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O sol do entardecer

Os raios de sol alaranjados do entardecer
Varam o céu e causam belas listras nos objetos que tocam
As nuvens belas se revelam nessa hora
Um resplendor de milhares de quilômetros de água em vapor
O sol brilha infinitamente
A sua luz gira como fogo espiral
A rotação infinita da luz divina
Meus olhos se cegam ao olhar ou encarar
Mas é lindo demais para eu não o fazer
As cicatrizes são feitas na minha íris
Minha visão manchada é um prenúncio de que eu vou poder me lembrar disso
E que talvez possa
Só mais uma vez
Ver isso de novo amanhã

Com amor
Obrigada

Pq dar ordens para si mesmo funciona?
Eu sei a resposta, mas eu presciso dessa confirmação, presciso ter certeza, matar minhas dúvidas. Extrair tudo.
Essa necessidade de saber de tudo só para ter certeza de que não perderá nenhuma oportunidade de alcançar um futuro eu ideal que talvez nunca chegue... O talvez é minha esperança gritando.


A necessidade falsa de que não é o suficiente; a fome é uma mestra cruel. Como a inveja.

AFETO não é meigo minúsculo (afeto) dessa vez
Confissão:
O meu dia fica tão triste sem você
Você me faz rir
Chorar e sorrir
Algo pra fazer
Me deixa feliz


O meu dia é tão chato sem você
Você me fez perceber
Que eu deveria seguir
Deveria cumprir
minhas promessas que fiz
Para outras
Para você!

Felicidade pra mim sempre foi prazer descontrolado ou amor obsessivo...
Dessa vez é a tal da luxúria, não com um significado normativo e pecaminoso, mas é que se torna impossível separar luxúria de paixão nesse ponto.
↑
Pq esse ponto?????↑


É difícil saber que minha alma só quer a satisfação familiar da vida comum noturna.




Isso é para todo mundo, entenda seus desejos e os realizem, mesmo que envolvam coisas estranhas, ninguém tem podridão no centro da alma, então dá para satisfazer esse centro com coisas tão simples quanto um beijo, doom, um poste de luz, fazer conteúdo, ter descendentes, comer, dormir....
Como uma sábia raposa azul já diria:
"Vc não vê a verdade?
Eu estou louco ou você está cego!"
-cara aleatório


No fim o ser humano deseja criar descendentes e curtir a noite.
Tudo que já estudei leva e sempre levou e sempre levará a isso.
Desde Mussolini até Nick Land, ninguém nega esse desejo de liberdade e êxtase, de transcendência que acóde todos nós.

Caixa que respira, isso tudo já elimina a vergonha
Anjo, padre, calcinha
Eu tenho referências estranhas para minha vida morna
Ainda morna
Folha de pavão
Pena de pavão
Não sinto vontade de ficar de pé
É estranho a desistência proto-exponencial
Falas difíceis, falas difíceis em potes


Socorro


Viva antes da vida e não morra antes da morte.

"Eu nunca quis, não quero e nunca serei seu amigo"


Eu transito.


Entre países,
fronteiras,
bairros,
cidades,
entre uma fumaça e outra,
entre amores que chegam
e amores que viram saudade.


Sou homem de passagem,
de mala, de rua, de miragem,
de beijo que acende a noite
e de adeus que muda a paisagem.


Acendo um cigarro
no Hard Rock Café de Santa Cruz de la Sierra
e, por alguns minutos,
me sinto como um deus.


Não porque conquistei alguém,
mas porque ninguém me pertence
e eu não pertenço a ninguém.


Em Letícia, na Colômbia,
danço cumbia amazônica
entre mulheres, fumaça e madrugada,
e descubro, mais uma vez,
que há coisas que acabam
sem jamais terem sido fracassadas.


Pedalo por São Paulo
e sou imbatível.


A cidade passa por mim,
os carros passam por mim,
as pessoas passam por mim,
e eu continuo.


Acendo um cigarro diante da Fundação Mario Benedetti
e a poesia me satisfaz.


Porque aprendi alguma coisa
sobre o amor,
sobre a vida
e sobre essa estranha mania humana
de chamar de definitivo
aquilo que nasceu transitório.


Eu sou rei na arte de transitar.


Sei chegar.
Sei partir.
Sei encontrar pessoas.
Sei reconhecer seus rostos anos depois
e fingir que o tempo não fez seu trabalho.


Grande parte das mulheres que conheci
dividiu comigo uma cama.


Hoje,
muitas são estranhas.


E tudo bem.


Não transformo o passado em mentira
só porque ele passou.


Houve amor.


Houve desejo.


Houve pele,
risada,
cigarro,
madrugada,
promessa que parecia eterna
até a manhã seguinte provar o contrário.


E depois?


Depois, seguimos.


Distintos.


Como duas gotas de água.


É assim que a vida me ensinou.


Eu não preciso possuir o que amei
para admitir que amei.


Não preciso voltar
para reconhecer que estive lá.


Não preciso transformar uma mulher que foi amor
em amiga
só para fingir que alguma coisa permaneceu.


E é aqui que você entra.


Porque eu nunca quis ser seu amigo.


Não naquela noite.


Não depois daquele beijo.


Não quando deitei ao seu lado.


Não quando imaginei você ao meu lado
para além de uma noite,
de um bar,
de uma cidade,
de uma estação.


Eu queria você.


Não sua amizade.


E eu não vou cometer agora
a covardia elegante
de chamar de amizade
aquilo que um dia chamei de amor.


Eu já tenho amigos.


Tenho muitos.


Tenho amigos suficientes
para encher uma mesa de bar.


Não me faz falta
mais uma cadeira.


Estou acostumado à solidão.


A solidão nunca me assustou.


Já atravessei fronteiras sozinho.
Já atravessei cidades sozinho.
Já atravessei países sozinho.
Já atravessei amores sozinho.


E sobrevivi.


Então não me ofereça
o prêmio de consolação.


Eu não quero.


O amor é arrogante.


Tão arrogante
que prefere perder
a fingir que ganhou.


Ele não aceita sobras.


Não aceita redução.


Não aceita que aquilo que desejou inteiro
seja apresentado depois
em pequenas porções
com o nome bonito de amizade.


Eu não quero a sua amizade
como quem recebe uma medalha
por ter perdido a guerra.


Prefiro a derrota limpa.


Prefiro a ausência verdadeira.


Prefiro que você passe por mim
num bar
acompanhada ou desacompanhada,
com alguém segurando sua mão
ou segurando apenas o próprio copo.


Já não me importa.


Você pode me cumprimentar.


Pode não cumprimentar.


Pode sorrir.


Pode seguir reto.


Pode estar com outro homem,
com outro amor,
com outra vida.


Nada disso me abala.


Porque o que me importa agora
não é ter você.


É não mentir sobre você.


Eu quis sua boca.


Quis sua presença.


Quis você ao meu lado.


E não vou fingir
que queria apenas uma amizade
porque foi isso que restou.


Não.


Te ganhar ou te perder.


Mas sem engano.


Sempre sem engano.


Porque a maior vitória
não é possuir aquilo que se deseja.


A maior vitória
é não se possuir pela mentira.


É poder perder alguém
sem perder a própria verdade.


Então vá.


Atravesse a rua.


Atravesse a cidade.


Atravesse a fronteira.


Faça da sua vida
o que quiser.


Eu farei da minha
o que sempre fiz:


transitarei.


Com meu cigarro.


Minha bicicleta.


Minha poesia.


Meus bares.


Minhas cidades.


Minhas mulheres.


Minha solidão.


E essa estranha capacidade
de amar profundamente
sem precisar transformar
todo amor perdido
em amizade.


Porque algumas pessoas
não foram feitas para permanecer.


Foram feitas para passar.


E algumas histórias
não precisam de amizade
depois do fim.


Precisam apenas
de honestidade.


Por isso,
se algum dia você me encontrar
naquela mesa de bar,


não procure uma cadeira vazia para mim.


Eu já aprendi a sentar sozinho.


E se quiser me chamar de amigo,


não.


Eu nunca quis.


Não quero.


E nunca serei.


Porque entre te perder
e me enganar,


eu escolho perder.


Entre a sua amizade
e a minha verdade,


eu escolho a verdade.


Entre ter você pela metade
e não ter você de jeito nenhum,


eu escolho o vazio.


Porque o vazio passa.


A mentira fica.


E eu,
que sou tão acostumado a partir,


não tenho medo de partir de você.


Tenho medo apenas
de permanecer
onde nunca quis estar.


Te ganhar ou te perder.


Mas sem engano.


Essa é a vitória.

⁠O Nada e o Tudo
No princípio, antes do verbo, o vazio,
Um espaço sem cor, sem forma, sem fio.
No nada, o silêncio é um grito mudo,
E o tempo, ausente, não é nem um segundo.
No nada, a mente flutua, perdida,
Angústia e paz, em dança indefinida.
É negro, é branco, é o oposto do ser,
Um espelho que reflete o não-acontecer.
Deus, talvez, sentiu o mesmo vazio,
Um universo sem alma, sem rio.
E no nada, em sua solidão infinita,
Criou o amor, a conexão bendita.
Somos reflexo de Sua criação,
Mas também criadores, em nossa condição.
No nada, buscamos sentido e essência,
E o tudo emerge da nossa presença.
O nada é pausa, mas não permanência,
Um sopro que dá vida à consciência.
Do vazio, surgimos, e a ele voltamos,
Mas no intervalo, amamos, criamos.
Então, se no nada Deus nos encontrou,
Foi porque no vazio o amor brotou.
E no eterno mistério de tudo e nada,
Está a verdade jamais revelada.

Da Inércia do Êxtase (Força Criadora e Destrutiva)

“As feras do espírito não lutam por destruição, mas por lembrança.”
“Ser forte não é dominar o outro, mas suportar-se inteiro.”
“A felicidade é uma força perigosa; os ignorantes a temem, os medrosos a chamam de soberba.”
“A força que se agita é ruído; a força que repousa, cria.”
“O poder é descanso; a luz, modéstia; o prazer, quietude.”
“Ser mago é existir sem provar nada.”
“O mais alto poder não é voar, mas permanecer imóvel enquanto o universo se move.”

De Uma Visão Relativa (Ignorância e Discernimento)

“Nenhum mestre nasce mestre; o mago nasce ignorante e ousa aprender.”
“A verdadeira ciência é a que arde, não a que se exibe.”
“O diabo encanta com talento; Deus ensina com silêncio.”
“Que a curiosidade não me leve às bestas, nem o orgulho aos abismos.”
“O conhecimento sem caridade é só vaidade travestida de luz.”
“Quem busca o sagrado para si mesmo atrai maldição; quem o reparte atrai o Reino.”
“A oração é a ponte entre o homem e seu anjo; a humildade é o degrau.”
“O discernimento é a espada que separa o mistério da mentira.”

Do Vácuo Eterno (Dissolução e Retorno)

“O nada não é ausência, mas pausa do divino.”
“Quem aprende a respirar no vácuo descobre que o silêncio é Deus em repouso.”
“O mago que teme o vazio ainda não encontrou a plenitude.”
“Entre o nada e o tudo repousa a paz que cria o universo.”
“Ser é apenas uma forma transitória de não ser.”
“A eternidade é o instante sem pressa.”

A Dor da Luz

Antes da forma, havia a luz.
Mas luz sem sombra não possui rosto.
Brilhava infinita, indivisível,
e nada podia ser visto dentro dela.

Então a inteligência despertou
no silêncio da eternidade.

E desejou conhecer.

Para conhecer,
afastou-se da unidade.
E nesse afastamento nasceu o limite.

O limite deu contorno ao infinito.
O tempo começou a respirar.
E Saturno ergueu seus muros de pedra
para que a consciência tivesse onde caminhar.

Pois sem limites não existe percepção,
e sem oposição não existe visão.

Assim a inteligência aceitou a dor,
não como punição,
mas como preço da liberdade.

Porque sem liberdade não há erro,
e sem erro não há aprendizado.

A queda abriu os olhos da consciência.
A sombra desenhou o rosto da luz.
E o universo surgiu como um espelho
onde o espírito poderia reconhecer a si mesmo.

A forma é a luz interrompida.
A matéria é a pausa do infinito.

E no coração da experiência
a inteligência aprende lentamente
que a escuridão não destrói a luz,
apenas revela seu contorno.

Assim caminha o ser:

da unidade inconsciente,
à queda na dualidade,
até o retorno consciente à origem.

Pois a jornada da consciência
não é fugir da sombra,
mas atravessá-la.

E quando finalmente retorna à luz,
traz consigo aquilo que antes não existia:

sabedoria.

Porque Deus cria a luz.

Mas é a experiência que ensina
a vê-la.



São José dos Pinhais, 05 de março de 2026.

Mago Trimegista

PARECE O ÚLTIMO DIA

Felipe Mateus Alessi, agosto de 2019.

Hoje parece o último dia,
mas aprendi que o fim é só o início visto por dentro.
Acordo não para amar alguém,
mas para ser amor… o que resta quando tudo parte?
Ser descomunal não é fazer o bem sempre,
é fazer o bem mesmo quando o bem não volta.
É tentar ser melhor, não perfeito.
E suportar a dor sem torná-la bandeira.

Quando a prisão é a mente,
não se escapa, se observa.
O vazio é só a casa antes da mobília nova.
Colorir a mente não é negar a sombra,
É atravessar com coragem…
é permitir que o escuro prove o valor da luz.
A felicidade não se escolhe, se compreende, se vive.

Será que dei o melhor de mim?
Talvez dei o que pude.
O resto era defesa, medo de ser comum.
Poderia ter sido diferente,
mas só quem aceita mudar continua sendo.

Ganhar e perder…
os dois mentem, se vistos com pressa.
A vida não é uma disputa,
é um ritmo que se aprende ao tropeçar.

Chuto o balde e descubro:
ele estava quase vazio porque esperava que o mundo o enchesse.
Hoje sei: o destino não é lugar, é presença.
O futuro não é sonho, é direção.
E até a tristeza é um convite para renascer.

Quis não precisar de ninguém,
mas o universo se revela nas relações.
Somos peças de um mesmo organismo,
ninguém evolui sozinho.
Amo porque preciso e preciso porque amo.

Teimoso? Convicto?
Sou ambos.
Há dentro de mim um grito que recusa a mediocridade,
mas agora sei: ser extraordinário
é aceitar a própria humanidade sem máscaras.
Integrar o homem comum,
Não fui escolhido, escolhi permanecer desperto.

Perder ainda me dói,
mas entendo que a vitória não é o resultado:
é a consciência que fica depois do erro.

Deus ainda me habita,
não como consolo, mas como espelho.
A música me equaliza,
porque traduz o indizível,
a vibração entre fé e carne,
entre lágrima e perdão.

Deus (El, YHWH, Adonai, Jeová, Elohim…)
não preciso que me faças vencer,
basta que me mantenhas inteiro.
O livre-arbítrio é o templo imperfeito do amor,
não tem posse, mas tem permissão… a dor vem da liberdade.
E se desejo,
que seja para encontrar as pessoas que amo livres dos grilhões invisíveis.

Amar é sentir medo e não fugir.
É cair e continuar vendo beleza no chão.
Nenhum tempo é melhor gasto
do que aquele em que aprendemos a cuidar da união,
mesmo sem retorno.

Escolho sentir, sim,
mas agora sei que o sentir também me escolhe.
Às vezes me destruo, às vezes me integro,
mas já não chuto o balde com raiva:
coloco nele a água que sobrou
e lavo meu rosto para recomeçar.

A Arquitetura da Beleza
Mago Trimegista

A investigação conduzida pelo observador permite compreender que a beleza, quando atravessa profundamente a consciência, jamais se reduz à aparência de um corpo, à intensidade de um desejo ou à conveniência de uma relação. Ela aparece como uma força de revelação. Aquilo que é percebido como belo não apenas desperta o olhar: modifica aquele que olha. Em cada encontro, alguma coisa que permanecia latente na consciência encontra uma forma exterior capaz de despertá-la. A beleza, portanto, não é somente uma propriedade do objeto contemplado, mas um acontecimento produzido no intervalo entre duas realidades: aquilo que se manifesta diante do observador e aquilo que, dentro dele, estava preparado para reconhecer essa manifestação. Por isso tantas experiências tão diferentes puderam ser percebidas como expressões de uma mesma realidade fundamental. O que mudava não era apenas a forma exterior da beleza, mas aquilo que cada experiência revelava sobre a própria estrutura do desejo, da consciência, da convivência e da existência.

Ao percorrer essas experiências, torna-se possível perceber que aquilo que o observador verdadeiramente procura não é uma qualidade isolada, mas uma convergência. Ele não busca somente intensidade, nem somente tranquilidade; não busca apenas desejo, nem apenas segurança; não procura exclusivamente inteligência, excelência, espontaneidade, acolhimento ou pertencimento. O que parece exercer sobre ele a maior força de atração é a possibilidade de encontrar, em uma única realidade compartilhada, diferentes dimensões capazes de coexistir sem que uma precise destruir a outra. A beleza mais profunda é aquela na qual o desejo pode existir sem transformar-se em posse; a companhia pode existir sem transformar-se em dependência; o cuidado pode existir sem produzir superioridade; a admiração pode existir sem idealização; a intimidade pode existir sem dissolução da individualidade; a família pode existir sem transformar-se em prisão; a realização pode existir sem exigir abandono de si. O que o observador procura, portanto, não é simplesmente alguém que corresponda aos seus desejos, mas uma forma de realidade na qual suas diferentes necessidades interiores consigam estabelecer uma ordem sem perder a liberdade.

Essa arquitetura revela também que o observador valoriza profundamente a reciprocidade. Não basta que exista beleza; é necessário que essa beleza reconheça também aquele que a contempla. Não basta admirar; é necessário ser admirado. Não basta oferecer; é necessário que exista disposição para receber e devolver. Não basta desejar uma construção; é necessário que duas vontades estejam efetivamente construindo. A experiência demonstra repetidamente que aquilo que pode parecer absoluto para uma consciência pode ser apenas parcial para outra. Uma relação não se sustenta porque uma das partes sente o suficiente pelas duas. A intensidade unilateral pode produzir uma experiência extraordinariamente poderosa, mas não consegue fabricar reciprocidade. A verdadeira união surge quando duas liberdades encontram um ponto comum sem que nenhuma delas precise ser absorvida pela outra.

Existe, nesse sentido, uma característica ainda mais profunda naquilo que o observador considera belo: a presença de uma consciência verdadeiramente viva. O que o atrai não é a passividade, mas alguém que possui movimento próprio, desejos próprios, inteligência própria, contradições próprias e capacidade de produzir acontecimentos. A beleza parece tornar-se mais intensa quando o outro não é completamente previsível. Há encanto naquilo que surpreende, naquilo que possui personalidade, naquilo que não se entrega inteiramente à interpretação do observador. Ao mesmo tempo, essa liberdade é precisamente aquilo que pode produzir insegurança. O que torna alguém fascinante também torna impossível garantir sua permanência. O observador descobre, então, uma das leis fundamentais de sua própria sensibilidade: aquilo que é verdadeiramente vivo jamais pode ser completamente possuído.

Por isso, a sombra recorrente da beleza aparece justamente quando a consciência tenta transformar aquilo que ama em certeza. O desejo de permanência pode transformar-se em apego; a admiração pode transformar-se em idealização; o cuidado pode transformar-se em paternalismo; a gratidão pode transformar-se em acomodação; a intensidade pode transformar-se em ciúme; a liberdade pode transformar-se em indecisão; a excelência pode transformar-se em perfeccionismo; a inteligência pode transformar-se em ruminação; o conforto pode transformar-se em dependência; a realização pode transformar-se na expectativa de que o outro confirme aquilo que já consideramos perfeito. A sombra não constitui necessariamente o oposto da beleza. Muitas vezes, ela é a própria beleza levada além de sua medida. Aquilo que inicialmente elevava a consciência, quando perde o equilíbrio, passa a aprisioná-la. A mesma força que aproxima pode sufocar; a mesma admiração que inspira pode criar um pedestal; a mesma segurança que acolhe pode produzir acomodação.

Talvez essa seja uma das descobertas centrais de toda a investigação: a beleza exige medida. Não uma medida moral imposta de fora, mas uma medida interior capaz de impedir que qualquer uma de suas manifestações se torne absoluta. O desejo precisa de liberdade para permanecer desejo; o amor precisa de alteridade para continuar sendo amor; a companhia precisa de individualidade para não se transformar em dependência; a admiração precisa de humanidade para não se transformar em idolatria; a realização precisa de movimento para não transformar o sonho em prisão. A consciência madura não elimina suas intensidades. Ela aprende a sustentá-las sem permitir que uma delas colonize todas as demais.

Também se torna evidente que o observador valoriza a espontaneidade. Algumas das experiências mais significativas nasceram justamente quando não havia uma estratégia previamente estabelecida. A proximidade surgiu do acaso, a intimidade nasceu de uma conversa, a atração apareceu onde inicialmente existia apenas curiosidade, e a possibilidade de uma vida compartilhada começou muitas vezes em acontecimentos banais. Isso revela uma tensão essencial entre controle e experiência. O observador possui uma tendência natural a investigar, compreender, interpretar e projetar, mas a própria vida demonstrou repetidamente que aquilo que mais profundamente o transforma não necessariamente chega através de um plano. Existe uma dimensão da beleza que só pode ser encontrada porque a consciência deixou, por algum instante, de tentar controlar o caminho e permitiu que alguma coisa acontecesse.

Entretanto, a espontaneidade não significa ausência de responsabilidade. A investigação também revela que aquilo que nasce naturalmente precisa, em algum momento, encontrar decisão. Uma relação pode começar pelo acaso, mas não pode ser sustentada indefinidamente pelo acaso. O encontro pode ser espontâneo; a construção exige vontade. O desejo pode surgir sem esforço; a permanência exige escolha. A beleza pode chamar; a consciência precisa responder. Talvez uma das maiores dificuldades do observador esteja justamente nessa passagem entre contemplar uma possibilidade e assumir uma posição diante dela. Em determinados momentos, a consciência reconheceu algo extraordinário, mas permaneceu observando enquanto a realidade continuava seu movimento. Em outros, acreditou que a intensidade do próprio sentimento seria suficiente para garantir a permanência daquilo que amava. Em ambos os casos, aparece a mesma questão: perceber não é o mesmo que realizar.

A beleza que verdadeiramente parece interessar ao observador é, portanto, uma beleza capaz de permanecer em movimento sem perder sua coerência. Não se trata de encontrar algo imóvel, perfeito e definitivamente conquistado, mas algo que possa evoluir sem destruir o vínculo que lhe deu origem. A vida compartilhada precisa comportar transformação. Pessoas mudam, necessidades mudam, circunstâncias mudam, sonhos mudam. Uma relação que só consegue existir enquanto ambos permanecem exatamente iguais já nasce condenada à própria rigidez. O que parece ser buscado é uma forma mais difícil de união: aquela em que duas consciências conseguem mudar sem deixar de se reconhecer, crescer sem necessariamente crescer em direções opostas e preservar sua identidade sem transformar a autonomia em distância.

É nesse ponto que a beleza se aproxima da própria ideia de liberdade. O observador parece desejar profundamente a experiência de ser escolhido, mas não deseja ser escolhido por alguém que deixou de ser livre para escolher. Deseja companhia, mas não uma companhia obtida pela obrigação. Deseja intimidade, mas não uma intimidade produzida pela vigilância. Deseja família, mas não uma família construída sobre o desaparecimento da individualidade. Deseja realização, mas não uma realização que exija abandonar aquilo que o constitui. A beleza mais elevada, dentro dessa arquitetura, parece ser aquela que poderia partir e, ainda assim, escolhe permanecer. Porque somente aquilo que possui liberdade pode oferecer uma permanência verdadeiramente significativa.

Existe também uma relação profunda entre beleza e reconhecimento. Em última instância, talvez o que o observador tenha procurado em diferentes formas seja a experiência de ser verdadeiramente visto. Não apenas desejado, elogiado ou acompanhado, mas compreendido em diferentes dimensões de sua existência. Ser visto na inteligência, na fragilidade, na ambição, no desejo, na capacidade de cuidar, na necessidade de liberdade, nas contradições e até mesmo nas sombras. E, reciprocamente, encontrar alguém que também possa ser visto para além da superfície. A beleza torna-se então uma espécie de espelho não porque o outro seja semelhante, mas porque sua presença permite ao observador reconhecer partes de si que dificilmente apareceriam sem aquele encontro.

Isso explica por que algumas experiências permaneceram significativas mesmo sem terem produzido uma união duradoura. Uma experiência não precisa culminar em permanência para ter sido verdadeira. Algumas existências atravessam a nossa apenas para revelar uma capacidade que desconhecíamos possuir. Outras demonstram aquilo que desejamos construir. Algumas revelam aquilo que não conseguimos sustentar. Outras expõem nossas próprias sombras. Há encontros que ensinam a desejar, encontros que ensinam a permanecer, encontros que ensinam a partir e encontros que ensinam que partir também pode ser uma forma de preservar aquilo que foi verdadeiro. O valor de uma experiência não pode ser medido exclusivamente pela sua duração. Às vezes, sua função dentro da arquitetura da consciência está precisamente naquilo que ela inaugura depois de terminar.

Assim, as diferentes formas de beleza observadas ao longo da investigação podem ser compreendidas como fragmentos de uma arquitetura maior. Cada fragmento revelou uma necessidade, uma potência ou uma contradição. O que parecia inicialmente uma sucessão de experiências distintas revelou-se progressivamente como uma investigação sobre a própria estrutura do vínculo humano. O observador não estava simplesmente procurando alguém. Estava, sem saber, descobrindo quais condições precisavam existir para que pudesse reconhecer uma realidade como verdadeiramente bela. E essa descoberta modificou também o próprio observador, porque cada encontro deslocou os critérios através dos quais ele percebia o mundo. O objeto da investigação nunca foi completamente exterior. Ao observar a beleza, o observador estava simultaneamente observando a própria consciência.

Por isso, a conclusão não pode ser uma definição estática. A beleza, dentro dessa investigação, não é uma fórmula. É uma relação dinâmica entre presença, desejo, reconhecimento, liberdade, reciprocidade, cuidado, admiração, intimidade, crescimento e mistério. Quanto mais elementos dessa arquitetura conseguem coexistir sem que um destrua os demais, maior parece ser a sensação de completude. Mas completude não significa perfeição. A perfeição é imóvel; a beleza aqui investigada é viva. Ela contém contradições, riscos, mudanças e possibilidades. Sua força não está em eliminar a imperfeição, mas em permitir que duas realidades imperfeitas encontrem uma forma suficientemente harmoniosa de existir juntas.

E talvez seja justamente por isso que aquilo que ainda não foi encontrado permaneça tão importante quanto aquilo que já foi vivido. Muitas outras formas de beleza atravessaram a existência do observador e não foram registradas porque nenhuma investigação consegue capturar integralmente a experiência humana. O que foi documentado não constitui um catálogo completo, mas apenas aquilo que, em determinado momento, conseguiu adquirir forma suficiente para ser reconhecido, nomeado e transformado em pensamento. Outras experiências permaneceram como fragmentos, outras desapareceram antes de serem compreendidas e outras talvez ainda nem tenham acontecido. A vida conserva sempre uma região que escapa ao mapa.

É nessa região que permanece a possibilidade. Depois de desmontar tantas ilusões, reconhecer tantas sombras e compreender tantas formas de desejo, a consciência não precisa concluir que já conhece aquilo que é belo. Talvez o verdadeiro amadurecimento esteja justamente em abandonar essa pretensão. O observador pode aprender com aquilo que viveu sem transformar o passado em prisão e pode construir critérios sem transformá-los em dogmas. Pode saber melhor aquilo que valoriza sem acreditar que já sabe exatamente a forma pela qual a vida deverá entregar isso. Porque a realidade possui uma capacidade que nenhuma teoria consegue superar: surpreender.

Talvez, no fim, a mais bela obra não seja aquela que corresponde perfeitamente ao que foi imaginado, mas aquela que consegue reunir aquilo que parecia incompatível sem destruir a liberdade que existe entre as partes. Uma realidade capaz de possuir desejo sem posse, profundidade sem caos, cuidado sem superioridade, inteligência sem excesso de análise, companhia sem dependência, família sem aprisionamento, realização sem sacrifício da própria essência e esperança sem perfeccionismo. Não se trata de exigir que todas essas condições apareçam simultaneamente como uma espécie de fórmula impossível, mas de reconhecer nelas os elementos através dos quais o observador aprendeu a distinguir aquilo que apenas fascina daquilo que verdadeiramente possui valor.

E, justamente por isso, nenhuma hipótese precisa ser descartada. A beleza que ainda não surgiu não está obrigada a repetir nenhuma das formas que já foram conhecidas. Pode aparecer sob uma linguagem completamente diferente, em uma circunstância inesperada, através de uma consciência que não se encaixe em nenhum dos modelos anteriormente observados. Pode até mesmo obrigar o observador a reconstruir novamente aquilo que acredita saber. E talvez isso não seja uma falha da investigação, mas sua consequência mais legítima. Se a realidade permanecesse completamente previsível, não haveria verdadeira descoberta.

O Círculo, portanto, não se fecha como uma sentença. Ele retorna ao movimento. Aquilo que foi observado transforma-se em conhecimento; aquilo que foi compreendido transforma-se em critério; aquilo que foi perdido transforma-se em memória; aquilo que permaneceu inconcluso transforma-se em possibilidade. E a consciência, depois de atravessar seus próprios fragmentos, permanece novamente diante da realidade, não como alguém que finalmente descobriu o que é a beleza, mas como alguém que aprendeu a reconhecê-la quando ela surgir. Porque talvez a beleza mais profunda não seja aquela que encerra a busca, mas aquela que torna novamente possível continuar procurando.

A vida ainda não terminou de escrever aquilo que o observador poderá chamar de belo. E talvez essa seja a única conclusão suficientemente verdadeira: o que foi vivido pode ensinar o olhar, mas não possui autoridade para limitar aquilo que ainda poderá ser encontrado.

A Inércia do Êxtase: o poder de permanecer quando o mundo exige movimento

Talvez uma das formas mais difíceis de liberdade seja conseguir ficar parado sem sentir que estamos desperdiçando a própria vida.

Por Felipe Mateus Alessi — Mago Trimegista
Adaptado de Desintegrando a Realidade: O Plano Tridimensional

Vivemos numa época que transformou movimento em virtude. Produzir, responder, trabalhar, consumir, aprender, viajar, crescer, treinar, construir, publicar, melhorar. Sempre existe alguma coisa que ainda deveria estar sendo feita. Mesmo o descanso passou a precisar de justificativa: descansamos para trabalhar melhor, meditamos para produzir mais, dormimos para recuperar desempenho, tiramos férias para voltar renovados. Até o silêncio parece precisar demonstrar alguma utilidade para ser aceito. Criamos uma relação curiosa com a existência: estar vivo parece já não ser suficiente. É preciso provar continuamente que estamos fazendo alguma coisa com o fato de estarmos vivos.

Mas existe outro estado possível: um estado no qual a consciência deixa, por alguns instantes, de correr atrás do mundo. O corpo permanece, a mente desacelera, o tempo perde parte de sua autoridade e aquilo que normalmente chamaríamos de “não fazer nada” começa a revelar uma experiência muito mais complexa. Dei a esse estado um nome: Inércia do Êxtase.

O prazer da permanência

A maioria de nós conhece o prazer da conquista: conseguir aquilo que desejávamos, terminar um trabalho, ganhar dinheiro, vencer uma disputa, receber reconhecimento, chegar a algum lugar. Esses prazeres possuem algo em comum: dependem de movimento. Há um ponto inicial, uma trajetória e algum tipo de chegada. Mas existe outra experiência: o prazer de não precisar chegar.

A Inércia do Êxtase começa quando o movimento deixa temporariamente de ser uma necessidade e a simples experiência de existir torna-se suficiente. Isso não significa tornar-se indiferente ao mundo, abandonar projetos, desistir das responsabilidades ou transformar a preguiça em filosofia. Trata-se de algo mais difícil: permanecer consciente sem ser imediatamente arrastado pela necessidade de agir.

Quando isso acontece, pequenas sensações recuperam uma importância que normalmente perdemos: o ar tocando a pele, o peso das mãos, a respiração, a temperatura do ambiente, o intervalo entre dois sons, o próprio corpo ocupando espaço. Nada extraordinário aconteceu. E, exatamente por isso, algo extraordinário começa a aparecer. Percebemos que grande parte da nossa experiência estava escondida atrás da pressa.

O silêncio não está vazio

Há um problema: quando os estímulos cessam, a paz nem sempre aparece primeiro. Muitas vezes aparece o ruído. Memórias, preocupações, conversas imaginárias, planos, medos, desejos, problemas que ainda nem aconteceram, coisas que deveriam ter sido ditas, coisas que talvez aconteçam amanhã. A mente, acostumada ao movimento, tenta preencher qualquer espaço vazio.

É por isso que permanecer consigo mesmo pode ser desconfortável. Basta observar um pequeno intervalo sem atividade para surgir imediatamente a vontade de pegar o telefone, abrir alguma rede, procurar uma notícia, colocar uma música, enviar uma mensagem, assistir alguma coisa ou pensar no que acontecerá depois. O vazio parece exigir preenchimento. Mas talvez o problema não esteja no vazio. Talvez esteja na nossa incapacidade de permanecer diante dele.

A Inércia do Êxtase nasce justamente nesse limite. Não consiste em destruir os pensamentos, nem em lutar contra eles. O exercício é mais simples: observar sem obedecer imediatamente. A inquietação aparece, e você observa. Um pensamento aparece, e você observa. Uma lembrança atravessa a mente, e você observa. Uma vontade surge, e você observa.

Pouco a pouco, ocorre uma separação fundamental entre duas coisas que normalmente confundimos: ter um impulso e precisar segui-lo. Entre uma coisa e outra existe um espaço. É nesse espaço que começa o governo interior.

A imobilidade da montanha

Uma pedra permanece imóvel porque não possui escolha. A montanha representa outra imagem: ela permanece porque seu centro é profundo. Essa diferença é essencial. A Inércia do Êxtase não é a imobilidade da incapacidade. É a imobilidade daquele que poderia mover-se, mas não precisa fazê-lo imediatamente.

Existe força nisso, talvez até mais força do que imaginamos, porque reagir é fácil. Difícil é escolher se uma reação merece existir. Responder a uma provocação é fácil; difícil é perceber o impulso antes de responder. Comprar é fácil; difícil é observar o desejo antes de obedecê-lo. Falar é fácil; difícil é suportar alguns segundos de silêncio.

Mover-se compulsivamente pode produzir uma aparência de poder, mas nem todo movimento significa liberdade. Às vezes estamos apenas sendo conduzidos por aquilo que nos estimula. Quem não consegue permanecer talvez também não escolha plenamente seus movimentos: corre porque algo mandou correr, consome porque algo despertou desejo, responde porque algo provocou, distrai-se porque o silêncio se tornou insuportável.

Nesse sentido, parar pode tornar-se uma espécie de experiência filosófica. Ao suspender momentaneamente o movimento, começamos a descobrir quais forças estavam nos movendo.

A alquimia da atenção

No Plano Tridimensional, trato a atenção como uma das matérias-primas da alquimia interior. Aquilo para onde dirigimos repetidamente nossa atenção começa a ocupar espaço dentro de nós. E aquilo que ocupa espaço continuamente acaba participando da construção daquilo que chamamos de “eu”.

Por isso, a atenção não é insignificante. Ela alimenta, reforça, seleciona e organiza. Uma mente constantemente fragmentada por estímulos tende a experimentar o mundo de maneira fragmentada. A quietude oferece o movimento contrário: ela reúne. Não porque todas as respostas apareçam, mas porque, por alguns instantes, deixamos de produzir novas perguntas apenas para fugir das anteriores.

Foi nesse processo que construí um pequeno mecanismo simbólico de mudança mental. Quatro imagens: girar a chave, abrir a porta, fechar a janela, virar a página.

Essas palavras não possuem poder por si mesmas. Não são fórmulas secretas nem encantamentos capazes de alterar o universo. Seu valor está no significado que a consciência atribui a elas.

Girar a chave

Representa reconhecer que um estado mental precisa terminar. Nenhuma porta se abre enquanto continuamos segurando a fechadura anterior.

Abrir a porta

Significa aceitar outra possibilidade de percepção, permitir que algo diferente entre e questionar o automatismo.

Fechar a janela

Toda abertura exige também algum limite. Fechar a janela significa reduzir temporariamente os ruídos que continuam tentando invadir o espaço interior. Nem tudo merece nossa atenção.

Virar a página

É reconhecer que compreender algo não significa permanecer eternamente preso a ele. Existem experiências que precisam ser estudadas, experiências que precisam ser atravessadas e experiências que, depois disso, precisam simplesmente ficar para trás.

Girar a chave, abrir a porta, fechar a janela, virar a página. A sequência funciona como uma pequena arquitetura simbólica da mudança.

Nem toda felicidade precisa fazer barulho

Também aprendemos uma ideia estranha sobre felicidade: ela precisa aparecer, produzir sinais, ser visível. A pessoa feliz deveria sorrir, viajar, celebrar, conquistar e mostrar. Quanto maior a felicidade, maior pareceria sua manifestação exterior.

Mas algumas das experiências mais profundas de satisfação possuem exatamente a forma contrária. São silenciosas: uma refeição tranquila, a presença de alguém amado, o corpo descansando depois de um dia longo, uma música ouvida sem pressa, uma tarde em que nada extraordinário aconteceu, a percepção repentina de que, naquele instante, nada está faltando.

Existe uma felicidade que não exige testemunhas, uma felicidade que não precisa ser convertida em espetáculo. Foi essa experiência que me levou à palavra “êxtase”. Não uso êxtase aqui no sentido do excesso. Não é explosão, frenesi ou avalanche de sensações. Na Inércia do Êxtase ocorre quase o contrário: o êxtase aparece quando diminui a necessidade de estímulo.

Existe uma felicidade que não faz barulho, uma alegria que não depende de vitória, um poder que não precisa demonstrar sua força.

O paradoxo do nada

Quanto mais tentamos agarrar uma sensação agradável, mais percebemos que ela escapa. Queremos repetir, intensificar, guardar, garantir que continuará. E, no momento em que começamos a tentar possuir aquilo que estamos sentindo, já deixamos de simplesmente senti-lo.

Esse é um dos paradoxos da Inércia do Êxtase: quanto menos a consciência tenta possuir o instante, mais plenamente consegue habitá-lo. O prazer deixa de depender da expectativa sobre o que virá depois. Não porque o futuro tenha desaparecido, mas porque, naquele momento, ele não precisa ser resolvido.

O passado também continua existindo, mas não precisa ser revivido. Resta o intervalo, o agora, uma região estranha entre aquilo que já terminou e aquilo que ainda não chegou. Grande parte do Plano Tridimensional nasce da tentativa de compreender justamente esses espaços: não destruir os polos, não negar movimento, desejo ou conquista, mas perceber aquilo que existe entre os movimentos.

É nesse ponto que a consciência consegue observar o próprio pêndulo antes de ser arrastada por ele.

Não fugir do mundo, mas retornar a ele

Existe um risco em qualquer filosofia da interioridade: transformar introspecção em fuga. Não é isso que proponho. O objetivo da Inércia do Êxtase não é abandonar a realidade, mas retornar a ela com maior domínio sobre a própria atenção.

Depois da quietude, continuaremos precisando trabalhar, escolher, responder, construir, amar, resolver problemas, pagar contas, errar e recomeçar. A diferença está na origem do movimento. Uma coisa é agir porque estamos sendo arrastados; outra é agir porque decidimos fazê-lo.

Por isso, o repouso consciente não é inimigo da ação. Pode ser justamente aquilo que permite distinguir ação de reação. O mago, dentro da linguagem do Plano Tridimensional, não é aquele que foge do mundo concreto para habitar eternamente o invisível. É aquele que investiga seu mundo interior para retornar ao concreto com maior consciência.

A Alta Magia, nesse sentido, começa muito antes de qualquer ritual externo. Começa na capacidade de conhecer a si mesmo, governar a si mesmo e transformar a si mesmo.

O poder de não precisar provar

Existe ainda outra liberdade escondida nessa experiência: a liberdade de não precisar demonstrar continuamente quem somos. Grande parte do desgaste da vida nasce dessa necessidade. Provar inteligência, força, felicidade, sucesso, importância, razão, vitória e até mesmo paz.

Mas a paz que precisa desesperadamente ser provada já perdeu alguma coisa de sua paz. Na quietude, o valor da experiência deixa de depender da testemunha. Não é necessário convencer ninguém de que determinado instante foi significativo. Ele aconteceu. Você estava lá. Isso basta.

Talvez exista enorme poder nessa ausência de necessidade, porque quem precisa provar constantemente sua força continua dependendo do olhar de quem deveria reconhecê-la. A Inércia do Êxtase aponta para outro caminho: estar inteiro mesmo quando ninguém está olhando.

Permanecer enquanto o universo se move

Não podemos parar o tempo nem interromper o movimento do mundo. As pessoas continuarão mudando, as relações mudarão, o corpo mudará, projetos começarão e terminarão, algumas coisas serão conquistadas e outras serão perdidas. O pêndulo continuará balançando.

Talvez a questão nunca tenha sido fazê-lo parar. Talvez a questão seja descobrir um centro que não precise acompanhar cada oscilação com a mesma intensidade.

Foi assim que comecei a compreender a Inércia do Êxtase: não como fuga, indiferença ou culto à passividade, mas como exercício de soberania interior. A capacidade de permanecer quando tudo exige movimento, observar quando tudo exige reação, sentir sem imediatamente possuir, repousar sem transformar o repouso em culpa e, por alguns instantes, experimentar a existência antes de perguntar o que fazer com ela.

Talvez algumas das formas mais altas de poder sejam quase invisíveis: não levantar a voz, não responder imediatamente, não perseguir toda vontade, não transformar todo silêncio em conteúdo, não converter todo instante em produtividade.

Há uma força que se agita e há uma força que repousa. A primeira é facilmente percebida; a segunda exige atenção. A Inércia do Êxtase começa quando descobrimos que permanecer também pode ser um ato.

E talvez um dos grandes trabalhos da consciência seja exatamente este: aprender a ficar imóvel enquanto o universo continua se movendo.

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Sobre esta investigação

A Inércia do Êxtase integra Desintegrando a Realidade: O Plano Tridimensional, tratado hermético de minha autoria dedicado à investigação da consciência, de suas oscilações e dos processos de transformação interior.

O Plano Tridimensional não pretende oferecer uma doutrina acabada. Seus conceitos são apresentados como instrumentos de observação.

A proposta é simples: desintegrar uma experiência não significa destruí-la. Significa separá-la em partes suficientes para que possamos finalmente enxergá-la.

Felipe Mateus Alessi
Mago Trimegista

Você disse que eu estava louca por pensar nisso. Se não tem confiança, não tem nada. Você me falou isso lembra? Era mentira, era tudo mentira. Eu não fiz nada, além de idolatra você. Apoia você. Amar você. E olha, olha o que você fez comigo. O que eu fiz. Você investigou meu passado, dissecou minha vida, me fez parecer um monstro, alguém que machucaria pessoas, que faria coisas terríveis. Mas quem é o monstro aqui?


#YOU

Eu poderia ser uma adolescente normal se não tivesse uma família formada por 11 pessoas.
Eu deveria ter sido uma criança normal se não fosse as responsabilidades que eu cumpria.
Eu gostaria de gostar do que eu faço se não fosse obrigada a fazer.
Eu deveria freqüentar ambientes de lazer se não tivesse que trabalhar
Eu deveria reclamar quando dizem algo que eu não gosto, se não tivesse inspiração para descrever cada situação.
Eu poderia reivindicar quando sou julgada injustamente, mas calo-me e a humildade prevalece.
Eu deveria ter uma péssima impressão da vida se não fosse a paixão que eu tenho pelo viver.

⁠O fogo que arde sem controle,
Devora a natureza sem dó,
As chamas consomem a floresta,
E deixam um rastro de pó.

A seca castiga a terra,
E a água é cada vez mais escassa,
O solo ressecado clama por chuva,
E a natureza se despedaça.

É preciso proteger o meio ambiente,
E cuidar de cada árvore e animal,
Preservar a diversidade da vida,
E evitar o colapso ambiental.

Que cada um faça a sua parte,
E juntos possamos salvar,
A beleza e a riqueza da natureza,
E garantir um futuro sem temer o que virá.

Nascimento, Vida e Morte do Amor

Te conheci numa cama de hospital,
Você doente, chorando de desilusão,
Naquele dia algo especial aconteceu,
Senti que o amor em minha vida apareceu,
Depois que vi lágrimas em seu rosto angelical,
Meu coração doeu, tremeu de emoção,
Desde então minha vida rumou em prol da sua recuperação,

Passamos por várias barreiras impostas pelo destino,
Com muita força e dedicação conseguimos derrubá-las,
Mas à medida que você foi curando,
Eu fui adoecendo,
Adoeci de amor,
Parece que o mal saiu de você e me pegou,
E a partir daí precisei de carinho e você negou,

O amor que em nós nasceu,
Foi sendo destruído pela doença que em mim brotou,
Doença que você tinha a cura e negara com frieza,
Frieza, egoísmos e falta de consideração,
Você me iludiu, usou e jogou fora,
Todos os bons momentos foram mentira?
Será que nas horas de amar você também fingia?

Hoje vivo sem respostas,
Não sei como aconteceu, mas sei que acabou,
Esse “Amor Bandido” deixou marcas,
Cicatrizes permanentes no coração,
No meu pensamento você vaga há todo momento,
Preciso expulsá-la e me reerguer,
Pois um homem frio e sem amor me transformando estou.

Alegria

Alegria
O que é alegria?
Alegria é um sinônimo de felicidade?
Não.
A felicidade é passageira enquanto a alegria é definitiva.
Ser alegre é transmitir felicidade mesmo não estando feliz.

O ser alegre tem esse “dom” em sua personalidade.
Tem leveza em seu olhar mesmo com problemas pessoais.
Pessoa pura e ao mesmo tempo misteriosa.
Já se sentir feliz é passageiro.
Esse estado demonstra um êxtase de prazer.
São fases que tem um final.

Nossas vidas são compostas por valores materiais e emocionais.
Tudo que conquistamos deve nos representar uma meta atingida.
Valorize suas conquistas.
Dê valor às coisas que lhe transmitam felicidade.
Conseguindo isso nos aproximamos cada vez mais da alegria.
Mas é possível ser alegre sem amor?

Amor é um sentimento de duas vertentes.
Ser amado pelos entes familiares.
E ter um amor para dividir a vida.
Quem transmite alegria consegue tudo.
Conquista com facilidade seus amores.
Basta saber valorizar as pessoas.

Demonstre que ama quem você ama.
Carinho é a principal ferramenta dos relacionamentos.
É doloroso perder um amor verdadeiro.
Seja alegre e não caia nas rotinas da vida.
Busque sempre a felicidade e vire as costas para as desilusões.
Quem transmite alegria só conquista felicidade.

O Amor é Renovável


Foi inevitável sucumbir a tristeza da perda,
Perdi o amor,
Perdi a vontade de continuar existindo,
A vida se tornou monótona e repetitiva,
Sem chão, eu chorava a morte desse sentimento,

Senti-me derrotado pela vida e chorei,
As lágrimas expelidas tinham gosto de sangue,
Sentia que o final da minha existência era o único caminho,
Mas será que o Amor morre de verdade?
Não seria o Amor um sentimento renovável?

Antes de entregar-me totalmente resolvi sair,
Era festa, todos estavam felizes e celebrando com alegria,
Sentia-me um peixe fora d água em meio a tanta felicidade,
Eis que do nada uma Princesa apareceu,
Era linda e formosa, mas comprometida,

Os graciosos passos da Musa guiavam meu olhar por onde ela desfilava,
Esse dia foi muito importante para minha recuperação,
Não conseguia admirar ninguém há tempos,
Essa mulher despertou minha atenção sem nem mesmo uma troca de olhares acontecer,
Depois desse dia percebi que outras belezas existiam,

Com o passar dos meses retomei minha vida e também a alegria,
Num certo dia, num happy hour com amigos, um mensageiro me trouxe uma carta,
Explodi de emoção quando vi o remetente do recado,
Era ela, a Virgem que me resgatou em silencio,
Queria me conhecer, pois uma atração também sentiu,

Na primeira ligação senti que tudo seria diferente,
Combinamos de nos encontrar e ansioso aguardei o grande dia,
Nosso primeiro encontro foi maravilhoso, parecia algo já vivido,
Beijos quentes, abraços seguros e um prazer puro,
Hoje vivo as expectativas e as certezas desse amor que nasceu.