo que eu não queria
Eu transformo em poemas
Alguns de meus problemas
A ausência de alegria
Transformei em poesia
E como eles vêm
Todo dia
As coisas iníquas
Se tornam profíquas
No dia em que não tem
E dá vontade de escrever
Eu busco então as longinquas
que um dia foram mágoa
E então elas deságuam
Num pedaço de papel
De acordo com a inspiração
Que um dia me veio do Céu.
Por muito tempo naveguei perdido
Me esqueci como se esquiva da tristeza
Pode ser que eu nunca tenha aprendido
Na solidão enxergava beleza
Não havia uma Estrela-Guia
Não tinha Mastro que suportasse tais procelas
Não havia rastros dos quais eu me orgulhasse
Não achava aonde me orientar, por mais que procurasse
Assim a minha vida foi passando
Não há como viver mais do que um dia
Não existe maneira de resumir
Aquilo que nascemos pra viver
Durante uma vida inteira
Ouvia de vez em quando
As asas de um anjo que me rodeava
Não sei se era amigo ou se só sentia dó
Mas era o único que nunca me esquecia
Sua companhia fez a vida não ser assim
Tão só.
Eu vou deixar de lado
Essa tristeza sem cura
Esse meu mundo assombrado
por tanta frieza
tanta incerteza
tantos juramentos
de procedência obscura
Viverei agora de crimes
Que me alegrem o coração
Vou escrever frases
que não rimem
vou exercer
a prática ilegal da poesia
Conquistar corações
que não me pertencem
Me vingar
daqueles que me esqueceram
Fazer as pazes comigo mesmo
Me cansei de tanto cinismo
Vou causar um cataclismo
nos corações de gente ingrata
À partir desta data
Serei simplesmente feliz
Contente com aquilo
Que fiz ou deixei de fazer
vou criar um novo estilo
Que só será compreendido
depois que eu morrer
e assim
vou deixar ao mundo
esta dúvida e esta dívida
Esse sentimento profundo
Que me lacerava a alma
Oriundo da ausência de calma
Que me causaram nesta passagem
Vou viver noutras paisagens
Vou viver sem compromisso
Se não pude ser feliz
Vou deixar ao menos
de ser infeliz
Só isso.
