Textos que Falem eu Nao Vivo sem Voce

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Canto para Minha Morte

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...

Raul Seixas

Nota: Música de Raul Seixas e Paulo Coelho

Quem sou eu?
Eu não sou só aquilo que falo, ou o que falam, o que penso ou o que pensam de mim. Eu sou aquilo que sou por dentro, sou como me sinto sobre mim mesmo. Eu sou, também, o que sinto em respeito as pessoas, e as coisas... Não gosto de ingratidão, não gosto de falsidade, não gosto de gente que faz que bebe, achando que vai ser melhor. Não gosto de gente metida, nem de gente que atua. Não gosto de gente que se acha por seu corpo, por dinheiro, pelo ficante bonitinho... não gosto nem sequer de gente burra. Não gosto de gente que se cala, nem daqueles que não prestam atenção nos outros, ou que se acham o centro do mundo. Não gosto de água com gás, nem de gelatina, de amendoim... Não gosto de soluço, gato, mosca ou formiga de asa. Mas gosto também. Gosto de gente que sabe rir, de quem sente, e sente verdadeiro. Gosto de gente que sabe aproveitar a vida, e sabe ser atenciosa. Gosto de quem tem o coração maior que a cabeça, mas sabe pensar. Gosto quando sussurram no ouvido, gosto quando beijam, quando abraçam. Gosto de pessoas autênticas, pessoas batalhadoras... Gosto até das pessoas que magoam, mas aquelas que magoam por serem sinceras ao me aconselhar. Gosto que briguem comigo quando faço besteira... Sobretudo, gosto mais ainda daqueles que amam, amam no sentido de amor, aqueles que amam verdadeiro, não dos que dizem que amam dois, três ou quatro caras diferentes. Gosto de quem ama mesmo. Porque quem ama aproveitar a vida é autêntico e sabe rir. Quem ama é atencioso, sabe dar carinho, e é verdadeiro, sente de verdade, e está sempre de bem com a vida. Quem ama magoa, também, mas magoa tentando ajudar, porque sabe que é preciso às vezes. Quem ama beija, quem ama abraça, e aquele que ama, batalha. Pela primeira vez, acho que amo.

O caminho que eu escolhi é o do amor!
E não importa as dores, as angústias
nem as decepções que vou ter que encarar,
eu escolhi o caminho do amor,
e escolhi ser verdadeiro,
no meu caminho, o abraço é apertado,
o aperto de mão é sincero,
e quando eu me apaixono eu me entrego,
e me entrego de corpo, alma e emoção.
Por isso não estranhe a minha maneira de sorrir,
de te desejar o bem,
eu sou aquela pessoa que acredita no bem,
que vive e anseia pelo bem.
Por isso, não estranhe se eu te abraçar bem apertado,
se eu me emocionar com a sua história,
se eu chorar junto com você,
se nos arrepiarmos ao ver o arco-íris no céu,
afinal de contas somos gente
e gente que fez a opção pelo bem,
e gente do bem se ama, se entrega,
vive e não se arrepende da vida.
É assim que eu enxergo a vida,
e é só assim que eu acredito que valha a pena viver.
Viver com emoção, com verdade.
Infeliz de quem trai,
infeliz de quem passa por cima das emoções das pessoas de bem,
triste daquele que rouba, que mata, que pratica a violência,
pobre daquele que nunca sentiu o que é ser amado de verdade,
e mais infeliz ainda aquele que nunca amou.
Escolha também o caminho do amor…
Eu acredito em você!

Paulo Roberto Gaefke

Nota: Autoria confirmada pelo próprio autor na sua página de Facebook, em 29 de Novembro de 2012. É muitas vezes atribuído de forma errônea a Clarice Lispector.

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Traição

Quando eu digo que não a trairei
Não é por respeito ao seu amor
Pois dele talvez, eu desconfie.
Não traio a minha dignidade
Porque ela está em mim
Eu não conseguiria viver enganado.

Teu amor pode só existir aqui,
É triste dizer isso.
Mas foram as coisas da vida
Que escreveram isso aqui.
Foram elas que me tornaram assim.

Eu entendo, não seria fácil manter um amor a distância. Porque a saudade ia bater mais forte. Mas cada quilômetro que nos separa, andando e percorrendo até você, valeria todo o esforço porque estaria atrás de um amor verdadeiro.

Por te amar tanto espero que seja feliz com quem você achar certo. Lembro até da nossa primeira conversa. Já faz 1 ano que nos conhecemos, despertou uma amizade forte que com o passar do tempo começou a crescer e florescer um amor tão grande que não consigo explicar. Não quero que esse amor destrua tudo aquilo que foi crescendo. Você me deu conselhos e forças para aguentar as tristezas que compartilhei com você.

Fiquei muito feliz por saber que a pessoa que tanto admiro tenha me amado de verdade. Por essa razão não quero deixar essa amizade se perder e o amor que tanto tenho por você, não se esqueça desse amor. Não quero esquecer, e sim sempre recordar esses momentos.

Crise existencial...

Eu não tô conseguindo me levantar
Não tô conseguindo pensar
Não tô conseguindo dar um sorriso
Muito menos entender o que tem de errado comigo

Quando estou na rua, não parece ser eu
Meu corpo pode estar lá andando, mas meu espírito morreu
Tento me convencer que sou bom
Mas parece que ser o pior em tudo é meu dom

Nunca fui o melhor em algo, isso pra mim é normal
Será que tô passando por uma crise existencial?
Nem sei, só sei que eu não consigo ser o mesmo de sempre
Não sei onde foi parar aquele menino feliz e sorridente

Hoje ainda penso em melhorar
Só tem um problema, eu já tentei
E tudo parece piorar
E tudo desaba mais uma vez

Talvez ninguém leia isso, não duvido
Talvez eu não consiga ser alguém preparado pra algo
Talvez eu não tenha que ter vivido
E de tanto talvez já tô cansado

Eu só queria dormir
Só que pra sempre
O máximo que consigo é me deprimir
E não saber o que fazer novamente...

Eu amo desorganizado, desenvergonhado. Tenho um amor que não é fácil de compreender porque é confuso. Não controlo, não planejo, não guardo para o mês seguinte. A confusão é quase uma solidão adicional. Uma solidão emprestada. Sou daqueles que pedirá desculpa por algo que o outro nem chegou a entender, que mandará nova carta para redimir uma mágoa inventada, que estará se cobrando antes de dizer. Basta alguém me odiar que me solidarizo ao ódio. Quisera resistir mais. Mas eu faço comigo a minha pior vingança. Amar demais é o mesmo que não amar. A sobra é o mesmo que a falta. Desejava encontrar no mundo um amor igual ao meu. Se não suporto o meu próprio amor, como exigir isso?
Um dia li uma frase em Hegel: "nada de grande se faz sem paixão". Mas nada de pequeno se faz sem amor. A paixão testa, o amor prova. A paixão acelera, o amor retarda. A paixão repete o corpo, o amor cria o corpo. A paixão incrimina, o amor perdoa. A paixão convence, o amor dissuade. A paixão é desejo da vaidade, o amor é a vaidade do desejo. A paixão não pensa, o amor pesa. A paixão vasculha o que o amor descobre. A paixão não aceita testemunhas, o amor é testemunha. A paixão facilita o encontro, o amor dificulta. A paixão não se prepara, o amor demora para falar. A paixão começa rápido, o amor não termina.
Não me dou paz sequer um segundo. Medo imenso de perder as amizades, de apertar demais as palavras e estragar o suco, de ser violento com a respiração e virar asma. Até a minha insegurança é amor. O pente nos meus cabelos é faca enquanto é garfo para os demais. Sofro incompetência natural para medir a linguagem das laranjas, acredito desde pequeno que tudo o que cabe na mão me pertence. Minha lareira não dura uma noite, esqueço da reposição das achas, do envolvimento da lenha no jornal, de assoprar o fundo. Brigo com o bom senso. Ou sinto calor demais ou sinto frio demais. Uma ânsia de ser feliz maior do que a coordenação dos braços. Um arroubo de abraçar e de se repartir, de se fazer conhecer, que assusta. Parece agressivo, mas é exagerado. Conto tragédias de forma engraçada, falo de coisas engraçadas como uma tragédia. Nunca o riso ou o choro acontece quando quero. Cumprimento como se fosse uma despedida. Desço a escada de casa ao trabalho com resignação, mas subo na volta pulando os degraus. Esse sou eu: que vai pela esperança da volta.

Meu espírito. Isso é uma novidade. Não sei exatamente o que significa, mas indica que eu sou uma lutadora. De uma maneira mais ou menos corajosa. Não sou sempre antipática. Tudo bem, Não saio por ai amando todo mundo que encontro pelo caminho, meus sorrisos não aparecem com facilidade, mas me importo com as pessoas.

(Katniss Everdeen em Jogos Vorazes)

Deus vem
(12/11/2007)

Quando tudo parece perdido eu penso em Deus...
Quando eu acho que não vou agüentar,
Deus pensa em mim...

E, quando Ele pensa em mim,
Meu sorriso se abre como num milagre.
O vento parece soprar mais forte,
Como se estivesse a me beijar.
O Sol se irradia mais deslumbrantemente.
O tempo pára e me espera,
Para que eu não perca tempo.
A minha boca entoa louvores
E os meus pensamentos desaparecem.
Fica um silêncio, uma paz, uma tranqüilidade...
É nesse momento que eu sei que é Deus que está comigo...
Que eu O encontro dentro de mim mesma,
Que eu me sinto mais amada,
Que eu quero mais da vida...

Só Deus sabe de mim...

Vem e me usa, Senhor!
Faz o Teu querer em mim,
Afasta de mim o que quer me calar
E cala em mim o que não vem de Ti.

Quando eu pensei que não ia mais conseguir me levantar,
Eu clamei a Ti...
Quando Tu percebeste que eu não queria mais tentar,
Tu chamaste a mim
E fez a minha boca, com louvores, te servir.

Vida, meu amor, 1 mês de namoro hoje!
Sério, eu ainda não acredito que depois de tantas coisas estamos juntos e mais felizes do que nunca, e me desculpe por nunca ter postado nada pra você aqui... me desculpe por não conseguir demonstrar em palavras todo esse sentimento. Mas eu acredito que a força do meu sentimento não é demonstrado através de palavras e sim de atitudes, e o nosso amor é demonstrado através de atitudes, com beijos, carinhos, sorrisos... dias perfeitos ao seu lado, VIDA. Eu te chamava de amor, mas aí eu me dei conta que amor era só uma parte de mim, e você não é uma parte de mim. Você sou eu por completo, e foi aí que eu comecei a te chamar de VIDA. Eu te amo do meu jeito atrapalhado, mas amo.

Se ele é tolo ao amar o olhar dela,
Ao amá-lo, eu caí numa esparrela.
Às coisas vis, que não têm qualidade,
O amor empresta forma e dignidade:
Porque não vê com os olhos nem com a mente,
Cupido é alado e cego, à nossa frente.
Amor não tem nem gosto nem razão,
Asas sem olhos dão sofreguidão.
Se cupido é criança, a causa é certa...

Com o coração

Hoje eu não quero conversas vestidas de uniforme. Diálogos impecavelmente arrumados que não deixam o coração à mostra. As palavras podem sair de casa sem maquiagem. Podem surgir com os cabelos desalinhados, livres de roupas que as apertem, como se tivessem acabado de acordar. Dispensa-se tons acadêmicos, defesas de tese, regras para impressionar o interlocutor. O único requinte deve ser o sentimento. É desnecessário tentar entender qualquer coisa. Tentar solucionar qualquer problema. Buscar salvamento para o quer que seja.

Hoje eu não quero falar sobre o quanto o mundo está doente. Sobre como está difícil a gente viver. Sobre as milhares de coisas que causam câncer. Sobre as previsões de catástrofes que vão dizimar a humanidade. Sobre o quanto o ser humano pode ser também perverso, corrupto, tirano e outras feiúras. Sobre os detalhes das ações violentas noticiadas nos jornais. Não quero o blablablá encharcado de negatividade que grande parte das vezes não faz outra coisa além de nos encher de mais medo. Não quero falar sobre a hipocrisia que prevalece, sob vários disfarces, em tantos lugares. Hoje, não. Hoje, não dá. Não me interessam o disse-que-disse, os julgamentos, a investigação psicológica da vida alheia, os achismos sobre as motivações que fazem as pessoas agirem assim ou assado, o dedo na ferida.

Hoje eu não quero aquelas conversas contraídas pelo receio de não se ter assunto. A aflição de não se saber o que fazer se ele, de repente, acabar. O esforço de se falar qualquer coisa para que a nossa quietude não seja interpretada como indiferença. Hoje eu não quero aquelas conversas que muitas vezes acontecem somente para preenchermos o tempo. Para tentarmos calar a boca do silêncio. Para fugirmos da ameaça de entrar em contato com um monte de coisas que o nosso coração tem pra dizer. Além do necessário, hoje não quero falar só por falar nem ouvir só por ouvir. Que a fala e a escuta possam ser um encontro. Um passeio que se faz junto. Um tempo em que uma vida se mostra para a outra, com total relaxamento, sem se preocupar se aquilo que é mostrado agrada ou não. Se aumenta ou diminui os índices de audiência.

Hoje, se quiser, se puder, se souber, me fala de você. Da essência vestida com essa roupa de gente com a qual você se apresenta. Fala dos seus amores, tanto faz se estão perto do seu corpo ou somente do seu coração. Fala sobre as coisas que costumam fazer você sintonizar a frequência do seu riso mais gostoso. Fala sobre os sonhos que mantêm o frescor, por mais antigos que sejam. Fala a partir daquilo em você que não desaprendeu o caminho das delícias. Do pedaço de doçura que não foi maculado. Da porção amorosa que saiu ilesa à própria indelicadeza e à alheia. A partir daquilo em você que continuou a acreditar na ternura, a se encantar e a se desprevenir, apesar de tantos apesares. Conta sobre as receitas que lhe dão água na boca. Sobre o que gosta de fazer para se divertir. Conta se você reza antes de adormecer.

Hoje, me fala de você. Dos momentos em que a vida lhe doeu tanto que você achou que não iria aguentar. Fala das músicas que compõem a sua trilha sonora. Dos poemas que você poderia ter escrito, de tanto que traduzem a sua alma. Senta perto de mim e mesmo que estejamos rodeados por buzinas, gente apressada, perigos iminentes, faz de conta que a gente está conversando no quintal de casa, descascando uma laranja, os pés descalços, sem nenhum compromisso chato à nossa espera. A gente já brincou tanto de faz-de-conta quando era criança, onde foi que a gente esqueceu como se chega a esse lugar de inocência? Fala da lua que você admirou outra noite dessas, no céu. Da borboleta que lhe chamou à atenção por tanta beleza, abraçada a alguma flor, como se existisse apenas aquele abraço. Diz se quando você acorda ainda ouve passarinhos, mesmo que não possa identificar de onde vem o canto. Diz se a sua mãe cantava para fazer você dormir.

Senta perto e me conta o que você sentiu quando viu o mar pela primeira vez e o que sente quando olha pra ele, tantas vezes depois. Se tinha jardim na casa da sua infância, me diz que flores riam por lá. Conta há quanto tempo não vê uma joaninha. Se tinha algum apelido na escola. Se consegue se imaginar bem velhinho. Fala da sua família, a de origem ou a que formou. Das pessoas que não têm o seu sobrenome, mas são familiares pra sua alma. Fala de quem passou pela sua vida e nem sabe o quanto foi importante. Daqueles que sabem e você nem consegue dizer o tamanho que têm de verdade. Fala daquele animal de estimação que deitava junto aos seus pés, solidário, quando você estava triste. Diz o que vai ser bacana encontrar quando, bem lá na frente, olhar para o caminho que fez no mundo, em retrospectiva.

Podemos falar abobrinhas, desde que sejam temperadas com riso, esse tempero que faz tanto bem. A gente pode rir dos tombos que você levou na rua e daqueles que levou na vida, dos quais a gente somente consegue rir muito depois, quando consegue. A gente pode rir das suas maluquices românticas. Das maiores encrencas que já arrumou. Das ciladas que armaram para você e, antes de entender que eram ciladas, chegou até a agradecer por elas. De quando descobriu como são feitos os bebês. A gente pode rir dos cárceres onde se prendeu e levou um tempo imenso pra descobrir que as chaves estavam com você o tempo todo. Das vezes em que se sentiu completamente nu diante de um Maracanã, tamanha vergonha, como se todos os olhos do mundo estivessem voltados na sua direção. Das mentiras que contou e acreditaram com facilidade. Das verdades que disse e ninguém levou a sério.

Não precisa ter pauta, seguir roteiro, deixa a conversa acontecer de improviso, uma lembrança puxando a outra pela mão, mas conta de você e deixa eu lhe contar de mim. Dessas coisas. De outras parecidas. Ouve também com os olhos. Escuta o que eu digo quando nem digo nada: a boca é o que menos fala no corpo. Não antecipe as minhas palavras. Não se impaciente com o meu tempo de dizer. Não me pergunte coisas que vão fazer a minha razão se arrumar toda para responder. Uma conversa sem vaidade, ninguém quer saber qual história é a mais feliz ou a mais desditosa.

Hoje eu quero conversar com um amigo pra falar também sobre as coisas bacanas da vida. As miudezas dela. A grandeza dela. A roda-gigante que ela é, mesmo quando a gente vive como se estivesse convencido de que ela é trem-fantasma o tempo inteiro. Um amigo pra falar de coisas sensíveis. Do quanto o ser humano pode ser também bondoso, honesto, afetuoso, divertido e outras belezas. Dos lugares onde nossos olhos já pousaram e daqueles onde pousam agora. Um amigo para conversar horas adentro, com leveza, de coisas muito simples, como a gente já fez mais amiúde e parece ter desaprendido como faz. Um amigo para se conversar com o coração.

E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.

Primeiro, os nazistas vieram buscar os comunistas,
mas, como eu não era comunista, eu me calei.

Quando vieram atrás dos sindicalistas,
como eu não era sindicalista, eu me calei.

Quando prenderam os social-democratas, eu me calei;
eu não era social-democrata.

Quando prenderam os judeus,
eu me calei; eu não era judeu.

Quando vieram atrás de mim,
não havia mais ninguém para protestar.

Martin Niemöller

Nota: Trecho de sermão do pastor alemão que posteriormente inspirou o texto atribuído a Bertolt Brecht.

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Eu sou essa pessoa a quem o vento chama,
a que não se recusa a esse final convite,
em máquinas de adeus,sem tentação de volta.

Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza:
Eu sou essa pessoa a quem o vento leva:
já de horizontes libertada,mas sozinha.

Se a Beleza sonhada é maior que a vivente,
dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho ?
Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga.

Pelos mundos do vento em meus cílios guardadas
vão as medidas que separam os abraços.
Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina:

Agora és livre,se ainda recordas

(Solombra, p. 794)

Eu sou assim
Um pedacinho bom
Outro ruim.
Ninguém é perfeito
E comigo não seria diferente.
Cometo erros
e acertos.
Busco sempre melhorar
Mas não tolero essa história
de fazer as coisas só para agradar.
Sou o que sou
Sou quem sou
Não posso e nem quero
ser aquilo que os outros desejam.
Quero viver do meu jeito
Traçar meu próprio caminho
Quero no final de tudo
Poder dizer que vivi e fui feliz
Sorri e chorei...
Mas com as escolhas que eu fiz.

O caminho que eu escolhi é o do amor,
Não importam as dores, nem as angústias.
Nem as decepções que vou ter que encarar,
Escolhi ser verdadeira.
No meu caminho, o abraço é apertado.
O aperto de mão é sincero,
Não estranhe a minha maneira de sorrir.
De te desejar o bem!
Não estranhe se eu me emocionar
com a sua história!
Se eu chorar junto com você!
Afinal de contas, sou um ser humano,
Que fez a opção pelo bem!
É assim que eu enxergo a vida!
É só assim que eu acredito,
que vale a pena viver.
Viver com emoção!
Com verdade!
Viver com amor!
Viver com o coração!

Paulo Roberto Gaefke

Nota: Trecho adaptado de um poema do autor.

Leonina

E se eu insisto no querer
esquecendo da razão
Não pense que é falta de amor-próprio
é que eu sou de leão.

Se por onde eu passo me mostro
Voltando toda atenção
Não é só vaidade
Eu nasci de leão.

Se eu morro de amores
mês sim e outro também
Não se espante com minha vontade
Eu sou leonina, meu bem.

Se eu exagero no ciúme
causando confusão
É só o lado inseguro
De uma pessoa de leão.

Quando anoitece, eu ardo
Se amanhece, ardo mais ainda
Não é que eu seja insaciável
É intensidade de leonina

Outras melhores existem, sim.
Mas não te culpo se depois
Ainda vai preferir a mim
É que por ser de leão deixo marcas sem fim.

Antes de ser mãe, eu fazia e comia
os alimentos ainda quentes.
Eu não tinha roupas manchadas,
tinha calmas conversas ao telefone.

Antes de ser mãe, eu dormia o quanto eu queria,
Nunca me preocupava com a hora de ir para a cama.
Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes

Antes de ser mãe,
eu limpava minha casa todo dia.
Eu não tropeçava em brinquedos e
nem pensava em canções de ninar.

Antes de ser mãe, eu não me preocupava:
Se minhas plantas eram venenosas ou não.
Imunizações e vacinas então,
eram coisas em que eu não pensava.

Antes de ser mãe,
ninguém vomitou e nem fez xixi em mim,
Nem me beliscou sem nenhum cuidado,
com dedinhos de unhas finas.

Antes de ser mãe,
eu tinha controle sobre a minha mente,
Meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos,
e dormia a noite toda.

Antes de ser mãe, eu nunca tive que
segurar uma criança chorando,
para que médicos pudessem fazer testes
ou aplicar injeções.
Eu nunca chorei olhando pequeninos
olhos que choravam.
Nunca fiquei gloriosamente feliz
com uma simples risadinha.
Nem fiquei sentada horas e horas
olhando um bebê dormindo.

Antes de ser mãe, eu nunca segurei uma criança,
só por não querer afastar meu corpo do dela.
Eu nunca senti meu coração se despedaçar,
quando não pude estancar uma dor.
Nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina,
pudesse mudar tanto a minha vida e
que pudesse amar alguém tanto assim.
E não sabia que eu adoraria ser mãe.

Antes de ser mãe, eu não conhecia a sensação,
de ter meu coração fora do meu próprio corpo.
Não conhecia a felicidade de
alimentar um bebê faminto.
Não conhecia esse laço que existe
entre a mãe e a sua criança.
E não imaginava que algo tão pequenino,
pudesse fazer-me sentir tão importante.

Antes de ser mãe, eu nunca me levantei
à noite toda, cada 10 minutos, para me
certificar de que tudo estava bem.
Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor,
a dor e a satisfação de ser uma mãe.
Eu não sabia que era capaz de ter
sentimentos tão fortes.

Por tudo e, apesar de tudo, obrigada Deus,
Por eu ser agora um alguém tão frágil
e tão forte ao mesmo tempo.

Obrigada, meu Deus, por permitir-me ser mãe!

Eu descobri
Que ser grande
é poder sempre fazer coisas pequenas
Que ser grande
é nao desistir quando as coisas ficam difíceis
Que ser grande
é ter humor para enfrentar os desafios
Que ser grande
é simplificar as coisa complicadas
Ser grande
não é enconstar no teto com as mãos
e sim os outros com a alma
Ter coragem e saber que o medo nao é um conselheiro...
Ser grande
é ser pequeno no tamanho
e grande na vontade
Por isso eu penso sempre...
Insista, persista e nunca desista!

Eu não me conheço. E tenho medo de me conhecer. Tenho medo de me esforçar para ver o que há dentro de mim e acabar surpreendendo uma porção de coisas feias, sujas. O que aconteceria, então? O orgulho de ter conseguido chegar perto de meu coração? Ou uma grande humildade, uma humildade de cão faminto, rabo entre as pernas, costelas aparecendo? Não sei, não sei — minha cabeça quase estala quando faço perguntas, meu pensamento escorrega, se desvia, foge para longe, como se ele também tivesse medo da resposta. E talvez nem seja preciso coragem. Talvez seja necessário apenas um breve impulso, como aquele que me fazia mergulhar de repente na água gelada do açude da fazenda. E eu nem era corajoso por fazer isso, apenas tinha as esquecido por um instante de mim, do meu corpo.
(Limite Branco)