Textos sobre Tempo
preces ao mau tempo
de tudo que dá na terra
honrar respeitar bem-dizer
de tudo que dá na terra
nosso futuro ao breu consagrado
ave o seu ventre mãe de deus e nossa
decepamos a destra o cetro
não menos o nascimento e a luz
ofusclarão de placenta oca
de tudo que dá na terra
nos ensina a confundir obediência e amor
de tudo que dá na terra
repete que é dor o que educa
e faz lentamente a pele crescer
sobre os espartilhos da doutrina
de tudo que dá na terra
nos acinzentaram a imaginação
para as cores do desobedecer
desobediência de rato desobediência de leão
desobediência de água-viva desobediência de mosca
ainda são bípedes
os que vivem de joelhos?
“Não perde teu tempo comigo, não.
Eu não sou o tipo de homem que tu tá acostumada.
Eu não sei fingir que tá tudo bem quando tá tudo errado.
Não sou teu chefe.
Não compro teu silêncio com salário.
Mas também…
não vou disputar atenção com quem te trata como opção.
Tu fez tuas escolhas.
Só lembra que conforto demais, às vezes, custa caro.
E quando ele te trair — e vai trair —
tu vai ter que calar.
Porque tua liberdade… tu vendeu.
E se um dia tu cair na real…
Pode ser que eu já tenha ido longe demais pra voltar.”
Eu estou no tempo, mas não sou do tempo.
Cada momento me veste de novas formas,
mas quem sou não se desfaz.
Estou onde os dias nascem e morrem,
mas sou onde a vida não começa nem termina.
Minha presença no mundo é breve,
mas minha essência atravessa as margens do tempo.
Aquilo que vejo é sombra e reflexo.
Aquilo que sou é luz e raiz.
O que muda, eu respeito.
O que permanece, eu honro.
Ser é habitar o que é eterno.
Estar é caminhar por aquilo que passa.
Eu estou para aprender.
Eu sou para lembrar.
Nada que o tempo carrega me pertence.
Tudo que o ser guarda é o que eu sou."
"Eu juro lembrar quem eu sou, mesmo quando tudo muda.
Eu juro caminhar no tempo, sem esquecer minha eternidade.
Eu juro honrar o que nasce e o que morre, sabendo que minha essência não se curva.
Eu juro ser presença viva no instante, e ser presença eterna no silêncio.
Eu juro viver como quem está, e existir como quem é."
"Soneto do Amor Sem Medidas"
Amo-te assim, sem tempo e sem medida,
como a maré que se entrega à lua cheia.
Em teu silêncio, minha voz vagueia,
e, em teu olhar, vejo a luz da minha vida.
Sou teu no vento, na manhã erguida,
na rosa que, do inverno, ainda semeia.
És minha sede, a fonte que clareia
os becos escuros dessa alma ferida.
Não te amo como quem deseja posse ou nome,
mas como quem respira, sente e some
nas mãos daquilo que não se explica.
Amor que arde sem queimar o peito,
mas faz do mundo um verso mais perfeito,
onde o teu ser, no meu amor, habita.
Quando estou contigo,
quero que o tempo se curve, se renda,
e se esqueça de passar.
Que cada segundo se alongue
feito tarde de verão,
infinita em teu olhar.
Mas quando estás distante,
imploro ao tempo que corra,
que voe sem olhar para trás,
para que logo, num piscar,
eu possa de novo te encontrar.
" FOI-SE "
E lá se foi o tempo, a juventude,
os dias de seresta e serenata…
Perdeu-se a voz do sonho, da bravata,
o instante de fingir qualquer virtude…
A vida nos transforma, nos formata
e vão-se os dias mansos, de quietude,
ficando, para trás, força e saúde
conforme a idade chega, ainda novata.
Não há mais nada novo na velhice
se como o tempo nunca mais abrisse
as portas da curiosidade nata…
O tempo foi-se… Ficam suas marcas…
Lembranças, pouco a pouco, frágeis, parcas…
Na pele, as rugas… No cabelo, a prata!...
Folhas caem, o vento sopra. Quem pode trazer uma resposta melhor? Se não o tempo, é a hora. Quem me conta histórias verdadeiras? Olhos cheios de vida, olhar triste... Para que me sufocar em uma rua de amargura? Quem pode ouvir meu pedido de ajuda?
A solidão não me incomoda. Faça o que quiser, não mudará meu jeito de pensar. Não tenha medo de agir. Você está sempre ausente, então diria que não faz falta. Não derrame lágrimas quando ele partir.
" AGRISALHOU "
Tingiu-me, o tempo, a idade, o que vivido,
e agrisalhou-me sem qualquer piedade
levando, assim, pra longe, a mocidade
e o que nela se tinha, ali, contido.
Contudo, fez-me sábio, na verdade,
e me curou do que fôra ferido
cessando, então, de vez, o meu gemido
e me trazendo o amor pra eternidade.
Me deu vida, o calvário, e ali julgado
foi que me vi, também, crucificado
e, livre, ressurgi depois de tudo…
Agrisalhou-me a vida, eu sei, mas digo
que o tempo deu-me o amor que, em paz, abrigo
e a fé no eterno que hoje, em mim, saúdo!
Sobre feridas e tempo…
A decisão de deixar de te amar causou em mim uma dor lancinante.
O dia que se seguiu foi ainda mais excruciante.
Tive raiva de vc. Queria gritar. Colocar pra fora toda dor que vc estava me causando. Mas me mantive firme, resoluta, determinada a te esquecer custasse o que custasse.
Resolvi ouvir a voz da minha mãe na infância que me dizia: “engole o choro”.
Às vezes eu conseguia,
Outras, o choro me engolia.
No dia posterior parecia que tudo doía ainda mais.
Na semana seguinte me desesperei.
E me desesperei muito mais nos meses que se sucederam porque parecia que aquela dor não ia embora nunca…
Hoje ainda dói.
Bem menos, pois hoje eu sei que vai sarar.
A ferida está cicatrizando, e aos poucos a gente vai percebendo que a dor vai passar.
E que apesar de tudo, a gente vai ficar bem.
Vai ficar tudo bem.
Perfeccionismo e medo de reprovação
O homem quer acertar o tempo todo porque tem medo de errar, e por consequência, ser rejeitado. Isso gera ansiedade constante por validação externa.
Frase para refletir:
"Quem vive para ser aprovado pelos outros, vive escravo da insegurança."
" ROGO "
Olhou-me de relance, disfarçado,
por curto tempo apenas, bem discreta,
admirando, um pouco, este poeta,
que, por tudo o que belo, é enamorado!
Mal sabe se solteiro ou se casado,
lançou-me o olhar sem ponderar a seta
enquanto a observava aqui, pateta,
e o lance dela me direcionado.
Menina: não sou nada, pouco valho,
sou carta posta fora do baralho
sem serventia alguma pra esse jogo…
Não posso dar-te colo ou atenção
nem dividir contigo o que é paixão
ou atender, do olhar, esse teu rogo!..
No Centro do Reino, a Paz do Rei
No centro do reino, onde o tempo é gentil,
Ergue-se um trono sob o céu de anil.
Não feito de ouro, mas de raiz e flor,
Ali reina um homem, com fé e amor.
O rei não precisa de espada ou temor,
Seu povo o escuta com puro ardor.
Sua voz é branda, seu olhar é farol,
Guiando seus dias com paz e com sol.
As aves não fogem ao ver sua mão,
Pois sabem que ali não há opressão.
O campo floresce, o rio corre em paz,
Tudo obedece à lei que ele faz.
Seus conselhos nascem do silêncio e da dor,
De quem já lutou por um mundo melhor.
Não manda com grito, nem exige temor,
Comanda com alma, com graça e valor.
À noite, as estrelas se deitam no céu,
E o reino adormece em sereno véu.
Pois enquanto vigia esse rei tão fiel,
A paz se espalha como doce papel.
E quem visita esse canto do mundo,
Sente um abraço calmo e profundo.
Pois ali, no centro onde o bem é lei,
Habita o amor… e a paz do rei.
E nunca, em tempo algum, devo pedir ou esperar justiça
de um semelhante, mesmo porque justiça é um atributo de
Deus Pai, e o homem comum só conhece vingança. Que eu
viva sempre pelo amor, pois não tenho sabedoria sequer
para julgar com convicção plena, então nunca posso
condenar – não devo confiar na justiça dos homens,
jamais. Devo viver unicamente pela fé.*
*[Mateus 15 : 14] "Deixai-os. São cegos e guias de cegos. Ora, se um cego
conduz a outro, tombarão ambos na mesma vala."
"NÃO SABE"
Não sei se terei tempo! A vida é breve…
Num sopro e, tudo o mais, virou passado
deixando, o coração, desarrumado
e o que se fez por sonho, em nós, prescreve!
Talvez, do amor, não veja o resultado
pois nem toda a paixão, que o tem, se atreve
a dar continuação ao que ele escreve
ciente de que o caos o fez mudado.
Se viveremos o tempo exigido
até que o enredo se dê por cumprido
não saberemos nós momento algum…
A vida é breve, curta, passageira…
Por mais seja, a minh'alma aqui, guerreira
não sabe, do amanhã, dia nenhum!
Um dia me deu vontade de ouvir a vida e olhar o tempo, e enquanto o tempo passava, a vida sussurrava suas voltas em meus ouvidos. Eu olhava o horizonte e enquanto as ondas cantavam uma suave melodia, a vida sussurrava em meus pensamentos, e eu aprendia com a vida enquanto o mundo ao meu redor acontecia...
A vida ensina tudo
É uma questão de tempo até crescermos.
É uma questão de tempo até encontrarmos o primeiro amor.
É uma questão de tempo até terminarmos os estudos.
É uma questão de tempo até termos nossos filhos.
É uma questão de tempo até perdermos alguém querido.
É uma questão de tempo até partirem o nosso coração.
É uma questão de tempo até a doença chegar.
É uma questão de tempo até a tragédia se abater sobre nós.
É uma questão de tempo até a velhice chegar.
É uma questão de tempo até a solidão pintar.
É uma questão de tempo até a morte vir nos buscar.
É uma questão de tempo até sermos esquecidos pelo queridos.
É uma questão de tempo até que o tempo deixe de ser uma questao.
Lar
Me perdoe, Pai.
Mas eu já não me sinto em casa.
Meu tempo acabou.
Mandaste-me cantar e não me desviar,
mas quando canto — ou melhor,
quando tento cantar —
sinto uma pressão, um peso,
algo que sussurra:
'Você não merece sentir a glória d’Ele.'
Quando ouço teus filhos cantarem,
me emociono profundamente,
pois eu gostaria de estar ali também.
Mas o peso do que faço, penso e falo
não me permite cumprir o que me ordenaste.
É como uma foice rasgando minha garganta,
enquanto algo tenta me sufocar.
E eu sei...
eu sei que não sou eu —
mas sim,
a culpa daquilo que fiz.
Estou dividido em partes tão controversas
que já nem sei dizer quem sou.
Sei que Tu podes me ajudar.
Mas eu não consigo negar a mim mesmo,
muito menos carregar a minha cruz.
Perdoa-me, Pai...
mas eu não consigo ser o filho que Tu mereces.
Escola de Todos
Na lousa do tempo, um traço insiste,
Escreve o sonho que a todos assiste.
Gestores, faróis em mares diversos,
Tecem inclusão em gestos imersos.
Com mãos que acolhem, olhos que veem,
A escuta é ponte de onde todos vêm.
Na gestão que ouve, decide e compartilha,
A escola floresce, a dor se perfilha.
Democracia não é só assembleia,
É chão pisado onde a voz incendeia.
É conselho vivo, debate aceso,
É cada sujeito ocupando seu peso.
Mas há muros altos, velhos receios,
Políticas lentas, vazios, anseios.
Porém, com coragem, um plano se ergue:
A escola que inclui, jamais se perde.
Educação especial, direito, semente,
Precisa de solo, precisa de gente.
De leis que amparem, de ações com ternura,
De quem compreenda a alma e a estrutura.
Gestão é arte, é ciência, é paixão,
É dar voz ao silêncio, é abrir coração.
É ver no diverso um jeito de ser,
É fazer do aprender um modo de viver.
Eis o desafio que o tempo convoca:
Fazer da escola uma casa que toca.
Onde cada corpo, mente e emoção
Encontre na sala a sua canção.
O passado
O passado é um tempo
Que coexiste com o presente
Compartilhando suas experiências
E enriquecendo o presente e antecipando o futuro
E através de erros e ajustes vamos corrigindo os caminhos do futuro com base nas experiências passadas
O passado visto assim é tão presente quanto o futuro que ainda não chegou
Assim posso afirmar que o passado presente assim como o vindouro futuro estão conectados a uma linha tênue
Se romper danos ocorrerão
Logo, o passado existe no presente e existirá no futuro
A isso chamamos de "AGORA".
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