Textos para os meus Amigos Loucos
Tua nudez existe apenas em meus olhos.
Me liga (se houver a possibilidade).
Cante uma canção de ninar que aborde o mar, sua anatomia e nossa química.
Sinto a relva queimar dentro do meu peito.
Chamo por você, sinto você, mas você só habita em minha memória.
Amava sua energia nos seus lábios, nas suas mãos, no seu corpo.
Explosão de sentimentos!
Delícia de vida.
No entanto, isso não volta mais!
Se for para colocar um ponto final, olhe nos meus olhos.
Não com um olhar displicente, zangada, muito!
Estou no modo pistola.
Vamos romper novamente? Ou vamos nos dar mais uma chance?
Ouça-me. Ainda precisamos concluir nossa jornada.
Olhe para mim.
Olhe nos meus olhos. Você entende? Me escuta.
Não pare, caminhe ao meu lado.
Usa-me, olha-me com teu olhar especial.
Estamos magoados, mas pense na paz.
Sei que a questão do amor não é um envolvimento apenas entre dois. Sei que aqueles ao nosso redor influenciam muito.
É conhecimento compartilhado, é ouvir e ser ouvido.
Lembra da frase: “Na alegria e na tristeza”?
Se não for para acreditar, então, tudo são falácias, apenas frases soltas sem sentido, sem propósito.
Dúvida.
Será que tudo não passa de histórias?
De um faz de conta de um criador? Sinto-me em um campo minado.
Olha para mim.
Olha nos meus olhos. Abandonado, triste e isolado.
Horrendo, tu és!
Momentos e os espinhos
Em certos momentos, a vida se torna uma visita indesejada aos meus olhos, e isso se deve às inúmeras ocasiões em que insiste em enviar a saudade, envolta em espinhos, fazendo com que meus olhos sangrem ao lembrar de você. Esta cruel e insensível lembrança que se arrasta em minha direção constantemente, por vezes até diariamente. É angustiante esse sentimento que se desdobra a cada ciclo, e dolorosas são as lembranças que o tempo me traz incansavelmente.
Devaneios
Caminhando pela praia, sinto a suavidade da areia sob meus pés. O vento brinca com meus cabelos enquanto nossos olhares se encontram. Observo cada gesto teu com profunda emoção, capturando tua expressão no retrato que guardo comigo. De mãos dadas, trocamos ternuras, e a umidade dos lábios denota palavras não ditas, que se perdem no silêncio da brisa marinha. Apenas os murmúrios do mar testemunham nossa presença. O dia se torna uma extensão de nossa própria pele... Ah, doce vida!
Dobrei os meus joelhos e orei a Deus como nunca tinha feito, pedi a Deus mais, comunhão entre a gente, mais amor, compaixão, solidariedade, empatia, união, pois, parece que o segundo mandamento, amarás o teu próximo como a ti mesmo foi esquecido.
É por isso que o mundo está esse caos.
😢
A quem ler
Vim deixar meus pensamentos.
mas, sequer me levam a algum lugar...
Descreveria-o, ou descreveria-me,
Como se eu estivesse em uma mata fechada,
e tudo o mais fosse cheio de névoa.
E os galhos baixos, impedissem-me de ir com a visão
mais além do que onde vão meus passos.
Olho a minha direita, e nada tem, a não ser olhos pequenos
vermelhos me observando.
A esquerda mais olhos vermelhos me observando.
É inacreditavel, como as pessoas que estão em torno
não me deixam expandir.
Como a vida, cheia de leis, cheia de mandantes,
e mandamentos, me segurassem para eu não poder cometer meus erros e acertos.
Estou perplexo, em como é que as coisas mal se encaixam
E encalacram o direito de "vivencia" do ser humano.
Penso em mudar o mundo, sinto que sózinho, jamais poderia.
E não vejo forças em ninguem para poder mudar alguma coisa; e sou obrigado a me manter contido, resguardado..
acreditando nessa tal fé, dos cristãos, evangelicos, e Jeova`s. Que nem mesmo eles sabem realmente se essa coisa chamada de fé, é fé mesmo.
Estou enclausurado, neste mundo imperfeito repleto de perfeccionistas falastrões. Que se envolvem em nossas vidas, mesmo não querendo, pensando em seus bolsos
Em suas barrigas e em suas familias.
Mas esquecem-se que são tambem SÃO NOSSOS IRMÃOS.
Ó, meus demônios, sombras que me habitam,
Formas retorcidas de um eu que não quis,
Vós, que me arrastais para abismos sem fim,
E me aprisionais em celas de aço frio.
Medo, imenso abismo, que me devora,
Onde a esperança se afoga e a razão se perde,
Tu, que me paralisa e me aterroriza,
Transformando meus sonhos em cinzas mortas.
Insegurança, tua voz ecoa em meus ouvidos,
Sussurrando dúvidas e plantando espinhos,
Tu, que me roubas a paz e a alegria,
E me faz duvidar de cada passo que dou.
Mas eu vos desafio, demônios e abismo,
Não me curvarei diante de vossa tirania,
Lutarei contra vós, com todas as minhas forças,
E conquistarei a liberdade que me pertence.
Em minhas veias corre um rio de rebeldia,
Que alimenta a chama da esperança que me habita,
E me impulsiona a enfrentar cada desafio,
A fim de construir um futuro mais bonito.
Ó, universo, testemunha minha luta,
E concede-me a força para superar,
Os obstáculos que se erguem em meu caminho,
E alcançar a luz que me guia.
Sempre digo pra mim mesmo
que não é fácil ter setenta anos anos
meus documentos não dizem que eu tenho setenta anos...
mas quando eu tinha trinta eu já imaginava isso,
as lembranças pesam, as saudades machucam,
acho que já tenho oitenta; olhando adolescentes de hoje
penso que já nasci adulto, eu não fazia muito barulho,
eu não achava tudo engraçado, eu me encantava com as manhãs,
com o céu azul e as colinas, eu gostava de pensar,
não nas coisas que os adultos de hoje pensam,
talvez eu não seja normal, penso que já tenho cinco séculos...
quem normal pensaria que é eterno, quem normal pensaria que é Deus
Curvo sob a penumbra ante a luz da lamparina
tateando as emoções tecendo o soneto
meus versos desfilam com clareza alpina
sentimentos que eu julgava obsoletos
a noite me conduz sob uma bruma
a estrofe é o meu próprio dissolver-se
em cada verso minhalma espuma
no rubro sangue de mim faz verter-se
ETERNIDADE
A noite ouço sons de violino,
passarinhos e a brisa abre meus caminhos
há muito tempo eu fui livre...
tipo de ícaro e astronauta
tocando flauta...
um dia empunhei a espada,
peguei meu escudo, montei raio de luz,
alazão branco, romântico...
eu galopei e de tanto sonhar
eu aprendi que eternidade é esta fantasia
que só dura um instante,
então acontecem todos os nascentes
e todos os poentes,
os pássaros cantam a profusão de luzes
ao tom de tua silhueta, sons de violinos...
CAPITAL DO MUNDO
Quando olhei as escadarias da penha,
Nos meus delírios
O mundo lá de cima seria meu
Os lírios do campo e todos os lírios da minha rima
A contemplar o mundo como um deus
Meu Deus que povo feliz,
Que vê o mundo sempre de cima
Da Penha, dos olhos do Cristo,
Da Tijuca, do Pão de Açúcar
E todos os manjares que a gente degusta...
Por isso bahias, paraíbas, e pernambucos
Sejam brancos ou mamelucos
Falam como eles, se vestem como eles...
O Rio é a capital do mundo,
O mundo quer ser carioca
Esse povo relaxado e feliz
Que manga das dificuldades
Gargalha com as necessidades
E brinca de guerra nas favelas
Morre de balas perdidas
Ou se suicida mas vai pro céu...
MINTO
A noite chega trazendo os meus medos
Confusos, diluídos pela idade de profusos segredos,
um galopar voraz a consumir-me olhares,
paisagens tenho, olhares sutis e rápidos nas tardes mornas,
tenho mentiras cambiantes coordenando palavras,
dizem que sei sonhar em forma de sonetos,
sei que minto há muito morreu o deus do olimpo...
esse pégaso pisoteia as pétalas perfumadas
, o passado surge desfolhado e desflorido,
outono das paixões onde passeiam
visagens enrugadas, embrutecidas...
minto é o que me resta
é a minha meta
a vida é linda e infinda
minto porque sou poeta
AUSÊNCIAS DE TODA UMA VIDA
Eu empacotava os meus olhares, guardava bem no íntimo tudo de lindo que ia além do verde das colinas, acalmava a ansiedade que começava nos teus colos, nos teus lábios, eu empacotava as horas, a vida, era o trabalho; depois planejava algumas rimas iluminadas pelos teus dentes, aquecidas pela tua pele; era passional ou fascínio pelo perigo; afora isso o desejo de documentar a inspiração: era fácil ser poeta, tanto que a solidão doía conduzida por um corredor à suburbana fascinante e perigosa. A noite doía nos ossos com o frio de junho e as ausências de toda uma vida, então eu revivia nossos melhores momentos. Planos? Por mais que os fizesse ao amanhecer dissolviam como sorvete com os primeiros raios da manhã, era a pressa incessante de viver que compõe a juventude compassada pelos hits do blacak que mencionavam as despedidas mais tristes, as incertezas mais certas, o ponto mais sensível dos nossos espíritos juvenis desamparados por seres supremos que movem o universo. Quantos sorrisos belos, quantos belos sorrisos; depois do expediente brilhantina e contouré depois de um banho rápido eu ainda me apaixonaria umas três vezes até a meia noite, depois sonharia com a “dentes de madrepérola” ou com o busto de Brigitte, qualquer musa... era fácil ser poeta só faltava-me tempo para observar o nascente, e o crepúsculo se perdia atrás de torres de concreto ou nos corredores frios de olhares perdidos em faturas e memorandos; uma rotina só abalada por um ou outro suicida que ousaria resolver a vida com o voo de alguns segundos, mas nada que obstaculizasse o cotidiano, o IML era prestativo e rápido e os curiosos se dispersavam com ares de impotência diante da morte. Uma ou outra mancha de sangue permaneceria como prova inconteste de como a vida pode ser cruel, no entanto o amor se sobrepõe, a poesia flui e assim, sem fatalidades e desesperos de um suicida; voamos...
NENHUMA MOLDURA
meus poemas não cabem em nenhuma moldura,
minhas estantes não suportariam tantos navios,
minha ternura guarda a via lactea,
mas a minha loucura poe pela manhã
o sol no meu quintal,
o teu sorriso é a a razão de tudo
mas não seja tão feliz
que eu não te amaria tanto
nem seja triste isso me contagiaria...
queria dizer que te amo,
mas isso rima com engano,
então calo e contemplo o horizonte
ante uma rampa,
diante da disputa por lixo, entre seres humanos
e isso preencheria tantos livros,
livros que abarrotariam bibliotecas...
mas quem vai entender,
lutamos pelo reciclável, mas não nos reciclamos...
carregamos sacos imundo,
dentro deles o mundo,
todas as nossas almas e demônios...
EMBARCAÇÃO
Nem tanto assim,
Os meus delírios são só meus,
É um refúgio,
Nada mais que enganar a ilusão,
Eu aprendi a ser assim fugidio,
Mais fugaz, que vagabundo e vadio
Pra escapar da paixão,
E se as vezes me sinto sozinho...
É solitude não é solidão,
Nem tanto assim...
Este deserto é plantação,
Nos descampados eu tenho o meu teto,
Nos absurdos percebo o que é sábio,
Bússola e astrolábio é este vazio,
Neste deserto sou embarcação...
As vezes eu sinto como se estivesse me afogando nesse oceano de dor e agonia.
Meus pés, braços, minha garganta e meu estômago, todos enrolados por correntes, que me impedem de gritar por socorro.
É como se você fosse minha única salvação, mas na superfície você está, e eu estou aqui em baixo, contando meus últimos segundos de fôlego antes que parta.
Eu quero gritar por você, mas você não me vê, nem me escuta, em meio a imensidão do meu oceano, escuro e profundo.
Eu estou morrendo infinitamente e o sangue está se misturando com a água.
Espero que um dia eu possa ver a luz de novo.
Antiga paixão
Meus pedidos eram sempre os mesmos, minhas velinhas estavam cansadas de saber, os dentes-de-leão já se desgastaram de tanto serem assoprados, as pétalas nunca ouviram tanto "bem me quer", as estrelas cadentes então... já sabem seu nome de cor.
A lua me acha louca por sair desejando alguém tão desesperadamente "Como pode? Assim tão nova!" e respondo "Isso por que não contei nem a metade do que sinto..."
Dona Lua é muito cuidadosa, morre de medo de eu me machucar, como em meus antigos amores. Nem ligo, me entrego sem medo de futuras dores.
Entre nossas conversas, acabo soltando que te amo, mas que erro, revelei meu maior segredo. Jogo tudo pro ar, deixando essa antiga paixão rolar.Você fica confuso, deixarei que se resolva, para que sentimentos por mim, você talvez desenvolva.
Por enquanto, deixo meus lábios à espera de seu beijo, e pode ter certeza de que direi a lua que este foi meu maior feito.
NEGRAÇÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
De alma negra
re(negro), imponho
a negritude
dos meus olhos;
da minha pele;
do meu sonho.
ô minha negra,
vem re(negrar)
a negração
do nosso amor;
do nosso humor;
da nossa raça.
Desce do muro,
fecha comigo,
sai da retranca;
ou eu te juro
que a coisa pode
ficar branca.
POEMA DE PANELA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ter amor com que teça os meus versos diários
e meus versos diários pra fazer amor,
bom humor pra chorar sem perder o sorriso
que pertence aos meus olhos, apesar da vida...
Igualmente um motor, combustível nos temas
dos quais faço poemas pra poder viver,
como quero aplicar meus poemas nas pedras
das colunas e o piso da casa em que moro...
Apesar da ilusão de qual sempre disponho
ao compor cada sonho sem cair do mundo,
pulo fundo pra fora do lugar-comum...
Cada dia revela que o chão é meu céu;
quero letras cremosas pra passar no pão;
canjiquinha; feijão; torresmo com poesia...
BANDEIRA DO BRASIL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Obrigado, Bandeira, por ter tremulado
aos meus olhos carentes de afeto e de letras,
ter me dado essa chave da porta pros livros
que devoro e que sirvo num ciclo constante...
Pelo dia em que pude colher tua ESTRELA
DA MANHÃ que mudou minha vista pro mundo,
numa caixa sem fundo que as traças roíam;
elas quase se fartam de seus madrigais...
Por meus versos ou plágios que fiz inocente,
mas que foram sementes dos originais
que mais tarde se abriram na minha lavoura...
Um acaso feliz me vestiu de magia
e da sua poesia me reconstruiu;
obrigado, Brasil, porque tive Bandeira...
