Textos que Falam sobre Mim

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“⁠eu te esperei.
tanto, que o tempo cansou de mim.
tanto, que você se cansou de mim.
tanto, que já não distingo mais o motivo pelo qual esperei;
o “esperei” nem existe —
o tempo falhou,
assim como eu falhei em te esperar.

o tempo errou…
o tempo se cansou de mim…
nem o tempo foi capaz de me corrigir.

eu te espero.
tanto, que percebi meu erro.
tanto, que o pretérito virou presente.
tanto, que pela primeira vez,
eu estava certa:
você realmente se cansou de mim.”

Distante, eu olho para mim.
Um passado de guerras e batalhas sem fim.
Vencida pela guerra que habita em mim.
Luto para encontrar a paz que perdi.


As cicatrizes do passado ainda dolentes,
As memórias de dor, ainda presentes.
Mas em meio à tempestade, busco a calma,
E encontro a força para seguir em frente.


Presente, eu olho para o futuro.
Cheio de termos que exigem coragem e pureza.
Minha espada, símbolo de luta e glória.
Reportará digna das minhas histórias vencidas.


As lutas do passado me ensinaram a ser forte,
As glórias alcançadas me deram a confiança para seguir.
Agora, eu olho para o futuro com determinação,
E sei que minha espada continuará a brilhar.

Procura.
Hoje estou a me procurar, me perdi de mim. Não me encontro em lugar algum. Será que estou na noite fria ou no dia ensolarado?


Onde posso me encontrar? No seu caminho incerto, na estrada que não tem parada. Me perder de mim é encontrar a liberdade que não sou capaz de encontrar. Ser o que não sou ou de não ser o que sou.


Na incerteza do caminho, encontro a minha verdade, que não está no destino, mas na jornada da minha história.
Maria Bueno 💜

"Venha até mim"
Eu me lembro.
Era tudo que ecoava na minha mente
Sob estes ventos
e a luz do luar,
E eu atendo.
Abdicando da minha humanidade,
me entrego a você por inteiro.


Banhados de sangue,
chuva de caos nos nomeia.
Agora sabes que te pertenço.
Meu Criador, minha luz, meu relento.
Sacie a sede que há no meu peito.
Me proteja do medo.


Diga que serei teu até o fim dos tempos.
e que não me abandonará
O destino Sempre irá nos juntar
Ninguém em tantos séculos ocuparia o teu lugar.
O nosso amor é milenar


Nada faz sentido com a tua ausência.
Você é minha perdição.
Somos os donos da noite.
Você é meu luar.
Para sempre te amarei,
Meu eterno Lestat.

Setembrisse

Há em mim uma agonia abrandada
Um ar indecente, instigante, polêmico
Um cheiro de álamo com ar excêntrico
Quando chega setembro voo aflorada
Pelas alvoradas me repagino matutina
Feito um pássaro da manhã mais libertina
Eu me reapaixono por minha pessoa
Me sinto gaivota sobre o mar que avoa
Então eu me setembro em setembrisse
Feito as águas arroladas em crispadura
Igual Hilda Hilst libertada em amavisse
Me beijo aspirante primaveral
Velejo flutuante além do meu portal
Me oceano e me faço vergéis frutíferos
Me amo tanto em jardins paradisíacos...
Nos desejos é onde libero mea-culpa
Dissicuto minha alma sem culpa d’utopia
Em setembro me primavero liberta
Relembro os ciclos me reitero poeta
Me reciclo em finura me rabisco poesia
Amor e loucura a setembrisse me planta
Ah!... Setembro floreiro que de flor me amanta...

O brilho ofuscado pelo vício


Oh, brilho…
Brilho lindo que carrego dentro de mim,
onde é que tu estás?


Quebro-te com os vícios,
perco-me por falta de equilíbrio,
por tapar os ouvidos
e fingir que ainda tenho o domínio.


Toda vez que prometi que seria a última vez ,
ela voltou a ser a primeira vez.


Oh, brilho ☘️
deixei-me levar pelas influências,
sem saber ou fingindo não saber
que escolhas também cobram consequências.


E mesmo assim…
ainda te chamo.


19 de Janeiro de 2026
Quitério Joaquim Muita ✍🏾.

Em Dobro, a Troco de Nada

Costumo dizer que desejo em dobro tudo aquilo que desejam para mim.
Alguns recebem a frase como gentileza.
Outros ficam em silêncio, desconfortáveis, como se tivessem sido chamados a prestar contas.
Talvez porque desejar em dobro seja leve quando a intenção é boa,
mas pesado quando carrega inveja, julgamento ou maldade disfarçada.

E a verdade é que, muitas vezes, as pessoas sentem inveja a troco de nada.
O outro não fez mal, não prejudicou, não passou por cima de ninguém.
Ainda assim, a tal “alma divina” decide que não foi com a cara de alguém.
É nesse ponto que a pergunta surge, inevitável:
em quem, afinal, está o defeito?

O mal nem sempre nasce de uma agressão direta.
Às vezes ele nasce do incômodo que o outro causa só por existir,
por seguir o próprio caminho,
por não pedir permissão para ser quem é.
Então vêm as falsidades, os prejuízos silenciosos,
os desejos ruins guardados no pensamento —
tudo a troco de nada.

Como se não bastasse, vivemos cercados de opiniões não solicitadas.
Opiniões que não querem ajudar, mas invadir.
Quando confrontadas, recebem um nome bonito:
crítica construtiva.
Na prática, é apenas a forma maquiavélica de rebaixar alguém
enquanto se finge nobre.

Quem realmente quer construir, pergunta.
Respeita.
Espera ser convidado.
O resto é vaidade moral,
é a necessidade de se sentir acima
porque não conseguiu fazer as pazes consigo mesmo.

O que muitos esquecem é que intenção também pesa.
O mal que se faz em silêncio caminha.
O que se deseja, mesmo sem palavras, encontra o caminho de volta.
Por isso a ideia do “em dobro” assusta tanto.
Ela não ameaça.
Ela apenas devolve.

No fim, a conta chega.
Não por castigo,
mas por coerência.
E quem vive desejando o mal, invadindo, julgando e diminuindo,
um dia se pergunta
por que a vida anda tão pesada

SEIS DE ABRIL

você se apaixonou pelo o que inventou de mim,
contava dos amores passados
torcendo que finalmente havia achado o seu romeu,
entristecendo quando chegaram novas mensagens e o meu contato desceu.
me colocou em um pedestal,
em uma nova obra de arte desejada
que havia acabado de chegar no seu museu,
sonhando em um rolê nosso,
mas esse sonho era só seu.
a culpa não foi minha,
eu até queria que fosse, assim consertaria mais rápido.
e não me entenda mal, não vejo só o meu tempo,
mas é impossível identificar se você me ama ou se está fazendo drama.
confesso que não estava pronto pra te receber assim,
repleta de expectativas em cima de mim,
é injusto achar que deveria entender,
que deveria funcionar,
mas comigo não dá.
contei pro seu amigo que sou mais papo reto,
nada discreto,
me fala um "te amo",
até te converso, te abandono,
sou desleixado, não me apaixono.
deus e o mundo inteiro saber que está me gostando
é como construir uma casa sem o teto,
mas não esconde o afeto.
ser individual desejando dupla
te faz ser mais quieto.
você não vai sair desse limbo até aceitar a ida,
você é "demais" pra ele
só porque não soube aceitar a perda,
de que você é o mais e ele: o zero a esquerda.
doeu, você transparece;
comigo não precisou fingir que se esquece.
você procura os seus tais dias de glória
tentando ressignificar todos os lugares que já passou com ele.
depois que eu te ensinei a tornar tudo apenas como uma memória,
aos quatro ventos escutando "te procuro" das anavitória.
confesse pra mim,
não fale de mim, fale para mim,
por mais que a resposta seja não,
não quero soltar um monstro que você se quer me avisou que estava preso.
é que não rola nós dois
pois você é o que eu não sou
e quando tocar o celular, a ligação ficará em silêncio até que eu diga: alô?

confesse pra mim,
não fale de mim, fale para mim,
por mais que a resposta seja não,
não quero soltar um monstro que você se quer me avisou que estava preso.
é que não rola nós dois
pois você é o que eu não sou
e quando tocar o celular, a ligação ficará em silêncio até que eu diga: alô?

Eu sou mim
No espelho da alma, um reflexo se esconde.
Entre o ser e o parecer, a verdade responde.
Um errante, em busca do seu eu,
persegue as sombras, na luz que não veio.

O que se é, se oculta, não que se quer ser, febril.
A luta interna clama, em gritos silenciados,
um eco de dúvidas, de sonhos desfigurados.

Caminhos entrelaçados na floresta da mente.
Cada passo é um dilema, um desejo latente.
Com medo e esperança,
na busca de si mesmo, em eterna balança.

Onde tudo é certo,
O desejo de encontrar-se é um amor deserto.
Mas na jornada profunda, há beleza e dor,
amor.

E assim, entre as folhas, o coração se expõe na dualidade da vida, onde a verdade compõe.
Cada passo é um verso, cada lágrima, um som.
O ser se torna o dom.

Eu não sei exatamente o que sinto.
E talvez esse seja o sentimento.

Há algo em mim que observa a vida
como quem encosta a testa no vidro
e não entra.

Penso demais.
Sinto antes de entender.
E quase nunca entendo.

Carrego uma estranheza mansa,
uma lucidez que cansa,
como se existir exigisse
atenção o tempo todo.

Às vezes sou profunda demais
para momentos rasos.
Às vezes sou simples demais
para explicações longas.

Não é tristeza.
É consciência.
Essa percepção silenciosa
de que a vida acontece
enquanto eu me pergunto
o que exatamente está acontecendo dentro de mim.

E sigo.
Não porque sei para onde,
mas porque parar
seria sentir ainda mais.

⁠Como eu amo amar.
Mesmo quando amar cansa.
Mesmo quando amar dói
mais em mim do que no outro.

Amo amar porque sentir
me faz existir.
Porque o amor, mesmo quando falha,
me prova viva.

Amo amar com excesso,
com entrega,
com essa coragem quase ingênua
de quem ainda acredita.

Às vezes amar me esvazia.
Outras, me sustenta.
Mas nunca passa em vão.

Se amar é risco,
eu aceito.
Prefiro o coração cansado
de tanto sentir
do que intacto
por nunca ter tentado.

Como eu amo amar
mesmo quando amar
é ficar
sem ser amada.

Reflexo

Como posso deixar de te amar
Se tens olhos somente para mim?
Chego perto de ti e sorrio
Tu sorris.
Faço caras e bocas
Todos os tipos de trejeitos
Alegrias, tristezas
Mostro-te as minhas rugas
e incertezas
E tu, imitas-me.
Dou-te as costas
Vou-me embora
Tu, nem tá aí.
Como posso deixar de te amar?
Se volto mais velha e sorrio
Tu sorris.

Quando te amei...
Amava ver a forma que me via em você
Amava ver que havia um pouco de mim em você
Amava sentir orgulho de quem seríamos juntos
Meu amor era genuíno
Era doce
Queria te dar o céu
A lua
Mostrar como eram lindas as cores das estrelas
Mas...
Descobri no seu lado sombrio que eu não me via mais ali
Descobri nas mentiras que não havia nada de mim ali
Descobri que não seria bom nosso futuro baseado em um amor unilateral.
Quero seu gosto, seu cheiro, mas não posso mais ser sua.
Meu corpo te pede, mas minha alma grita por socorro
Meu coração sente falta, mas minha mente me guia.


Um dia te amei
Mas te deixo ir
Parei de ver meu reflexo em você.

Não saia da minha cabeça.
Você é o sentimento mais lindo de mim.
Quero que você domine a mente e a biologia de meu ser.
E penetre a alma em meus olhos com os seus.


Sua aptidão em ser belo me enlouquece.
Seu longíssimo toque poderia instabilizar minha alma.
Como um mar cristalino que me afunda sem agonizar-me.
E enche meus olhos com mais estrelas ao ver-te.


Pois lance seu mar divino e me capture novamente..
Se a felicidade alcançarmos, eu..
Imploro..
Explore teu toque estrelar em minha epiderme, assim como me beije com seus lábios molhados.

Se na calada da noite você tiver que escolher entre perder o sono pensando em mim ou dormir e me encontrar em sonhos, escolha descansar.
Permita que eu te alcance no lugar mais bonito do silêncio, onde os sonhos florescem e o coração repousa em paz.
Só assim, mesmo na distância, estarei perto de você.

Toquei na orla de Suas vestes e, nesse instante, senti o toque de Suas mãos sobre mim. A existência humana encontra sua plenitude na decisão de mover-se em direção ao Cristo; inversamente, tudo desmorona e precipita-se em ruína quando nos distanciamos da Fonte da Vida.


Há uma regeneração ontológica — um novo nascimento — reservada àqueles que se achegam a Ele. Contudo, testemunhamos o fenômeno da decadência espiritual quando o ser humano prioriza o culto aos homens, aos erros e às falsas aparências, em detrimento da face divina do Redentor. É perigosamente fácil perder a paixão pelo Sagrado. Não permitamos que as 'coisas boas' e as facilidades deste mundo roubem a primazia do amor que deve arder por Cristo. Ele nos convida não a uma religiosidade de superfície, mas a uma proximidade radical.


A metafísica do toque é real: ao tocarmos o Verbo, somos restaurados em nossa essência. Frequentemente, buscamos apenas o alívio imediato, mas o imperativo bíblico nos chama à contemplação: 'Olhai para Ele e sede iluminados' (Salmos 34:5). A verdadeira cura transcende o físico; é a iluminação da alma que nos permite enxergar além das sombras do tempo passageiro.


Por tempo demais, a Igreja tem concentrado seus esforços no 'concreto e no tijolo', negligenciando a edificação do espírito. Não sejamos como o cavalo ou a mula, destituídos de entendimento. Precisamos ser guiados pelo olhar de Cristo. Ora, para onde Ele fita Seus olhos? Estará o Senhor focado em cargos eclesiásticos, templos suntuosos ou êxitos corporativos?


Certamente não. Os olhos do Senhor buscam o que o mundo ignora: o sofrimento dos invisíveis, a dor da criança violentada, o clamor da mulher agredida e o abismo existencial do depressivo. A missão da Igreja não é erguer monumentos a si mesma, mas ser o corpo vivo que move os pés e as mãos de Jesus em direção aos aflitos.


Concluo que, os olhos de Cristo hoje são os seus; as mãos Dele são as suas; os pés Dele são os seus. Sejamos o Cristo encarnado nesta terra, levando o pão ao faminto, a água ao sedento, o vestuário ao nu e o calor do abraço aos que habitam o frio da solidão. Que nossas ações sejam a mensagem viva, capaz de convencer o coração humano por intermédio do Espírito Santo. Sejamos, enfim, o amor de Deus em movimento."

Hoje eu li um livro abstrato
Contava o que o amor foi para mim
Lembrei de minha entrega completa
De como eu acreditei no outro
E idealizei e sonhei
Com virtudes nobres
Amar era habitar um céu
Que eu criei com ilusões
Em um mundo injusto
O amor era redenção
Em algum lugas na terra
Pessoas se amam e são felizes
Eu precisava de céu,
Eu sonhava com o paraíso.
Mas no capítulo seguinte
O livro dizia
Pessoas nao são virtudes
Idealizadas
Pessoas são humanas
Com qualidades e defeitos
E podem te machucar profundamente
Eu perdi o céu
Eu perdi o paraíso
Eu perdi a ilusão
Que o amor me faria feliz
E não chorei
Apenas concordei
Com um silêncio profundo
O terceiro capítulo dizia
Você pode prescindir do amor
Você pode ser feliz
Admirando uma obra de arte
Sentir as flores desabrochar
E sentir uma paz inominável
Que talvez você não saiba nomear
Eu fechei o livro
E escrevi uma poesia
Falando que a felicidade
É simples e silenciosa
Como fazer carinho
Em um animal dormindo
O livro abstrato do amor
Tinha três capítulos
Mas minha biografia
Escreve tranquilamente
Mais de dez livros.
Eu não preciso do amor
Para ser feliz
Preciso da sombra de uma árvore
E da beleza de um livro
E refleti sobre os felinos
E vi que eu amo
Mais gatos
Do que pessoas
E sorri
Como quem
Realmente entende
Aos amores do passado
Um reverência respeitosa
E uma despedida
Que não olha para trás
Sinto-me plena e inteira
Amando a delicadeza
E beleza dos felinos
E assim termina
O livro abstrato do amor
Reverência e adeus

Saímos do amor
como de um acidente aéreo
Tínhamos perdido a roupa
os documentos
a mim me faltava um dente
a você a noção do tempo
Era um ano longo como um século
ou um século curto como um dia
Pelos móveis,
pela casa,
restos partidos
copos,
fotos,
livros desfolhados
Éramos os sobreviventes de um
desmorronamento
de um vulcão
das águas arrebatadas
E nos despedimos com
a vaga sensação
de ter sobrevivido
embora não soubéssemos pra quê.




Cristina Peri Rossi

Mulher, quando ousas questionar a minha luz,
revelas mais sobre a tua sombra do que sobre mim.
Ris dos meus conflitos e dilemas
porque travas uma guerra silenciosa por dentro,
uma batalha dura contra a tua própria nobreza.
O amor que nos une não pede ataque,
pede equilíbrio.
Não sobrevive onde a indiferença governa
nem cresce sob o olhar que só procura falhas.
Quem se ocupa em vigiar defeitos
ainda não está pronto para reconhecer virtudes.
Porque amar, de verdade,
é enxergar grandeza mesmo nas imperfeições
e escolher permanecer
não apesar delas,
mas com elas.
Amor não é disputa de orgulho,
é encontro de consciências.
E só permanece inteiro
quem aprende a respeitar a luz do outro
sem tentar apagá-la.