Trindade
TROVÕES
Trovões, trovões, trovões
Mil vezes teus brandos trincados
Que rompam a tampa do mundo
Mas não os encontros marcados
REI CALISTO
Calisto é rei do mundo
O mundo tem um rei
E há de ser o velho Calisto
O resto não é digno
O resto é frouxo
O resto não é Calisto
O verdadeiro rei
Mas uma avaria aconteceu
E até Calisto é carne
E toda carne é resto
Aquele resto que não é rei
Mas apodrece com dignidade
Ora, ora rei Calisto
Agora és podre aos pés do mundo
Jogado ao resto no solo
E carne ao sol cheira mal
Aqui jaz O rei Calisto
Visto a luz de um verme
Um resto indgno, frouxo e mortal
POEMINHA DO DESASSOSSEGO
Foge agora o sentimento
cerne bruto a lapidar
pelo gorjeio do tormento
sobre o afago do luar;
turvo ensaio a rima
sinto pulsar o coração
anseio pela obra-prima
ao moer minha paixão;
e os gritos antes imersos
no silêncio sem coragem
agora rasgam estes versos
e desatinam minha imagem;
e tudo vaza e tudo grita
num acalanto sem perdão
e pela artéria da escrita
navega a esmo a razão;
então voo feito nada
leve ao sopro de Caeiro
sem o olhar da musa amada
resta a pena e o tinteiro;
ouço sutil minha essência
como harpa nota a nota
sou faísca da existência
na vã redoma da revolta;
caio desperto em teimosia
fôlego de tolas incertezas
e quando vejo é poesia
divina dama das tristezas;
surge rubra em vasto alarde
arrebata o mundo que percebo
tem ela o poente da saudade
dor da verdade que recebo;
foge agora o sentimento
foge o ar, o verso e a aflição
foge o assombro em pensamento
foge o desassossego em questão;
- Posto em um arranjo
sem o espanto de outrora
vejo a face de agora
juro, sonha, parece anjo!
O SAPATO
Marquei o traço do passo apurado,
do sapato seco.
Partia torpe no calor, eu o via árido
no beco.
Quem o calçava passava aperto
naquela fuga.
Era a gravata cara voada ao vento.
Era ruga.
Olhos famintos, não minto, suando,
sem rumo, sufoco!
Atenta doutro lado, a vida, passando
o pisado oco.
Não esqueço o dia daquela trajetória ruim.
Tempo que passar.
Marquei-o tanto na memória, que a mim
doía caminhar.
PORTA
Batem na porta
de madeira macia
com uma raiva que dura
consome o que importa;
Pouco explico a madeira
mas a vida eu queria
macia e desnuda
como a mão lá na porta;
Batem na porta
cortada do campo
surrada do tempo
serrada sem dó;
Batem em mim
de matéria e madeira
de sangue e poeira
e por fim, todo pó.
SUMA NOTURNA
Repousa no vidro frontal
a noite enigmática
agora negra e vazia
apática e horizontal;
Inicia o sereno final
quando encontra um nó do mundo
que desata precoce e profundo
no carro, em sono, na vertical;
Antes sozinho no arcado metal
nó do homem, nó do destino
fundido e imerso
na teia do inverso irreal;
Claro ponto polido e dual
no abraço do banco que o segura
dorme a figura já combalida
e em vida flutua na noite fatal.
O GRITO
No caminho que passo
ouço um grito mecânico
dum anônimo percalço
metálico ato anímico
das cordas vocais de aço
daquele outro Eu andante
no morno dia terroso
ante aquela semana ambígua
do mesmo mês afoito
havia uma pedra no meio do caminho
e tantos outros sólidos
que descalço percorria
o outro Eu errante
nesse universo interior
que transpasso todo dia
MONÓTONO
Viajava a lembrança
naquela dança leve
o espaço abraçava a dama
e a dama saía alla breve;
O resto é irrelevante
Nada no todo que sinto
A luz da dança da dama
no opaco labirinto do instinto;
Aqui há tudo que lembro
No fundo é menos que digo
Habita no tolo um poema
das cinzas de um sonho antigo.
Qual a distinção do ser e existir?.
Existir é tudo o que você pensar.
Ser e tudo o que você faz segundo a sua consciência.
Os homens ergueram muralhas
Só faltou fazer chover
Quem ditou a lei para sobreviver
Minha mente é uma viagem
E me fez aprender a viver
Eu sigo nessa estrada afim de saber o porquê
Os pensamentos te fazem vê o além daqui para outro lugar
É cada um cria suas leis não é mentira eu sei
E na caminhada os tropeços te fazem voar são mais lutas para travar.
Se existe algo que te faça perder o juízo mais que uma droga, isso se chama vida, se não souber lhe dar bom você se perde em uma alucinação.
CONVERSA
– Eita negro!
quem foi que disse
que a gente não é gente?
quem foi esse demente,
se tem olhos não vê...
– Que foi que fizeste mano
pra tanto falar assim?
– Plantei os canaviais do nordeste
– E tu, mano, o que fizeste?
Eu plantei algodão
nos campos do sul
pros homens de sangue azul
que pagavam o meu trabalho
com surra de cipó-pau.
– Basta, mano,
pra eu não chorar,
E tu, Ana,
Conta-me tua vida,
Na senzala, no terreiro
– Eu...
cantei embolada,
pra sinhá dormir,
fiz tranças nela,
pra sinhá sair,
tomando cachaça,
servi de amor,
dancei no terreiro,
pra sinhozinho,
apanhei surras grandes,
sem mal eu fazer.
Eita! quanta coisa
tu tens pra contar...
não conta mais nada,
pra eu não chorar –
E tu, Manoel,
que andaste a fazer
– Eu sempre fui malandro
Ó tia Maria,
gostava de terreiro,
como ninguém,
subi para o morro,
fiz sambas bonitos,
conquistei as mulatas
bonitas de lá...
Eita negro!
– Quem foi que disse
que a gente não é gente?
Quem foi esse demente,
se tem olhos não vê.
“Aquilo que um dia foi afastado por interferência do homem um dia será reaproximado por interferência de Deus.”
“Quando algo de “ruim” nos acontece ficamos sensivéis e essa sensibilidade não é um convite pra se vitimizar e sim um convite pra se autoconhecer e se perguntar: “O que essa situação quer me ensinar? Caso você não aprenda agora outras situações iguais a essa virão.
Não tem outro jeito, é assim. Resistir é se acostumar a sofrer.”
Quem fica com o dedo apontado para os teus erros, é quem gostaria de ter a oportunidade de comete-los.
Eu acredito que o universo
já está preparando novos
tempos. Potencializo a força
da mudança nessa semana
para que outros ventos maiores
venham soprar sobre mim.
Universo é meu amigo
E ele vai me ajudar!
Gratidão sempre!
A melhor coisa que se poderá fazer a alguém, é apresentar-se a si própria quando a mesma é cega de alma e não reconhece a si mesma.
