Tinta
A saudade é a tinta que colore os pensamentos, impossibilitando esquecer alguém. Lembrar os momentos incríveis é como mergulhar em um oceano de memórias, onde cada lembrança é uma pérola preciosa, resgatando a beleza e a emoção de cada instante compartilhado.
Deixe-me ser a tinta que desenha a paixão em sua pele, quero revelar seus segredos com meus versos e envolver seu coração em cada estrofe minha.
Na amarga madrugada meus olhos jorram tinta no que já foi sereno e esvaziam se com a vitalidade de meus pensamentos.
As ideias vem a mente.
Como tinta, papel, e lente.
Seguimos a vida nesta corrente.
Sem saber seu percurso.
Siga e use até seu último recurso.
A vida não tem limite.
Ele existe se você os permite.
Não abale seu emocional.
Quem luta, torna-se, sempre imortal.
Limpe toda a tinta derramada, antes que ela seque de vez. Enxugue todas as lágrimas junto com toda a culpa, eu não quero mais ficar triste.
Por maior que seja um escritor, ele jamais será capaz de
expressar em papel e tinta, toda a percepção que tem na alma.
Pois os sentimentos são ardilosos e não se deixam revelar
totalmente em palavras. Eles fazem essa exigência justamente
para se tornarem sensações únicas em cada ser. (Ana Paula Gervoni)
E é seu. Esse sentimento que me invade e me enlouquece. Desgrudando a tinta da parede com as unhas, eu te quero aqui. Ah, como eu te quero aqui. Me embalo no cobertor, me descubro, me arranho e assumo, é seu o meu amor! Me olho no espelho, figura pequena e sem graça que guarda dentro de si algo mais poderoso do que uma arma nuclear, eu tenho amor, ah! E ele é seu, ah, todo seu. Quando me pega pela cintura, posso jurar, eu danço, a melhores das músicas tocando em minha cabeça, fazendo as pernas bambearem, a mente rodar, a mão estremer e os lábios sorrirem. Ah, é esse meu amor... que é seu amor.
Sinfonia de Tinta e Som
O silêncio abre a cortina com dedos de veludo,
e a tela vibra, branca, como um palco por nascer.
Surge a clave de sol —
pincel do maestro no ar.
Violinos riscam linhas finas de Van Gogh,
com traços febris e estrelados,
um allegro de girassóis que giram
em espirais de luz sobre o compasso.
Violões sussurram à la Matisse,
curvas leves, cortes de sombra azul,
tocando a alma em arpejos de recorte,
como quem dedilha o silêncio entre cores.
Cellos choram em tons de Rembrandt,
escuros, profundos, dramáticos,
traçando caminhos entre luz e sombra
como se cada nota fosse um rosto em claroscuro.
Pianos desenham Mondrian no silêncio:
geometrias exatas em preto e branco,
uma fuga de Bach em linhas retas,
com pausas vermelhas que pulsam como vida.
Saxofones sopram Dalí —
melodias que escorrem derretidas,
sonhos líquidos em forma de som,
onde o tempo dobra ao ritmo do jazz surreal.
Tímpanos e baterias explodem Pollock,
pingos e pancadas de cor
em ritmos livres, sem métrica nem medida,
onde o caos é a própria harmonia.
Trompetes brilham como Klimt,
dourados, exuberantes, cheios de ornamento,
onde cada nota é uma joia cintilante
em solo de paixão e mistério.
Violas, discretas, tocam Turner em siena,
horizontes de brumas, um adágio em dissolução,
onde a névoa dança com os graves
como se a cor tivesse eco.
Harpa, Debussy em pastel,
translúcida, etérea, quase ausente,
como a aquarela de Monet ao entardecer —
um lago onde o som pousa como uma libélula.
E assim entra toda a orquestra:
fagotes de Goya, flautas de Renoir,
contrabaixos de Caravaggio,
clarinetes de Cézanne, violas d'amore de Botticelli...
O maestro, agora metade músico, metade pintor,
com batuta de tinta e partitura em pergaminho antigo,
abre os braços para o gran finale:
um tutti de cor e som que arrebata o tempo.
E no último compasso,
quando o pincel repousa,
a música permanece no olhar —
como um quadro ainda molhado,
como um som que ainda ecoa.
Tamara T Guglielmi
"A vida sem questionamentos é como um livro fechado; suas páginas em branco aguardam a tinta da reflexão."
A arte de escrever não consiste em tocar a ponta da caneta num papel e sentir sua tinta sair e sim em tocar a ponta da caneta num papel e sentir nossa alma fluir...
Os quadros me encantam, por isso ponho tinta em cada linha, para expressar a paisagem em minhas reflexões.
A borracha pode até apagar a tinta, mas desgasta o papel. Pense bem em como vai escrever sua história.
LÍNGUA VIVA
Tenho uma palavra na pontinha da caneta
Agarrada
Mergulhada na tinta
Não quer sair ainda
Se for um verbo
Tomara que não seja de estado
Permaneceria estática, atrofiada
Que seja um verbo de ação
Que me leve por aí
Mexa minha alma, mova meu corpo
Se for pronome
Que me situe no espaço
No tempo
Talvez seja adjetivo
Se for, que me modifique
Provoque uma metamorfose
Caso seja substantivo
Que seja composto
Traga-me boas companhias
Ela está aqui na pontinha da caneta
Teimosa
Acho que é uma nova palavra
Está nascendo agora...
