Textos sobre Amar
Eis a menina,
acompanhada do mais belo olhar, e das fôrmas angelicais, traçadas num conjunto estelar,
semblante.
És tu que carregas toda a beleza,
por seus gestos,
traz gentileza e afeição,
e esse sorriso que furta-me o fôlego,
esbanja elegância.
Doce menina,
que num emaranhado de virtudes,
só me faz amar-te mais.
O meu amor só cresce,
cresce, cresce, cresce...
Ei moço, deixa eu amar você? Como aqueles amores de cinema, aqueles que são para sempre, com finais felizes.
Prometo-lhe nunca mudar.
Prometo-lhe manhãs de cumplicidade, tardes de alegria e noites de muita paixão.
Prometo-lhe ser de verdade, assim como sou. Nunca irei mudar.
Prometo-lhe muito carinho e beijos que acalentam a alma.
Prometo-lhe também o silêncio quando em algum momento, perceber que ele seja necessário, mas prometo-lhe sempre música, para dançarmos a luz da lua.
E então moço, deixa eu amar de você?
O lado de fora é sempre maior que o de dentro:
O Mar é maior que o peixe, ele tem espaço de sobra para nadar;
O Céu é maior que o pássaro, ele tem espaço de sobra para voar;
O Espaço é maior que a estrela, ela tem espaço de sobra para brilhar;
A Vida é maior que o homem, ele tem espaço de sobra para amar;
O Reino é maior que a igreja, ela tem espaço de sobra para atuar.
HÁ SE EU PUDESSE?
Vá com Deus, mas fique comigo
A Deus clamei para adeus não te dar
Contudo, o meu adeus levará contigo
Por Deus! Recordação desse adeus eu não vou guardar
Nunca mais é muito tempo, muito é muito pouco
Nunca é demais, porque não agüento eu sofro muito de desgosto
Para sempre são as juras que nunca deveríamos fazer
Pois nem sempre ou nem nunca o tempo conseguiremos entender
Ontem é o hoje já usado, amanhã ainda está para ser inaugurado
Mas de fato nem ontem e nem amanha nos pertence,
Um guarda o pesadelo e o outro o sonho,
Hoje é meio termo e intitulasse realidade.
Promessa é aquilo que existe para não ser usado,
Melhor é cumprir algo sem que haja obrigação.
Promessa de amor não persiste, pois é um ingênuo pecado,
Melhor que não cumprir uma palavra do que escravizar um coração
Acreditamos ou fracassamos em oferecer o que não pensamos
Queria ter o que me foi dito,
E desfazer o que eu disse
Queria oferecer amor infinito,
E queria muito que se cumprisse.
Queria receber o que me foi prometido,
E queria muito, mas não acredito.
Por certo, volto atrás e corrijo verbo
A conjugação do verbo indica a ação do sujeito e assim estou sujeito às ações e correção
O que fiz não se faz o erro ficou no pretérito passado e tristemente imperfeito
Mas conjugo e não me julgue, porque meu erro foi não usar o gerúndio
Pois viver amando não é porque te amarei e nem porque te amei.
É continuamente praticando, que hoje eu sei que para amar só se demonstra amando.
Com tanto, no coração não mando, ele decidiu continuar te amando.
É aquela velha frase: "Quando encontrares alguém que queira andar na chuva com você, se molhe."
Confesso que não me recordo onde li isso, mas ando vivenciando essa boa situação.
A verdade é que amar não é somente sossego, nem conforto do lençol sequinho na cama, muito menos raio de sol o tempo inteiro.
Amar é enxergar o outro na sua forma mais despida, enxergar o outro e seus defeitos, e acreditar que por mais difíceis que possam parecer a travessia será possível alcançar o outro lado da estrada.
É saber que por mais que os medos e receios cheguem, haverá sempre uma vontade grandiosa de jamais desistir.
Amar é não se importar com o que os outros possam vir a dizer ou até mesmo pensar.
Amar é encarar a batida, o compasso e até o descompasso que o coração venha a fazer.
É andar junto na mesma direção.
É estar abraçado em dias de sol, mas principalmente quando a tempestade chegar.
cortar um dedo, tropeçar na rua, são coisas que realemte doem. Mas nada que citei pode se comparar a uma dor de ter um coração partido, que é algo que te sufoca e te deixa em mil pedaços. Ainda mais se a dor é causada por alguém que promete amar cada célula do seu corpo. E essa dor foi causada logo por voce, que plantou em mim, todas as sementes do seu carinho e deixou que nascesse, crescesse e floresce dentro do meu ser, e hoje borboletas faz morada aqui. Logo você, que me fez ser tão sua a ponto de esquecer que eu me pertencia, mas hoje me quero de volta.
E não, eu não estou fazendo tempestade em um copo d'água. Mas de qualquer forma, eu gosto de pensar,que talvez amar é isso, voce sofrer a ponto de querer não existir, até que a dor se vá.
_ Já dura exatamente 52 anos, na nossa época quando algo se quebrava era consertado ao invés de trocar como nos dias de hoje.
Mas, nunca deixamos chegar ao ponto de quebrar, sempre paramos um pouco quando vemos que tem algo errado, fazemos a manutenção, sentamos um com outro, falamos abertamente sobre o que está acontecendo e ninguém guarda nada em si, para não chegar ao ponto de explodir e acabar com tudo. Temos nossos dias maus até hoje, há dias que estamos insuportáveis, mas aí lembramos de todos os momentos que passamos juntos, principalmente os ruins, sem dúvida outra pessoa não seria capaz de aguentar o que aguentamos e passamos sempre juntos. Dias bons são bons, mas são fáceis e todos querem, até um tolo viveria eles sem pestanejar. Não adianta estar junto apenas, tem que viver a vida um do outro, sermos um, como manda a lei divina. Hoje somos um, e seremos por mais 52 anos se assim der tempo"
Me contou, sorriu e saiu de mãos dadas com ela ...
Coma alcoólico
Por que amá-la o destruiu. Era como estar em coma, vivo, mas com a ausência de consciência. Sem estímulos com sons e toques, apenas dor, associado a movimentos involuntários da sístole e diástole que no exato momento, pareciam ausentes, no fundo ele se sentia mais morto que vivo. A pertubação grave do funcionamento cerebral irreversível, devido ao trauma emocional e envenenamento de seu figado, provocado por doses e doses de remédios em copos de 200ml, que prometiam recuperar seus sentidos, não o ajudava nem um pouco. Estava como um zumbi, vagando sem destino e sem forças. Carregava uma carcaça corroída por destroços e feridas, cujo o peso era semelhante ao de um Adeus. Ele se transformou em algo que ninguém mais reconheceu.
Ainda há tempo para ser feliz.
Ainda há tempo para ajudar alguém.
Ainda há tempo para ser gentil com as pessoas.
Ainda há tempo para abraçar, beijar e dizer: você é bacana!
Ainda há tempo para elogiar, fazer um carinho, fazer uma ligação para alguém que você ama muito.
Ainda há tempo para olhar o pôr do sol, sentir o vento, se molhar na chuva, brincar na areia e para ser um super-herói.
Ainda há tempo para buscar à Deus, para orar, para rir, para chorar.
Ainda há tempo.
Corra. Faça logo, pois ainda há tempo.
Amar. Sim, amar. Essa palavra que quase ninguém sente a essência. Palavra essa que dá vida aos mortos. Palavra que matou um em favor de muitos. Palavra que deve ser vivida por cada ser terreno.
Amar ? Há muito que não sabemos nem mesmo onde o amor e a ética estão correlacionados. O que vemos são sistemas "éticos" formados para preestabelecer seu comportamento moral, sua forma de amar, e o que deve amar (você não é o que é, apenas o que os outros pensão que deve ser). Amor demasiado por coisas e ações, transtornado, completamente deformado, criando um buraco negro, vocês o chamam de egocentrismo, não é mesmo ?, Amor que não ama pessoas, no plural "p-e-s-s-o-a-s". Verbo amar... Não adianta saber conjugar, não adianta ter pensamentos sobre ele, teorias, ideologias se você não ama.
O amor imperfeito me deixou desatento
Mal percebi e já estava ali, perdidamente a lhe sorrir
No toque do seu beijo, minha alma emanava paixão
Minhas mãos trêmulas e suadas até que fiquei sem chão
Menina doce de olhar singelo, cabelos longos e de sorriso belo
Quem diria
Ah, quem diria que ela iria embora; assim tão repentinamente
Veio linda, brilhante e se foi como uma estrela cadente
Mas como ensinou o poeta, eu fiz um pedido
De joelhos e olhos fechados, elevei meus pensamentos e disse:
Volta pra mim?
Estou aqui e não importa o tempo que for
Estou a te esperar
Parece clichê, mas eu nasci pra te amar!
"Apenas um"
Apenas um instante,
Apenas um descuido,
Apenas um detalhe,
Apenas um olhar,
Apenas um desvio,
Apenas um sim sem pensar pra te deixar vazio...
Apenas um!
O suficiente para lhe fazer abandonar,
Se isolar,
Pecar,
Chorar,
Deixar de lutar pelo amor d'Aquele que só quer te amar!
Apenas um Caminho,
Apenas um momento,
Apenas um sacrário,
Apenas um conselho junto ao arrependimento,
Apenas um gesto de amor,
Apenas um abraço no coração do Senhor...
Apenas um!
O necessário para você recomeçar,
Buscar,
Amar,
Emocionar,
Se deixar moldar por Aquele que só quer te amar!
Já Bateu Asas...
Quando me entrego é de forma plena, mesmo sabendo da possibilidade do sofrer, pois a vida é como o sertão ao sinal de chuva, retorna toda esperança, toda ingenuidade, todo amor que me sinto vivo, nos somos seres em eterno aprendizado, e vou, vou viver como se esse o último dia fosse, como se a esperança jamais morresse e ainda sigo acreditando, acreditando no melhor, no mais puro e no entregar de um coração.
Às vezes colore coração
Às vezes eu me lembro daquele pintor, do jeito que ele tinha de pintar, eu canso de pensar, de me perguntar, eu só esqueço que ele continua a pintar, só tenho que lembrar que existem outros braços, outros olhos, só tenho que parar.
E observar, que a arte estar no encontrar, no colorido de um dia mais do que sonhar, dias azuis existem para recordar, dias coloridos paço a paço para pintar.
E o segredo, aquelas árvores vão guardar, no dia que tu por lá caminhar serás elas que irão te escutar.
E agora, quando alguns dias são mais infinitos que outros, só me resta rezar, para não enlouquecer por te amar.
AMAR"
Amar, amar, amar deixar ser conduzido por esse amor.
Sem medo de me entregar, sem medo de se levar.
é esse amor que abre meus olhos,
e deixa que meu coração enxergue a ti.
No teu Sagrado Coração meu descanso
e alívio do meu pesado fardo, eu encontro.
Tu que és refúgio e mansidão dos que em vós buscam,
Venho a ti pedir que sejas meu alívio
na minha horas de dificuldades.
Doce coração de Jesus, cheio de compaixão.
tende piedade de mim.
Jesus manso e humilde de coração,
Fazei o meu coração semelhante ao teu
Amar parece ser a coisa mais simples da vida. E, de fato, é! O amor não é complicado. De modo algum! Ele é sereno demais para perder tempo se complicando. O amor não é uma desventura. Longe disso. Ele é responsável e dedicado, não se importando se o momento é ruim ou doloroso; ele luta por si e por quem o sente até esgotarem as suas forças. O amor, mesmo sendo forte, jamais se usa de força tendo em vista que ele não gosta nem de forçar nem de ser forçado. Aliás, acredito que onde há esforço não existe amor. Amar é espontaneidade, é ser arrebatado de surpresa, amar é sentir a leveza do amor ao unir dois corações apaixonados.
O amor também não é obrigação. Exceto quando torna-se na ação de agradecer a quem se ama tudo de maravilhoso e de agradável que a pessoa amada proporciona. O amor não é uma prisão, tão menos exclusividade. A convivência como um par é, sim, importante, no entanto, se se tenta retirar a vida individual do outro é o mesmo que seguir adiante na falência do amor. Amar jamais é possuir. Amar é estar, fazer-se presente sempre que for da vontade de quem se ama e de quem é amado, até mesmo na ausência.
Amar não é ser nem estar egoísta. Amar é ser e estar compreensivo, especialmente, nos momentos mais turbulentos. O amor não se consolida por exigências. O amor se edifica na cumplicidade, na reciprocidade de sentimentos, de pensamentos, de palavras e, principalmente, de atitudes. Amar não é ser nem estar intransigente. Pelo contrário. Amar é ser e estar complacente, saber e entender que o outro não foi, não é nem nunca será nossa posse. O amor não é inflexibilidade. O amor é a disponibilidade de respeitar e entender os defeitos e as qualidades da pessoa amada ao mesmo tempo e sem julgá-la ferozmente. Nosso umbigo já é sujo o bastante para perdermos tempo em querer limpar o umbigo alheio tendo o nosso próprio a ser limpo.
O amor não é verdade nem mentira. O amor não é grandeza nem pequeneza. O amor não é unidades de medidas. O que podemos dizer ou pelo menos tentar dizer dele é que ele é um substantivo masculino (o amor), é um verbo transitivo direto (amar), é um adjetivo substantivado masculino ou feminino (amado/amada) e é um adjetivo masculino ou feminino (amoroso/amorosa). Além disso, podemos dizer que o amor é um grande mistério, um verdadeiro enigma.
Amar não é impor. Amar é compartilhar experiências (sejam quais forem) e extrair delas aquelas que o casal entende serem as mais benéficas para o par. Amar não é ameaçar. Atentar contra a própria vida e/ou contra a vida do outro é uma clara demonstração de que essa relação o amor já abandonou. O amor não é prisão. Onde há a necessidade de trancar o amor numa sala escura e inóspita à vida geralmente projetada como ciúme aí, também, não existe amor. O amor é liberdade, é ser e estar livres, é caminhar lado a lado praticando - sempre - o apoio mútuo, mas, nunca, andar atrás ou à frente de quem se ama. O amor não é explicação visto que explicar é uma tentativa de racionalizar. O amor é um sentimento e amar é sentir e sentí-lo com espontaneidade não é para qualquer um, não. É preciso - quem ama e quem é a pessoa amada - estar plenamente disponível a ele (amor), atento para ele, compreender ele, ser e estar inteiramente cúmplice a ele. O amor é um sentimento e, portanto, ele existe para ser sentido (na ambiguidade mesma que o termo 'sentido' aí expressa) em sua totalidade e sinta-o quem é corajoso o suficiente para cuidá-lo.
Amar não é condenar, não é culpar, não é julgar e também não é menosprezar. Nada disso condiz com o amor; ele não é um juiz. Nossa juíza é outra e atende pelo nome CONSCIÊNCIA. Amar, ao contrário do que se pensa, é papear, conversar, dialogar por mais dolorosa que a conversa seja. Venho compreendendo que por ser um mistério para todos nós o amor só existe e subsiste sob um fundo de dor (me baseando na metapsicologia do amor proposta pelo psicanalista francês contemporâneo Juan-David Nasio em seu livro A DOR DE AMAR) e que em tal condição o amor é a dor (necessária) de amar. Nós, homens e mulheres, enquanto espécie humana somos uma espécie dolorida. Todos nós nascemos, simultaneamente, do amor e da dor; do amor que uniu nossos pais e nossas mães os quais somos os frutos dessa junção familiar e da dor visto que o parto ou o dar à luz de nossas mães é o primeiro ato de amor de um sujeito para conosco bem como é um ato extremamente doloroso (quando é parto normal) para nossas mães. Amar é um processo mútuo de fala e de escuta. Discussão, aqui, só é válida quando compreendida como o que conhecemos por conversa civilizada. Se passa a ser uma agressão (física e/ou verbal) então é melhor transferir o diálogo para um momento mais tranquilo.
O amor também não é culpar o outro nem se vitimizar. Culpados e vítimas só existem em casos de crimes: roubos, assassinatos, estupros, latrocínios e por aí vai. O que existe no amor são R-E-S-P-O-N-S-A-B-I-L-I-D-A-D-E-S mútuas entre os componentes do casal. O casal é, sempre!, um par, uma dupla e ambas as pessoas tem suas parcelas equivalentes de responsabilidades pela relação. Mais uma vez o diálogo é a melhor oferta. O amor não é calúnia nem difamação. Amar passa longe disso. O amor é (tentar) mostrar a quem se ama, com respeito e com serenidade, o que essa pessoa vem fazendo de errado e que, gradualmente, está matando tanto o amor quanto o relacionamento. Nem sempre é fácil manter o respeito e a tranquilidade, contudo, se o amor deixou de existir o melhor é conversar sobre a possibilidade dos dois seguirem caminhos diferentes. O amor não é uma gaiola dourada. O ouro, a princípio, encanta. Com o passar do tempo esse mesmo encanto se transforma em ilusão e essa fantasia provoca uma falsa felicidade já que a dupla permanece aprisionada e enfeitiçada pelo brilho do ouro.
Está cada dia mais difícil conviver com a solidão,
Te imaginar sorrindo em plena multidão.
E penso que não sou mais eu quem você pensa,
Queria seu amor de volta como recompensa.
Te espero todos os dias e sonho com o seu olhar,
Msg, ligação, qualquer coisa pra te aproximar.
Mas minha vontade tem sido em vão,
Doeu saber que não me tem mais no coração.
E sem motivos para amar sigo a caminhar
E em meio a tristeza alguém a me acalmar.
E com muita sutileza invade o meu querer,
E fico confusa na incerteza do saber.
Dia e noite, hora de descansar,
Vc dorme nos meus pensamentos,
Eu só queria te amar,
Pra senpre em todos os momentos.
Nada me apetece mais que morrer
Nada me apetece mais que morrer.
Morrer...
Morrer de você.
Não vejo a vida
Não vejo flores
Não sei da luz
Não entendo o mar
Não uso o ar
Não vejo nada
Apenas sinto e sinto...
Sinto cor
Cor de pele
Cor de olhar
Cor de cabelo
Rubores de amar.
Nada me apetece mais que morrer.
Morrer de você.
Ah, expirar instante por instante!
Ah, perder-me tantas e tantas vezes,
Sem querer me encontrar!
Ah! Deixe-me morrer,
Fenecer de tanto te amar.
Enide Santos 07/08/14
Passatempo...
(Texto dedicado aos filhos Evandro, André e Renato Martins, às noras Tatiane e Daniela, às netas Júlia, Beatriz, Rafaela e Laura)
Eu não tenh ‘inda setenta, eles passam dos noventa
São mais velhos do que eu, vê se dá pra’acreditar
Ou se devo, eu não sei.
Já viveram muito mais, muito mais já viajaram
Já amaram muito mais, muito mais já se entregaram
Já sofreram outro tanto, mais ainda renunciaram
Eles passam dos noventa, e eu? Não cheguei ‘ind’ aos setenta!
Sei que ando devagar, eles correm, e muito mais
E percorrem mais o mundo, crescem mais, são bem maiores
Vitamina não lhes falta, e se mexem, se aborrecem
E reclamam, e proclamam, s’enrolam, e me enrolam
S’ enganam e me enganam, se descobrem e se amam
Se descobrem e m’ encobrem, s’ enobrecem e m’ esclarecem
É uma pena, sei que é, gostaria de andar junto
Mas são muito, muito e muito, mas são muito mais ligeiros
Não consegui ‘inda os setenta, eles passam dos noventa
E já foram mais além, logo chegam aos cento e tantos
Eu não sei se chego lá, a distância é muito grande
E eu ando devagar, eles não, são bem ligeiros
Com seus passos sete léguas, que, acredito, nem conheçam
Viram mundo, vão a fundo, são teimosos, atrevidos
Sempre‘ sempre decididos.
Com seus gostos descabidos, seus desejos divertidos
Que n‘entendo, eu confesso, mas compreendo, não censuro
Não critico, isso eu juro! Só constato, isso é fato
Que são muito verdadeiros, e deveras lisonjeiros
Mas são muito, muito e muito, são muito mais ligeiros
Eu demoro pros ‘ setenta
Eles logo, logo, logo, chegam fácil aos cento e tantos
Cento e trinta, e quarenta, e quem sabe, aos duzentos
Se acertarem o compasso, e andarem par-i-passo
Não sei não, eu não duvido, irão juntos, de mãos dadas
Conhecer outras paradas, descobrir outras histórias
Com os passos sete léguas, que o que é, já saberão
Mundo afora, vida adentro, sempre unidos, protegidos
Vão ouvir outros poetas, vão cantar outros cantores
Ser felizes, certamente!
Seguirão outras correntes, crescerão ainda mais
E serão bem mais contentes
Pois os frutos, mar adentro, pros’ que andam mais ligeiro
São macios, saborosos, nutritivos, mais gostosos
Não cheguei ‘inda aos setenta, eles passam dos cento e tantos
Sei que quando eu chegar lá, terão ido muito além
Como andam mais ligeiro, passarão fácil, bem fácil
Passarão é dos duzentos, pois são três, eu sou só um
Não cheguei ‘inda aos setenta, e eles foram muito além...
Dentro em pouco, bem pouquinho, terão passado dos cem!
Que remédio - o amor?
Os poemas estão duros
o amor desapareceu dos versos
a tinta que antes coloria as linhas
agora, apenas mancha o papel
Falta sinceridade aos romances.
Aos poemas falta amor
aos versos, poesia
aos casais falta romance sincero, melodia
Falta o pulsar no coração dos poetas
Falta retomar o passado com nostalgia.
Falta morrer de amor, ao meio dia
com o peito apertado
após longa noite de desespero
e luzes acesas
e cama vazia.
O amor, aos versos sinceros
aguarda retornar um dia
Almeja transformá-los em poemas inteiros
e a partir do zero
enchê-los com o desespero contido em suas agonias.
Não há remédio para tal mal
há que se amar feito os poetas de antes
e apaixonar-se pela vida todos os dias
Há que se deixar levar pelas curvas do amor
mesmo delirando de febre, encolerizado, cheio de dor.
