Textos Reflexivos de Fernando Pessoa
A Dança das Ausências Preenchidas
O amor não é a cola que sela as fissuras de dois cacos, mas o abraço que permite a cada um ser vaso inteiro, ainda que rachado. Na completude de um relacionamento, não há soma de metades, mas a geometria sagrada de dois infinitos que se curvam até formar um círculo. Como ondas que se encontram no mesmo oceano, os amantes são feitos do mesmo sal e do mesmo desejo de voltar à origem — mas ali, na espuma do encontro, aprendem que a maré não os separa: os ensina a nadar juntos.
Sob o olhar simples, o amor é o espelho que não reflete o que falta, mas devolve o que sempre esteve lá, soterrado sob o medo de ser incompleto. Eu diria que desejamos no Outro aquilo que nos escapa, mas talvez, no amor maduro, deseje-se apenas *permitir* que o Outro escape, sem aprisioná-lo na cela do nosso vazio. Acredito que Eros como força que une, mas e se Eros fosse também o que nos desata? O amor que liberta é aquele que não teme as sombras alheias, pois sabe que a luz própria que cresce quando ilumina o escuro do outro.
O amor completo é um paradoxo: é pleno justamente por abraçar sua própria incompletude. Como escreveu Aristófanes no banquete de Platão, buscamos nossa “metade perdida”, mas a verdadeira, é completude está em entender que nunca fomos partes. Somos inteiros que se escolhem, não por carência, mas por reconhecer no outro um cosmos paralelo. Dois universos que, em órbita constante, criam sua própria gravidade — uma atração que não sufoca, mas sustenta.
Amar, então, é habitar o intervalo entre o “eu” e o “nós” sem colonizar nenhum dos territórios. É deixar que as raízes se entrelacem, mas não para se confundirem — para se fortalecerem. Na completude do amor, até o silêncio é diálogo, e a solidão, quando compartilhada, vira uma espécie de sagrado. Porque o todo não está no que preenchemos, mas no que ousamos deixar vazio: os espaços onde o mistério do outro respira, e nosso próprio desamparo aprende a dançar em sintonia 🙏❤️
Bom Dia, Esperança
O sol beija a manhã,
trazendo luz e canção.
O mundo renasce em flor,
cheio de cor e calor.
E nos teus lábios, talvez amor?
— a boca mais linda que eu já vi —
moram sorrisos de aurora,
doces como o dia que agora
se abre em promessas,
em versos, em festas.
Que a esperança nos guie,
e que o teu riso me alegre
até o fim do dia...
O Barrigudinho
No riacho claro e raso,
Nada um ser bem miudinho,
Com barriga que reluz
É o valente barrigudinho.
Peixe simples, sem vaidade,
Mas carrega uma missão:
Come larvas de mosquito,
Guarda a nossa proteção.
Colorido em tons discretos,
Com movimentos tão sutis,
Dança leve entre as pedras,
Nos aquários é feliz.
Nordestino por nascença,
Resistente ao sol ardente,
Mesmo em águas esquecidas
Segue firme e persistente.
Não se mostra por bravura,
Nem exige um pedestal,
Mas merece poesia
Por seu gesto natural.
Então viva o barrigudinho,
Nosso peixe pequenino,
Guardião das águas doces,
Campeão do nordestino
Pensei em escrever porque alguém me perguntou:
“Cadê suas poesias? Tem escrito?”
A resposta veio assim:
Nem todo dia tem poesia.
Tem dia que amanhece seco,
sem metáforas, sem rima, sem vontade.
Tem prosa crua,
comunicado de despejo,
recado na geladeira,
mensagem não lida.
Tem carta escrita às pressas
só pra não dizer que ficou calado.
Palavras que se alinham não pra explicar,
mas pra confundir, provocar, desarrumar.
Nem todo dia tem bons pensamentos.
Tem dia em que o peito pesa,
e os sonhos dormem mais do que a gente.
Tem vontade de sumir,
e tem lembrança que insiste em ficar.
Tem o corpo presente e a alma ausente.
Tem desejo partido,
tem carta de amor rasgada antes de ser enviada.
Tem dia que tem só o silêncio —
mas é um silêncio cheio de barulho por dentro.
Tem dia que o mundo cala,
e mesmo assim, a palavra teima em transbordar.
Sai pelos olhos,
escorre na pele,
explode no papel.
E é nessa bagunça que, às vezes,
sem querer, a poesia volta a acontecer.
Amizade em Flor
Mais que a chama que incende o olhar,
Há a raiz que sabe aprofundar.
Philia – amizade, solo quieto,
Onde repousa o ser completo.
Não só paixão, fugaz e viva,
Mas mão segura, atenção tardia.
Silêncio que não pesa ou dói,
Lugar comum onde o eu despois.
E nesse campo, fértil e calmo,
Pode brotar um doce palmo
De algo mais... um tímido ardor,
Pergunta sem resposta, talvez amor.
Mas mesmo assim, se o fogo nasce,
Da amizade a base não despedaça.
Pois o afeto que primeiro veio
É o caule forte, o puro seio.
Amor de amigo, quieto e profundo,
Pode ser terra... ou ser o mundo.
Onde o romance, se vier, será
Raiz e flor, na mesma estação.
Dois amores numa só canção,
Um abrigando o outro, sem perder
A essência pura de se ver
Na mesma sombra compartilhada,
Cada um de nós, inteiro, na jornada.
Minha mãe me nomeou Matheus. Pela vida, muitas vezes, foi preciso me refazer. Dentre vários de mim se destaca um eu. Alguém que veio ao mundo nu e sabe que dele nada levará. Mas que em sua caminhada poderá criar ou imaginar mundos possíveis para aqueles que sentem-se desentendidos do eu, dos outros e talvez do mundo. Aqueles que não tem nada a perder e sabem disso dedico essas poesias.
dedico minhas poesias a quem na vida, nos cantos das paredes ou nas andanças do mundo sente-se as margens. dedico essas poesias a você a quem se sente, por vezes, um zer0 à esquerda.
14 de julho de 2025.
Ele se sentia incomodado com a minha presença, não me queria por perto, mas, ao mesmo tempo, me confundia com sinais de carinho e afeto.
Desde o início da relação, propus um diálogo aberto, expus minhas fragilidades e, muitas vezes, deixei-me levar pelas minhas inseguranças.
Inúmeras vezes convoquei conversas sobre isso, apontei a possibilidade de recuar, de darmos dois passos para trás na relação, entre outras alternativas.
O que mais me machuca é saber que fui subestimado. Quando mostrei minha vulnerabilidade, não foi para assustar, mas para alertar sobre minhas feridas emocionais.
Conheço muito bem os meus sentimentos e acredito que a sinceridade pode ser a chave para o diálogo — mas, nessa relação, não funcionou.
Várias mentiras foram empilhadas sobre a mesa. Falsos desejos foram compartilhados. Afetos e carinhos que nunca foram verdadeiros.
A verdade é que talvez não tenhamos sido permissivos. Talvez permitir-se fosse o caminho: permitir-se falar, conversar, dizer, explicar.
Mas não. Nunca houve a preocupação em me dizer que eu não era desejado na vida dele.
Posso parecer frágil, mas tudo o que quero é poder ser inteiro com alguém que partilhe a vida comigo.
Não é o amor no sentido idealizado da palavra, mas um amor real: a partir do desejo do outro, podemos florescer como na primavera, cair como as folhas no outono ou queimar com as geadas do inverno.
E, a partir do desejo, também podemos arder como fogo na pele alheia, sem que isso seja um ato de traição. Sou sincero e verdadeiro — a mentira me enoja como um regurgito.
Nos tempos em que vivemos, o amor é fragmentado. É preciso assumir isso para caminhar junto à verdade.
Assumir que, numa relação, o outro deseja o "nós", mas também deseja os "outros" — esse caminho parece ser mais justo, verdadeiro e coerente.
Não posso apagar o meu desejo, assim como você não pode apagar o seu. Então, por que não nos alinhamos para arder como chamas, enquanto nos espalhamos como brasas por aí?
As gerações se conflitam, os humanos gorjeiam, e as relações se enfraquecem. A hiperindividualização do eu dificulta o movimento do nós.
Na contemporaneidade, há uma necessidade de comportar os prazeres a partir das nossas liberdades — mas ser livre não significa estar sem o outro.
Como podemos compactuar com a verdade de forma equivalente aos nossos desejos?
Abdicar dos desejos é um caminho para o apagamento do eu?
Em que implica a ascensão do eu em uma relação que contraria o nós?
O que o fetiche pela mentira revela sobre o caráter de alguém?
quando a cadeira,
estiver distante da mesa,
e isso incomodar,
é melhor que volte a cadeira
pro seu devido lugar
quando estiver acompanhado
E a cadeira estiver distante da mesa,
e isso não agradar,
é ideal comunicar.
se há ruído
é possível ser entendido.
A ponte que liga o querer ao poder
é a essência da liberdade
de se sentir a vontade
pra ser escolhido ou poder escolher.
não! Não somos suficientemente incríveis.
somos potenciais incríveis.
por mais avesso que possa parecer,
somos como as aves em migração,
sozinhos não conseguimos seguir.
sozinhos nos perdemos de todo o resto
só saberemos ser suficientemente "incríveis",
quando ouvirmos, percebermos ou sentirmos.
e é isso que sempre desloca,
que nos coloca
nos vértices triangulares das paredes.
bem já se sabe
"que os outros completam as faltas"
respire, relaxe olhe e vá.
o vértice triangular sustenta o zer0 nas paredes, que se levanta e mais uma vez segue, caminha - olha para o azul e diz:
não agradeça a companhia,
ser gentil, amável e cuidadoso,
tampouco é um esforço,
você mereceu.
Com as mãos livres, o homem poderá chegar ao ponto alto do seu próprio estado de fúria ou de inquietação. Neste estado, ele tem total capacidade de ocupar suas mãos com armas ou com livros, e sua mente construindo armadilhas ou escrevendo poemas, versos e romances diversos. Quando o homem abaixa as armas, até mesmo um galho seco pode ser um meio de riscar ao chão e de materializar os sentidos dos seus próprios pensamentos, medos ou frustrações.
A pulsão é a mesma, cabe a cada ser saber utilizá-la da melhor forma.
Se conecte, a era das "máquinas" chegou!
Td aquilo que outras gerações "imaginou", o homem, em um curto espaço de tempo "criou"!
Vc conhece "tecnologia reversa"?
Se não conhece, espere, essa tecnologia vai acabar com toda "conversa"!
Somos a geração que vai "descobrir de onde viemos, e pq viemos"?
Preparem se para uma jornada inesquecível, o ser humano está em UPGRADE!
Eu estou numa fase da minha vida, onde mais nada me atinge, se você querer discutir sobre algo vc vai discutir sozinho (a), se voce chegar em mim e disser que 5+5 é 15 voce estara certo e eu em paz, nada mais me abala. sigo firme e forte na minha caminhada.
Gosto das verdade e das transparencia, gosto de ser previlegio, afinal opçao nmc faltou... 🙃🍃
Por muito tempo eu falei de amor próprio sem ao menos senti-lo de verdade, achava que se amar era simplesmente fazer uma unha, um cabelo, uma sobrancelha, achava que era simples sentir esse amor pela pessoa mais importante da minha vida (EU).
Porém não era bem assim, se amar também é difícil, também tem as dificuldades e as lutas. Tinham dias que eu me olhava no espelho e odiava o que eu via, detestava minha própria companhia, sempre estava em busca de sair e me distrair porque não suportava ficar só.
Hoje, eu entendo melhor o que é esse tal amor-próprio, hoje eu aprendi que não é só sobre se cuidar ou dizer por aí que se ama, é sobre conseguir aproveitar um tempo de qualidade sozinha, é sobre gostar de si mesma e se sentir suficiente, PARA VOCÊ, é sobre amar cada momento só seu, um banho, uma música, um sol de fim de tarde, é sobre ser sua melhor companhia.
Pra mim, e ao meu ver, o amor-próprio é a base para todos os outros amores, ele que sustenta tudo, pois como você vai conseguir amar verdadeiramente alguém se você nem consegue se amar e se sentir bem consigo mesma? Como você vai suportar o outro e aprender conviver com ele e com as diferenças se você não se suporta e não aceita as suas peculiaridades.
VOCÊ e o SEU amor por você sempre deve vir a frente de tudo, o SEU bem sempre deve prevalecer, não esqueça disso nunca, e lembre-se até no "Eu te amo" que você diz por aí o EU vem primeiro.
Cidadão de bem?
Tudo bem!
Eu amo o bem, do cidadão de bem?
Hoje cheguei em casa e bati bem batido em crianças?
Tudo bem!
Eu sou um cidadão de bem?
Depois adulterei bem adulterado o cônjuge?
Tudo bem!
Eu sou um cidadão de bem?
Em seguida matei bem matado alguém?
Tudo bem!
Eu sou um cidadão de bem?
Frederico Guilherme hoje só quer ficar bem!
Tudo bem?
Bem longe do cidadão de bem!
Desistir
Desistir é melhor opção no momento. Não me julgue covarde por isso, mas é a melhor forma de demonstrar amor, entendo e aceito seu momento, não se sinta mal por eu estar desistindo, mas não vejo outra alternativa, isso não é saudável p nós. Essa é uma das piores decisões que tenho que tomar, o peito aperta uma dor que transborda nos olhos a tristeza da desistência...
desisto disso, de você, de nós...
Me perdoe por isso!
Te deixo seguir, não é que eu não queira mais vc mas ficarei com as lembranças.
Só que eu não vou deixar suas lembranças se apagar, pq vc me ensinou a ter mais confiança...
As vezes o amor é ingrato e a gente entende, que simplesmente não era pra ser.
ERMA
"Então farei assim, a gente para aqui e retomamos lá na frente se houver amor, se o amor não resisti a gente teve aqui boas lembranças ("Raffa Mogi")
Não sei, talvez seja desespero, mas as vezes acredito que essa incessante insanidade em te colocar nos meus textos pra que, quem sabe, eu consiga te colocar tanto, mas tanto nas minhas poesias, que talvez por um descuido, eu te expulse um pouco de mim...
Eu que me escondia do inverno
Pois não lidava bem com o frio
Sonhei que me preenchia de amor
Acordei...transbordando vazio
Eu chamava de ausência
Pois não lidava bem com partidas
...
04/02/2020
Confesso que nossas vidas são muito diferentes e que em algum momento isso ia nos afastar. Ele não acha que não tem nada de bom pra me oferecer, que não tem conserto.
Mesmo passeando, saindo com amigos... gostaria de ficar com ele, agarrada nele vendo as horas passarem.
Só queria ter mais uma tarde/noite com ele, antes de não nos falarmos mais. Mas agora é tarde. Já não nos falamos mais...
ERMA
05/02/2020
Acho que a saudade é o pior dos sentimentos...
É um sentimento que nos corrói por dentro, nos deixa com uma sensação de como não pudéssemos respirar, com um nó na garganta quase impossível de tirar... parece que a cada dia cava mais fundo dentro do peito...
Por mais que saibamos o que é certo a fazer, quando achamos que já é possível, a saudade vem como uma grande maré e destrói tudo o que acreditamos ter construído...
Essa é a saudade que sinto de você... a cada dia, hora, minuto ou segundo...
Quando penso que posso te esquecer, a saudade vem e derruba minha máscara...
Junto com ela caem lágrimas novamente...
ERMA
06/02/2020
Minha insônia tem nome e sobrenome,
Tem endereço e telefone, tem qualidades e defeitos, e seu maior defeito foi não lutar junto a mim por nosso amor...
Me deixa acordada, me tira o sossego,
Te perder foi meu maior medo.
Sempre foi meu pesadelo...
Penso em você a todo momento,
Bagunça minha mente, minha cabeça,
Tento tirar vc do pensamento,
Fazer com que pelo menos um momento eu te esqueça.
Te quero longe mas a distância me faz sofrer,
Aperta o peito e dói,
Essa saudade me corroe,
E eu do sentimento querendo me esconder.
Venha fique comigo só uma noite,
Um dia, uma semana, um mês, um ano, uma vida inteira...
Ou fique só mais um momento,
Não vá embora tá cedo, mesmo que virtual sua presença me faz falta.
Preciso de novo sentir um sentimento bom,
Preciso voltar a sentir a melodia da vida,
E parar de dançar nas mãos do amor,
Viver por mim e seguir em frente,
E me livrar dos sentimentos que me causam dor.
E no fim apenas você me vem no pensamento, em apenas você penso.
ERMA
07/02/2020
Sonhando acordada
Não foi sonho! Aqueles arrepios em minha pele, o calor que passeava feito fogo em meu corpo...tudo perfeito e tão real. O corpo arqueado de prazer, os lábios sedentos de beijos,...o desejo transpira, suspira!
O seu leve toque faz de meu corpo um furacão, perco o chão,...entrego-me a paixão.
Sim, mais uma vez foi um sonho daqueles que não quero acordar e caso acorde que seja para viver e realizar , entregar-me as suas carícias, sentir as suas mãos deslizar em minha pele delicada, quente feito brasa...com você vivo sonhando acordada.
ERMA
