Textos que Falam sobre Mim
Silêncio em tormentas
Há em mim um lado que é calmaria,
E outro que se perde na tormenta.
Um que se cala ao te olhar,
E outro que grita tua ausência.
Carrego em mim um amor que te envolve,
Mas também um orgulho que te afasta.
Sorrisos nascem só de te ver,
E lágrimas caem quando não estás.
Sou feito de contrastes,
De céu sereno e tempestade,
De certezas e dúvidas,
De encontros e saudades.
Mas entre todos os meus lados,
Entre tudo o que sou ou deixo de ser,
Não existe em mim sequer um instante,
Em que eu não te deseje
Com alma, com coração
"Casa de Dentro"
(por um coração com janelas)
Tenho em mim uma casa que não fecha,
onde o vento entra sem bater —
e cada suspiro é uma porta que range
pro lado de dentro de mim.
Nessa casa mora um rio calado,
que chora baixinho à meia-noite,
mas também ri com o sol da manhã,
quando a esperança põe a chaleira no fogo.
As paredes têm cheiro de infância,
de pão na manteiga e de colo quente.
E quando a tristeza visita,
dou café e deixo sentar um pouco.
Porque aprendi — com o tempo e os tombos —
que até a dor tem poesia
se você souber escutar com o peito
e não só com os ouvidos do dia.
Nessa casa, amor não é hóspede:
é morador antigo,
que plantou hibiscos no quintal
e rega o silêncio com paciência.
E há um jardim nos fundos,
onde tudo que morreu floresce de novo,
de mansinho,
como quem entende que a beleza
não tem pressa nem endereço fixo.
Sou casa, sou rio, sou flor.
Sou verbo que ainda não foi escrito,
mas que vive sendo sussurrado
no coração de quem sonha.
E se um dia bater na minha porta,
vem leve.
Descalço.
Com alma lavada.
Porque aqui dentro,
a gente vive como se o mundo fosse poesia
e cada encontro, um milagre.
Tenho dentro de mim
uma Clarice que duvida,
um Drummond que espreita as pedras,
um Vinicius que ama até o adeus,
e um Shakespeare que sonha com os olhos abertos.
Fui casa caída, bandeira ao vento,
fui rua sem nome e jardim sem dono.
Mas reguei minha ausência com esperança,
e plantei amor até no chão do abandono.
Não me peça lógica — sou flor.
Sou verbo em carne viva.
Sou reza de Cora no silêncio da cozinha.
Sou verso de Mario escapando pela fresta.
E mesmo quando a dor fizer morada,
ainda assim —
com olhos molhados e alma lavada —
deixarei a porta aberta.
Silêncio dentro
há um não
que ninguém ouviu
mas que ecoa em mim
como um trovão de dentro para fora
ninguém viu
o dia em que morri um pouco
de olhos abertos
sem despedida
sem barulho
a vida me negou com o olhar vazio
com mãos que não se estendem
com promessas que nunca se disseram
e agora eu ando com essa ausência nos braços
como quem embala o que não nasceu
como quem carrega um nome sem rosto
como quem grita sem som
eu não quero explicações
nem conselhos
eu só quero que essa dor
não precise se esconder em mim
O peso das coisas que não vieram
Há um espaço em mim
que não é vazio —
é cheio demais
de tudo o que não aconteceu
Um lugar onde a esperança dormia
e acordou sozinha,
sem motivo
sem futuro
Não sei mais em que parte do corpo
se guarda o que nunca se teve
mas eu guardo
como quem protege cinzas quentes
como quem segura vento nas mãos
Não foi uma perda
foi uma ausência
que chegou tarde demais
pra ser evitada
e cedo demais
pra ser entendida
e eu sigo
com esse silêncio barulhento
com essa dor sem nome
pedindo a mim mesma
pra sobreviver mais um dia
Criaram uma lenda sobre mim
dizem que sou forte
dizem que sou luz
dizem que aguento tudo
mas esqueceram de perguntar
se eu queria ser muralha
se eu tinha escolha
se eu ainda tinha chão
me vestiram com a armadura da expectativa
e agora exigem que eu lute
mesmo quando não tenho forças pra levantar
ninguém quer ver a minha dor
porque ela mancha o que projetaram em mim
porque quebra a ilusão
de que sou imbatível
mas hoje
eu não consigo fingir
não tenho mais sorriso de reserva
nem palavra bonita pra aliviar os outros
não quero consolo
quero silêncio
estou a ruir por dentro
os pedaços de mim já não se encaixam
e tudo o que era esperança
virou pó
não me peçam coragem
não me peçam pressa
não me peçam nada
só respeitem o vazio que ficou
e me deixem reaprender
quem sou
sem essa dor
A morte que respiro viva
há dias em que viver
é um ato de violência contra mim
em que o corpo caminha
mas a alma não vem junto
e o mundo espera
que eu sorria com a boca
mesmo quando meu coração
grita com os olhos
não é que eu queira morrer
é que já morri
tantas vezes em silêncio
que a morte parece mais honesta
do que esta vida fingida
as pessoas dizem:
“tudo passa”
mas há dores que não passam
elas assentam-se, fazem casa
e chamam de lar o que sobrou de mim
e eu finjo
com uma habilidade que ninguém duvida
porque desapontar é pior do que desaparecer
mas só eu sei o peso
de fingir luz quando só há breu
de sorrir com cacos nos lábios
de carregar o próprio túmulo dentro do peito
não peço salvação
não quero promessas
só queria poder existir
sem ter que mentir
que ainda estou viva por dentro
"Brasa"
Sinto? Talvez sim.
Mas não como antes.
Havia um fogo em mim,
onde cada emoção era álcool.
Bastava um toque —
e eu explodia em chamas.
Belo, mas perigoso.
Foi assim que me afoguei em fantasias,
jogando horas do meu vasto dia
em cenários que não existiam.
Romance era refúgio
(e cárcere também).
Depois, veio o silêncio.
A dor me acordou.
E o fogo… virou brasa.
Hoje, é morno.
Quase não aquece,
mas também não queima.
Estranho.
Talvez necessário.
Talvez... uma saída, proteção.
Mas sinto falta, confesso
da melancolia que me fazia poesia,
da música suave ao apreciar a vista na janela,
do cheiro da chuva,
da beleza quieta do mundo.
Agora, meus olhos molham,
mas não choram.
A lágrima não escorrega
ela apenas sussurra.
E algo, dentro de mim,
a seca.
No começo, temi.
Temi virar pedra.
Temi nunca mais sentir.
Mas talvez...
seja uma lição.
Nem sempre a vida é sentimento.
Às vezes é fé.
Às vezes é razão.
Às vezes é só... viver.
Viciada em fugas
mundos paralelos de doçura.
Mas um dia doeu tanto,
que eu fui embora dali pra sempre.
Desde então,
sinto tudo mais leve.
Até demais.
Deveria doer.
mas só pesa.
E o medo volta:
e se eu não sentir nunca mais?
Mas talvez...
só talvez...
sentir de forma calma
também seja amar, também seja sentir.
E há esperanças
uma brasa, ainda queima de maneira escaldante
quem sabe torne-se eu novamente uma amante?
dessa vez, sem impulsos
sem extremos.
Dor do amor
Uma poesia singela e tímida,
Grita dentro de mim para espalhar ao mundo.
Aquele que ama demais os outros,
No fundo só quer sentir esse breve sentimento.
É uma busca incessante,
Não é mentira quando dizem que o amor nos cega.
Em tempo, hoje vejo o quanto queria ser amada,
Eu amava demais, era gentil excessivamente.
Porque nunca ninguém me disse?
Hoje, me farto do meu amor,
Mas deixo uma pontinha para o mundo,
Para não esquecer do poder de transformação que ele tem.
Desejo que ao pensar no amor, eu nunca mais esqueça de mim.
18/02/2025
TREM DAS SETE HORAS
Quando conheci ele, algo em mim foi despertado,
Não sei dizer o que, mas uma chama acendeu, eu fui vista, fui desejada.
O dia estava amanhecendo e eu nos braços dele, dentro do carro.
Acabei com o trabalho dele na noite anterior, ele se obrigou a ficar comigo no momento que entrei naquele carro.
Não sei se sou a última romântica, que vê amor por tudo ou se estou tão carente, a ponto da pessoa dizer somente um gentil oi e eu me derreter.
Penso que pode ser as duas coisas, mas ainda sim, foi algo natural e não há dúvidas da minha certeza em querer aquele homem desde o momento que ouvi sua voz.
17/02/2025
Entre eus e espelhos
Sou mil, sou um, sou tantos em mim,
um reflexo que muda, começo sem fim.
Na dança da vida, me moldo e me faço,
sou brisa que pensa, sou fogo e sou laço.
Nos olhos do mundo, busquei direção,
mas foi no silêncio que ouvi meu coração.
Entre luz e sombra, me vi verdadeiro,
um gênio sensível, um ser passageiro.
O amor que carrego, às vezes me dói,
mas pulsa tão forte, que nada destrói.
Sou criança, sou velho, sou puro e complexo,
sou o erro e a cura, sou verso sem nexo.
Não há “eu” maior, nem “eu” menor,
só versões que dançam no tempo sem dor.
E se tudo é mudança, sou rio e sou fonte,
caminho incansável que segue seu monte.
E ao fim deste voo em palavras e ar,
descubro que o viver é apenas amar.
Que o mais belo do ser, no fundo, é sentir,
e o mais forte dos “eus” é o que escolhe existir.
NÃO ME ESPERE
Não espere por mim, fui jogar as cinzas no mar e celebrar a um renascimento.
Fui acender um inceso e pedir ao universo que receba quem parte e que fortaleça quem acaba de chegar.
Não espere, apague a luz e feche a porta... não irei voltar e ouvir lamentos e promessas manipuladoras.
Não espere nem um minuto, estou concluindo o download de atualização da nova versão de mim que você iniciou ao me magoar.
Se desejar, guarde as lembranças do que conseguiu desconstruir com a toxicidade que lhe caracteriza
e a certeza que jamais fará parte do que forjou com sua passagem furaconica.
Não espere um abraço de despedida ou mesmo um aperto de mãos, se o que merece é a distância que te apaga na linha do horizonte.
Não perca mais tempo esperando por algo que irresponsavelmente despedaçou e deixou de existir
”O Encontro com a Realidade”
Estou destruído, como se uma parte de mim tivesse sido arrancada, e tudo que eu sou hoje é um pedaço quebrado, sem rumo, sem identidade. Não entendo o que está acontecendo comigo. A dor da rejeição é insuportável, ela consome cada parte de mim, me faz questionar tudo o que eu acreditava ser verdade. Não sei como lidar com essa sensação de estar invisível, de não ser digno de atenção, de ser um ser que só sabe amar, mas nunca ser amado de volta. Eu me entrego, me entreguei de corpo e alma, e tudo o que recebo é indiferença.
Eu sou aquele tipo de pessoa que ama sem esperar nada em troca, que sempre se doa, mas que nunca recebe nada em troca. Estou cansado. Cansado de ser o que ama, mas nunca o que é amado. Quero ser visto, quero ser desejado, quero me sentir importante para alguém. Não quero mais ser apenas um espectador da vida dos outros, quero ser parte de algo, quero alguém ao meu lado. Eu preciso de alguém. Eu preciso sentir que minha existência tem algum valor.
Mas a solidão… a solidão é uma companhia constante, uma sombra que me persegue dia após dia, ano após ano. Eu não sei mais o que fazer com ela. Cada dia parece uma condenação, cada hora, uma eternidade. Não sei mais o que fazer com essa dor que me consome, com esse vazio que parece crescer dentro de mim. Eu só queria que alguém me visse, me tocasse, me amasse. Eu só queria ser mais que um fantasma na vida das pessoas.
Carta para alguém que existiu em mim
Hoje, decidi te deixar partir.
Não porque o que senti foi fraco, ou porque não doeu… mas porque meu coração merece paz.
Você nunca me tocou, nunca me olhou nos olhos, e mesmo assim foi capaz de habitar meus pensamentos por tanto tempo.
Foi seu jeito carinhoso, seu olhar gentil com o mundo… e talvez, o que eu imaginei que existiria entre nós.
Mas agora entendo: eu me apaixonei pelo que você parecia ser, e pelo que eu gostaria de viver.
Eu idealizei momentos, diálogos, gestos que nunca vieram.
E mesmo sem culpa, você ficou… como um sonho que nunca acordou.
Hoje, eu escolho me libertar.
Não te odeio, não guardo mágoas.
Guardo apenas a lição de que mereço ser amada por inteiro — por alguém que me olhe nos olhos, que me toque com verdade, que fique de verdade.
Obrigada por ter existido no meu coração.
Mas agora, é ele que precisa bater por mim.
Eu me perdi...
Me perdi tentando ser a melhor versão de mim
Querendo te agradar e ser o melhor para você
Ser uma boa mulher, dona de casa e amante
Me perdi todas as vezes que cedi
Me perdi todas as vezes que concordei
Me perdi todas as vezes que me calei
Falhei em todas as vezes que fiz tentando agradar
Perdi em todas as vezes que tentei acertar
E por mais que pareça trágico
Acertei quando perdi
Acertei quando te perdi
Ou melhor dizendo, quando você me perdeu.
Sem nada de mim
não queria ter sido parida...
trazer em mim essa ferida...
nem o amanhecer... nem o entardecer de mim deveriam ter palavras ouvidas...
não haveria riozinhos com águas quentes pra me banhar...
eu ali jamais iria estar...
secar ao sol
um vento o corpo refrescar
nada disso quisera eu ter de experimentar...
um olhar a se perder na distância
sem alma pra abarrotar de dores dessa eterna inconstância...
sem partículas de mim nos caminhos de espinhos desfloridos...
ao pó caídos... numa eternidade sem fim destituída de mim
Qual foi o momento mais difícil que te fez se encontrar?
Pra mim…
foi quando perdi quem eu mais amava.
Quando fui traído por quem jurei confiar.
Quando percebi que ninguém viria me salvar.
A dor rasgou…
me tirou o chão, os sonhos, a fé.
Mas foi ali, no escuro…
que eu descobri minha luz.
Chorei baixinho, me calei por dentro…
mas continuei.
Com o coração em pedaços…
mas com a alma em reconstrução.
Nem toda ferida sangra.
Algumas moldam.
E às vezes, é no fundo do poço…
que a gente aprende a voar.
Porque a dor, quando não te mata…
te transforma.
E foi essa dor…
que fez me encontrar.
Sobre feridas e tempo…
A decisão de deixar de te amar causou em mim uma dor lancinante.
O dia que se seguiu foi ainda mais excruciante.
Tive raiva de vc. Queria gritar. Colocar pra fora toda dor que vc estava me causando. Mas me mantive firme, resoluta, determinada a te esquecer custasse o que custasse.
Resolvi ouvir a voz da minha mãe na infância que me dizia: “engole o choro”.
Às vezes eu conseguia,
Outras, o choro me engolia.
No dia posterior parecia que tudo doía ainda mais.
Na semana seguinte me desesperei.
E me desesperei muito mais nos meses que se sucederam porque parecia que aquela dor não ia embora nunca…
Hoje ainda dói.
Bem menos, pois hoje eu sei que vai sarar.
A ferida está cicatrizando, e aos poucos a gente vai percebendo que a dor vai passar.
E que apesar de tudo, a gente vai ficar bem.
Vai ficar tudo bem.
Domingo a tarde
O que te faz lembrar de mim
O que te faz querer me ter
Voltar atrás
Só pra me ver
O que te faz lembrar de mim
Vendo Tv
Ou filme ruim
Por que lembrar
Tanto de mim
O que me faz lembrar de ti
O que me faz querer te ter
Volto atrás
Só pra te ver
O que me faz lembrar de ti
Vendo TV
Ou filme ruim
Porque lembrar
Tanto de ti
O que me faz querer você
Não quero mais
Já prometi não me envolver
Então me diz
O que me faz
Querer e pensar
E repensar
E te querer
E se não for pra ser
O que fazer
Com esse calor
Se virar dor
Não sei dizer
O que me faz lembrar de ti.
Deu a mim e também a muitos outros, de todas as nações
e povos e línguas, de todas e quaisquer crenças religiosas,
do norte, do sul, do leste e do oeste. Todos os filhos de
Deus Pai ganharam uma vida eterna.*
*[Apocalipse 7 : 9] "Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém
podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé
diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na
mão."
