Trauma
Algumas marcas carregamos para a vida toda: traumas, desilusões, mentiras e cicatrizes. A dor é uma professora implacável, que nos faz acreditar que nossas marcas contam uma história e nos ensinam a seguir em frente. No entanto, ela também exige estar presente em cada uma delas.
A dor nunca desaparece completamente, ela fica em repouso, imóvel, estática. Mas quando algo externo a provoca, ela ressurge ainda mais intensa do que da última vez. Acredito que o pior momento é quando você já sentiu tanta dor que começa a gostar dela. A tortura interna, o sofrimento, os sentimentos ruins e o ódio se tornam a sua maior fonte de prazer.
Quando você passa a gostar da dor, nada é capaz de te derrotar de verdade, porque você já foi derrotado.
Ser humano é exatamente colecionar prazeres e traumas em uma proporção vantajosa que possibilite a sobrevivência. No limite de nossa essência há marcas intangíveis que sangram como alerta para não sermos vítimas reincidentes de armadilhas alheias. Infelizmente, a couraça espinhosa que nos protege pode também ferir os outros. Nosso foco deve ser aprender a recolher os espinhos quando tentamos nos aproximar de um semelhante. Não é facil, mas sei que a maioria nem tenta, todos andam em modo automático e o pensamento saiu de moda. As pessoas ficam iludidas demais com a romantização extrema das relações e esquecem de que para haver um conjunto é preciso raciocínio lógico. O bendito amor não deve ser a procura e sim a consequência. É como querer o resultado sem ter resolvido o problema. A maioria, no fim das contas, só quer colar na prova da vida!
Traumas emocionais não resolvidos estão por trás das generalizações. Aquele que generaliza o comportamento de determinado grupo, tenta ilusoriamente fortalecer seu corpo egoico, mostrando uma imaturidade e ausência de desenvolvimento linguístico e de consciência. A generalização tende a revelar mais aspectos do sujeito ativo do que do sujeito passivo, pelo qual observa e julga diante das suas lentes (cosmovisão), revelando agir de igual ou pior modo se estivesse na mesma posição do sujeito passivo. Afinal, observamos o mundo pelo que nós somos! A vida sempre nos ensina que toda a regra tem exceção, diante da capacidade humana de superação!
O problema das pessoas que tem ego alto é que isso necessariamente é uma defesa contra traumas, e isso nunca vai mudar, não importa o que elas lhe digam
Sofrimento ecoa, chuva cai lá fora, corpos marcados por traumas do passado. Por que os seus não retornam? Será que a relação que você imaginava era apenas uma ilusão? Talvez sim, talvez não. Um silêncio que chora, quem pode entender sua vida sem conhecer sua história? Atos sombrios, angústia, mentiras, doenças e maus-tratos. Quem aqui sabe distinguir o certo do errado?
eu sofro com meus próprios pensamentos
sofro com meus medos e traumas
às vezes penso que a única solução é
deixar de viver, mas eu escolho ficar
mais isso é pensar não em mim, mas nas pessoas que me rodeiam
Relembrar traumas pode ser assustador, mas é o início para quem busca o equilíbrio. Por mais doloroso que tenha sido, os fatos aconteceram em um dado momento e foi oprimido. Falar sobre eles como um coadjuvante e externizá-los é o passo para compreender que eles não podem mais te ferir e seguir seu caminho com maturidade.
Frase de Islene Souza
A maioria se agarra ao passado como quem teme o vazio — são moldadas por ausências, traumas e repetições que não cessam. Caminham carregando escombros de si mesmas, como se a dor fosse identidade. Mas eu sou inquietação em carne. Não aceito ser resultado, sou processo. Não me prendo ao que me moldou, porque sei: o que me molda agora é o próprio caminhar. Recuso as certezas confortáveis do que fui. Refaço-me, mesmo sem garantias. Há algo de sagrado nessa travessia sem mapa, como se o próprio ato de transformar-se fosse o destino. Não sei o propósito — talvez ele nem exista —, mas sigo, porque estagnar é morrer, e eu escolho o abismo de me tornar.
Porque a liberdade que eu procurava não estava em me libertar de alguém, mas dos vícios e traumas que acumulei.
