Textos sobre Felicidade
Ser criança é não ter a ânsia de querer ser...
É viver sem se comprometer
com a realidade daqueles que nada são
Não vivem
Não sonham
Não têm imaginação
Ser criança é não se
Contentar com a monotonia
Do mundo...
Com a falta de graça,
de cores, de rumo...
É aproveitar a vida
Cada segundo
(...)
Ser criança é sorrir
Com as coisas
simples da vida
É ter o coração livre
E amar sem medida
FLORES, Leandro, 2017
A maturidade de viver em paz
Com o tempo, a gente aprende que estar em paz é muito melhor do que ter razão. A maturidade nos ensina a fluir com a vida, sem tanta resistência, sem a necessidade de controlar tudo e sem transformar cada desacordo em uma batalha.
Descobrimos que a verdadeira felicidade não está em fazer tudo acontecer como desejamos, mas em desenvolver a sabedoria de aceitar aquilo que não podemos mudar, a coragem de transformar o que está ao nosso alcance e a serenidade para compreender a diferença entre as duas coisas.
O que não pode ser mudado não merece roubar a nossa paz. Há situações que precisam ser enfrentadas, outras que precisam ser compreendidas e algumas que simplesmente precisam ser deixadas para trás.
Então, aprendemos a viver um dia de cada vez, às vezes errando, às vezes acertando, caindo, levantando e recomeçando quantas vezes forem necessárias. Porque amadurecer não significa deixar de errar, mas aprender com os erros sem perder a vontade de ser alguém melhor.
No fim, percebemos que a vida não exige perfeição, mas presença; não exige que tenhamos todas as respostas, mas que saibamos acolher as perguntas; não exige que agrademos a todos, mas que não percamos a nossa essência tentando fazê-lo.
Porque, quando tudo passa, quando as certezas se desfazem e o tempo leva aquilo que julgávamos indispensável, descobrimos que o verdadeiro legado de uma vida não está nas batalhas que vencemos, nas razões que defendemos ou nas coisas que acumulamos, mas no amor que deixamos pelo caminho — inclusive naquele que aprendemos, finalmente, a oferecer a nós mesmos.
No fim das contas, vencer na vida é conseguir deitar a cabeça no travesseiro com a consciência tranquila, o coração em paz e a certeza de que, apesar de tudo, não deixamos de ser humanos.
Força para viver não é nunca cair. É cair, sentir, chorar, e ainda assim levantar dizendo: minha ancestralidade me sustenta e minha fé me guia.
Quem vê seu sorriso não imagina quantas vezes você precisou se levantar sozinho(a).
Você pode cair sim. Você pode chorar, sentir medo, ficar cansado. Isso não te faz fraco. Isso te faz humano.
A sua força não está em nunca cair. Está em sempre levantar. E você levanta porque não está sozinho. Seus ancestrais te sustentam, seus guias te guardam, sua fé te guia.
Respire fundo. Você já superou tanto, vai superar mais essa também. E vai continuar superando sempre, você nunca está só!
A beleza de voltar para si mesma
Sobre liberdade, recomeços e a arte de viver em paz.
Há momentos na vida em que olhamos ao redor e percebemos que, depois de tantas chegadas, partidas, expectativas e experiências, voltamos a um lugar que, de alguma maneira, sempre foi nosso ponto de partida.
Estou novamente com minha avó, como nos primeiros capítulos da minha história. A vida aconteceu, pessoas passaram, relações foram construídas e algumas se desfizeram. No caminho, acumulei experiências, decepções, aprendizados e lembranças. E cá estou, novamente ao lado dela, mas já não sou a mesma menina de antes. Carrego comigo uma bagagem que o tempo, as escolhas e as experiências me ajudaram a construir.
E sabe o que descobri? Não há tristeza em retornar à origem quando levamos conosco uma nova maneira de enxergar a vida. Há, na verdade, uma paz imensa em reconhecer o lugar ao qual pertencemos e perceber que não precisamos estar cercados de pessoas para nos sentirmos completos.
Hoje, compreendo que as pessoas são o que são. Cada uma carrega sua própria história, seus valores, suas feridas, seus aprendizados e sua maneira particular de interpretar o mundo. Nem todos enxergam a vida como eu, atribuem o mesmo significado às relações ou compreendem os sentimentos da mesma maneira. E tudo bem.
Minhas expectativas são minhas, construídas a partir da minha maneira de perceber a realidade. O outro, por sua vez, age de acordo com aquilo que conhece, acredita e consegue oferecer. Isso não significa que devo aceitar qualquer comportamento, mas que posso compreender as diferenças sem abandonar meus próprios valores.
Aprendi que não preciso transformar as pessoas naquilo que imagino que elas sejam. Preciso conhecê-las, observar suas atitudes e permitir que o tempo revele quem realmente são.
Também compreendi que gostar de alguém não significa entregar a essa pessoa o controle da minha paz. Posso construir vínculos sem fazer deles o centro da minha existência. Posso desejar a permanência de alguém sem temer tanto a partida. Posso acolher quem chega, respeitar quem decide ir embora e continuar vivendo.
Não quero mais preencher os espaços da minha vida apenas porque estão vazios. Alguns serão ocupados, talvez. Outros poderão permanecer assim, e não há problema nisso. Não tenho pressa. Hoje, entendo que cada espaço merece ser cuidado com consciência, e que nem toda presença representa um acréscimo àquilo que já construí.
Minha vida não está à espera de alguém para começar.
Ela já acontece.
Acontece quando estou sozinha e posso organizar meus pensamentos sem interrupções. Quando caminho livremente, observo as pessoas, sorrio para alguém e sigo meu caminho sem me preocupar com julgamentos. Quando escolho onde ir, o que fazer e como aproveitar meu tempo. Quando posso simplesmente existir sem sentir que preciso explicar minhas escolhas ou prestar contas da minha intimidade.
Essa liberdade me proporciona uma paz difícil de descrever. Não porque eu tenha deixado de gostar das pessoas, mas porque descobri o prazer de estar comigo mesma.
Gosto de ter companhia quando ela faz sentido, mas também gosto da minha solitude. Não preciso transformar todos os momentos em experiências compartilhadas para que sejam especiais. Há coisas que posso descobrir sozinha, pensamentos que amadurecem no silêncio e alegrias que não precisam de testemunhas para serem verdadeiras.
E, entre tantos momentos que dão sentido à minha vida, estão aqueles em que rezo com minha avó. Neles, encontro o aconchego da nossa história, a força da fé e a beleza de compartilhar algo que ultrapassa as palavras. Minha relação com Deus me ajuda a olhar para a vida com mais serenidade e a compreender que nem tudo precisa acontecer no meu tempo ou conforme minhas expectativas.
Talvez uma das maiores mudanças que experimento seja justamente esta: já não quero viver esperando que grandes acontecimentos me tragam felicidade.
Durante muito tempo, podemos acreditar que a vida começará a sorrir quando realizarmos determinado sonho, encontrarmos alguém especial ou alcançarmos aquilo que tanto desejamos. Entretanto, enquanto esperamos, muitas bênçãos já acontecem diante dos nossos olhos.
Elas estão na tranquilidade de um dia comum, na presença de quem amamos, na oportunidade de estudar, na possibilidade de descobrir algo novo, na oração que acalma o coração e até mesmo na liberdade de sair de casa e contemplar o mundo.
Às vezes, esperamos tanto pelas grandes alegrias que nos esquecemos de reconhecer as pequenas bênçãos que já fazem parte da nossa caminhada.
Hoje, quando olho para a minha vida, percebo que ela está sorrindo para mim todos os dias. Não porque tudo seja perfeito, nem porque todas as minhas vontades tenham sido atendidas, mas porque aprendi a reconhecer o valor daquilo que já existe.
Continuo tendo sonhos, desejos e curiosidades. Quero aprender, conhecer lugares, experimentar coisas novas e descobrir aspectos de mim mesma que ainda desconheço. Quero continuar me encantando com a natureza, com as pessoas que fazem bem à minha existência e com as surpresas que a vida pode reservar.
Mas já não quero fazer do futuro uma condição para apreciar o presente.
Se um dia alguém chegar e fizer sentido permanecer, haverá espaço para compartilhar essa caminhada. Não precisará me salvar da solidão nem me ensinar que minha vida tem valor. Será alguém com quem poderei dividir a beleza de uma vida que já existe, sem precisar abandonar a mim mesma para construir uma história a dois.
E, se esse encontro não acontecer, a vida continuará tendo muito a me oferecer.
Porque minha felicidade não precisa depender de uma presença específica, e minha história não perde o significado quando alguém deixa de fazer parte dela.
Quero continuar aprendendo a amar sem me abandonar, a acolher sem me anular, a respeitar sem ultrapassar meus próprios limites e a compreender que a liberdade também exige responsabilidade pelas escolhas que faço.
Não preciso controlar tudo, prever todas as despedidas ou me proteger de cada possível decepção. Posso agir com prudência e ainda me permitir ser surpreendida. Posso preservar minha paz sem fechar o coração. Posso reconhecer que algumas experiências do passado me ensinaram a escolher melhor, sem permitir que elas determinem tudo o que viverei no futuro.
Afinal, amadurecer não é deixar de sentir. É aprender a lidar com os sentimentos sem permitir que eles decidam sozinhos os rumos da nossa vida.
Hoje, percebo que voltar ao ponto de partida não significa retroceder. Às vezes, significa retornar àquilo que é essencial, mas com olhos diferentes, mais consciência e uma compreensão mais profunda de nós mesmos.
Estou aqui, ao lado da minha avó, vivendo minha história, cultivando minha fé e aprendendo a apreciar a vida que tenho.
Não estou esperando que alguém chegue para começar a viver. Estou vivendo, descobrindo, aprendendo e me encantando com o mundo.
E, quando a vida me sorrir de uma maneira inesperada, quero estar atenta para reconhecer esse sorriso. Mas, enquanto ele não vem na forma que imagino, não deixarei de perceber todos os outros que já recebo diariamente.
Porque, pensando bem, a vida já está sorrindo para mim.
E eu também estou aprendendo a sorrir de volta.
Que eu nunca esteja tão ocupada esperando pelas grandes bênçãos que me esqueça de agradecer pelas pequenas alegrias que já fazem morada na minha vida.
Que eu tenha sabedoria para acolher o que chega, serenidade para respeitar o que parte e liberdade para continuar sendo quem sou.
Que minha fé permaneça firme, que meu coração continue sensível e que minha consciência me ajude a fazer escolhas cada vez mais alinhadas com aquilo em que acredito.
E que eu nunca me esqueça de que a vida não precisa estar cheia de pessoas para estar cheia de significado.
Às vezes, tudo o que precisamos é de paz, fé, liberdade, amor e coragem para continuar descobrindo a beleza de existir.
A vida é surpreendentemente linda. E eu ainda tenho muito a descobrir sobre ela e sobre mim mesma.
*Estacionado no teu passo*
Até quando você vai viver na minha loucura?
A saudade grita baixinho dentro do peito,
os pensamentos pegam estrada sem mim,
e eu...
eu fico aqui.
Estacionado no teu passo.
Não consigo seguir em frente,
não posso recuar.
Só espero o vento assoprar e levar
o que ainda dói,
e deixar o que ainda ama.
Talvez um dia eu aprenda
a desligar o motor,
sair desse ponto
e caminhar com as minhas próprias pernas.
Mas hoje...
hoje a saudade ainda é o timoneiro.
(Saul Beleza)
QUANDO O FRACASSO SEMPRE PEDE UM RECOMEÇO
Viver no fracasso não é cair uma vez. É acordar todos os dias dentro dele. É abrir os olhos sabendo que os desafios continuam ali, intactos, esperando. É recomeçar sem plateia, sem garantias, sem a certeza de que desta vez será diferente. E ainda assim, você levanta. Homem ou mulher, você levanta porque está vivo e viva. E enquanto há vida, há algo que insiste. Esperança não como promessa bonita, mas como teimosia silenciosa.
Quem vive no fracasso aprende cedo que o recomeço não é um evento grandioso. Ele não vem com virada dramática nem com aplauso. Recomeçar, nesse contexto, é simplesmente não desistir naquele dia. É enfrentar o mesmo problema com o corpo cansado e a mente cheia, sabendo que ontem não funcionou e que talvez hoje também não funcione. Mesmo assim, você tenta. Isso não é ingenuidade. É sobrevivência consciente.
Há uma coragem pouco reconhecida em quem recomeça todos os dias sem mudança visível. O mundo costuma admirar apenas quem sai do fundo rápido, quem dá a volta por cima de forma limpa e vendável. Mas a maioria vive outra realidade. Vive o fracasso prolongado. Vive a espera. Vive o esforço que não gera retorno imediato. Vive a repetição.
E é nessa repetição que algo se constrói, ainda que invisível. Você aprende a lidar com a frustração sem se destruir. Aprende a ajustar expectativas. Aprende a medir o dia por pequenas vitórias que ninguém celebra. Às vezes a vitória é comer. Às vezes é não desistir de si mesmo e de si mesma. Às vezes é simplesmente não se entregar ao cinismo.
Recomeçar todos os dias não significa acreditar que tudo vai dar certo. Significa aceitar que desistir garante que tudo permaneça como está. Enquanto você vive, existe a possibilidade de mudança. Não a certeza. A possibilidade. E isso, para quem está no fundo, já é muito.
A esperança aqui não é euforia. É um fio fino, quase invisível, que impede o colapso total. Ela não grita. Ela sussurra. Diz apenas continue hoje. Amanhã você vê. Essa esperança não promete recompensa. Ela apenas lembra que a história ainda não acabou.
Viver no fracasso também ensina algo duro. Que você não controla tudo. Que o esforço nem sempre se converte em resultado. Que o mundo não é justo. Mas ensina algo igualmente importante. Que você pode controlar a decisão de continuar. Mesmo quando tudo ao redor sugere que seria mais fácil desistir.
Há dias em que o recomeço dói mais do que o fracasso em si. Porque recomeçar exige encarar novamente a possibilidade de errar. Exige abrir o peito para outra tentativa que pode falhar. Muitos desistem não por preguiça, mas por exaustão emocional. E ainda assim, você segue. Não porque é forte no sentido idealizado, mas porque algo em você se recusa a encerrar a própria existência antes do tempo.
Enquanto você vive, ainda há encontros possíveis. Ainda há aprendizados que não aconteceram. Ainda há uma versão sua que não foi testada. Viver mantém essas portas entreabertas. Morrer por dentro as fecha todas.
Recomeçar todos os dias também redefine o conceito de vitória. Vitória deixa de ser chegar lá e passa a ser não se perder completamente no caminho. Passa a ser manter alguma integridade interna em meio ao caos. Passa a ser preservar a capacidade de sentir, de pensar, de desejar algo diferente.
Há uma dignidade silenciosa em continuar mesmo quando ninguém aposta em você. Mesmo quando as circunstâncias são hostis. Mesmo quando o histórico não ajuda. Essa dignidade não aparece em discursos de sucesso, mas sustenta vidas inteiras.
Enquanto você vive, o fracasso não é definitivo. Ele é apenas o estado atual. Estados mudam. Às vezes lentamente. Às vezes de forma inesperada. Mas só mudam para quem permanece.
Viver no fracasso e recomeçar todos os dias não é romantizar a dor. É reconhecer que a esperança não nasce da facilidade, mas da insistência. Não nasce da certeza, mas da possibilidade. Não nasce do conforto, mas da recusa em se apagar.
Você continua porque ainda respira. Porque ainda pensa. Porque ainda sente. E isso, por mais simples que pareça, é a base de qualquer transformação futura. Enquanto há vida, o capítulo seguinte ainda pode ser escrito. Mesmo que hoje ele seja curto. Mesmo que hoje ele doa.
Enquanto você vive, ainda há esperança. Não porque alguém prometeu, mas porque você ainda está aqui. E estar aqui, todos os dias, apesar de tudo, já é um ato profundo de resistência.
Tem uma coisa que ninguém conta quando a gente começa a viver achando que é protagonista de alguma grande história… é que no final, o público vai embora sem avisar. Um por um. Sem aplauso, sem despedida organizada, sem aquela trilha sonora dramática que a gente imaginou na cabeça. A vida não tem créditos finais, ela tem silêncio.
Eu fico pensando nisso às vezes, assim, do nada, mexendo no celular ou lavando uma louça qualquer. Em algum momento, vai existir um dia em que a última pessoa que lembra de mim vai respirar fundo pela última vez… e pronto. Acabou. Não sobra nem eco. Nem alguém pra dizer “ela gostava disso”, “ela ria assim”, “ela tinha esse jeitinho estranho de pensar demais enquanto fingia que estava de boa”.
E olha que curioso, porque a gente passa a vida inteira tentando deixar marca. Filho, foto, vídeo, texto, briga, reconciliação, status bonito, frase de efeito… como se a gente estivesse assinando presença no mundo. Só que o mundo é um quadro branco gigante e insistente, que apaga tudo com o tempo. Sem dó, sem cerimônia, sem perguntar se pode.
E não é triste do jeito que parece, sabe? É quase libertador, mas com um toque de deboche. Porque se tudo isso vai desaparecer mesmo… então pra quê tanto peso? Pra quê viver como se estivesse sendo avaliada por um júri invisível que nem vai existir daqui a alguns anos?
Eu começo a achar que a graça da vida não está em ser lembrada, mas em sentir enquanto dá tempo. Em rir alto mesmo sabendo que ninguém vai guardar o som. Em amar alguém mesmo sabendo que essa história não vai virar lenda. Em viver como quem escreve na areia, sabendo que a onda vem… mas escrevendo mesmo assim, caprichando na letra, fazendo até um coraçãozinho no final.
No fundo, talvez a gente não precise ser eterno. Talvez a gente só precise ser intenso o suficiente pra que, enquanto estamos aqui, faça sentido. Nem que esse sentido dure só o tempo de um café quente ou de uma conversa que ninguém mais vai lembrar amanhã.
Porque veja bem… o esquecimento não é um castigo. É só o jeito do mundo seguir em frente. E a gente, enquanto ainda está aqui, pode escolher: viver tentando não ser apagada… ou viver sabendo que vai ser, mas mesmo assim, viver bonito.
Agora me diz, se tudo acaba no silêncio… não dá uma vontade ainda maior de fazer barulho enquanto dá tempo?
No fim, muita gente não deixa de viver por falta de capacidade…
deixa de viver por excesso de medo.
Medo de julgamentos, de críticas, de não caber nas expectativas dos outros.
E, sem perceber, vai se afastando da própria essência para ser aceita por quem talvez nunca ficará satisfeito.
A liberdade começa quando a opinião alheia perde o poder de decidir quem você deve ser.
Porque a vida fica leve quando a consciência vale mais do que a aprovação.
Interesse
Meu interesse é viver uma paixão. Menina
Meu interesse é viver um grande amor. Menino
Meu interesse é muito raro não me desanima
É a paixão que dura um dia inteiro e a tarde termina
Meu interesse é longe distante de qualquer caminho
É o lenço que foge das lágrimas e chora sozinho
Meu interesse é viver uma paixão. Menina
Meu interesse é viver um grande amor. Menino
Meu interesse é um subir pra baixo descendo pra cima
É o punho girando o pandeiro dessa minha sina
Meu interesse não soma valor nem é levado em conta
É o sorriso no rosto menino depois que apronta
Meu interesse é entrar de cabeça na paixão menina
Não está escrito no bilhete aonde ela termina
Meu interesse é viajar na frente desse amor menino
Até que o samba alegre dessa vida chegue ao seu destino
Descostume
Esse meu descostume
De viver longe do seu perfume
Dos seus cabelos encaracolados
Desse seu jeitinho engraçado
Esse meu descostume
Está acabando comigo
Me fazendo viver isolado
Escondido do sorriso
Nas linhas de um rosto fechado
Sei que fui um cara distraído
Não percebi o amor do meu lado
E hoje fui surpreendido
Com a felicidade desacostumado
Esse meu descostume
De não provar do seu beijo suave
De lado a lado com você deitado
Naquela paz alegre interminável
Esse meu descostume
Me fisgou nas malhas do desejo
E contido nessa armadilha
Quem era água agora sente sede
Falar de Deus, acreditar em Deus, é fácil. Começou Perdiz, agora viver com Deus o tempo todo, caminhar com Deus pelos jardins do tempo, e obedecer a Deus a todo momento, a ponto de não se deixar cair na tentação de comer do fruto proibido, isso é difícil. Aliás, muitos diriam que é quase impossível.
Eu mesmo me recordo de inúmeras tentações que não consegui resistir, a tentação do alcoolismo, da infidelidade no casamento, da luxúria por consequência, da tentação irresistível de assistir àquele vídeo pornográfico que me enviavam pelo watzap.
Depois da conversão em Cristo, eu acreditava que estava tomando consciência espiritual das coisas e fui me libertando de muitas tentações, mas estava livre delas? Não!
Perdiz continua... Agora eu usava roupas mais discretas e sempre tinha uma bíblia comigo, aliás tinha várias...no carro, na mesa do escritório, no quarto, na sala bem à vista das visitas. E...então percebi que estava alimentando uma tentação que se não for a maior está entre as maiores de todas. Que é a tentação do orgulho, simmmm. Eu passei a me achar melhor que as outras pessoas, passei a julgá-las e criticá-las por fazerem tudo aquilo que eu fazia antes de escolher a vida Cristã. E hoje, perante todos vocês e do Nosso Senhor Jesus Cristo eu quero pedir perdão por ter caído nessas tentações e ter me esquecido das suas palavras que determina: "Ame a Deus sobre todas as coisas e o Próximo como eu vos Amei"
Amém???
Eu só peço a Deus a bênção de viver cercada por aqueles que me amam pelo que sou e não somente pela minha utilidade. Pois, só podemos entender o nosso real significado na vida das pessoas, quando elas insistem em permanecer ao nosso lado; mesmo quando tudo o que nos resta são apenas boas lembranças, dor e cansaço.
— Jucelya McAllister
Vamos repensar?
Albert Camus:
“Viver é manter-se vivo diante do absurdo.”
Carlos Eduardo Balcarse:
“Viver verdadeiramente não é apenas sobreviver aos dias; é impedir que os dias sobrevivam sem significado. O maior fracasso humano não é a morte do corpo, mas a morte da consciência enquanto ainda respiramos.”
A consciência de não viver por acaso
Existe uma diferença entre estar vivo e tomar consciência da própria existência.
Nascer nos coloca no mundo. Crescer nos apresenta ao mundo. Mas somente o desenvolvimento da consciência pode nos apresentar verdadeiramente a nós mesmos.
Talvez grande parte da humanidade viva respondendo perguntas que nunca fez, perseguindo objetivos que nunca escolheu e defendendo convicções que nunca examinou.
Somos educados para aprender muitas coisas, mas raramente somos ensinados a investigar quem está aprendendo.
Aprendemos matemática, história, geografia, profissões, regras e comportamentos. Aprendemos como devemos falar, produzir, competir e pertencer.
Mas quem nos ensina a perceber como estamos construindo aquilo que chamamos de nós mesmos?
Esse talvez seja um dos grandes desafios da educação humana.
Não basta ensinar alguém a conhecer o mundo.
É preciso ajudá-lo a desenvolver consciência suficiente para não desaparecer dentro dele.
Porque existe um momento em que aprender deixa de significar apenas acrescentar.
Algumas vezes, aprender significa retirar.
Retirar preconceitos.
Retirar condicionamentos.
Retirar certezas herdadas.
Retirar personagens construídos para receber aprovação.
Desaprender também é uma forma de aprender.
E talvez seja uma das mais difíceis.
Acrescentar conhecimento ao que já acreditamos exige memória. Permitir que o conhecimento transforme aquilo em que acreditamos exige consciência.
É nesse ponto que surge o discernimento.
Discernimento não é possuir todas as respostas. É desenvolver critérios para não aceitar qualquer resposta — inclusive aquelas produzidas por nós mesmos.
É conseguir observar uma ideia antes de transformá-la em convicção.
Questionar uma emoção antes de transformá-la em decisão.
Examinar uma crença antes de transformá-la em verdade.
Somos influenciados pelo passado, pela família, pela cultura, pela educação, pelas experiências e pelas circunstâncias.
Mas ser influenciado pela própria história não significa estar condenado a repeti-la.
Entre aquilo que aconteceu e aquilo que ainda acontecerá existe um espaço.
Nesse espaço estão nossas escolhas.
E escolhas constroem autoria.
Autoria não significa controlar a vida. Significa participar conscientemente da construção da resposta que damos a ela.
Talvez seja essa a essência do protagonismo.
Ser protagonista não é acreditar que o mundo gira ao nosso redor. É compreender que não podemos continuar girando ao redor de tudo aquilo que nos impede de sermos quem podemos ser.
Responsabilidade, portanto, não é culpa.
Culpa olha para trás procurando condenação.
Responsabilidade olha para frente procurando possibilidade.
Não podemos alterar todas as causas que nos trouxeram até aqui, mas podemos interferir nas consequências que levaremos daqui para frente.
Essa é uma das fronteiras entre existência e consciência.
Quem apenas existe pergunta:
“O que a vida fará comigo?”
Quem começa a assumir autoria também pergunta:
“O que farei com a vida que tenho?”
Talvez desenvolvimento humano seja exatamente esse movimento: sair gradativamente do automatismo para a consciência; da consciência para o discernimento; do discernimento para a escolha; da escolha para a ação; e da ação para a transformação.
Não para nos tornarmos perfeitos.
Mas para nos tornarmos cada vez mais conscientes da imperfeição de estarmos permanentemente em construção.
Somos obras que também participam da própria autoria.
Por isso, conhecer a si mesmo não deveria significar encontrar uma definição definitiva de quem somos.
Talvez seja exatamente o contrário.
Quando transformamos nossa identidade em uma definição, corremos o risco de transformar quem fomos em limite para quem ainda podemos ser.
A vida não exige uma versão final.
Enquanto houver consciência, haverá revisão.
Enquanto houver dúvida, haverá possibilidade.
Enquanto houver escolha, haverá autoria.
E enquanto houver vida, haverá algo em nós que ainda poderá ser reconstruído.
Talvez o verdadeiro desenvolvimento humano não esteja em chegar ao ponto de poder dizer:
“Finalmente sei quem sou.”
Mas em alcançar consciência suficiente para perguntar:
“Quem estou me tornando a partir daquilo que escolho ser todos os dias?”
Porque viver não deveria ser apenas consequência daquilo que aconteceu conosco.
Viver conscientemente é participar da construção daquilo que acontecerá a partir de nós.
Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026
COMO QUESTIONAR O PRÓPRIO PENSAMENTO?
Questionar aquilo que pensamos não significa viver em dúvida permanente.
Significa reconhecer que o pensamento também precisa prestar contas.
Quando uma ideia surgir, experimente não perguntar imediatamente se concorda com ela.
Pergunte:
De onde veio?
Que evidência possui?
O que estou deixando de considerar?
Eu pensaria da mesma maneira se essa ideia não favorecesse aquilo que desejo?
O que poderia me fazer mudar de posição?
Existe uma diferença enorme entre ter pensamentos e examinar a autoridade que concedemos a eles.
Pensar é produzir conteúdo.
Pensar sobre o pensamento é observá-lo.
Discernir é ainda perguntar:
“Quanto poder este pensamento merece exercer sobre aquilo que decidirei?”
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
Quem vive vasculhando o passado de alguém acaba deixando de viver o próprio presente.
Quem se prende ao que aconteceu antes, alimenta mágoas que não lhe pertencem e transforma o ontem em prisão. O passado dela não é sua história. Você recebeu algo muito maior: a chance de junto com ela ser o começo de uma nova história. Então pare de tentar apagar páginas que você não escreveu. Escreva algo tão intenso no presente, que quando ela olhar para trás, não sinta vontade de voltar, apenas perceba que tudo o que viveu antes foi apenas o caminho que a trouxe até você.
A RAZÃO DE TE AMAR
Foi em ti que encontrei
Uma razão para viver ,
Quando por ti me Apaixonei
Ao meu coração jurei
Que nunca te ia Esquecer .
Se o meu sonho se realizar
Será teu o meu Coração.
Vou correr , para te abraçar
A teus pés vou-te jurar
Como é louca esta Paixão.
Paixão, Amor , e Loucura
És um Poema sem fim ,
Em ti existe doçura
Nos teus olhos , há ternura
Quando olhas para Mim.
Para te poder Amar
Nunca deixes de me Olhar.
Entre a amizade e o amor: um dilema silencioso
Depois de viver um amor, o homem descobre que ficar sozinho não é só silêncio, é também aprendizado. Ele começa a se acostumar com a própria companhia, mas percebe que a vida fica mais suave quando aparece uma amiga presente, aquela que está ali no dia a dia, que escuta, que se importa.
E é aí que mora o problema: o coração dele, carente de afeto, acaba se apaixonando. Não por uma fantasia, mas pelo cuidado real, pelo jeito simples de estar junto. Só que, muitas vezes, para ela, ele continua sendo apenas “o amigo”.
O paradoxo dói: o homem que cuida não é visto como parceiro, e o parceiro que ela deseja pode não cuidar como o amigo cuida. Ele passa a medir todas as outras mulheres pelo carinho dessa amiga, e nenhuma parece suficiente. Ela, por sua vez, guarda o amigo no espaço seguro da amizade, sem nunca enxergá-lo como homem.
Talvez não exista saída fácil. Talvez seja preciso aceitar que nem todo carinho precisa virar romance. A amizade já é uma forma de amor, um amor sem posse, sem cobrança, que floresce na liberdade. E quem sabe, ao aprender a valorizar isso, o homem abra espaço para que outro amor, verdadeiro e recíproco, apareça no caminho.
A SABEDORIA DE VIVER
Silenciar diante das provocações é sinal de sabedoria, não de fraqueza. É escolher não descer ao nível de quem tenta tirar sua paz.
Ter bravura é enfrentar as dificuldades da vida com firmeza, mesmo quando o medo existe e as forças parecem faltar.
E cultivar a paciência é compreender que nem tudo está sob nosso controle e que algumas batalhas não dependem da nossa vontade, mas do tempo e das circunstâncias.
Tenha serenidade para não reagir a tudo, coragem para não desistir diante das dificuldades e sabedoria para aceitar o que não pode mudar.
Porque a verdadeira força não está em controlar o mundo ao seu redor, mas em não permitir que ele destrua a paz que existe dentro de você.
é UMA luta por dia.
E SE QUISER.
há dias em que viver
é um verbo empurrado pr’amanhã.
a gente acorda no ontem,
carregando restos que viraram peso,
pendurando no corpo memórias mal digeridas,
ressacas de um tempo que não soube parar.
corre no hoje,
com o coração batendo metas,
com a cabeça tropeçando nas horas,
com a alma tentando lembrar que ainda é manhã
mas já se cobrando como se fosse tarde.
e só entrega no depois –
no depois que nunca chega inteiro,
porque quando chega
já virou mais uma tarefa vencida,
mais um alívio breve,
mais um acúmulo na agenda da exaustão.
o corpo levanta,
mas a alma ainda dorme –
ou melhor,
a alma continua trabalhando
enquanto o corpo finge que descansa.
tudo exige,
cobra,
grita,
empilha tarefas como quem empilha pedras
nas cachoeiras ‘marasmas’.
não há pausa,
não há freio,
não há colo.
só uma esteira que gira
e gira
e gira,
até que vem a vertigem
e a gente esquece
de onde veio
e sequer sabe
pra onde vai.
a vida virou isso:
uma dialética sem síntese.
uma luta sem trégua.
uma demanda que gera outra,
e mais outra,
e mais outra…
até o infinito de um dia comum.
preciso acordar amanhã cedo.
[são 2h37 da madrugada]
e o sono se recusa a vir deitar comigo.
e mesmo o descanso
[quando vem]
chega culpado,
envergonhado,
pedindo licença
num lugar onde o silêncio é luxo
e o cansaço é fraqueza.
mas ainda assim,
às vezes,
há brechas.
um café que se toma mais lento,
uma rega nas plantinhas com amor,
um vento no rosto,
um canto de passarinho
que rompe o pedido de pressa.
nessas fissuras do tempo,
a gente lembra:
sentir cansaço também é estar vivo.
não dar conta também é verbo.
parar também é verbo.
existir não é produção.
e talvez a revolução
seja, primeiro,
descansar.
então,
amanhã,
lutarei apenas UMA luta,
E SE QUISER.
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