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ENSAIO MÚSICAL:
Letra infantil. Félix di Láscio.


O TATU E O BURACO.


O Tatu,
Tátu, Tatu...
Roeu o buraco no
Chão,
Ele cavou, cavou
Usando suas patinhas,
Para depois esconder
O seu pinhão.


REFRÃO


{Cava, cava,
Tatu!
Faz uma toca pro Sul,
Esconde o seu focinho Azul.}


O Tatu,
É muito encabulado,
Faz gesto que está
Apressado.
Não para de trabalhar,
Faz túnel pra todo lado
Pra depois descansar.


Corre pra lá
Corre pra cá.


Passa o bicho
Passa a mão,
O tatu sumiu no
Buraco do chão - Bis


Onde está,
Onde está?
Daqui a pouco
Ele volta,
Querendo brincar.


Repetir

COADJUVANTE
ENSAIO POÉTICO


POEMA DE FÉLIX DI LÁSCIO


Torci o nariz


Porque não queria


ser somente um


coadjuvante.


Mas isso não é o caso:


O orgulho de um banguelo


é achar que pode


exibir os dentes!


Félix Di Láscio


Poeta Brasileiro


Postado em 27/02/2016 às 13:30h


Repostado 04/07/2026 às 20:45


Félix Di Láscio

SOLIDÃO DE GELO


Quando o silêncio
Da luz treme e acende,
Algo aparece e geme.
São esses gemidos que
Me apavoram,
São essas coisas que
Prendem,
Eu aqui e o mundo lá
Do lado de fora.


Nenhum teto
Resiste e desmorona,
E quando você dá por si,
Já tem perdido a
Carona.


Àh, àh, àh,
Àh, àh, àh...


Mãos frias,
Oceano Pacífico,
vento salpico.
Nenhum teto resiste à
Solidão.
Você sente,
Você sente,
Quando alguém esqueceu de
Pegar a sua mão.


Oh, oh, oh...
Oh, oh, oh...


Lágrimas de sol,
Girassol,
Solidão de gelo.
Bonitos são os seus
Cabelos.


Lá, lalá,
Lá, lalá...

ENSAIO POÉTICO
POEMA DE FÉLIX DI LÁSCIO


LÍNGUA PÁTRIA


Um homem branco
Pergunta ao nativo, às margens
Do rio:
— Fala tua língua fluente?
Aquele cidadão de origem das terras
das matas respondeu:
— Buá!!! buá!!! buá!!!
"Só o afluente do Rio Sanhauá."
— Ah!!! ah!!! ah!!!


Félix di Láscio, Poeta e Letrista Brasileiro.
Postado em 10/06/2019 às 10:05h
Repostado no dia 02/07/2026 às 20:30h

A TARTARUGA TUNGA
ENSAIO POÉTICO.


Infantil.


Poema De Félix di Láscio


A Tartaruga Tunga,
Devagar
no seu mundo.
Nem olhou por céu,
Tirou de mansinho ,
Nem contou os segundos.


Tunga, Runga, Lunga ,
Lunga, Runga ,Tunga...


Lá vem ela,
Mastigando os dentes,
Deu para perceber ,
O seu ar,
De contente!
Lá vem ela ,


Tunga, tunga,tunga,
Tunga, tunga , tunga...


Nas pressas ,ela esqueceu
a sua Sunga.


Tunga, Runga, Lunga,
Lunga, Runga, Tunga.




Félix di Láscio ,Poeta e letrista Brasileiro.
O poeta também,escreve para crianças.

Um país envolvido em várias guerras recebe a "maior copa da história", e ao invés de sofrer um boicote global, sendo deixado de lado pelas nações e pelo público, volta a ser o foco de toda a atenção no mundo, como era no passado.


Eu me pergunto: Que humanidade nojenta somos nós? Por que aceitamos a barbárie, o teatro de tesouras, o espetáculo da morte, o buffet de carne humana e o vinho tinto de sangue, quando deveríamos vomitar toda essa nojeira?


Não é à toa que anseio pelo fim da atual civilização humana e pelo retorno às eras glaciais, onde éramos meros caçadores-coletores e a nossa preocupação máxima era a sobrevivência no gelo, a caça de mamutes e outros animais com lanças feitas de ossos, e o cuidado das próximas gerações.


Foi um erro termos saído desse período, evoluindo para sociedades complexas, sedentárias, religiosas e burguesas.

ENSAIO MUSICAL INFANTIL
Poema de Félix di Láscio


TIA ZULÚ


Tia Zulú,
Tia Zulú...
Ela não ouve,
Ela não escuta.
A vovó ficou biruta.


Tia Zulú,
Tia Zulú...
Ela não larga
O penteado,
Nem sabe quem
Está do seu lado! (bis)


Tia Zulú,
Tia Zulú.
Por que todo mundo
está de azul?


Tia Zulú,
Tia Zulú.
Ela não ouve
O canto do peru:


— Glu! Glu! Glu!
— Glu! Glu! Glu!...


Tia Zulú,
Tia Zulú.


(REFRÃO)


Ela não ouve,
Ela não escuta,
A vovó ficou
Biruta.


Não espalha brasas,
Cortaram as
minhas asas.


Félix di Láscio
Poeta e letrista brasileiro.
06/07/2026 – 20h26

Hoje o professor me perguntou: Quem é você?
Então fiquei me perguntando o resto da tarde, e essa seria minha resposta.


Sou feito de melancolia, textos e livros. De dias nublados e luzes amarelas. Sou como um café confortante tomado em um dia frio. Sou aquele que coleciona livros, sentimentos e palavras. Sou feliz, ás vezes triste , ansioso, mas também esperança. Sou alguém que ainda está se descobrindo entre páginas, sonhos e silêncios.

Ultimamente minha vida ta sendo igual um fim
de semana na praia, pés tocando a areia,a brisa do mar tocando o rosto, água de coco na mão.
Sempre rodeado de momentos únicos, aquela risada gostosa com os amigos, aquela magia que só um fim de semana mágico traria.
Mesmo com a vida tendo momentos horriveis, eu mo viver.

Às vezes estamos no fundo do poço procurando a saida
Às vezes estamos felizes demais
Às vezes choramos sozinhos
Às vezes nos sentimos amados
Às vezes nos sentimos sozinhos...


Às vezes achamos que as coisas são para sempre, porém uma hora acaba. Nunca tenha medo de recomeçar, bom domingo.

FORÇADO.


O amor, às vezes, cura.
O amor, à vezes, destrói.
O amor, às vezes , nos ajuda a entender quem somos.
O amor, às vezes, nos faz duvidar de quem somos.


O amor é vermelho.
O amor é quebrado.
O amor é chorado, rasgado, despedaçado.


O amor é lindo.
O amor é fofo.


O amor é tudo.
O amor é nada.


Mas apesar de tudo, a unica coisa que o amor não pode ser é forçado.

"Silêncio que arde"


Guardo teu nome no espaço
entre um suspiro e outro,
onde a voz não alcança
e o gesto fala mais alto.


Meu peito te reconhece
antes mesmo que eu pense,
mas o mundo exige calma,
exige que eu me esconda.


Então te ofereço o que posso:
um toque breve,
um olhar demorado,
um cuidado que finjo ser acaso.


É assim que te amo —
sem palavra alguma,
mas com tudo que treme
no silêncio das minhas atitudes.


E ainda que eu não diga,
meu coração te chama.
Tu não ouve, talvez,
mas eu sigo cantando baixo.

A Arquitetura da Beleza
Mago Trimegista

A investigação conduzida pelo observador permite compreender que a beleza, quando atravessa profundamente a consciência, jamais se reduz à aparência de um corpo, à intensidade de um desejo ou à conveniência de uma relação. Ela aparece como uma força de revelação. Aquilo que é percebido como belo não apenas desperta o olhar: modifica aquele que olha. Em cada encontro, alguma coisa que permanecia latente na consciência encontra uma forma exterior capaz de despertá-la. A beleza, portanto, não é somente uma propriedade do objeto contemplado, mas um acontecimento produzido no intervalo entre duas realidades: aquilo que se manifesta diante do observador e aquilo que, dentro dele, estava preparado para reconhecer essa manifestação. Por isso tantas experiências tão diferentes puderam ser percebidas como expressões de uma mesma realidade fundamental. O que mudava não era apenas a forma exterior da beleza, mas aquilo que cada experiência revelava sobre a própria estrutura do desejo, da consciência, da convivência e da existência.

Ao percorrer essas experiências, torna-se possível perceber que aquilo que o observador verdadeiramente procura não é uma qualidade isolada, mas uma convergência. Ele não busca somente intensidade, nem somente tranquilidade; não busca apenas desejo, nem apenas segurança; não procura exclusivamente inteligência, excelência, espontaneidade, acolhimento ou pertencimento. O que parece exercer sobre ele a maior força de atração é a possibilidade de encontrar, em uma única realidade compartilhada, diferentes dimensões capazes de coexistir sem que uma precise destruir a outra. A beleza mais profunda é aquela na qual o desejo pode existir sem transformar-se em posse; a companhia pode existir sem transformar-se em dependência; o cuidado pode existir sem produzir superioridade; a admiração pode existir sem idealização; a intimidade pode existir sem dissolução da individualidade; a família pode existir sem transformar-se em prisão; a realização pode existir sem exigir abandono de si. O que o observador procura, portanto, não é simplesmente alguém que corresponda aos seus desejos, mas uma forma de realidade na qual suas diferentes necessidades interiores consigam estabelecer uma ordem sem perder a liberdade.

Essa arquitetura revela também que o observador valoriza profundamente a reciprocidade. Não basta que exista beleza; é necessário que essa beleza reconheça também aquele que a contempla. Não basta admirar; é necessário ser admirado. Não basta oferecer; é necessário que exista disposição para receber e devolver. Não basta desejar uma construção; é necessário que duas vontades estejam efetivamente construindo. A experiência demonstra repetidamente que aquilo que pode parecer absoluto para uma consciência pode ser apenas parcial para outra. Uma relação não se sustenta porque uma das partes sente o suficiente pelas duas. A intensidade unilateral pode produzir uma experiência extraordinariamente poderosa, mas não consegue fabricar reciprocidade. A verdadeira união surge quando duas liberdades encontram um ponto comum sem que nenhuma delas precise ser absorvida pela outra.

Existe, nesse sentido, uma característica ainda mais profunda naquilo que o observador considera belo: a presença de uma consciência verdadeiramente viva. O que o atrai não é a passividade, mas alguém que possui movimento próprio, desejos próprios, inteligência própria, contradições próprias e capacidade de produzir acontecimentos. A beleza parece tornar-se mais intensa quando o outro não é completamente previsível. Há encanto naquilo que surpreende, naquilo que possui personalidade, naquilo que não se entrega inteiramente à interpretação do observador. Ao mesmo tempo, essa liberdade é precisamente aquilo que pode produzir insegurança. O que torna alguém fascinante também torna impossível garantir sua permanência. O observador descobre, então, uma das leis fundamentais de sua própria sensibilidade: aquilo que é verdadeiramente vivo jamais pode ser completamente possuído.

Por isso, a sombra recorrente da beleza aparece justamente quando a consciência tenta transformar aquilo que ama em certeza. O desejo de permanência pode transformar-se em apego; a admiração pode transformar-se em idealização; o cuidado pode transformar-se em paternalismo; a gratidão pode transformar-se em acomodação; a intensidade pode transformar-se em ciúme; a liberdade pode transformar-se em indecisão; a excelência pode transformar-se em perfeccionismo; a inteligência pode transformar-se em ruminação; o conforto pode transformar-se em dependência; a realização pode transformar-se na expectativa de que o outro confirme aquilo que já consideramos perfeito. A sombra não constitui necessariamente o oposto da beleza. Muitas vezes, ela é a própria beleza levada além de sua medida. Aquilo que inicialmente elevava a consciência, quando perde o equilíbrio, passa a aprisioná-la. A mesma força que aproxima pode sufocar; a mesma admiração que inspira pode criar um pedestal; a mesma segurança que acolhe pode produzir acomodação.

Talvez essa seja uma das descobertas centrais de toda a investigação: a beleza exige medida. Não uma medida moral imposta de fora, mas uma medida interior capaz de impedir que qualquer uma de suas manifestações se torne absoluta. O desejo precisa de liberdade para permanecer desejo; o amor precisa de alteridade para continuar sendo amor; a companhia precisa de individualidade para não se transformar em dependência; a admiração precisa de humanidade para não se transformar em idolatria; a realização precisa de movimento para não transformar o sonho em prisão. A consciência madura não elimina suas intensidades. Ela aprende a sustentá-las sem permitir que uma delas colonize todas as demais.

Também se torna evidente que o observador valoriza a espontaneidade. Algumas das experiências mais significativas nasceram justamente quando não havia uma estratégia previamente estabelecida. A proximidade surgiu do acaso, a intimidade nasceu de uma conversa, a atração apareceu onde inicialmente existia apenas curiosidade, e a possibilidade de uma vida compartilhada começou muitas vezes em acontecimentos banais. Isso revela uma tensão essencial entre controle e experiência. O observador possui uma tendência natural a investigar, compreender, interpretar e projetar, mas a própria vida demonstrou repetidamente que aquilo que mais profundamente o transforma não necessariamente chega através de um plano. Existe uma dimensão da beleza que só pode ser encontrada porque a consciência deixou, por algum instante, de tentar controlar o caminho e permitiu que alguma coisa acontecesse.

Entretanto, a espontaneidade não significa ausência de responsabilidade. A investigação também revela que aquilo que nasce naturalmente precisa, em algum momento, encontrar decisão. Uma relação pode começar pelo acaso, mas não pode ser sustentada indefinidamente pelo acaso. O encontro pode ser espontâneo; a construção exige vontade. O desejo pode surgir sem esforço; a permanência exige escolha. A beleza pode chamar; a consciência precisa responder. Talvez uma das maiores dificuldades do observador esteja justamente nessa passagem entre contemplar uma possibilidade e assumir uma posição diante dela. Em determinados momentos, a consciência reconheceu algo extraordinário, mas permaneceu observando enquanto a realidade continuava seu movimento. Em outros, acreditou que a intensidade do próprio sentimento seria suficiente para garantir a permanência daquilo que amava. Em ambos os casos, aparece a mesma questão: perceber não é o mesmo que realizar.

A beleza que verdadeiramente parece interessar ao observador é, portanto, uma beleza capaz de permanecer em movimento sem perder sua coerência. Não se trata de encontrar algo imóvel, perfeito e definitivamente conquistado, mas algo que possa evoluir sem destruir o vínculo que lhe deu origem. A vida compartilhada precisa comportar transformação. Pessoas mudam, necessidades mudam, circunstâncias mudam, sonhos mudam. Uma relação que só consegue existir enquanto ambos permanecem exatamente iguais já nasce condenada à própria rigidez. O que parece ser buscado é uma forma mais difícil de união: aquela em que duas consciências conseguem mudar sem deixar de se reconhecer, crescer sem necessariamente crescer em direções opostas e preservar sua identidade sem transformar a autonomia em distância.

É nesse ponto que a beleza se aproxima da própria ideia de liberdade. O observador parece desejar profundamente a experiência de ser escolhido, mas não deseja ser escolhido por alguém que deixou de ser livre para escolher. Deseja companhia, mas não uma companhia obtida pela obrigação. Deseja intimidade, mas não uma intimidade produzida pela vigilância. Deseja família, mas não uma família construída sobre o desaparecimento da individualidade. Deseja realização, mas não uma realização que exija abandonar aquilo que o constitui. A beleza mais elevada, dentro dessa arquitetura, parece ser aquela que poderia partir e, ainda assim, escolhe permanecer. Porque somente aquilo que possui liberdade pode oferecer uma permanência verdadeiramente significativa.

Existe também uma relação profunda entre beleza e reconhecimento. Em última instância, talvez o que o observador tenha procurado em diferentes formas seja a experiência de ser verdadeiramente visto. Não apenas desejado, elogiado ou acompanhado, mas compreendido em diferentes dimensões de sua existência. Ser visto na inteligência, na fragilidade, na ambição, no desejo, na capacidade de cuidar, na necessidade de liberdade, nas contradições e até mesmo nas sombras. E, reciprocamente, encontrar alguém que também possa ser visto para além da superfície. A beleza torna-se então uma espécie de espelho não porque o outro seja semelhante, mas porque sua presença permite ao observador reconhecer partes de si que dificilmente apareceriam sem aquele encontro.

Isso explica por que algumas experiências permaneceram significativas mesmo sem terem produzido uma união duradoura. Uma experiência não precisa culminar em permanência para ter sido verdadeira. Algumas existências atravessam a nossa apenas para revelar uma capacidade que desconhecíamos possuir. Outras demonstram aquilo que desejamos construir. Algumas revelam aquilo que não conseguimos sustentar. Outras expõem nossas próprias sombras. Há encontros que ensinam a desejar, encontros que ensinam a permanecer, encontros que ensinam a partir e encontros que ensinam que partir também pode ser uma forma de preservar aquilo que foi verdadeiro. O valor de uma experiência não pode ser medido exclusivamente pela sua duração. Às vezes, sua função dentro da arquitetura da consciência está precisamente naquilo que ela inaugura depois de terminar.

Assim, as diferentes formas de beleza observadas ao longo da investigação podem ser compreendidas como fragmentos de uma arquitetura maior. Cada fragmento revelou uma necessidade, uma potência ou uma contradição. O que parecia inicialmente uma sucessão de experiências distintas revelou-se progressivamente como uma investigação sobre a própria estrutura do vínculo humano. O observador não estava simplesmente procurando alguém. Estava, sem saber, descobrindo quais condições precisavam existir para que pudesse reconhecer uma realidade como verdadeiramente bela. E essa descoberta modificou também o próprio observador, porque cada encontro deslocou os critérios através dos quais ele percebia o mundo. O objeto da investigação nunca foi completamente exterior. Ao observar a beleza, o observador estava simultaneamente observando a própria consciência.

Por isso, a conclusão não pode ser uma definição estática. A beleza, dentro dessa investigação, não é uma fórmula. É uma relação dinâmica entre presença, desejo, reconhecimento, liberdade, reciprocidade, cuidado, admiração, intimidade, crescimento e mistério. Quanto mais elementos dessa arquitetura conseguem coexistir sem que um destrua os demais, maior parece ser a sensação de completude. Mas completude não significa perfeição. A perfeição é imóvel; a beleza aqui investigada é viva. Ela contém contradições, riscos, mudanças e possibilidades. Sua força não está em eliminar a imperfeição, mas em permitir que duas realidades imperfeitas encontrem uma forma suficientemente harmoniosa de existir juntas.

E talvez seja justamente por isso que aquilo que ainda não foi encontrado permaneça tão importante quanto aquilo que já foi vivido. Muitas outras formas de beleza atravessaram a existência do observador e não foram registradas porque nenhuma investigação consegue capturar integralmente a experiência humana. O que foi documentado não constitui um catálogo completo, mas apenas aquilo que, em determinado momento, conseguiu adquirir forma suficiente para ser reconhecido, nomeado e transformado em pensamento. Outras experiências permaneceram como fragmentos, outras desapareceram antes de serem compreendidas e outras talvez ainda nem tenham acontecido. A vida conserva sempre uma região que escapa ao mapa.

É nessa região que permanece a possibilidade. Depois de desmontar tantas ilusões, reconhecer tantas sombras e compreender tantas formas de desejo, a consciência não precisa concluir que já conhece aquilo que é belo. Talvez o verdadeiro amadurecimento esteja justamente em abandonar essa pretensão. O observador pode aprender com aquilo que viveu sem transformar o passado em prisão e pode construir critérios sem transformá-los em dogmas. Pode saber melhor aquilo que valoriza sem acreditar que já sabe exatamente a forma pela qual a vida deverá entregar isso. Porque a realidade possui uma capacidade que nenhuma teoria consegue superar: surpreender.

Talvez, no fim, a mais bela obra não seja aquela que corresponde perfeitamente ao que foi imaginado, mas aquela que consegue reunir aquilo que parecia incompatível sem destruir a liberdade que existe entre as partes. Uma realidade capaz de possuir desejo sem posse, profundidade sem caos, cuidado sem superioridade, inteligência sem excesso de análise, companhia sem dependência, família sem aprisionamento, realização sem sacrifício da própria essência e esperança sem perfeccionismo. Não se trata de exigir que todas essas condições apareçam simultaneamente como uma espécie de fórmula impossível, mas de reconhecer nelas os elementos através dos quais o observador aprendeu a distinguir aquilo que apenas fascina daquilo que verdadeiramente possui valor.

E, justamente por isso, nenhuma hipótese precisa ser descartada. A beleza que ainda não surgiu não está obrigada a repetir nenhuma das formas que já foram conhecidas. Pode aparecer sob uma linguagem completamente diferente, em uma circunstância inesperada, através de uma consciência que não se encaixe em nenhum dos modelos anteriormente observados. Pode até mesmo obrigar o observador a reconstruir novamente aquilo que acredita saber. E talvez isso não seja uma falha da investigação, mas sua consequência mais legítima. Se a realidade permanecesse completamente previsível, não haveria verdadeira descoberta.

O Círculo, portanto, não se fecha como uma sentença. Ele retorna ao movimento. Aquilo que foi observado transforma-se em conhecimento; aquilo que foi compreendido transforma-se em critério; aquilo que foi perdido transforma-se em memória; aquilo que permaneceu inconcluso transforma-se em possibilidade. E a consciência, depois de atravessar seus próprios fragmentos, permanece novamente diante da realidade, não como alguém que finalmente descobriu o que é a beleza, mas como alguém que aprendeu a reconhecê-la quando ela surgir. Porque talvez a beleza mais profunda não seja aquela que encerra a busca, mas aquela que torna novamente possível continuar procurando.

A vida ainda não terminou de escrever aquilo que o observador poderá chamar de belo. E talvez essa seja a única conclusão suficientemente verdadeira: o que foi vivido pode ensinar o olhar, mas não possui autoridade para limitar aquilo que ainda poderá ser encontrado.

A infância é a melhor coisa para um adulto cuidar. Mas afinal, quem cuida de quem?


O adulto ajuda a criança limpando a roupa, dando atenção e defendendo do mal.


A criança ajuda o adulto com um abraço e com as palavras certas que a gente precisava ouvir. É um ciclo de amor e proteção. É impossível entender por que algumas pessoas escolhem o caminho do crime contra tanta inocência. Mas o futuro e a vida cobram o preço de cada ato.


Quem ama a infância sabe: proteger uma criança é salvar o próprio coração.

Penso em você como penso em Deus,
às vezes, porém um pouco.
Porque não quero atrapalhar Deus.
E você eu não quero pensar muito
pra não te puxar de volta,
porque quando a gente pensa muito em alguém
o pensamento chama,
encosta,
move as coisas de lugar.
Tem gente que volta pelo sentimento,
outras pela saudade.
Você eu acho que voltaria pelo pensamento.
Então eu evito.
Às vezes ocupo a cabeça com rua,
ônibus, fumaça, moedas estrangeiras,
vitrines acesas em esquina vazia,
gente passando sem saber meu nome,
celular no bolso vibrando sem importância,
barulho de cidade que não espera resposta,
noite que não pede explicação,
qualquer coisa que faça o meu pensamento
não aprender novamente o caminho até você
E é isso, vou parar por aqui,
vou até escrever sobre trajeto, fronteira,
ou qualquer outra coisa que não me remeta a você
pra não me contradizer de novo —
como quem risca o próprio mapa
pra não reconhecer a estrada.
Vamos manter essa fronteira invisível,
ainda que estejamos tão perto e tão longe ao mesmo tempo —
como duas margens do mesmo silêncio
que nunca se encostam, mas se reconhecem de longe.
Você em cima no céu,
eu embaixo no inferno,
(um inferno que não é de Dante,
só de quem aprendeu a nomear distância como lugar)

Misture Tabaco com Mate e Fume em Pé
A fumaça subia lenta no vermelho da luz,
Montevideo pulsando pesada nos graves do sul,
copos brilhando dourados no balcão de metal,
e eu sozinho no canto, calmo, quase ritual.
Misture tabaco com mate e fume em pé.
Como quem já viu demais pra perder tempo com fé.
Gente dançando apertada num calor estrangeiro,
perfumes caros, olhares rápidos, desejo passageiro,
mas meus olhos estavam longe, presos na janela,
na garoa escorrendo fria pelos prédios da Ciudad Vieja.
As luzes cortavam fumaça em câmera lenta,
o baixo batendo no peito de forma violenta,
e ainda assim existia silêncio dentro de mim,
um silêncio bonito que não precisava de fim.
Uma uruguaia ria alto perto do corredor,
alguém falava espanhol arrastado sobre amor,
mas eu só observava o mundo girar devagar
com aquela paz estranha de não precisar entrar.
O mate amargo queimando o começo da boca,
o tabaco deixando a madrugada rouca,
e o tempo passando elegante, vulgar,
feito farol refletindo no Rio da Prata depois do bar.
Eu gostava disso:
dos trajetos sem pressa depois da fumaça,
das avenidas molhadas brilhando na praça,
do frio atravessando tecido e postura,
da beleza breve que existe na noite escura.
Misture tabaco com mate e fume em pé.
Ignore o excesso.
Observe tudo.
E permaneça.

Uma criança perdida na aduana
Na fila fria da aduana vazia,
um carimbo ecoa, corta a nostalgia,
luz fluorescente, cheiro de papel,
e um mundo adulto que nunca foi céu.
Pequenos passos num piso riscado,
um nome trocado, um visto negado,
o guichê não olha, só pede razão,
mas a infância não cabe em formulário e mão.
Há bandeiras cansadas no vidro embaçado,
México distante num sonho quebrado,
Uruguai sussurra num vento lateral,
Colômbia sangra num mapa postal.
E a criança pergunta sem ter voz alta,
por que a fronteira sempre falta e assalta?
Se o mundo é um só, por que dividir?
Se o peito é caminho, por que impedir?
Um rádio distante fala em espanhol,
mistura de ordem, de medo e farol,
e o agente carimba sem nem perceber
que ali tem um universo tentando crescer.
Tem cheiro de estrada, de ônibus antigo,
de alguém que perdeu o próprio abrigo,
de um Renault velho cruzando a serra,
levando saudade que nunca se encerra.
E a criança espera — não sabe o quê,
talvez um abraço que o mundo esqueceu de ter,
talvez um sinal, uma mão no ar,
dizendo “pode ir, você pode passar”.
Mas a aduana é feita de tempo e parede,
de quem não entende a sede da rede,
e a infância ali vira só suspensão,
entre o “fica” e o “vai” sem tradução.
No fim, só restam selos no olhar,
e um mapa que aprende a não voltar,
mas mesmo perdida, insiste em sonhar:
que toda fronteira um dia vai respirar.

A Mulher Segura vs o Jovem Intenso


Ela parecia inabalável.


Postura firme,
voz calma,
dessas mulheres que entram nos lugares
como quem já aprendeu a não precisar de aprovação.


Nada escapava do controle.
Nem o olhar.
Nem a saudade.
Nem o coração.


Até ele aparecer.


O jovem intenso.
Bonito de um jeito cansado.
Emocional demais.
Verdadeiro demais.


Daqueles que chegam bagunçando o ambiente
sem perceber.


Ele falava olhando nos olhos.
Sentia sem estratégia.
Amava sem diplomacia.


E isso desmontou ela.


Porque homens calculados
ela conhecia aos montes.
Mas homem sincero em excesso…
isso era perigoso.


Ele não tinha maturidade emocional perfeita,
nem promessas sólidas,
nem estabilidade.


Mas tinha presença.


E presença desarma gente forte.


Então a mulher segura começou a falhar
em pequenos detalhes:


pensava nele no trânsito,
abria conversas antigas,
sorria sozinha sem perceber,
e odiava o fato
de sentir falta daquele caos juvenil.


Ela, que sempre controlou tudo,
agora esperava mensagem.


Ela, tão racional,
criando expectativa igual adolescente.


E o pior:
sem nunca admitir.


Porque certas mulheres
preferem sangrar em silêncio
do que parecer vulneráveis.


Já ele…
nem entendia o tamanho do estrago que causou.


Só sabia sentir.


E foi justamente isso
que atravessou ela inteira.

Niño Muerto — Criança Morta
Matei um menino esses dias.
Ele ainda morava em mim.
Dormia no fundo dos planos,
nas promessas, nos enganos,
nos romances inventados
e nos sonhos exagerados
que eu chamava de futuro
pra não encarar o escuro
de aceitar que certas coisas
já nasceram sem durar.
O menino acreditava.
Esse foi seu maior pecado.
Achava que olhar bonito
era destino traçado.
Que silêncio era mistério,
não desinteresse calado.
Transformava migalha em festa,
fantasia em manifesto,
e qualquer toque pequeno
virava algo colossal.
Criava palácio em fumaça,
fazia altar de ameaça,
e chamava de “conexão”
o que era solidão
com maquiagem emocional.
Foi longe sustentando.
Nossa… como foi longe.
Carregou ausência no peito
como quem carrega medalha.
Defendeu gente vazia
em discussão, em batalha.
Mentiu pra si tantas vezes
que a mentira virou casa.
E toda ilusão alimentada
crescia igual incêndio em brasa.
Porque a idealização
é bonita no começo:
ela te veste de rei
mesmo afundado no avesso.
Te dá gosto de epopeia,
transforma carência em ceia,
faz o abismo parecer
só mais um caminho estreito.
Até que a realidade chega.
E ela chega sem poesia.
Sem música.
Sem fotografia bonita.
Chega igual água fria
invadindo quarto vazio.
Mostrando que o “pra sempre”
às vezes dura um desvio.
Que o amor que você jurava
era só necessidade.
Que metade da esperança
era medo da verdade.
Então o menino morreu.
Não com sangue.
Nem com grito.
Morreu quieto.
Sentado na beira da cama
olhando tudo aquilo
que ele chamou de destino
virar só mais uma lembrança
mal enterrada no caminho.
E o homem que ficou
aprendeu uma coisa amarga:
Quanto mais distante o sonho,
mais pesada fica a carga.
Porque toda fantasia
que a razão não desafia
uma hora cobra juros
com violência e ironia.
Hoje eu caminho mais seco.
Menos céu.
Menos excesso.
Porque crescer, às vezes,
não é ganhar maturidade.
É só descobrir
que a realidade
sempre encontra
a idealização escondida…
e termina o serviço
que a vida começou na ida.

A Misteriosa Mulher Hispano-Libanesa


Ela tinha olhos de fronteira,
fala baixa, fumaça ligeira.
Entrava nos lugares sem pedir licença,
misturando perigo com elegância densa.


Perfume amadeirado,
silêncio calculado.
Daquelas mulheres
que fazem o caos parecer organizado.


Metade Beirute, metade Tijuana,
fria de dia, de noite insana.
Andava como quem sabe demais,
como quem já viu impérios caindo em jornais.


Ria pouco.
Observava muito.


E quando falava espanhol
parecia oração e delito.


Usava ouro discreto no dedo,
vestido escuro, cigarro aceso.
Tinha algo de santa cansada
e contrabandista sofisticada.


Os homens olhavam demais.
Ela nunca devolvia igual.


Porque certas mulheres aprendem cedo
que mistério também é poder emocional.


Ela carregava um ar melancólico e fino,
vinho barato, hotéis, cassino.
Parecia saída de algum bolero antigo
onde todo amor termina em perigo.


Não prometia futuro.
Nem paz.


Só aquela sensação estranha
de querer ficar
mesmo sabendo
que ela sempre vai embora antes.


E talvez fosse isso
o mais bonito nela:


a forma seca, elegante e cruel
com que transformava ausência
em vício silencioso.