Textos Reflexivos
Não tenho medo da morte
Nunca tive
Meu medo era viver
Esta vida
Na qual não se vive
Nunca tive medo de tempestade
Tenho medo deste Sol que arde
Não Existe apenas a chuva
O problema é a palavra
Que me vem e tanto machuca
São lembranças
Piores que a morte
Que fizeram estes cortes
Sem cura
Não tenho medo do escuro
Meu receio é a claridade
Ela invade a vida
E me impede de esconder
Ou de esquecer
A dor
de ver tanta vida
assim
Perdida
Um dia o mundo Deus criou
Criou a vida pra viver
do jeito que a gente escolher
e não me pergunte por quê
Mas eu nasci pra te querer]
e de tanto querer vou vivendo
todo dia um pouco morrendo
vivendo de amar você
a saudade faz doer
e essa dor me faz sentir
mais vontade de você
um querer que me faz viver
e eu vivo de te querer
pois nasci pra te querer
portanto não posso te ter
porquanto se te tivesse
não tinha razão pra viver
Nada na vida muda tanto a gente
quanto este tal de tempo
Algo abstrato, algo que não se mede
Porém, mente estratosfericamente
Quem diz que os sentimentos
são inatingíveis quantitativamente
Nunca mais pude me expressar tão bem
como quando era criança
e podia ignorar as regras
"Mãe, eu gosto de você até no céu"
"Minha amizade por você é maior que o mundo"
Todo mundo morria de rir
enquanto eu vivia chorando
mas me vinha aquela ideia de vez em quando:
Quando crescer, serei poeta
e quanto mais souber escrever
menos usarei a forma correta
criaram tanta regra pra gente
me impedindo de ser feliz,realmente
Três toneladas de felicidade
dez quilômetros de alegria
quinhentos graus de entusiasmo
porém a justa forma
transforma tudo em marasmo
desisti de ser poeta
usando as unidades de medida
de forma correta
E enquanto o tempo eu media
os anos me consumiam
enquanto os dias contava
o tempo me transformava
nada muda tanto a gente quanto ele.
Minha vida foi algo tão breve
que nada que vivi foi esquecido
talvez tenha sido apenas
tempo perdido
e eu tenha angariado novas penas
minha vida foi algo tão leve
que esmagou o corpo e massacrou a alma
coisas que passei, coisas pequenas
pequenas alegrias
tentativas plenas
tempestades sem telhado
palavras sem atenção
dizendo sempre sim
ouvindo sempre não
minha vida foi algo assim
terminou no inicio
começou no fim
eu disse tanto ao mundo
e não pensei em mim
caminhei buscando água
no lugar mais fundo
não via que chovia
e sempre olhei pro céu
vida breve, vida perdida
vida alegre, vida sentida
alma alegre
alma sem vida.
Em vez de viver minha vida
eu passo o tempo procurando
dizer o que nunca foi dito
fazer o que não pode ser feito
encontrar o que o tempo esqueceu
desvendar o que a vida escondeu
procurar o que é preciso perder
em vez de viver simplesmente
quero entender o que aflige tanto a gente
e consertar o que incomoda tanta gente
desativar o que controla tantas mentes
falar, onde o tempo se cala
desamarrar onde a corda prende
dormir, enquanto o mundo acorda
discordar quando você concorda
caminhar enquanto a Terra se abala
calar, sempre que o Mundo fala
ouvir, sempre que um mudo cala
Lembrar, no lugar de esquecer
morrer ao invés de viver
Às vezes tudo que eu queria
era apenas não ser eu
e nem ter esta vida que Deus me deu
e nem ser do jeito que fui feito
ser qualquer outra pessoa
e portanto, ser perfeito e gente boa
pois todos defeitos do mundo
existem apenas em mim
mas se eu não fosse eu
seria eu, de qualquer jeito
este ser humano ridículo e imperfeito
por melhor que fosse feito
então, talvez as coisas sejam assim
e tudo que posso dizer ao mundo
e que, se algo der errado
podem pôr a culpa em mim.
O início e o fim
entre eles um intervalo
chamado vida, simples assim
espinho e aroma na mesma rosa
o amor e o desamor na mesma casa
a saudade sentida
e a palavra Adeus da mesma mente saída
o fim e o começo
tudo que há de bom
carregando em si mesmo
todo mal que já existiu
tudo aquilo que foi visto
ao mesmo tempo ninguém viu
Ele quis brincar com a vida
Ele quis jogar com o tempo
E, tentando enganar o mundo
Lançou seus dados redondos
Sem sorte, que tarde trágica
contou com as cartas
e mágica
Deparou-se, de repente
Com a morte
Frente a frente
Mas o que a morte não sabia
Era que o tolo não sentia
Nenhum medo ao contemplar
Sua imagem, tão sombria
Na tarde daquele dia
Confundia uma inútil coragem
com vaga sabedoria
Ele quis brincar com a morte
Ele quis jogar com a sorte
Quis impressionar o Mundo
E chutou sua bola quadrada
Tolo esporte, que tarde trágica!
O destino, sem espírito esportivo
Não perdeu a chance
Já que alguém lhe deu motivo
Tirando do bolso a ampulheta
constatou que seu tempo cessara
E a tarde, no campo da vida
Recolheu-lhe
A alma atrevida
Eu me sinto meio que esquecido
a cada dia que se passa
mas não me sinto ressentido
na vida tudo tem um preço
talvez seja isso mesmo que eu mereça
enquanto caminho sozinho
com memórias cheias de ferrugem
eu me enxergo assim
incapaz de desenhar a vida
com as cores que agora exigem
sinto minhas mãos calejadas
os olhos cheios de fuligem
porém, caminho ainda
debaixo de um Sol escaldante
mas deixei de ser preponderante
já faz alguns invernos
momentos são sempre momentos
somente pensamentos são eternos
um dia a vida bate
e no outro a gente apanha
os dias de vitória vejo
cobertos por teias de aranha
a cada dia que passa
e descubro que na vida nunca tive
qualquer proeminência
e que junto com os sonhos
também há de naufragar
os dias que vivia na inocência
tem dias em que eu me sento
sob as sombras dos muros do inferno
mas Deus vem e diz que aquilo
que hoje é velho
amanhã será moderno
Existe uma pergunta sem resposta
Que talvez tenha existido
Antes que existisse vida
Uma dúvida tão imensa
Insistentemente intensa
Que fez com que a Humanidade
Escavasse montanhas
Atravessasse Oceanos
Enchesse a Terra de dor
E em busca desta resposta
Um dia precisaremos
Abandonar este mundo
Pois aqui procuramos bem fundo
Mergulhamos nos livros
Que os antigos escreveram
Recheados de mais perguntas
Com os olhos voltados pro infinito
Catalogamos Estrelas e Astros
Criamos submarinos e mastros
Canoas e naves espaciais
Nos perguntando cada vez mais
Descongelamos os Pólos
E no ventre da Terra deixamos
Imensas feridas expostas
Enchemos o Mundo de dor
Em busca dessa resposta
O que vêm a ser o Amor?
Existem mais espaços vazios
Que toda matéria que existe
mas se existe
mais vazio do que vida
o vazio deve ter
razão de ser
talvez seja então por isso
que existem tantas
vidas vazias
talvez estejamos fugindo
ignorando ou fingindo
não ver
o que preencheria
tantas vidas
o ódio, o rancor,
a ambição e a falta
de amor
transforma pessoas
em coisas vazias
aquilo que esvaziaria
nossos potes de dor
estão ao alcance
de preencher
os espaços vazios
e fazer a vida
ser algo que valha viver
mas então olhamos
pensamos e decidimos
de forma serena
que tivemos tanto trabalho
para encher os nossos potes
que não vale mesmo à pena
trocar nossa vida vazia
por uma vida cheia e plena
preenchendo o rancor com alegria
se ela vai se acabar um dia
pois então faremos parte
do imenso vazio que tudo envolve
com a maneira que
enxergamos a vida
é a maneira que a vida devolve
Nesta vida
Da qual
eu nunca quis
nada
Hoje peço
me ensina, meu Deus
me diz
O que é preciso fazer
Pra poder conquistar
O coração de uma fada?
Uma fada que não peça amor
Por saber que já o tem
Uma fada sem rancor
e nem ciúme
Segura por saber
Que não sinto
em mais ninguém
O seu perfume
O aroma
Que emana da alma
E faz meus olhos
Só a ela ver
E quando olho
vejo coisas que
outros não vêem
Aquela luz
Que ultrapassa
os limites
do sorriso
irradiando
Além
dos seus limites
Se é que uma Fada
Pode ter limites
Eu acho
Que não tem.
Tenho um dos pés na Terra
O outro pisa a Lua
A cabeça não pensa
O coração sempre erra
A vida tem sido assim
de tanto pensar em mim
não quero esquecer você
tenho a alma no presente
e os olhos no infinito
esculpo palavras de amor
num monolito escondido no peito
preservo meu amor assim
quase perfeito
e a saudade se acentua
Ás vezes ela continua
mesmo quando
o coração pára
Tento pensar em algo bonito
e imagino a sua cara
Brilhando mais
que o Sol da tarde
se me permitir pedir-te algo
peço que guarde
nas asas de um vaga-lume
em forma de perfume violeta
esta lembrança
que voa como nave
e chega como um beijo
levado
por suave borboleta.
Se sinto saudades na vida?
Claro que eu sinto
Sinto saudades da minha infância
das casas onde morei
das ruas onde brincava
dos amigos que não vi mais
tenho saudade até
de algumas pretensas namoradas
Mesmo que por elas
eu não sinta mais nada
além do desejo de que sejam felizes
nos caminhos escolhidos
Assim como estou feliz
Com que eu escolhi e me escolheu
Tenho saudade
daquele que um dia eu fui
Saudade da ingenuidade
Saudade da confiança que sentia
em gente que não merecia
Saudade das pessoas
Que eu havia idealizado
E que com o tempo
descobri que eram outras
Sim
Eu sinto saudade das coisas
Nas quais eu acreditava
Sinto saudades até
dos fantasmas que me assombravam
e que hoje eu reconheço
Que não me fizeram mal
Não sinto saudades apenas
das coisas das quais me esqueci
Mas eu não vivi à tôa
ou minha memória é muito boa
ou é amor demais no coração
sinto saudades dos meus irmãos
de todos eles, sem exceção
Sinto saudades dos professores
das escolas e até
das passagens pela Diretoria
saudades dos inspetores:
A Dalva e o Seu Osvaldo
que corrigiam o menino que eu era
Queria abraçá-los hoje em dia
Sinto saudades dos primos
das tias, dos amigos, dos avós
Que amaram todos nós
talvez de maneira igual
Quem vai saber?
Se não foi, também não faz mal
Eu sinto saudade da vida
E de tudo que eu vivi
Mas não gostaria de viver
novamente a mesma vida
Passou
Foi muito bom e sou grato
Faria tudo de novo
mas desta vez faria melhor
se tivesse que fazer
Mas o passado Deus não muda
Só não sinto saudade de Deus
Pois Ele estava lá, naquele tempo
E ainda está aqui agora
Guiando meus pensamentos
E fazendo carinho com o vento
que entra pela janela
Enquanto eu escrevo estes versos
Meu "muito obrigado" a todos
Que passaram
Agradeço a Deus por ter ficado
Eu tive uma vida bela
da qual vou sentir saudades
O que mais me impressiona
É perceber que nesta vida
Nada mais me pode impressionar
Deixei meu viver de lado
Parei de sonhar acordado
Eu, que tanto quis saber
Agora acho tudo assim...
Sem graça
As emoções me abandonaram
Eu não sinto mais falta de nada
Coração oco
Alma vazia
Não entendo como foi que um dia
Eu pude gostar da vida
E querer bem a este mundo
Que me esqueceu
Assim
Pra mim tanto faz
Por favor, vida
coisa abandonada
Me esqueça no meio da estrada
me deixe sumir em paz
O início e o fim
entre eles
um intervalo chamado vida,
simples assim:
Espinho e aroma na mesma rosa
o amor e o desamor na mesma casa
a saudade sentida
e a palavra Adeus da mesma mente saída
o fim e o começo
tudo que há de bom
carregando em si mesmo
todo mal que já existiu
Encontrados no mesmo endereço
Quem despreza o lado bom
E se vende pro mundo
Em troca de curta emoção
Não vale seu preço
Eu não quero ver nunca mais
tudo aquilo que foi visto
ao mesmo tempo ninguém viu
Felizes são os pássaros
Que passam pela vida
Como o vento
que atravessa uma vidraça
Sem preocupação
Com as humanas convenções
Felizes são as estrelas
Que permanecem
Milhões e milhões de anos
como se fosse apenas um dia
despreocupadas
Com tristeza ou alegria
Brilham sem saber seu brilho
e são estrelas
Sem saber quem são
Felizes são as pessoas
Que conseguem enxergar na vida
as coisas que realmente
possuem um valor intrínseco
e veem somente as coisas boas
sem sofrer aquela dor sofrida
que outros valores ilusórios não possuem
Mas que a maioria acostumou-se a procurar
São felizes por viver o dia-a-dia
agradecidas por viver
apenas um momento de cada vez
Atravessando a vida
Leves como o vento
Brilhantes como estrelas
E felizes por viver
Como toda vida e toda felicidade
e toda poesia
deveria ser.
Minha vida parecia um sonho
Que eu vivia acordado
Estava de acordo com tudo
Porque tudo parecia ser verdade
E agora, não sei onde eu ponho
Pois não tenho como carregar sozinho
O peso desta triste realidade
Passei minha existência
Somando e dividindo
E agora
Não quero aprender a conjugar
O verbo perder
No presente do indicativo
Pois "Não querer"
Sempre foi e continua sendo
Meu único princípio ativo
Minha história foi escrita
Conforme a luz das estrelas
chegava do Céu
Estava ficando bonita
Mas agora acabou
Elas continuam lá
Mas algo fez
Com que mesmo sem querer
Eu terminasse por perdê-las
Seus brilhos agora
Irradiam luzes de muitas pontas
E eu continuo aqui a olhá-las
Porém, minha vida se desmonta
Bem diante dos meus olhos
Que durante todo tempo
Permaneceram abertos
Pensando que estavam certos
Quando não estavam
E todas as imagens, mensagens
visões e conclusões
Não passaram de ilusões erradas
e apesar de pesada
A minha realidade
Não é nada.
A vida passa, o vento sopra
Meu cigarro se torna fumaça
As copas das árvores
Que ontem eram arbustos
Adentram pelas janelas
As gotas d'agua da chuva
Contrastando à luz do Sol
revelam cores tão belas
A vida passa, o vento sopra
As belezas, antes viçosas
das pessoas orgulhosas
hoje já nem são mais
assim tão belas
Apenas o Céu e a Terra
permanecem imutáveis
Mas sempre haverá outras belezas:
Aquelas, presentes na alma
Que só de olhar
Dá vontade de estar junto
Pois com a sabedoria do tempo
Souberam cultivar e cativar
um sentimento
Que a beleza passageira
com sua efemeridade
Não possui
A vida passa, o vento sopra
Quase tudo vem a ruir
Exceto aquilo que era bonito
e foi cativado no espírito
Essas belezas não passam jamais
é algo que na história de cada um
Permanecerá pra sempre escrito.
A vida passa, o vento sopra...
Eu criei em minha vida um caldeirão
Usei para isso a magia que me surgia
desde criança, quando em meus primeiros dias
ficava triste por não saber
A causa e o motivo das coisas que aconteciam
tanta emoção guardada aqui no peito
Querendo sair, era tanta coisa junta
Eu as fui transformando, então
Em poema e poesia
Escondendo ali minhas perguntas
E prossigo fazendo isso, hoje em dia
tanto tempo passou
Muita coisa me disseram e fizeram
Em muitos lugares tentei entrar
Mas ali, respirava-se outros ares
alheios aos meus, ali não me quiseram
Voltava então pra casa
E com o tempo eu aprendi
A tornar esses sentimentos
Em algo que pudesse dividir
Buscando a beleza
Que pode existir em toda tristeza
Compartilhar também as alegrias
Que eu sinto hoje
E que ainda me surgem do mesmo jeito
desde aquele tempo em que eu ainda vivia
buscando a causa de tudo que acontecia
tentando descobrir como funciona a magia
que pudesse transformar
em beleza e alegria
os tempos que eram apenas
os meus primeiros dias
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