Tinta
As ruas são nossos museus
os muros as nossas telas
o sangue nos olhos a nossa tinta
e a poesia marginal a nossa arte.
POR BAIXO DA FRESTA
A porta estava fechada
E por baixo da fresta
Eu via a tinta vermelha
E rezava
E rezava para que fosse
Literalmente
Apenas tinta
E eu parei
Eu parei ali
Pois no fundo da alma
Eu sentia
Ela já não estava mais aqui
Já não me pertencia.
O Fim é o princípio.
Uma página que se vira.
Somos a tinta fresca em folha áspera.
A capa dura. Aquilo que procura.
Somos a História.
Desde sempre.
Somos todos os nomes.
As pessoas do Pessoa.
O Mundo na mão.
Ponto de encontro.
De quem pensa. De quem faz pensar.
Temos pele enrugada de acontecimento.
As páginas são nossas.
E o pó que descansa na capa também.
Sabemos falar de guerra e paz,
explicar a origem das espécies e dizer
qual a causa das coisas.
Somos o que temos.
A tradição e a vocação.
A atenção. A opinião.
A história de dor e de amor.
Somos o nome do escritor.
A mão do leitor.
SOMOS LIVROS!
O poeta tem na tristeza o seu combustível de escrita.
É como se ao invés de tinta, as lágrimas pintassem melhor as palavras.
Quero a tinta mais vermelha para escrever a minha vida. Sangue! Pois passar por aqui sem ter dado o melhor de mim não me satisfaz.
Jogar Tinta em nosso Quadro da vida, mexer as tintas com as nossas Atitudes para obtermos um Controle de cores no qual teremos um resultado que é a Arte de Viver!
Espelho
O artista pintou o amor
Deus tinta com cores reluzentes
Em tela com infinitas dimensões
Ao fundo um estúdio
Armários com tintas e pincéis
Cadeira, cavalete e telas
Sentado está o pintor
Com a paleta na mão
Misturando a cor ideal
Na tela o espelho atual
Uma auto imagem construída
O artista pintou o amor
COLISÃO
De repente...
tudo se rebela.
O tom da voz.
O canto grave.
A tinta da aquarela.
O frio do estribilho.
O som da pausa.
O fio da navalha.
No meio do corte...
palavras cirúrgias.
O veneno.
O antídoto.
As “palavras sujas”,
na saliva salgada,
que escorrem e ardem
pela boca ensanguentada.
A CRIAÇÃO
Teu sorriso embebido no papel,
Escorrendo sobre uma tinta salutar
O vermelho que contorna os teus lábios
Te faz viver, te faz dançar!
Assim a vida vai brotando lentamente
E o pincel se torna a mão do criador
O ventre virginal da tela é fecundado
Com o respingado da fresca tinta!
O sêmen tinturado se fecunda
E os dias das vigílias são constantes
O artesão da criação a trabalhar
Para dar cabo ao ressurgir do universo
Os dias da labuta multiplicam-se
Os traços, as curvas, os círculos são traçados,
Os arrependimentos encobertos
E esse deus criador se move em esperança!
Nasce um mundo encoberto pelas tintas
Parido pelas mãos de um pintor!
Tentei fazer uma poesia, mas as lágrimas que caira do meu rosto deslizaram delicadamente na tinta e esboçaram no papel um ar de desgosto.
Tentei me ver no espelho, mas existia alguem q nao conheço. Que esconde-me dentro de mim. Que diz que é aquela que pareço.
Tentei me ouvir, mas esqueci que outra falas falaram, e de maldade sondaram, aquela voz que vinha da alma, com o grito de desespero e calma, dessa vida tão limitada...
Escrevi seu nome. Com caneta bic, de tinta roxa.
Você queria tatuagem?
Sinto muito, meu bem...
Minhas paixões todas se apagam na hora do banho, no dia seguinte.
Era um caderninho cujas folhas amareladas continham palavras traçadas com tinta, lágrimas, sonhos e esperanças. Um caderninho que servira de abrigo para as palavras em tempos felizes e nos mais difíceis e que nunca deveria ser lido. Era um caderninho secreto que ficava guardado junto ao seu dono cedendo-lhe mais páginas e absorvendo sonhos em formato de pequenas palavras. Palavras tão frágeis e tão doces que guardavam algo muito maior que seu significado e que nunca foram descobertas. Eram todas palavras de amor e tristeza escritas a uma admirável caligrafia e borradas por pesadas lágrimas. Eram palavras machadas por erros e reescritas com sabedoria. Mas, acima de tudo, eram todas apenas palavras escritas em um caderninho manchado pelo o passado e reescrito pelo presente.
