Textos sobre Mar
Só oferecemos de real aquilo que temos... a abelha dá o mel, o mar o peixe, a ovelha a lã, a luz o feixe, o cinema a fantasia, o palhaço a alegria, o mágico a ilusão. .. o poeta a poesia.
Eis tudo que tenho. Mas só sei quando escrevo, pois antes de vir à luz, parafraseando Gullar, poesia é tudo que não sabemos.... que não temos.
Me chamo José
Me chamo José
José daqui, José de lá
José de qualquer canto
José de qualquer mar.
José de minas
José de Drummond
José da Bahia
José do Ceará.
Me chamo José
Por não ser doutor
Sou apenas José
José lavrador.
Mesmo sendo José
Arranjei um amor
Que se chama Maria
Maria fulor.
Meu pai é José
Assim como eu sou
José de arimateia
Carregou o senhor.
Me disse que é santo
Todo homem José
Que veste o manto
O manto da fé.
Aqui nesta terra
De tanto José
Deus nunca se esquece
Do povo que é.
José de Abreu
José Xavier
José das medalhas
Maria José.
O mar que um dia ao teu lado conheci
o mar que contigo descobri, não existe mais
durante as minhas insônias, nos meus sonhos
leve, escutava, como música de Bach,
seus suspiros tristes ao esbarrar no cais.
O mar em que um dia bebemos a seiva da eternidade
hoje não nos satisfaz, o mar que antes era calma
descanso e paz, assim como teu, não existe mais.
O mar das ilusões
O mar não pode secar
assim acreditam os mortais
sendo sua experiência permanente
na efêmera visão dos temporais
morre o homem, como morrem assim os animais.
E o mar não se abala, continua impávido, soberbo e soberano, sobre-humano, atemporal.
É o mar nossa idéia de refúgio
é do mar que sugamos o doce e o sal.
Foi do mar que saiu a vida andando, é para o mar que um dia nós voltamos.
Sem o mar não há sonho ou metafísica, é o mar nossa grande eternidade.
Poetas são ervas daninhas
Poetas são como ervas daninhas
em qualquer encosta
em qualquer mar ou porto
em qualquer terra árida
nasce um poeta.
Em qualquer lugar, onde houver injustiça
sofrimento, guerras, fome e desesperança
haverá também um poeta
inventando sonhos, construindo pontes
pintando ilusões com as cores da esperança.
O mundo é injusto com todos os homens
mas com o poeta chega a ser cruel
tira-lhe tudo que se aproveita
depois cospe em seu rosto
e joga as suas cinzas
no mar da eternidade.
MAR REVOLTO
Vês estas estrelas? iluminam
todos os planetas, suas luzes
embora mortas ainda brilham
na imensidade do abismo
os mortais as referenciam
sabem que as estrelas são
reflexos da eternidade.
Assim são os amores na terra
parecem eternos,
mas são ilusões humanas
estúpidos e efêmeros,
não duram mais que
uma noite estrelada
vem o dia e a ilusão se vai
com o caos da noite.
Penso nisto cada dia em que me juras
amor eterno, sei que a tua voz
e o teu corpo, meu mar revolto
assim como as estrelas no infinto
no amanhã seguinte pode emudecer
desaparecer diante dos meus olhos
que de tão imperfeito não mais te enxergarão
ainda me iludo, ainda me engano
com a fé cega na eternidade
das estrelas mortas
e no teu amor humano.
Evan do Carmo 26/07/2018
O AMOR É UM GUIA PERFEITO
Nascemos num mar bravio
Jogados no mundo seguimos
Sem rota segura, como cegos
Sem guia, vivemos à procura
De um lugar de paz ,
O caminho é escuro, de angústias e ais.
Até que na penumbra da dúvida
Alguém nos estende a mão
Nos oferece um ombro amigo
E de mãos dadas seguimos juntos
Desviando dos abismos imprevistos
Nos apoiando um no outro
Vamos vencendo a distância
Que nos separa do porto seguro .
De olhos ainda fechados não entendemos
Que sorte de milagre nos foi concedido
Pois a paz e o abrigo agora são reais .
Quando a confiança se firma
E o afetos são recíprocos
Abrimos os olhos e compreendemos
Tudo, como um encanto sublime
Percebemos, enfim, que não éramos dois
E que só chegamos em segurança ao nosso destino
Porque havia outro entre nós .
Paramos e fazemos uma prece
A gradecemos a Deus,
Por nos ter dado um guia perfeito
Entendemos o milagre.
Durante toda caminha
Fomos guiados pelo amor
Evan do Carmo
Relembrar é morrer
a vida que não temos mais
um barco esquecido no mar
de saudade que ficou ao vento
no esquecimento dos temporais
relembrar é voltar ao passado
e saber que aquele cais já não existe
só o que persiste é a ilusão
em um lugar inatingível
que engana os incautos
relembrar nunca foi viver
só se vive uma vez
sentir saudades é voltar
ao que se perdeu no tempo.
NÃO É JOGO DE AZAR
Não se entregue, não se prenda
Não se renda ao medo de mar.
Há coisas no amor bem difíceis de explicar
Como pode por exemplo,
Um coração se apaixonar?
Não há regras matemáticas
Não é jogo de azar.
Nem todo amor vale a pena,
Nessa ética irregular
Não se deve dar migalhas a quem tem fome
Se queremos nossa alma alimentar.
O amor deve ser luz
Pra guiar nosso caminho
Fonte de vida e prazer
Aguá fresca, sombra e ninho.
Nem todo amor vale a pena
Não podemos tudo ter
Há tanta coisa escondida
No universo pra saber
Coisas vãs, filosofias
Céu e terra, amar, viver.
PRESSÁGIO
Quando você anda
Eu penso no mar
Na esquina da rua
À espera da lua
Eu me pego a sonhar.
A noite esfriou
A lua não veio
O mar me avisou
Que virá tempestade
A luz da cidade se apagou.
Um canto ofegante
Soprou minha sorte
Presságio de morte
Num passado distante.
Quando você acordar
Se lembre de mim
Na esquina da rua
À espera da lua
Eu me pego a sonha
MUSA DO MAR
Sempre que você me olha
o meu corpo treme desejo
desejo de lhe abraçar
desejo de lhe dar um beijo.
Lembro aquele dia
nós dois e do pôr do sol,
seu corpo bronzeado
eterna poesia..
Você, musa do mar
divino pão dourado
e eu pobre mortal
escravo do pecado
Pierrot sem fantasia.
O mar é o coração de Deus
E no meio de tudo isso está o mar
Imenso, misterioso e sublime
Que nos convida a refletir
Sobre a grandeza do divino
O mar é um espelho da alma humana
Com suas marés que sobem e descem
E suas ondas que vêm e vão
Assim como nossas emoções
Mas o mar também é um mistério
Uma imensidão sem fim
Que nos faz sentir pequenos
Diante da grandiosidade do universo
E é nesse momento que entendemos
Que somos parte de algo maior
Que nossa existência é passageira
E que devemos buscar a evolução
Pois assim como o mar evolui
Com suas ondas que transformam a costa
Nós também podemos evoluir
Com nossas escolhas e nosso amor
E quando finalmente compreendemos
Que estamos conectados ao divino
Que somos um com o universo
Encontramos a paz interior
E o mar continua a pulsar
Como o coração de Deus
Nos lembrando que somos parte
De algo maior e mais profundo
Então mergulhe nas águas salgadas
E sinta a energia do mar
Deixe-se levar pelas ondas
E pelo amor que nos une ao criador.
De olhos negros que brilham como o mar,
E curvas que fazem o sol suspirar,
Ela caminha graciosa e serena,
Tão bela que até mesmo a aurora inveja.
Seus cabelos negros como a noite,
Refletem estrelas em seu rosto encantador,
E sua pele morena como o barro,
Traz à mente do poeta a pureza do amor.
Oh! Como ela é bela, inspira mais paixão,
Com lábios vermelhos como a rosa rubra,
E seu sorriso tão encantador como a canção.
Como um feitiço a envolver, ela conquista,
Acalentando o coração do homem
Que admira a beleza, que há quem resista.
A busca é vã, por sentido e razão
no labirinto da existência, é fatal navegar sem rumo nesse mar de vileza
sem saber o destino, é a luz ou a treva?
Em meio ao caos, o desalento
não há esperança no coração
o que nos mantém em movimento
e nos faz acreditar na evolução.
Assim, seguimos em frente, na luta constante em busca da verdade,
do amor e da paz, rumo adiante.
A vida é um filme sem final feliz
uma viagem sem roteiro definido
O homem, esquecido navegante
O Peso do Mundo
A medida das coisas, o peso do mundo,
abismo profundo onde o mar se desfaz.
As costas do homem, forjado do barro,
o medo da morte, açoite voraz.
A busca insalubre nas ondas do vento,
sonhos abortados, perigos sangrentos.
A paz, utopia no vasto existir,
a sorte que foge, um monstro a engolir.
Davi e o gigante, um conto farsante
que não se refaz.
No campo terreno, a luta se perde,
o forte e o fraco bebem o mesmo veneno.
Seu amor é um mar revolto e profundo,
uma onda imensa que me puxa pra si,
um furacão que desarruma o meu mundo
e me faz rainha no caos onde eu vivi.
Ser amada por esse seu jeito avassalador
é perder o fôlego e, ainda assim, respirar.
É um fogo que arde sem dor, uma força gigante que me escolheu para habitar.
Em suas mãos fortes, encontro o cuidado,
na sua braveza, um refúgio de paz.
Sou sua, por inteiro e sem freio, num abraço apertado que me deseja como ninguém jamais.
E quando a sua intensidade me invade,
eu me sinto segura, inteira, sagrada.
Porque no seu amor que tudo sacode e chacoalha, eu sou a sua brisa... e a sua mais profunda morada.
Sua, Carolina.
Quase Nós
Éramos dois rios que queriam o mar,
mas corriam por margens opostas.
Dois tempos que nunca se encontram,
duas almas quase dispostas.
Nos olhos, havia promessa.
Nos gestos, carinho e abrigo.
Mas o mundo — cruel em seus mapas —
não traçou o mesmo caminho.
Faltou tempo, sobrou sentimento.
Faltou coragem, restou lembrança.
Vivemos no eterno “e se...?”,
no espaço entre o medo e a esperança.
Não foi falta de amor, eu juro.
Foi excesso de mundo, talvez.
Fomos poesia sem rima no fim,
história que o destino desfez.
E mesmo longe, ainda sinto
teu nome sussurrar no ar.
Fomos quase. Quase tudo.
Mas o quase não sabe ficar.
DIA DAS MÃES
Quanto mais o nosso mundo se agita neste mar de violências e de ódios,mais precisamos nos lembrar da figura da mãe, porque ela é a maior reserva de amor que Deus colocou neste mundo.
Quando tudo parece estar perdido, ainda resta o coração; é de lá que a vida começa a renascer. E tu, ó mãe, tens entre os homens o primado do coração. Nem os arranha-céus mais altos, nem os computadores mais possantes, nem os aviões mais velozes, podem ser comparados à beleza transcendente do teu olhar e o sentimento incomparável do teu coração.
Mãe, foste criada não só para dar a vida aos homens, muito mais do que isto, para defender a vida, para educar, para semear o amor entre eles.O mundo precisa aprender contigo mãe, antes que seja tarde, a lição do perdão sem limites, da compaixão que faz sofrer solidária, da bondade que supera toda inveja, da paciência que vence toda inquietação, do amor que vence todo ódio, e que é mais forte do que a morte.
Que você mãe, seja como a Mãe de Deus: disponível, discreta,silenciosa, delicada, amável, prestativa, fervorosa, toda entregue a Deus.
Somos gratos a Deus que te criou e te deu de presente a cada um de nós. Deves ser como a raiz da árvore, sempre escondida, mas sempre promovendo o crescimento dos ramos e dos frutos. Que olhando para ti aprendamos a dar graças a Deus todos os dias.
Mãe, mais do nunca, precisamos muito de ti! Alguém disse um dia que “ser mãe é sofrer no Paraíso”; e uma outra mulher disse que o filho depois que deixa o ventre da mãe, “passa para a sua cabeça, e dali não sai mais”. São palavras sábias do povo que bem expressam a grandeza da mãe.
Como filhos, aceitemos as nossas mães como elas são, com seus erros e acertos, suas qualidades e defeitos, suas inseguranças, limitações, exageros!
Obrigado mãe, porque me abrigaste e geraste em mim a vida. Obrigado pelas noites de sono, lágrimas derramadas, lutas do dia a dia. Obrigado pelo calor que me aquece nas horas frias, pelas suas mãos singelas que aliviam a minha dor. Obrigado pelo teu sorriso que acalma a minha angústia, ansiedade e inseguranças. Obrigado pelas muitas vezes que você renunciou sua vida, seus desejos, vontades e necessidades, para me servir. Obrigado pelo teu olhar profundo e sincero que me leva a Deus. Obrigado pela tua presença amiga que me faz acreditar no amor. Obrigado pelo teu abraço, pelo teu coração que sempre acolhe e perdoa.
Felipe Aquino
Escritor e apresentador da Tv Canção Nova
Mar Tempestuoso
Mar revolto ,
mar tempestuoso
Ao homem o deixa medroso
às garças pacientes a esperar
que volte a calmaria
para que possam se alimentar
Sorumbáticas , encorujadas
Sabem por instinto próprio
que não adianta
o furor do mar enfrentar
Então , empoleiradas aguardam
a tempestade passar
Confiam no amanhã
Como o bom pescador,
sabem esperar a maré baixar
edite lima/2019
ENTRE O ENCANTO E O DESGOSTO
Por: Marco Arawak
No mar profundo, onde o mundo parece dançar sobre as águas, há mistérios que nenhuma palavra consegue alcançar. As ondas se desfazem e retornam, como pensamentos que insistem em voltar. Há dias em que tudo parece distante, fosco, sem cor; dias em que o desgosto chega sem pedir passagem e transforma até aquilo que era familiar em paisagem estranha.
As sombras machucam não porque tenham mãos, mas porque às vezes carregamos dentro de nós aquilo que ainda não conseguimos compreender. Há olhares que pesam, silêncios que dizem mais que palavras e lembranças que permanecem mesmo quando já não queremos recebê-las.
Então uma brisa atravessa a copa das árvores.
É quase nada.
Mas basta.
O vento movimenta as folhas, leva alguns segredos e devolve outros. Talvez a vida seja assim: uma sucessão de coisas que chegam, permanecem por algum tempo e depois seguem adiante, deixando em nós marcas que nem sempre sabemos nomear.
A alma também possui suas marés.
Há momentos em que transborda e outros em que recua para lugares silenciosos. Chora sem testemunhas, questiona antigas crenças, enfrenta censuras, medos e incêndios que ninguém vê. E, no fundo dessas inquietações, o coração continua procurando um caminho.
Porque há paixões que começam como promessa e terminam como ferida.
Há sonhos que se desfazem justamente quando acreditávamos tocá-los.
Há amores que deixam de ser abrigo e passam a doer.
Mas nem toda perda é o fim de alguma coisa.
Às vezes, é o espaço necessário para que outra forma de vida encontre lugar.
O amanhecer não pergunta o que aconteceu durante a noite. Simplesmente chega. A luz toca lentamente aquilo que estava escondido e devolve contorno às coisas. O que parecia perdido ganha outra perspectiva. O que parecia definitivo revela-se apenas uma passagem.
É nesse instante que a poesia começa a fazer aquilo que a memória nem sempre consegue.
Ela transforma.
Não apaga a dor, mas muda sua linguagem.
Não nega o desgosto, mas impede que ele seja a última palavra.
O amor pode ter sido ferido e ainda assim continuar sendo amor. A confiança pode ter sido abalada e ainda assim reconstruída. O coração pode carregar cicatrizes sem precisar transformá-las em morada.
A vida segue como um caminho que não revela toda a paisagem de uma vez. Caminhamos entre certezas e dúvidas, entre encontros e despedidas, entre aquilo que desejávamos e aquilo que aprendemos a aceitar.
Às vezes caminhamos sozinhos.
Mas estar sozinho não significa estar vazio.
Há dentro de nós um lugar onde alguma coisa permanece acesa, mesmo quando tudo parece silencioso. Não é certeza. Não é promessa. É apenas a possibilidade de continuar.
Um fio.
Um movimento.
Um passo depois do outro.
No céu vasto, o azul parece infinito. O sol atravessa as sombras e lembra que nenhuma noite possui o poder de apagar definitivamente a possibilidade de um novo dia.
Até a tristeza, quando atravessada com consciência, pode perder sua força.
Ela pode continuar existindo, mas já não governa.
O desgosto deixa de ser destino e transforma-se em passagem. O que antes parecia apenas ferida pode tornar-se consciência. O que doeu pode ensinar sem precisar permanecer doendo para sempre.
É assim que sigo.
Não porque tenha deixado de sentir medo, mas porque aprendi que coragem não é caminhar sem medo. É continuar mesmo quando o caminho ainda não está completamente iluminado.
Verso após verso, reúno aquilo que a vida espalhou.
Memórias.
Desejos.
Perdas.
Afetos.
Silêncios.
E, com tudo isso, construo não um universo perfeito, mas um universo possível: aquele em que a tristeza pode existir sem destruir a alegria, em que o pranto pode dividir espaço com o sorriso e em que a dor não precisa apagar o encanto.
Talvez seja esse o segredo da poesia.
Ela não promete que a vida será leve.
Promete apenas que podemos olhar novamente para aquilo que nos feriu e encontrar outro significado.
O que ontem parecia fim pode amanhã revelar uma passagem.
O que parecia vazio pode guardar sementes.
O que parecia desgosto pode, com o tempo, ensinar novamente o gosto da vida.
E a alma, depois de atravessar suas próprias tempestades, talvez não volte a ser a mesma.
Talvez volte mais consciente.
Mais silenciosa.
Mais inteira.
Porque a primavera não nasce negando o inverno.
Ela nasce depois dele.
E quando finalmente chega, não precisa explicar por que demorou.
Apenas floresce.
