Textos que Tocam o Coração

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Ela era lavadeira, cantadora
e fazia do coração grande
um altar como devota
zelosa de Nossa Senhora;
A criançada gostava
de ajudar a pendurar
as roupas só para ouvir
a saudosa Idalina cantar.


Ela era nordestina e irmã
presente das vizinhas,
que oferecia sempre
o melhor para alegrar,
Coragem naquela mulher
tinha para esbanjar.


Nunca esqueci do dia
que ela pediu ao marido
colher côcos para uma
surpresa nos preparar,
Os anos se passaram,
e nada da memória
conseguiram apagar.


De um dia para o outro
quando voltamos como
de costume para ouvir
ela cantar enquanto
as roupas ela lavava,
A gente também cantava
se importar com nada.


Era somente a gente
naquele distante lugar,
não havia ninguém
para da algazarra reclamar
e o tempo passava
por nós sempre devagar.


Assim que terminou
de lavar as roupas
que não eram poucas,
Nos chamou até a sala,
vimos a mesa arrumada
com uma bela toalha
e guardanapos rendados,
Como a realeza viesse
ali conosco se sentar.


Ela pediu para esperar,
fez a criançada rezar,
E foi assim que não fui
somente eu que provei
o mais autêntico Manjar,
que deixou essa memória
bonita para compartilhar.

As chuvas de março ainda
não vieram para lavar
e o coração renovar,
Guerras sempre deixam
lições para aprender,
E se eleger adversar,
o faça sem abrir frestas
para o inimigo externo
no território nunca entrar.


A paz nunca é perfeita,
e por menor que seja,
Cabe a gente preservar
como a Quaresmeira
que resiste o que passa
ao redor para a floração
neste tempo não faltar,
Espero contar contigo
para o melhor preservar.


Nós merecemos manter
o que é nosso intocado,
o amor no coração
e o olhar esperançado,
Para ninguém jamais
colocar aprisionado
o que nos move adiante
fazendo cada passo
resiliente e imparável.

LXXXIX


Quando Rodeio está em festa
o meu coração também está,
Por esta e por cada primavera
a alma sempre plena agradecerá.


Feliz por viver aqui neste rincão
que tem o Pico do Montanhão
diante da visão como inspiração.


Por hoje e por cada festa que virá
nesta terra onde a poesia perdurará.


A beleza primeira que sempre enredará.

Confissões embaladoras
com o afã de submergir,
e abrigar na sua respiração,
coração com o coração
no compartilhado silêncio.


Neste tempo talvez o mais
perigoso da nossa História,
que pede mel nas palavras
por mais que a realidade
flerte com o cruel e o covarde.


Deixar por conta os intentos
das quaresmeiras e as aleluias,
e encontrar sob a floração
da época os maiores motivos
para não apagar os sentidos.

À Shanti De Corte, Milou Verhoof e Noelia Castillo Ramos


Com a razão, o coração e as flores
da coerência e da eternidade em mãos,
ergo os meus tijolos de lamentos
pela absurda série de sofrimentos.


A Europa já não está sentada
no touro branco com guirlanda de flores —
e sequer foi notada.
Os sinos dobram por vós, herdeiras,
que não fostes protegidas nem cuidadas.


Há tempos a Europa foi sequestrada.
Não há sinal de vida dela, nem do touro.
Tudo indica que pelos algozes,
foi por suicídio assistido ou eutanasiada,
e o touro, torturado e sacrificado.


Não vai demorar muito para que vós, herdeiras,
sejais esquecidas pela elite depravada,
porque a direção da Europa
há muito já não se entende a si mesma.


Os princípios, a moralidade e os valores
foram enterrados na mesma cova rasa,
sob a indiferença coletiva e televisionada.


Da minha parte não existe desculpa
que me satisfaça da parte de quem vos abandonou nos braços da morte,
abertamente, na beira da estrada.


Sob a luz do dia que a Europa foi executada,
e a indiferença no território está acampada.
Depois disso, não será preciso
absolutamente ninguém dizer mais nada.

Com o coração despreocupado
sem pedir nenhuma licença,
tenho sido o tão doce hábito.


Que no teu coração floresce
tal qual Guamirim-ornado
no ameno Outono catarinense.


Não tenho receio ou pressa,
porque a glória do amor
está escrita e nos prepara,
tudo sobre ti me faz fascinada.


Com solenidade, poesia
confiança, entrega e alegria
que a Deus pertencemos,
e só para ele nos dedicaremos.


(Agradecermos a Ele o amor
caminho ter nos ensinado.)

Com os olhos e o coração
voltados para Deus
e o Hemisfério Celestial Sul,
Sempre recebo borboletas
como as melhores companhias,
A minha voz empresto sempre
a quem precisa nesta vida.


Livros, papel, caneta e poesia,
forte ligação com a Natureza
e com a minha Pátria nativa,
A influência indígena sempre
mantenho viva desde pequenina:
Assim fui, sou e sempre serei,
mantenho inquebrável esta grei.

Não existe nenhuma
distância segura de mim;
pertenço ao coração,
à alma e ao pensamento.


No outono catarinense,
sou a flor persistente
do maracujá-silvestre
descoberta em maio.


Do sagrado ao abrir
e fechar dos teus olhos,
a insurgente favorita
e inabalável enigma.


Cada nova defesa vira
um brinquedo novo;
não me desmotiva
e alimenta a adrenalina.


Não nego que não exista
a emergência de amor,
embora a sedução convide
para o que não é só fantasia.

Disseste que amas
caminhar sob a chuva,
Para afinar a escuta
do seu raro coração;
sob o testemunho fiel
das luzes da cidade:
nos queremos com
toda a intensidade.


O prelúdio que nós
nos encontraremos
em profunda verdade,
nos ouvidos tem susurrado,
a surpresa inocente
do primeiro amor ardente.


Que está predestinado
que de mãos dadas,
nós bailaremos na chuva
e ao destino agradeceremos
com todos os doces beijos.

Seja na Capoeira, no Candomblé,
ou até mesmo na Umbanda,
o meu coração atende
ao toque do Barra Vento,
como fiel e protegida.
Este é o meu sentimento:
bater forte, como cada tambor
dos terreiro desta amada Pátria.


Na primeira linha de Xangô,
assumo-me herdeira
do poetinha do Brasil,
semeando esperança
para ser, sempre, vencedora
em qualquer demanda.


Depois de toda tempestade,
a bonança se anuncia,
e o meu Oxalá sempre será o maior;
só Ele é digno da confiança,
de toda glória e do mais alto louvor.

O meu coração é coração de palmeira
quando se trata de revolução.
Queira ou não, a primeira revolução
se começa com a barriga cheia.


Não importa o tempo e o quanto,
a vida de cada um tenha mudado,
Se no presente ainda é cobrado,
para nenhum de nós é passado.


Aqui quem vos fala é a poesia brasileira:
- Seja na dispensa ou na mesa,
voltem a plantar a palmeira Juçara!


Se a vida está cara, é porque foi
deixado para trás a alimentação originária,
e que até hoje ninguém se atentara.

Da Mata Atlântica à Amazônia,
ter tudo e mais um pouco:
do coração e frutos de juçara,
que nasceu para alimentar,
e merece sempre ser preservada.


Juçara bonita e tão rara,
que além das gentes sustenta
tucanos, jacus, jacutingas,
e os versos deste poema.


Juçara esquecida e tão cara,
que além das gentes sustenta
sabiás, periquitos, maritacas,
e cujas folhas são capazes
de cobrir com beleza as casas.


Juçara magnífica e tão rara,
que além de alimentar as vistas,
sustenta macacos-prego, cotias,
esquilos, e que aos músicos
emprestara ritmo e inspiração
para mais de uma latina canção.


Da Mata Atlântica à Amazônia,
que alimenta mais do que sabemos,
e está deixando de existir para todos:
para os catetos, tatus, capivaras e antas,
e daqui a pouco até para as esperanças!


O interesse no futuro, percebi que não existe,
e pergunto sem resposta neste quase luto:
— Será que é de fato o que queremos?
Chegamos no ponto de vivemos ou vivemos.

Não existe o momento errado,
apenas o endereço errado.
No coração há o sentimento certo,
nos amamos e ainda nos amamos:
só ainda não não nos encontramos.


Escutando o canto da Jacutinga,
lentamente a aurora vespertina
beija docemente a Mata Atlântica,
o vento com leveza balança
a Juçara-de-espinho e a esperança.


Para recebê-lo, tenho preparado,
certamente a mais doce festança;
O que quero para nós é o que há
de mais raro e pleno de temperança
para viver do amor que jamais se cansa.


Do mesmo jeito dos místicos,
quebrando os arcos e flechas dos cupidos
e rasgando os manuais contemporâneos
de sedução que dizem ser estabelecidos
com o orgulho de ser os últimos românticos.

Os olhos e o coração
florescem, tal qual
tajy no Rio Paraguai,
sob o céu austral,
Sempre que percebo
os teus bonitos sinais,
porque a diferença
para mim tu sabes que faz.


Revoada de papagaios
neste rio que nasceu
filho dos payaguás;
Mergulho acompanhado
do amor em prelúdio,
não quero adiar mais,
porque aprecio tudo
o que sempre me trazes
em todas as tuas fases.


Nas tuas mãos quero
ser a fera macia e domada,
a harpa etérea e afinada
que ecoa a melodia cristalina
com fascinação, a magia
e a potente inspiração
que nos una a América do Sul
em sagração a cada estação.


Tudo o que pedires e me deres,
seja em silêncio ou não,
em entrega e sedução
com prazer farei muito mais
para não deixar nada faltar,
e ser o teu abrigo e fonte de paz.

Encontrar no Araguaney em flor,
como prova de amor e lirismo
latino-americano no coração,
nas tuas mãos se entregar
no embalo emotivo do Joropo,
como o curso do Rio Orinoco.


Deixar que a urgência de amar
domine absoluta os sentidos,
e que se cruzem os destinos
no mesmo passo e ritmo,
para que não se conheça
mais os anteriores caminhos.


Entender que o amor é mistério
que não precisa ser explicado,
mas que precisa ser vivido
intensamente acompanhado
com desejo, entrega e calor,
contigo gamado aqui do meu lado.

Em noite de céu aberto,


nos deixar levar no ritmo


do soca e do coração,


no dois, no tempo certo,


no Rio Constituição,


permitir que o Universo


nos cubra de amor e paixão.






Contigo, permitir sentir


o aroma da Banyan tree,


deixar o clima de Barbados


entre nós dois fluir:


não quero mais nada na vida


do que o amor seguir.






Se você conceder,


sei bem o que fazer:


te enlevar com a ternura


e a leveza do ser.


Porque, se você quiser,


assim será o meu querer;


sou eu o que você buscava,


agora só falta entender.

Como sintoma de amor
e de paixão, contando
com a sombra da Caoba,
o meu coração canta
canções de Merengue
como o Rio Yaque del Norte
canta ao encontrar o mar.
É bem deste jeito intenso
que vamos nos enveredar.


Meu é todo o seu amor,
e assim sou o teu amor;
e é assim que, enamorados,
nós vamos nos encontrar.
Não há nada que distraia
quando há vontade de amar,
seja na República Dominicana
ou em qualquer outro lugar.


No teu ouvido tu haverá
de ouvir o meu chamado
de amor baixinho até vir
me encontrar e para mim se dar;
E deliciosamente vou retribuir,
e de nós orgulho vamos esbanjar.

Não há o que se desculpar
por sentir ou querer demais.
Recebo o seu coração em paz,
e, se for do destino, sei o que
fazer conosco e muito mais.


​Não haveremos mesmo de ser
ravinas ou riachos sazonais.
Temos os mesmos gostos
compartilhados e musicais,
e daremos passos fundamentais.


​Somos unidos pelo coração,
temos algo de Flamboyant
na beirinha do Rio Wingfield;
e algo de Saint Kitts e Nevis
acompanhado a String Band.


​Presa pelo seu pensamento,
e você, preso ao encantamento,
muito longe de sermos reféns:
estamos preparando a festa
em que um para o outro já é alguém.

Aquietai o vosso coração, tudo que a Tempestade de Fora precisa — é saber o tamanho do Deus que vive nele.


Tenha fé, aquietai o vosso coração!


Porque, por mais que os ventos lá fora pareçam berrar tragédias e anunciar derrotas, eles, nada sabem sobre o tamanho do Deus que se levanta aí dentro.


A tempestade só mede forças com o que vê; nós, porém, só caminhamos sustentados pelo quanto cremos.


Aquietai o vosso coração!


A fúria do lado de fora só precisa descobrir que, dentro de cada um de nós, habita um Deus que não se intimida com ondas, nem se retrai diante de trovões.


Ele não entra em pânico, não se atrasa e nem negocia Sua soberania.


Aquietai o vosso coração!


Porque quando o interior se alinha à paz que vem do Alto, o exterior perde o direito de comandar o medo.


E a tempestade — por maior que seja — percebe enfim que jamais poderá derrotar um coração onde Deus faz morada.


Aquietai-o, portanto — não porque tudo está calmo, mas, porque Aquele que vive em nós, é infinitamente maior do que tudo que ousa rugir lá fora.


Assim seja, amém!⁠

⁠Que o nosso Coração alcance a Graça de se transformar em Manjedoura para o Filho do Homem!


Que ele se esvazie das vaidades que o endurecem, e se torne simples o bastante para acolher o Eterno.


Que a palha seja livre da mágoa, do ódio, do lixo e de toda e qualquer podridão.


Que aceite o frio da noite, o silêncio do anonimato
e a humildade,
porque foi ali — e não nos palácios —
que o Amor decidiu nascer.


Que sejamos manjedouras, não por mérito,
mas por rendição.


Lugar pequeno, porém disponível.


Pobre de si, rico de entregas.


E que, ao receber o Filho do Homem,
nosso coração aprenda o milagre maior do Natal:
não apenas celebrar o Cristo que vem,
mas sustentar o Cristo que permanece.


Feliz e abençoado Natal!