Textos sobre Mar
Bem disposto
Um mar de lágrimas já tentou afogar a minha alma, mas são muitas as lembranças que me trouxeram felicidade, foram muitos dias de loucura e intensidade vivenciados ao lado daquele grande amor. O espírito de vitória de reviver o antes, sobrevive em mim e quer sair voando para confrontar a saudade e pousar em solo fértil aonde plantei um pouco de mim.
Tenho marcas de ti na minha pele, as rosas que te dei sabem dos nossos segredos mais íntimos, não a dias que eu não te veja, não a noites sem você nos meus sonhos. Dizem por ai que os opostos se atraem, pois eu te digo que os dispostos se completam.
Cadeira de balanço
Sentado em uma cadeira de balanço olhando para as nuvens densas e o mar, vi passar em meus pensamentos muito do que me fez bem na minha vida,
Revive momentos, passei em alguns saudosos lugares, encontrei alguns amigos e pensei nela com muito carinho,
Sentado em uma cadeira de balanço olhando para as nuvens densas e o mar, tomei decisões, coloquei alguns sonhos na ordem certa para poder realizar, eu vi o futuro acontecendo e dei muitas risadas,
A cadeira de balanço, continuou balançando sozinha apoiada pelos fortes ventos trazidos pelas nuvens densas que agitavam o mar.
Em tempo
de catedral
francesa
demolida
pelo fogo,
de censura
togada,
de mar não
devolvido,
de Assange
preso,
de América Latina
tendo a porta
forçada,
Eis a poética
que pela
liberdade,
ainda vive
e clama,
Porque urge
resgatar
a bondade
original
e anseia abrir
portas para
a tropa, civis
e o General.
Nada neste
mundo deve
ser absoluto,
a não ser
a nossa
humanidade,
Mas a única
certeza que
carrego desses
estranhos tempos
contemporâneos
é que eles só
inspiram resistir
aquilo que não
é normal em
lugar de cultivar
os nossos sonhos,
e que só isso
na vida não é bom.
A cifra choca,
este nó que
não desata
tem me
dado agonia,
e esse é o número
de presos:
91 do Exército,
20 da Aviação,
24 da Armada
e 58 da Guarda
Nacional,
Vítimas de um
dos grandes
absurdos
do mundo ocidental.
No final deste
dia primeiro,
Relembro que
não recuperei
O mar, a tropa
e o General,
E assim sigo
sem ter como
me conformar,
Não consigo
calada portar
este gutural
e triste lamento.
Prosseguindo
mesmo sob
o tormento
de espessa
presença,
Que segue
sentenciando
esta tristeza
e penumbra,
Estou resoluta
que não é
tempo de calar.
Para enfrentar
o quê a falta
de compreensão
e de cooperação
não consigam
piorar o quê já
está péssimo,
E para que elas
não te alcancem:
Procure se manter
em equilíbrio
para superar
os obstáculos
com ânimo,
e obter o êxito.
Do dia primeiro
sou a voz da
reclama ao
mundo inteiro
que o mar não
foi devolvido,
por ele ergui
poesia e grito.
Não sou a sereia
com a acústica
concha na mão,
e nem tão poeta
como gostaria.
Nem o tempo
pode apagar
o quê aconteceu,
não me calo
porque qualquer
um não está livre
de quem não leu.
Do Vale de Azapa
em plena costa,
sou canção que
não se apaga,
incaica e aymara.
Não aceito o tal
resultado que
foi mal decidido,
porque quem
não se esforçou
para saber da
História nada
tem de bendito.
Braço do Norte
Entre a Serra Geral e o Mar
a história do povo originário
e dos desbravadores onde
arpeja o Rio Braço do Norte
ergueu uma cidade de gente
honrada e forte que emoldura
com beleza o sul catarinense.
Montes, vales e colinas
repletam com mistérios
o imaginário contemplativo,
Quedas d'água, córregos e rios
adornam com ternura
a terra que retribui com fértil
e gentil beijo ao Homem.
O curso da água doce
com o mar se encontra,
O tamanho do amor que tenho
por Braço do Norte perdi a conta:
Só sei que verei a Lua surgir
e o Sol nascer além da conta.
Como Evo bem disse:
"Nuestro reencuentro
con el mar no solo es
posible, sino, inevitable",
e esse meu anseio de ver
a justiça devolver a vida
ao seu lugar virou poesia
sem um instante sossegar.
Com o tempo de espera
por causa de quem
não quis conversar
para um caminho
em comum encontrar
a questão já teria sido
negociada e resolvida.
Desfrutar de um mar
em companhia é
melhor do que desfrutar
de um mar em solidão;
bem mais que o diálogo
tão aguardado entre
o Chile e a Bolívia,
quero que reinem
a paz, o amor e a união.
O mar é para os povos
e dá para todo o mundo
desfrutar sem se conflitar,
é só questão do respeito
e a fraternidade recuperar.
O diálogo foi levado
até o Palácio da Paz
para colocar no seu
devido lugar a História
com a justa soberania.
Há um novo capítulo sem
Guerra a ser escrito para
a rota que pede justiça ao
mar que foi subtraído,
pois o povo foi traído.
Há uma imperdível
oportunidade de se
fazer uma Nova Era
de prosperidade
ganha quem souber
viver com flexibilidade.
Não se impõe isolamento
geográfico a Pátria alheia,
porque um dia o destino
cobrará a conta inteira;
é preferível colaborar
com a justiça para
que ela aconteça.
Inaugurada foi a Primavera
pelo clamor da volta
do mar aos povos
que foi feita pelo poeta.
O dia 1° de outubro
é um cais que fica logo
ali aonde desembarcar
de uma longa espera
é inadiável e justo.
Já não tenho dúvida
que é por mim que
você há desassossegar,
conhece os meus
poemas e prantos
de fazer apaixonar.
Entusiasmada é a canção
que guardo a sete-chaves
que está preparada
para fazer o teu
coração bater
pelo meu forte como
uma onda no mar.
Doces ondas sonoras
do meu coração
sul-americano,
e me traga o livro
do Coco Manto,
que te retribuo
com um beijo
levando você
para comigo
navegar no mar
que a Bolívia
bem nasceu,
e a história vai
levar ao seu lugar.
Garuva
Olhando para a Serra do Mar
plena é a cidade de metal
que se ergue com industrial
sabedoria e repleta de lavouras
de amor por mãos europeias
que o Atlântico cruzaram
em busca de uma nova vida.
Minha Garuva maravilhosa
agrícola e madereira
dos rios e da Baía do Babitonga,
é nas Cascatas do Quiriri
faceira que celebro somente a ti.
Minha Garuva profunda,
meu Paraíso das Águas,
meu Caminho dos Príncipes
meu Caminho do Peabiru
real, etéreo e mais sublime
que ao tempo resiste.
Minha Garuva mística
do Monte Crista
e dos Campos do Quiriri,
o meu coração mora em ti.
Minha Garuva inebriante
de lábios de alambique,
coberta de flores e radiante
tu és do Nordeste de Santa Catarina
mais preciosa do que diamante.
Águas Frias
Nascida da herança
de uma esperança
construída além mar,
Das águas geladas
em meio as matas
e onde os ventos
te beijam: se fez lar.
Capturou o coração
de todos o quê vieram,
dos que vem e vão,
Águas Frias do Oeste
és a beleza da prece
e o amor da canção.
Semeando, plantando
colhendo e acolhendo,
É destino certo para
quem deseja toda
a paz e o aconchego.
Explode a caixa como
a onda do mar quebra,
O pandeiro borbulha
memorial da espuma
sob as brancas areias
do que merece por
cada um lembrado,
A cuíca lírica saúda,
o pandeiro se emociona,
O reco-reco arranha
e o ganzá se assanha.
Um poemário e a dança
para homenagear
a Nossa Senhora do Rosário.
É o Cacumbi cumprindo
a missão na Procissão
de Bom Jesus dos Navegantes,
você me levando no coração.
É o Cacumbi levando
a multidão e eu te
levando no meu coração.
A Bandeira de São Benedito
em pleno hasteamento,
a gente na gamação
em vestes de coroação.
É o Cacumbi paixão
se preparando para que venha
a Folia de Reis na nossa Nação.
Afixo as Minhas Âncoras
Atolado na indecisão
navego na deriva
de um mar indigesto.
Repleto de sais e dúvidas
esta ondulada hesitação
move o êmbolo da minha nau.
No alambique da minha pele
escorre o poema que perdi.
Grita o vento no íntimo da noite,
desflora o silêncio.
O desembarque das tempestades
arrefecem as estrelas
- saboreio os astros que iluminam
as débeis praias;
afixo as minhas âncoras
nos areais onde severamente
se acomodam as civilizações
nesta esfera pintada em tons de azul.
O Mar Traz-me o Teu Beijo
Não vou à terra estranha de mim
vou vazio de espera e condenado
de esperança
o horizonte puxa a minha estrada.
Todas as estrelas apagaram o sonho
envolto no teu cheiro a atestar
o meu pensamento
o meu coração enuncia as lágrimas.
Não me deixam ficar
sem pão e sal
rebento o momento
escorrem lembranças
que alagam as horas
neste exprimido suspiro
queima o silêncio
escuto os meus passos
cingidos pelo vento
perto da distância
longe da tua boca
os dias não amanhecem
as noites não adormecem
suavemente abre-se a janela
e o Mar traz-me o teu Beijo.
Alcançámos as Nossas Almas
Faremos um poente
numa porção de mar
e de braços abertos
deixaremos entrar a canção
desenhada no alaranjado céu.
O luar de boca aberta
narra a melodia das amoras,
deitados na cristalizada areia de jasmim
os nossos desnudados corpos
amaram-se até as estrelas adormecerem
e entre o céu e a terra
alcançámos as nossas almas.
Falta
Enquanto é noite, o mar se esconde,
alguns passos reaprendem, trilham
os mesmos caminhos... levando a lugar
nenhum um desejo,e vai... com atenção
nos tantos esquecidos detalhes... seus.
Uma falta que falta.
Falta o riso, o olhar, a graça,
o pronunciar o amor com alegria.
Presa à alma, restos de poesia.
Ainda,algumas palavras habitam
lá dentro...
outras se perdem sem eco, a doçura
aos poucos vai amargando, noites
e noites, nada bem vindas, torturando
os pensamentos.
Tristonhavem outra madrugada,
sonhos solitáriosvão sumindo, descendo feito chuva
banhada em lágrimas pelas calçadas.
O mar noturno queria ser, para assim ficar
invisível, ao menos nas noitesque já não posso
sequer sonhar com você.
Mantenha a alma atenta:
Premedita, goza e silencia
Diante do mar de violeta.
Desarma a alma inquieta:
Procura o Ano Novo
Brinde-o com bom gosto.
Suspenda a ânsia intensa:
Entrega, sorria e repouse
Somos feitos de poesia.
Liberta o prisioneiro:
Procura a liberdade
Celebre a vida em verdade.
Proponha a vontade tua:
Desafia, ritualize e vivencia
Diante da minha letra nua.
Enfeite com o quê mais fulgura,
Eterniza com a tua doçura,
Inscreva-me no teu peito ternura.
Trazes o signo da vida,
- o balanço do mar
Trazes o melhor de ti,
sabendo que estou aqui
Sempre a te esperar...
Onde você está? Não sei.
Talvez é preciso esperar?
Melhor se distanciar,
como quem procura conchas
Na beirinha do mar...
Trazes o soneto amante,
- a tatuagem indiscreta
Trazes a vontade secreta,
- envolvente e furtiva -
Determinada além do instante.
Não vou insistir,
Vou deixar fluir - seguir,
Escrever, dançar e pintar
- a nossa história -
Deixando ela livre para seguir.
Porque de mim tens o canto
E a pertença extrema,
De me amar em liberdade
- intensa -
Com toda a potência.
Além disso, tens a consciência:
De que toda a volúpia
E a sincera luxúria
São capazes de me mover
Além do anoitecer...
Tarde ensolarada à beira mar
E ritmada ao modo do vento,
No ir e vir do balanço do mar
Como o teu jeito manso,
A tua voz de suave encanto,
O teu riso aberto, sincero;
Trazendo a tua voz presente
Anunciando contente:
- a nossa reaproximação!
Os pássaros são anjos inteiros
De plumas adornados,
Cantores da anunciação,
Saudando o tempo e a distância;
Pela incapacidade de desfazerem
Uma verdadeira paixão.
Os divinos cantores
De asas abertas,
São ainda mais lindos
Anunciando a liberdade,
Que só o amor pode trazer
A verdadeira salvação.
Os sentimentos não se dissociam,
Amor e paixão tem uma fórmula
- secreta -
A nós foi nos dada à missão:
De sermos boticários da anunciação
De uma mística que Deus secreta.
Ali, logo ali está,
A vida a vibrar,
Bem no mangue,
Não tão distante,
E bem perto do mar;
Na Ilha dos Remédios,
Vou a cura procurar
Pela cura do mal de amor,
Devo ir, e se lá eu não for,
Comigo para sempre ficará
A repleta dor desse mal de amor,
- Que talvez nunca passará... -
Ali, bem dentro de ti,
Com o barulho do mar,
Sublime cantante,
Menestrel brilhante,
Indo sempre ao mangue,
Para a vida cultivar,
Nas carregadas redes de pesca,
Para enriquecer a festa e alimentar,
O povo que luta e ama,
Nessa terra que o mar balança,
Floresce no sorriso a alma açoriana.
